11.458 – Cientistas criam duas “letras” adicionais para o DNA


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Adenina, guanina, citosina, timina – ACTG, os nucleotídeos, “letras” com que o código da vida é escrito. Por anos, cientistas vêm tentando ampliar esse alfabeto, adicionando novas bases naturais ou sintéticas.
Mas os resultados ainda deixavam algo a desejar – o DNA alterado ou não se reproduzia sem ajuda externa ou não formava uma hélice perfeita, critérios fundamentais para que tenha uso prático.
Cientistas da universidades da Flórida e Indiana acabam de apresentar dois estudos à American Chemical Society, que, de acordo com eles, são os primeiros a demonstrar duas letras adicionais em pleno funcionamento. No primeiro, descrevem duas novas bases sintéticas que se adaptam sem problemas ao DNA natural. São elas a “Z” (6-amino-5-nitro-2(1H)-piridona) e “P” (2-amino-imidazo[1,2-a]-1,3,5-triazina-4(8H)ona). No outro estudo, demonstraram em laboratório, usando células de fígado humano, como o DNA de seis letras ? GACTZP, na ordem que eles preferiram apresentar ? foi capaz de se replicar e evoluir.
Segundo os cientistas, “bibliotecas de [DNA] GACTZP são reservatórios de funcionalidade mais ricos que bibliotecas comuns”. Em outras palavras, elas permitem codificar mais informação que o DNA natural. A aplicação prática, segundo eles, não é criar supermutantes para substituir a humanidade, mas possivelmente inventar novos tipos de proteínas, para pesquisa ou usos médicos.

11.457 – Organismos terrestres podem sobreviver em Marte


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Um estudo da universidade de Arkansas colocou quatro espécies de micro-organismos terrestres em condições de baixa pressão atmosférica, similares às de um aquífero subterrâneo em Marte: Methanothermobacter wolfeii, Methanosarcina barkeri, Methanobacterium formicicum, e Methanococcus maripaludis. Todos conseguiram sobreviver e manter seus processos metabólicos.
As espécies são arqueias metanogênicas organismos primitivos que não precisam de oxigênio, extraindo sua energia do hidrogênio e usando o dióxido de carbono como material de construção celular, produzindo metano como resultado. Se a última expressão ativou uma risadinha interna é porque, sim, elas vivem nos intestinos e são responsáveis por parte dos gases – a parte que, junto como o hidrogênio, os torna inflamáveis e uma fonte infinita de piadas práticas. Mas também vivem em pântanos e outros locais insalubres, causando o macabro fogo fátuo.
As arqueias não são bactérias, nem eucariotas – isto é, os organismos com as células mais avançadas, das amebas e algas até você. “Esses organismos são candidatos ideias à vida em Marte”, afirma Rebecca Nichols, estudante de doutorado e coautora do estudo, apresentado na última convenção geral da Sociedade Americana de Microbiologia. “Todas as espécies de metanogênicos mostraram sobreviver após a exposição à baixa pressão, indicada pela produção de metano tanto nas culturas originais e as transferidas após o fim de cada experiência. Este trabalho representa um passo crucial em determinar se metanogênicos podem existir em Marte”.
Nichols também é autora de estudos anteriores, que provaram que esses organismos são capazes de sobreviver a ser congelados e descongelados diariamente, como acontece com os aquíferos no subsolo de Marte.

11.456 – Churrasquinho em Marte?


