11.480 – Ecologia e Tecnologia – O APP da Biodiversidade


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Não importa onde você esteja, o Map of Life (MOL), Mapa da Vida em tradução literal, pode dizer quais espécies de animais e plantas vivem próximas a você com base na localização do seu celular. Em vez de procurar por centenas de páginas em um guia impresso, naturalistas podem ter um guia de campo digital feito sob medida para a sua localização através de um aplicativo.
O MOL*, projeto da Universidade de Yale em parceria com a Nasa, eBird, Google, entre outros, acabou de lançar um aplicativo que integra fontes diferentes de dados de distribuição das espécies pelo mundo. Mapas de área de distribuição, pontos de ocorrência e áreas de proteção são fornecidos pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), WWF (Fundo Mundial para a Natureza, na sigla em inglês), GBIF (Sistema Global de Informação sobre a Biodiversidade, na sigla em inglês) entre outras instituições.
Ao acessar o aplicativo, você fornece sua localização e uma lista de espécies com área de ocorrência próxima ao lugar onde você se encontra aparece na tela do celular. Todos os dados são gerenciados, checados, armazenados e podem ser acessados via cloud hosting (sistema baseado na tecnologia de computação em nuvem que permite que um número ilimitado de máquinas funcionem como um sistema).
Fotos ajudam a identificar o animal ou planta e textos fornecem informações sobre as espécies. O usuário também pode criar listas pessoais de observação, contribuir com pesquisas científicas e projetos de conservação e ajudar a atualizar informações sobre a biodiversidade local.
“O aplicativo coloca uma parte significativa do nosso conhecimento global sobre a biodiversidade na palma da sua mão, e permite que você descubra e se conecte com a biodiversidade em um lugar, onde quer que esteja”, disse Walter Jetz, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale e coordenador do MOL, em entrevista para o site YaleNews. Segundo Jetz, os guias de campo em forma de livros estão ultrapassados. O MOL é uma ferramenta que permite se conectar com a biodiversidade de uma forma mais eficiente e emocionante. “Esta vasta informação, personalizada para o lugar onde estamos, pode mudar a forma como identificamos e aprendemos sobre as coisas que vemos quando viajamos, caminhamos na mata, ou pisamos no nosso próprio quintal.”
O MOL está disponível em cinco idiomas (ainda não existe em português, mas as espécies da nossa fauna podem ser encontradas) para smartphones iPhone e Android. Para obter mais informações e baixar o aplicativo visite o site do Map of Life.

11.479 – Entenda o ‘milagre’ da tecnologia que recupera a audição


Dos nossos cinco sentidos, o único que pode ser substituído com uma prótese é a audição. O ouvido biônico, ou implante coclear, é uma prótese sensorial que substitui o ouvido humano. Hoje, no mundo, existem mais de 60 mil usuários de implante coclear.
Quando as ondas sonoras chegam aos nossos ouvidos, elas entram no canal auditivo e atingem o tímpano. A partir daí, essas ondas sonoras são mecanicamente amplificadas e transmitidas para a parte interna do ouvido; é ali que está a cóclea, responsável por enviar os sinais do som para os nervos e para o cérebro. No implante coclear, o som entra por um microfone e é processado por um microcomputador externo. O som então é transformado em informação digital e transmitido via ondas de rádio para o implante na parte interna do ouvido. Os eletrodos colocados dentro da cóclea estimulam eletronicamente o nervo auditivo e a pessoa volta a escutar.
Há quase 10 anos, Walter perdeu completamente a audição; ele ficou um ano sem ouvir absolutamente nada, até que descobriu o implante coclear. Em 2006 ele fez a primeira cirurgia. Após 30 dias da operação, o aparelho foi ativado e, como um passe de mágica – ou um milagre da tecnologia – ele voltou a ouvir!
O implante coclear não é algo novo; começou a ser feito ainda na década de 70. Mas com o avanço da tecnologia, se tornou mais acessível e também evoluiu bastante em questões de hardware e software. Hoje, a audição de um implantado é praticamente perfeita.
Curioso é que mais do que devolver a audição – o que já é espetacular – a tecnologia permite ainda que o aparelho externo se conecte via Bluetooth com outros dispositivos. Aí, o ouvido biônico realmente ultrapassa a capacidade humana.
O implante coclear é bem diferente dos tradicionais aparelhos auditivos. Estes dispositivos apenas amplificam o som, mas se a pessoa não escuta nada, não adianta amplificar. É mais ou menos como dar óculos a um cego e esperar que ele volte a enxergar.
No Brasil, o implante coclear é 100% custeado pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. O procedimento é feito inclusive em crianças recém-nascidas com deficiência auditiva. Para jovens e adultos existe todo um protocolo de avaliação para definir se o paciente realmente necessita do implante.

