11.628 – Biologia – Pererecas usam cabeçadas para envenenar inimigos


Trata-se de uma descoberta importante, pois faz com que duas espécies nacionais, conhecidas como pererecas-de-capacete, devam mudar de categoria: de animais venenosos para peçonhentos.
O trabalho, já aceito para publicação na revista “Current Biology”, é uma parceria entre o Instituto Butantan e a Universidade de Utah.
Venenosos são aqueles organismos –como taturana, sapos, algumas plantas e o baiacu– que produzem veneno mas não têm um mecanismo capaz de injetá-lo.
Já os organismos peçonhentos –como aranha armadeira, jararaca, arraias e água-viva– têm essa capacidade para agredir quem incomoda.
Os animais do primeiro grupo têm a chamada defesa passiva. O segundo grupo, ativa.
Até então, as pererecas ficavam teriam defesa passiva porque, como os sapos, apresentam glândulas de veneno na pele, que só com um evento físico (como uma mordida) afetavam o predador.
A mudança de categoria das pererecas-de-capacete veio de uma experiência bastante real, sofrida pelo biólogo Carlos Jared, pesquisador do Instituto Butantan e um dos autores do estudo.
As espécies –Corythomantis greeningi e Aparasphenodon brunoi– foram descritas há mais de um século, mas até então o comportamento de dar cabeçadas não havia sido documentado.
A flexibilidade dos bichos é descomunal: mesmo com o corpo imobilizado, conseguem mexer o pescoço em grandes amplitudes, permitindo golpes venenosos.
As cabeças são úteis tanto para defesa quanto para evitar perda de umidade. A C. greeningi (da caatinga, também conhecida como jia-de-parede) se esconde em buracos em troncos de árvores e entre pedras, deixando só a cabeça para fora. As cabeçonas vedam os buracos, mantendo os bicho hidratados.
As A. brunoi são da mata atlântica e tem aparência menos enrugada que os animais da caatinga; seu veneno é 25 vezes mais potente que o da jararaca (o da C. greeningi é só duas vezes mais potente).
“Esse estudo, entre outras coisas, serve para o público e os biologistas perceberem que pererecas nem sempre são tão gentis quanto pensamos”.