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Sua presença no céu foi notada pela primeira vez por astrônomos do Egito antigo. Tempos depois, o filósofo e físico grego Aristóteles se deu conta de que às vezes o planeta vermelho se escondia atrás do Sol, o que indicava que estava mais longe da Terra do que se imaginava. Quanto mais se conhecia sobre astronomia, mais crescia o fascínio por Marte. As manchas escuras seriam a prova da presença de rios caudalosos, e muitos diziam que o planeta era habitado por seres inteligentes. A euforia se espalhou pela ficção científica e pela cultura pop. Hoje se sabe que nada daquilo era verdade — Marte é um lugar inóspito coberto por rochas vermelhas. Recentemente, no entanto, o planeta voltou a ganhar destaque nas páginas de jornais e de revistas científicas.
Pelo menos três sondas encontram-se neste exato momento na órbita de Marte para coletar informações sobre a atmosfera. Quatro anos após seu lançamento, o jipe Curiosity continua enviando informações importantes para a Terra, como a recente descoberta de gás metano saindo de um buraco, o que indicaria a presença de alguma forma de vida. E o mais importante: novas missões espaciais estão sendo desenhadas para levar o homem ao planeta — não só a passeio ou para estudos científicos, mas como sua segunda casa. Há muito se fala de colonizar Marte, é verdade, mas até pouco tempo o assunto parecia papo de ficção científica. Isso mudou: nunca estivemos tão perto de habitar de fato o planeta vermelho. “Vamos colonizar Marte, e não serão apenas alguns astronautas, mas milhares de pessoas”, disse a GALILEU o pesquisador Stephen Petranek, autor do livro How We’ll Live on Mars (“Como viveremos em Marte”, em tradução livre), que chegará às livrarias dos Estados Unidos em julho. “É algo inevitável e possível. Acredito que chegaremos lá em 2027.”
“O sistema solar não tem vida infinita; o Sol vai começar a morrer daqui a alguns bilhões de anos, e será o nosso fim”, disse Petranek. “Precisamos chegar a Marte e aprender a viver num ambiente hostil antes de conseguir sair deste sistema.”
A julgar pelas condições naturais, não será tarefa fácil: a atmosfera de Marte é composta por 96% de CO2. Para se ter uma ideia, com apenas 1% de dióxido de carbono no ar o ser humano começa a sentir tontura. Numa quantidade dez vezes maior, causa asfixia. Sem falar que não existe água na forma líquida na superfície. Ou seja, para sobreviver em solo marciano é preciso fazer uma série de adaptações que tornem a vida minimamente possível. Uma das invenções criadas com esse fim é o Moxie, aparelho produzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que transforma dióxido de carbono em oxigênio e que será testado in loco pela Nasa em 2020.
As ideias sobre colonização soariam disparatadas se Petranek não estivesse usando como fonte um dos mais surpreendentes empresários da atualidade, o bilionário Elon Musk. Aos 43 anos, o sul-africano já criou o sistema de pagamentos on-line PayPal; a Tesla, primeira montadora de carros elétricos de linha; e, mais recentemente, a SpaceX. Em dez anos de existência, a empresa espacial transformou-se na primeira companhia privada a mandar uma nave para a Estação Espacial Internacional, façanha realizada em 2012. Dois anos depois, ganhou um contrato bilionário da Nasa para desenvolver uma espaçonave que levará astronautas norte-americanos à estação em 2017. Com sede em uma cidade ao sul de Los Angeles e com o Google entre seus investidores, a SpaceX trabalha com relativo sucesso em foguetes reutilizáveis, algo essencial para diminuir os custos astronômicos da exploração interplanetária, um dos principais fatores que levaram a Nasa a deixar Marte de lado e optar por investimentos na estação e nos ônibus espaciais após a chegada à Lua, em 1969.

