11.721 – Geofísica – Partículas fantasmas são provenientes do centro da Terra


geoneutrini
Com a utilização de um laboratório subterrâneo, na Itália, foi encontrada a primeira evidência sólida de que as partículas subatômicas neutras são produzidas sob a crosta terrestre. A pesquisa poderia ajudar a revelar quais elementos radioativos se encontram no interior do planeta e os processos radioativos geradores de calor no interior da Terra. Os dados foram relatados na revista Physical Review D.
Neutrinos são gerados por reações nucleares que envolvem o decaimento de átomos instáveis e são frequentemente descritos como “fantasmagóricos”, por serem muito pequenos. Eles são cerca de 500 mil vezes mais leves do que o elétron, de acordo com o portal Live Science. Como não possuem carga e raramente interagem com outras partículas, não costumam atacar átomos. Mas, quando o fazem, um flash de luz é criado, que já foi gravado anteriormente por cientistas como prova de sua existência.
Porém, foram detectados neutrinos vindos do interior da Terra. Tais “geoneutrinos” dão um vislumbre físico sobre o núcleo de nosso planeta. Os especialistas, agora, podem identificar isótopos radioativos individuais no interior da Terra e descobrir como seu calor afeta a atividade geológica de, por exemplo, vulcões e terremotos.
A BBC informou que o interior da Terra gera 20 vezes mais calor que todas as estações de energia do planeta. Embora a maioria de seu calor seja perdido, outras fontes vêm do decaimento de elementos radioativos. Até agora, ninguém foi capaz de arriscar um palpite sobre sua quantidade.
Os cientistas no Laboratório Nacional de Gran Sasso, na Itália, que está localizado 1,5 km abaixo dos Apeninos, usou o detector de neutrinos Borexino para estudar as partículas fantasmas. O instrumento usa 2.200 sensores para detectar raros lampejos de luz emitidos quando neutrinos interagem com 200 toneladas de um óleo especial, alojado no interior de uma esfera. Assim, 24 geoneutrinos foram identificados, dentro de 2.056 dias. Onze vieram do manto da Terra e 13 de sua crosta.
Esses geoneutrinos sugerem que cerca de 70% do calor presente no interior da Terra é criado por radioatividade, mas o número ainda é incerto. “Há 98% de certeza, o que significa que ainda há uma pequena probabilidade de que não exista nenhum sinal do manto”, disse Aldo Ianni, um físico de partículas experimental do laboratório, em entrevista à BBC. Esses 2% de chance de erro são muito grandes para a pesquisa ser definida como uma “descoberta”, de acordo com as regras da física de partículas.
De acordo com Ianni, a fim de obter um número mais preciso, a equipe internacional precisará reunir dados por cerca de 17 anos. No futuro, os peritos podem instalar mais detectores de geoneutrinos em locais diferentes, ao redor do mundo, para analisar como os elementos radioativos são distribuídos do interior do nosso planeta.

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