11.608 – Depressão pós-AVC é tratada com eletricidade em pesquisa da USP


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Pesquisadores da USP mostraram que é possível tratar casos de depressão pós-AVC (acidente vascular cerebral) com uma técnica indolor e de baixo custo, que envolve passagem de corrente elétrica pelo cérebro do paciente. É a estimulação craniana com corrente elétrica contínua.
Durante a estimulação, ainda em fase experimental, a corrente elétrica entra no cérebro do paciente por meio de um eletrodo colocado em um dos lados da cabeça, atravessa o cérebro, e sai por um outro eletrodo, do outro lado. Uma bateria simples, de 9 volts, alimenta o circuito.
Os pesquisadores da USP recrutaram 48 pacientes que estavam com depressão depois de terem sofrido um AVC e dividiram esses pacientes em dois grupos: 24 pessoas receberam a estimulação ativa por 30 minutos ao dia, durante 10 dias; os outros 24 (grupo placebo) tinham a mesma rotina dos outros pacientes mas neles o aparelho funcionava apenas pelo período de 30 segundos.
A aplicação aconteceu no Hospital Universitário da USP, na zona oeste de São Paulo, entre os 2012 e 2014.
Além da aplicação na depressão pós-AVC, a estimulação com corrente elétrica contínua (ECEC) está sendo testada contra dor crônica, enxaqueca, epilepsia e fibromialgia –com resultados preliminares positivos. Em testes contra a esquizofrenia, os resultados foram ainda mais animadores.
No caso do estudo da depressão pós-AVC, 38% dos pacientes tratados tiveram melhora clínica e apresentaram bons resultados em mais de metade dos sintomas da depressão. No grupo placebo, apenas 4% dos pacientes melhorou. Eles realizaram o mesmo tratamento do grupo ativo após o término da pesquisa.
O tratamento não inclui antidepressivos, que apresentam efeitos colaterais como tontura, náuseas, e boca seca.
O trabalho foi apresentado do Congresso da Sociedade de Psiquiatria Biológica, em Toronto, em maio deste ano.
Cerca de um terço das pessoas que sofreram AVC apresentam depressão como uma complicação do episódio. Apesar disso, a relação entre os eventos não é totalmente clara. Uma hipótese é a de que as sequelas e a debilidade do paciente contribuem para o desenvolvimento da depressão.
Metade dos pacientes com depressão pós-AVC tratados com a estimulação não tiveram recaída de nenhum dos sintomas. É o caso de Angelina dos Santos, 43, que sofreu um AVC há quatro anos e teve depressão como uma complicação. “Não tinha forças para nada. Quando tinha que ir ao médico me sentia como se tivesse que atravessar o oceano”.
Quando a equipe de Brunoni e Leandro Valiengo (outro autor do estudo) entrou em contato com ela sobre o tratamento, ela aceitou participar e agora não sente mais os sintomas da depressão.
A corrente contínua é aplicada no paciente acordado, sem anestesia e não apresenta nenhum efeito colateral sério.
Existem outros tratamentos para a depressão que dispensam medicação. A eletroconvulsoterapia, conhecida como eletrochoque, e a estimulação magnética são outras possibilidades já aprovadas para uso no país.
Na eletroconvulsoterapia os eletrodos induzem uma corrente elétrica no cérebro com o paciente anestesiado. É indicada para depressão profunda e para pacientes que não respondem ao tratamento convencional.
Já a estimulação magnética é indolor e, como a ECC, não requer anestesia.
Uma bobina, que é apoiada na cabeça do paciente, gera um campo magnético que afeta os neurônios, ativando-os ou inibindo-os. O aparelho de estimulação magnética, porém, pode custar até 20 vezes mais que o de corrente contínua.