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Já para Musk, a única razão de ser da SpaceX é a chegada do homem a Marte. Ou melhor, homens, mulheres e tudo o mais que tivermos na Terra, como fábricas, lojas, restaurantes. Seu plano é construir uma frota de megafoguetes com capacidade para até 80 pessoas, chamados Mars Colonizer, e lançá-los regularmente com destino ao planeta vermelho a partir de 2030. Musk imagina 80 mil pes­soas viajando com destino a Marte a cada dois anos. “Francamente, fiquei chocado com sua ideia de sistema de foguetes para chegar lá”, disse Petranek. “Será um foguete de dois estágios. O primeiro bem pesado, e depois só um segundo estágio, que entrará em órbita e ficará acoplado à aeronave.”
Musk não é o único nessa jornada. Com um orçamento federal de US$ 17,6 bilhões, a Nasa também fez do planeta sua prioridade para os próximos anos e tem como meta mandar uma tripulação a Marte até 2035, seguindo diretrizes do presidente Barack Obama para que a agência desembarque astronautas por lá nas próximas três décadas. Russos, europeus e chineses também trabalham em projetos com destino a Marte.
A ambição de chegar ao quarto planeta do sistema solar é antiga. Desde os anos 1950, o lendário engenheiro Wernher von Braun (1912–1977), responsável pela criação do foguete que levou a nave Apollo 11 à Lua, descrevia planos de uma missão tripulada a Marte. As primeiras missões não eram tripuladas: na década de 1960, a Rússia investiu no lançamento da Marsnik 1. Fracasso total: a nave não conseguiu sequer atingir a atmosfera terrestre. Quatro anos depois foi a vez de os norte-americanos darem o troco com a sonda Mariner 4, que fez a primeira imagem de Marte e sepultou de vez a ideia de que o planeta era habitado por ETs. De lá para cá foram muitas missões — algumas com mais sucesso que outras (veja na página 48). Apesar da dificuldade, o ex-astronauta Buzz Aldrin, de 85 anos, tem esperança na colonização mar­ciana. “Marte tem muito mais a oferecer [do que a Lua]. É muito mais terrestre, tem estações do ano, uma atmosfera fina e um ciclo de dia e noite muito parecido com o nosso”, disse ele ao jornal The New York Times. “A Lua não é promissora para atividades comerciais.”
Para chegar a Marte, os astronautas terão de enfrentar uma viagem de oito meses que seria não apenas cansativa, mas perigosa. A Nasa vem fazendo vários estudos nos últimos anos para entender os efeitos do espaço no corpo humano. Em março, o americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko embarcaram numa missão inédita para passar pouco menos de um ano na estação espacial. O objetivo? Estudar os efeitos da ausência de gravidade por longos perío­dos no organismo.
Normalmente, cada residente fica cerca de seis meses no laboratório orbital, que tem o tamanho de uma casa de seis quartos, e volta para a Terra com uma série de problemas, como distrofia muscular e deterioração dos ossos (veja mais na página 44). Kelly, de 50 anos, será o primeiro norte-americano a ficar mais tempo, e traz uma curiosa vantagem para os testes realizados pela agência: ele tem um irmão gêmeo idêntico, Mark, que é astronauta aposentado e irá ajudar nas pesquisas da Nasa aqui na Terra, servindo de base de comparação para as dez tarefas a serem realizadas no período. O DNA dos dois será observado de perto para rastrear possíveis mudanças nos genes que controlam o sono, o stress e a atividade celular.
A busca pela colonização de Marte não é unanimidade na comunidade científica. Uma das vozes contrárias é a de Nathalie Cabrol, integrante do time da Nasa que organiza as missões a Marte com veículos exploradores e pesquisadora sênior do Seti Institute, organização dedicada a buscar sinais de vida fora da Terra. “Para mim, caras como o Musk parecem dizer o equivalente a ‘vamos fazer o que for preciso para subir o monte Everest, não importa quantos sherpas tenhamos que contratar para nos carregar até o topo, quantos corpos tenhamos que deixar para trás. Chegaremos lá primeiro, fincaremos nossa bandeira e tiraremos uma selfie’”, disse a astrobióloga num respiro entre palestras durante o TED, no qual se apresentou. “Não há salvação em Marte, que é apenas uma parte do nosso processo de crescimento para treinar a humanidade para tornar-se uma espécie interestelar.”
Nos últimos 13 anos, Nathalie fez diversas viagens ao deserto do Atacama, o mais árido e alto do mundo, no norte do Chile, para escalar vulcões e mergulhar em lagos inóspitos a fim de entender o desenvolvimento da vida em ambientes extremos, similares aos encontrados em Marte, o que acabou revolucionando nosso entendimento do que é de fato um planeta habitável.
Para a cientista, somos a única forma de vida avançada no sistema solar, mas isso não significa que não haja vida microbiana na vizinhança, como em Marte. “Não há vida possível na sua superfície hoje, mas talvez esteja escondida debaixo do solo. E, se alguém falar que procurar por micróbios alienígenas não é cool, lembre-se de que, às vezes, o que começou como um caminho microbiano pode ter terminado numa civilização.” Terra e Marte foram formados na mesma época, algo em torno de 4,5 bilhões de anos atrás. Sinais de vida, como bactérias primitivas formadas por moléculas orgânicas rudimentares, foram encontrados por aqui com até 3 bilhões de anos.