11.478 – Empresário indiano desiste de sua fortuna de R$ 311 milhões para se tornar um monge


indiano

O “rei dos plásticos” de Delhi, na Índia, abriu mão de um império de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 311 milhões de reais), durante uma cerimônia, tornando-se o discípulo número 108 do guru jainista, Shri Gunratna Surishwarji Maharaj.
A decisão de Doshi foi influenciada por palestras jainistas que sustentavam sua espiritualidade desde 1982. Mas a sua família – sua esposa e três filhos – foram sempre relutantes em deixá-lo seguir o caminho para se tornar um monge. Eles finalmente cederam à sua vontade, no ano passado, permitindo que Doshi realizasse seu sonho de longa data. Sua iniciação na vida monástica ocorreu em uma cerimônia extravagante, em Ahmedabad, Gujarat.
O local foi especialmente decorado para o evento, com 20.000 varas de bambu que formavam o palco, além de 3.000 trabalhadores e 200 guardas de segurança. Cerca de 150 mil pessoas participaram do evento; 7.000 vieram de fora da cidade, e 500 quartos do hotel foram agendados para acomodá-los. Doshi entrou no palco vestido com roupas luxuosas, mas trocou seu traje por roupas de algodão simples, durante a cerimônia.
iniciação de Doshi foi seguida por uma procissão de sete quilômetros, contando com 1.000 monges, 12 carros, nove elefantes, nove carros de camelo, e músicos. Várias personalidades importantes participaram do evento, incluindo o industrial indiano Gautam Adnani. Cerca de 16 milhões de dólares (cerca de R$ 50 milhões de reais) foram gastos com a ocasião. Dinheiro, moedas de ouro e as chaves do carro foram jogados na multidão durante a procissão.
Doshi, que é originalmente de Rajasthan, se recusou a juntar-se à empresa têxtil de seu pai na década de 1970. Ele pegou dinheiro emprestado de seu pai para começar seu próprio negócio de comércio de plástico, em Delhi. Depois de quatro décadas de crescimento, sucesso e um estilo de vida luxuoso, Doshi trocou tudo por uma vida de austeridade.
Agora ele precisa usar roupas simples, andar descalço, e jamais poderá cortar o cabelo. “A vida de um monge jainista é semelhante ao de uma concha que não pode ser pintada por qualquer outra cor”, disse Surishwarji Maharaj. Mas Doshi permanece irredutível com suas escolhas.
“É sempre difícil quando o chefe da família opta pelo diksha. Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que teve quando anunciou sua decisão só pode ser descrita ao presenciar o fato”, descreveu seu filho, Rohit, que tem um MBA no Reino Unido. Ele acrescentou que seu pai não encontrou valor na educação formal. Em vez disso, ele acredita que “o único e verdadeiro caminho é o caminho do moksha (salvação)”.