11.607 – Aquecimento Global já Aumentou o Nível do Mar


O Rio de Janeiro só não virou Veneza porque ainda não deu tempo
Como todo o cético climático costuma lembrar, a Terra já passou por vários períodos de aquecimento e resfriamento antes do atual – causado, sim, pelo fato que estamos reintroduzindo na atmosfera o carbono que um dia esteve no ambiente, e tornava outras eras mais quentes.
Há 3 milhões de anos, quando nossos ancestrais peludos tentavam se equilibrar em duas patas na África, a atmosfera tinha uma quantidade de carbono e temperatura equivalentes à de hoje em dia. Motivo para relaxar e ir à praia num Hummer para curtir um churrasco no carvão mineral? Bom, acontece que, então, o nível dos oceanos era ao menos seis metros mais alto. Não esqueça a boia.
Foi o que revelou um estudo de paleoclimatologistas da Universidade Estadual do Oregon (EUA). Eles compilaram os resultados de 30 anos de pesquisa sobre o gelo polar e nível de oceanos, descobrindo como um aquecimento relativamente modesto pode causar mudanças tão dramáticas.
Por que, então, você ainda não teve de vender sua casa em Bertioga para uma fazenda de ostras? “Leva um tempo para o aquecimento derreter as calotas polares”, afirma paleoclimatologista e geólogo glacial Anders Carlson, condutor do estudo. “Mas não leva para sempre. Existem evidências de que a transformação está tomando lugar agora.”
Seu colega e coautor, Peter Clark, arrisca uma previsão: “o que é assustador é que o nível de CO2 continua a subir, então estamos entrando em território desconhecido. O que não é certeza é o período exato, que é menos bem determinado. Podemos estar falando de entre vários séculos a alguns milênios para vermos o impacto total do derretimento das calotas polares”.
Dica de investimento: não compre apartamento na praia abaixo do terceiro andar.

11.606 – Cidade holandesa será a primeira do mundo com uma estrada feita com plástico reciclado


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A Holanda pode se tornar o primeiro país do mundo a pavimentar suas ruas com garrafas plásticas, após a prefeitura da cidade de Roterdã afirmar que está considerando implantar um novo tipo de cobertura para suas ruas, considerado por seus criadores como uma alternativa mais sustentável ao asfalto.
A empresa VolkerWessels apresentou os planos para uma superfície feita inteiramente com plástico reciclável, que precisaria de menos manutenção do que o asfalto e poderia aguentar grandes variações de temperatura, entre -40ºC e 80ºC.
As estradas poderiam ser construídas em questão de semanas, ao invés de meses, e durar três vezes mais, segundo seus inventores.
A produção de asfalto é responsável pela emissão de 1,6 milhão de toneladas de CO2 por ano no mundo todo, quase 2% de toda poluição gerada nas estradas e ruas do planeta.
“O plástico oferece todos os tipos de vantagem, comparando-se ao modo como as ruas e estradas são feitos atualmente, tanto na construção das ruas como na manutenção delas”, afirma Rolf Mars, executivo da VolkerWessels.
As estradas de plástico são mais leves, reduzindo o impacto no solo, e ocas, tornando mais simples a instalação de cabos e encanamentos embaixo da superfície.
Cada pedaço de estrada pode ser pré-moldado em uma fábrica e transportado até onde eles serão instalados, reduzindo o transtorno causado pela construção de estradas. Ou seja: menos congestionamento por causa das obras na pista.
Mars afirma que o projeto PlasticRoad ainda está em um estágio conceitual, mas a empresa espera conseguir construir a primeira estrada completamente reciclada em até três anos. A cidade de Roterdã já assinou um acordo para realizar o primeiro teste da tecnologia.

11.605 – Pesquisadores veem sinais de progresso em tratamento para Alzheimer


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Após décadas de pesquisas sobre o mal de Alzheimer, incluindo 123 drogas que fracassaram no tratamento da doença, os principais pesquisadores da área disseram estar mais confiantes sobre a chegada de um tratamento efetivo.
O otimismo tem se espalhado antes da Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (CIAA), que começa neste sábado em Washington, nos Estados Unidos.
Novas drogas experimentais das empresas Eli Lilly e Biogen se mostraram promissoras em reduzir a progressão da doença que afeta o cérebro, atraindo a atenção de investidores e pacientes.
Os medicamentos estão nas fases iniciais de desenvolvimento, mas os pesquisadores da área adquiriram um vasto conhecimento sobre as transformações do cérebro afetado pelo Alzheimer, e possuem um entendimento melhor sobre como e quando intervir com remédios.
“O chavão que se repete desde sempre é: ‘uau, estamos a cinco anos de um tratamento realmente efetivo'”, disse Steven Ferris, que dirige o programa de testes clínicos sobre Alzheimer no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês).
“Seria prematuro dizer que tivemos um avanço decisivo, mas existem muitas coisas em andamento que são bastante promissoras”, acrescentou Ferris, que está envolvido com os testes há mais de 40 anos.
As drogas da Lilly e da Biogen bloqueiam a beta-amiloide, proteína que causa placas cerebrais tóxicas características da doença mental progressiva.
Estima-se que 5 milhões de pessoas possuam Alzheimer nos EUA. A Associação de Alzheimer projeta que até 28 milhões de norte-americanos vão desenvolver a doença até meados do século.

