11.526 – O transplante de cabeça seria viável no futuro?


transplante de cabeça

Uma experiência científica polêmica:
Canavero afirma ter resolvido todos os problemas de Robert White, seu mentor, que, em 1970, relatou, após colocar a cabeça de um macaco em um novo corpo, que viveu por um certo tempo, mas depois morreu, sem conseguir se mover. Canavero afirma que ele e uma equipe de 150 pessoas serão capazes de trocar um corpo humano inteiro, em 2017.
Ele prometeu revelar os detalhes da cirurgia ainda este mês. Enquanto esperamos, o portal NyMag reuniu conselhos de especialistas, considerando os enormes obstáculos que ele enfrentará.

A medula espinhal
O corte que Canavero propõe – na vértebra C5 ou C6 – deve ser preciso, mas incrivelmente suave. Em seguida, ele diz que vai colocar a medula espinhal em conjunto com polietilenoglicol, um composto encontrado em vários produtos, desde pasta de dentes até munição de paintball. “Não estamos nem perto de realizar isso”, explica Michael Fehlings, um neurocirurgião que chama a ideia de “fantasiosa”. (No ano passado, na China, uma equipe tentou fazê-lo em ratos. Os ratos morreram em poucas horas.) “Mesmo se houver é um corte limpo”, acrescenta Jerry Silver, um professor de neurociência da Case Western. “O sangramento irá criar uma resposta imune enorme, prejudicando o tecido rapidamente”. Silver assistiu a cirurgia de White nos macacos e recorda das imagens como ‘horríveis’.

A estrutura do pescoço
Eduardo Rodriguez, um cirurgião plástico reconstrutivo na NYU Langone Medical Center, nos EUA, que fez um dos mais extensos transplantes de rosto, até à data, diz que o corte cruzado será uma bagunça. “A coluna vertebral é como um cabo com fibras que você tem que realinhar corretamente para que eles transmitam ao lugar certo e se conectem com a orientação certa. O esôfago e a traqueia são como cebolas, com múltiplas camadas, cada uma exigindo seus próprios conjuntos de suturas”, disse.
O sistema vascular
Canavero teria, no máximo, uma hora para fazer o sangue fluir novamente. O neurologista vascular, Neil Schwartz, diz que é difícil imaginar até mesmo quatro ou mais cirurgiões reconectarem tudo no tempo previsto.

O sistema nervoso parassimpático
O nervo vago, que seria difícil de ser recolocado, controla muitas coisas, como a digestão, a fala e a sudorese. “O paciente não teria nenhum controle da frequência cardíaca, que iria disparar”, diz Silver.

O sistema respiratório
O diafragma não contrairá sem impulsos bem coordenados pela incisão, observa Schwartz. Ele duvida que um paciente iria voltar a respirar, e muito provavelmente não seria capaz de coordenar a respiração com a fala ou a deglutição.

A Mente
“O cérebro não está contido em um balde”, diz Art Caplan, diretor de ética médica na NYU Langone. “Ele se integra com a química do corpo e de seu sistema nervoso. Será que um cérebro é capaz de integrar, novamente, sinais, percepções e informações de um corpo diferente? Acho que o resultado mais provável seja a insanidade ou a deficiência mental grave”, completou.
Rodriguez da NYU, diz que as questões psicológicas são ainda piores que as físicas, tornando-se um fator limitante até mesmo nos transplantes de rosto. “E estamos falando apenas de um rosto, agora”, acrescentou.

A cabeça inteira
Todos os transplantes precisam ser seguidos de medicamentos imunossupressores, mas ninguém sabe a dose que uma nova cabeça exigiria, de acordo com Caplan. “Ele também pode acabar sendo oprimido com diferentes percursos e química e simplesmente ficar louco”, finalizou.

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