11.477 – Novo exame pode revolucionar a medicina com apenas uma gota de sangue


exame
O teste, que ainda é experimental, custaria cerca de US$ 25 dólares (R$ 78 reais) e poderia se tornar um importante instrumento de pesquisa para rastrear padrões de doença em várias populações do mundo.
O teste também poderia ser usado para tentar descobrir se os vírus, ou a resposta imunológica do corpo para eles, contribuem para doenças crônicas e câncer. “Tenho certeza que existirão muitas aplicações que jamais havíamos sonhado”, disse Stephen J. Elledge, autor sênior do estudo e professor de genética na Harvard Medical School e Hospital Brigham and Women, que foi publicado na revista Science.
O teste pode detectar a exposição passada por mais de 1.000 cepas de vírus, de 206 espécies diferentes. Isso representa, praticamente, todos os vírus conhecidos que infectam as pessoas. O teste funciona pela detecção de anticorpos, proteínas altamente específicas que o sistema imunitário criou em resposta a vírus.
O teste foi feito em 569 pessoas nos Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Peru. O exame de sangue constatou que a maioria tinham sido exposta a cerca de 10 espécies de vírus, sendo a maioria deles os chamados ‘vírus habituais’, como os causadores de resfriados, gripe, doença gastrointestinal e outras mais comuns. Porém, alguns indivíduos apresentavam indícios de exposição à cerca de 25 espécies, algo que Elledge não conseguiu explicar.
Houve algumas diferenças nos padrões de exposição de continente para continente. Em geral, as pessoas fora dos Estados Unidos tiveram maiores taxas de exposição aos vírus. A razão não é conhecida, mas os pesquisadores disseram que poderia ser devido a “diferenças de densidade populacional, práticas culturais, saneamento ou suscetibilidade genética”.
“Este será um tesouro para a epidemiologia das doenças transmissíveis”, disse William Schaffner, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Vanderbilt, nos EUA. “Será como a introdução de um microscópio eletrônico. Teremos mais resolução em um nível micro”.
De acordo com Schaffner, uma possibilidade seria implantar o teste em grandes populações para descobrir as idades em que as crianças são expostas a várias doenças, a fim de ajudar a determinar o melhor momento para vacinação. Outra ideia, segundo ele, seria testar coleções de amostras de sangue congeladas para aprender sobre padrões históricos de doença.
Adolfo Garcia-Sastre, professor de microbiologia e medicina, disse que a nova tecnologia é “realmente surpreendente”. Ao mostrar o repertório completo de anticorpos que uma pessoa tenha produzido contra um vírus, o teste pode lançar luz sobre muitas doenças, disse ele. “Muitas doenças podem ser afetadas pelo tipo de anticorpos que uma pessoa tenha, induzidos por agentes infecciosos”, acrescentou.
Os candidatos mais óbvios são as doenças autoimunes, como esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Os pesquisadores já suspeitavam que os vírus podem contribuir para tais doenças, ao provocar o sistema imunológico a produzir anticorpos que confundem as próprias células de uma pessoa quando estão buscando “invasores” para atacá-los. Mas nunca nenhum desses vírus ou anticorpos foram identificados.
A tecnologia poderia ajudar a responder perguntas sobre o câncer, como por que a mesma doença progride mais rápido em alguns pacientes do que em outros, com a quimioterapia funcionando melhor em algumas pessoas. “Os anticorpos podem desempenhar um papel crucial, nesse fato”, disse ele.
Uma surpresa veio de pessoas infectadas com HIV. Elledge esperava que suas respostas imunes a outros vírus fossem diminuídas. “Em vez disso, eles têm respostas exageradas para quase todos os vírus”, relatou. Os pesquisadores ainda não sabem explicar o fato.
“Embora ainda não seja perfeito, nós pensamos que este método representa um grande avanço em direção ao objetivo de uma análise abrangente de infecções virais”, disse Elledge. .
A pesquisa foi financiada pelo Instituto Médico Howard Hughes. O teste pode levar de dois dias a dois meses para ser concluído, mas se fosse assumido por uma empresa e simplificado, isso poderia ser feito em dois ou três dias, de acordo com o autor.

11.476 – Data do Dia Namorados é lançada no Brasil em 12-06-1949


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A terceira data mais importante para o comércio no Brasil, o Dia dos Namorados, surgiu no país no dia 12 de junho de 1949, em São Paulo. A conceituada loja Clipper foi a primeira a aderir à novidade no mês de junho, época em que não havia nenhuma data importante para alavancar as vendas no comércio. A ideia foi de João Agripino da Costa Dória Neto, mais conhecido como João Dória, da empresa publicitária Standart Propaganda. Ele criou o slogan “não é só com beijos que se prova o amor” para incentivar os casais apaixonados a celebrar uma data especial.
A ideia teve como inspiração o Dia de São Valentim, comemorado em 14 de fevereiro em vários países do mundo, como Inglaterra e Estados Unidos. João Dória preferiu a data de 12 de junho no Brasil por ser a véspera da celebração do dia de Santo Antônio de Lisboa, conhecido como o Santo Casamenteiro. Pela iniciativa, a empresa de João Dória conquistou um prêmio de agência do ano.
Ainda foram necessários alguns anos para que a data do Dia dos Namorados ganhasse popularidade e trouxesse altos lucros aos comerciantes. Hoje, só perde em vendas para o Natal e o Dia das Mães.
Além de publicitário, João Dória também foi deputado federal pela Bahia em 1962, mas teve seu mandato cassado pelo Regime Militar. Ele se exilou na Inglaterra, onde obteve um PhD em psicologia. João Dória nasceu em Salvador em 1919 e morreu em São Paulo, em 2000, aos 81 anos.