11.604 – Incêndio em Roma em 18-07-0064


Em um dia como hoje, no ano de 64, teve início um grande incêndio de Roma, que destruiu boa parte da cidade. Apesar das histórias mais conhecidas sobre o episódio, não há nenhuma evidência de que o imperador romano Nero tenha iniciado o incêndio ou estivesse tocando violino enquanto ocorria a tragédia. Ainda assim, ele usou o desastre para seguir com seus planos políticos.
O fogo começou na favela de um distrito ao sul do lendário Monte Palatino. As casas da região queimaram rapidamente, e o fogo logo se espalhou para o norte, alimentado por ventos fortes. Durante o caos, houve relatos de grandes saques. O fogo só pode ser controlado após quase três dias. Três dos 14 distritos de Roma foram completamente destruídos; apenas quatro permaneceram ilesos após a tragédia. Centenas de pessoas morreram e milhares ficaram desabrigadas.
Embora a lenda popular diga que o imperador Nero tocava violino enquanto a cidade ardia, essa história é cercada de contradições. Antes de tudo, o violino nem sequer existia na época. Além disso, Nero era conhecido por seu talento na lira; muitas vezes ele compôs a sua própria música. Mais importante ainda, Nero estava a 56 quilômetros de distância, em Antium, quando o fogo começou. Na verdade, ele deixou seu palácio ser usado como abrigo.
As lendas em torno da responsabilidade de Nero no incêndio podem ter surgido por várias razões. Primeiramente, ele não gostava da estética da cidade e usou a devastação causada pelo fogo como motivo para mudar a arquitetura e instituir novos códigos de construção em toda a cidade. Nero também usou episódio para reprimir a crescente influência dos cristãos em Roma. Ele prendeu, torturou e executou centenas deles sob o pretexto de que estariam envolvidos com as causas do incêndio.

11.603 – Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo


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Com 10.582 quilômetros quadrados. Ele está localizado nos departamentos de Potosí e Oruro, no sudoeste da Bolívia, perto da borda da Cordilheira dos Andes e está a uma altitude de 3.656 metros acima do nível médio do mar.
O Salar foi formado como resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos. Ele é coberto por alguns metros de uma crosta de sal, que tem um nivelamento extraordinário com as variações de altitude média de menos de um metro ao longo de toda a área do Salar. A crosta serve como uma fonte de sal de cobre e de uma piscina de salmoura, que é extremamente rica em lítio. Ele contém de 50 a 70% das reservas mundiais de lítio, recurso que está no processo de ser extraído. A área grande, o céu claro e o nivelamento excepcional da superfície fazem do Salar um objeto ideal para calibrar os altímetros de satélites de observação da Terra.
O Salar serve como a principal via de transporte em todo o Altiplano boliviano e é um importante terreno fértil para várias espécies de flamingos cor de rosa. A região também uma zona de transição climatológica entre as imponentes nuvens tropicais congestus cumulus e cumulus bigorna que se formam na parte oriental na planície de sal durante o verão e não pode permear além de suas bordas ocidentais mais secas, perto da fronteira com o Chile e o deserto de Atacama.
Há cerca de 40 mil anos a área do atual deserto de sal fazia parte do lago Michin, um gigantesco lago pré-histórico. Quando o lago secou, deixou como remanescentes os atuais lagos Poopó e Uru Uru, e dois grandes desertos salgados, Coipasa (o menor) e o extenso Uyuni. O Salar de Uyuni tem aproximadamente 10 582 km² de área, ou seja, é maior que o lago Titicaca, situado na fronteira Bolívia-Peru e que apresenta aproximadamente 8300 km².
Estima-se que o Salar de Uyuni contenha 10 bilhões de toneladas de sal, das quais menos de 25 mil toneladas são extraídas anualmente. Além da extração de sal, o deserto de sal também é um importante destino turístico. Seus principais pontos de visitação são o hotel de sal, desativado, e a Ilha do Pescado, com suas formações de recife e os cactos de até 10 metros de altura.
O deserto de sal é composto por aproximadamente 11 camadas com espessuras que variam entre 2 e 10 metros, sendo a mais externa de 10 metros. A profundidade total é estimada em 120 metros e é composta de uma mistura de salmoura e barro lacustre. O deserto de sal é também uma das maiores reservas de lítio do mundo, além de conter importantes quantidades de potássio, boro e magnésio. A origem do sal provavelmente está relacionada com a imensa quantidade de vulcões na envolvente do Salar de Uyuni já que situa-se sobre uma região de altiplano, 3650 m acima do nível do mar. A concentração do sal é também facilitada pelo fato de ser uma região muito árida.
No início de novembro, quando começa o verão, é lar de três espécies sul-americanas de flamingos: o chileno, o andino e o flamingo de James. Os flamingos aparecem no verão pois é quando se inicia o período de chuvas e também quando acontece o descongelamento das geleiras nos Andes que deixa o deserto de sal coberto de água, tornando-o um imenso lago com profundidade média de 30 cm.
Neste período, ele parece um enorme espelho que se confunde no horizonte com o céu. Assim os passeios ficam restritos a algumas áreas. Entretanto, entre abril e novembro todo o deserto de sal fica acessível, pois torna-se um imenso deserto seco com uma paisagem ainda mais exótica.
Além do deserto de sal, ilha do Pescado e as lagoas coloridas onde se vê os flamingos, é possível num mesmo percurso conhecer lagoas de águas termais, sendo uma delas formada de piscinas e a outra natural. Também existem gêiseres que exalam vapor a uma temperatura de 38°C, a mesma temperatura da água.

11.602 – Sociedade e Miséria – O Grande Hotel Beira


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Localizado na cidade de Beira, em Moçambique, o Grande Hotel Beira foi inaugurado em 1955 e chegou a ser o maior e mais refinado do continente. Sem hóspedes, viu-se obrigado a fechar as portas depois de OITO anos.
Em seu auge, o Grande Hotel, outrora conhecido como “o orgulho da África”, contava com 122 espaçosos quartos espalhados por uma área de 21 mil metros quadrados. Seus três andares abrigavam lojas, restaurantes, cinemas, discotecas e salões de festas; além disso, o lugar oferecia uma moderníssima piscina olímpica (a única do país). Hoje, os espaços estão distribuídos entre os moradores. Nos quartos, subdivididos em quatro ou mais casas cada um, moram ao todo 378 famílias.
No início da ocupação, ainda durante a guerra civil (1977-1992), os moradores começaram a desmontar todas as peças nobres e revender o material. Assim foram embora placas de mármore do revestimento interno, o ferro dos corrimãos, os encanamentos e a fiação elétrica, deixando o complexo sem energia, sem água, sem sistema sanitário e sem equipamento de segurança. Não é raro encontrar filas de moradores enchendo baldes para uso pessoal do lado de fora, e outros com doenças derivadas das péssimas condições higiênicas. A falta de corrimãos também provoca acidentes durante a noite.

UM COMÉRCIO NO FIM DO TÚNEL
Mesmo precária, a estrutura majestosa ainda se mostra em várias partes do hotel , que é um dos maiores exemplos de reapropriação do legado colonial, ajudada pelo fracasso do poder público em oferecer uma solução para o problema da habitação. Para se sustentarem, os moradores comercializam comida e bebidas nos corredores.
O espaço interno do Grande Hotel é quase inteiramente ocupado pelos moradores. Até o antigo lobby é adaptado para moradia. Quem decide onde as pessoas vão ficar são líderes comunitários como; esses mesmos líderes também são responsáveis pela segurança dos moradores.

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