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O que aconteceu neste intervalo de 1,5 bilhão de anos é um enigma, e essa peça do quebra-cabeça poderia estar em Marte, que divide patrimônio geológico com a Terra e foi há dezenas de milhões de anos leito de grandes rios, lagos e oceanos, segundo evidências coletadas pelos robôs exploradores da Nasa. “É preciso dar tempo para a ciência provar. No dia em que você colocar humanos em Marte, acabou. A vida estará em Marte. E não falo dos bípedes que somos, e sim das fábricas de micróbios que somos. Micróbios são muito resilientes, eles sempre encontram uma maneira de sobreviver”, completa Nathalie. “Queremos responder a perguntas preciosas. Qual é a nossa origem? Estamos sozinhos no universo? E os micróbios podem nos contar algo importante, que dinheiro nenhum pode comprar.”
Em abril, uma nova descoberta do Curiosity animou as equipes que se preparam para realizar a viagem: água líquida abaixo do solo. Até então, acreditava-se que havia apenas geleiras, mas em quantidade suficiente para inundar o planeta. “Não é gelo incorporado ou misturado à terra, é um gelo bem limpo, puro. Foi algo incrível, não esperávamos”, disse a GALILEU a cientista Deborah Bass, geóloga especialista em água polar marciana do Jet Propulsion Laboratory, um centro de pesquisa da Nasa no sul da Califórnia, criadora do Spirit e do Curiosity.
Bass trabalhou na próxima missão da agência para Marte, na qual um novo veículo explorador, ainda sem nome e estimado em US$ 1,9 bilhão, será lançado em 2020, equipado com sete instrumentos de pesquisas científicas, selecionados entre um total de 60 projetos do mundo inteiro. Além do aparelho que produz oxigênio, há um radar norueguês de penetração no solo para estudo geológico e uma ferramenta espanhola com sensores para avaliar temperatura, umidade, ventos e pressão.
O problema é que a corrida espacial não atrai apenas grandes potências ou empresários bem-intencionados. Há espaço também para falcatruas. Um dos casos mais polêmicos é o da Mars One, uma organização holandesa que planejava financiar a viagem a Marte de quatro terráqueos, com passagem só de ida, como parte de um reality show no melhor estilo BBB. Eles afirmam que mais de 200 mil pessoas se candidataram, e a organização chegou a 100 nomes (incluindo uma professora brasileira de 51 anos).

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As primeiras viagens tripuladas aconteceriam em 2026. Em março deste ano, no entanto, os planos do empresário Bas Lansdorp começaram a ruir. A Endemol, produtora do Big Brother, recusou-se a fazer um acordo com a Mars One, e a SpaceX afirmou não ter nenhum contrato com a firma, que havia anunciado em seus planos o uso das aeronaves de Musk. Para piorar, o prestigioso MIT resolveu debruçar-se sobre o projeto e chegou a uma conclusão assustadora: os quatro astronautas só conseguiriam viver 68 dias em Marte, antes de morrer de fome ou por falta de oxigênio no ar.
Para completar, os próprios escolhidos começaram a sentir cheiro de fraude e a fazer denúncias de que o projeto não passava de um esquema de pirâmide. Lansdorp, fundador de uma companhia de energia eólica, negou as denúncias e segue firme atrás de financiamento.
Seja lá como ou quando for que cheguemos a Marte, a aventura interplanetária faz parte da nossa história de desbravadores de novas terras. “A exploração está em nosso DNA. Há 2 milhões de anos, os humanos evo­luíram na África e foram se espalhando pelo planeta, indo além de seus horizontes. Está dentro de nós”, disse Petranek. Que os novos astronautas tenham o mesmo sucesso que esses africanos que, um dia, saíram em busca de uma nova casa.

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11.455 – Museu do Automóvel – Passat Dacon foi sonho de consumo nos anos 80


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Dacon. Esse nome certamente fez muitos leitores lembrarem de uma época muito específica das noites paulistanas. Quando muita gente passava longos minutos admirando o showroom localizado na esquina da Avenida Brigadeiro Faria Lima e sonhando em ver uma daquelas máquinas na garagem.
A história dessa equipe de corridas, concessionária e verdadeira fábrica de sonhos começou na década de 60, com os Fusca e Karmann-Ghia com motor Porsche, e evoluiu para personalização de modelos da Volkswagen, como Brasília, Fusca, SP2 e Passat.
O motor é de 1,5 litro, com 78 cv e um desempenho satisfatório para o contexto. Esse exemplar traz o propulsor original, mas a Dacon também fazia preparações sob medida, garantindo potência de sobra para os rachas de final de semana.
O Passat, este de 1982, foi um dos melhores e mais bem-sucedidos modelos vendidos pela marca alemã no Brasil. O estilo é perfeito para o contexto, a dirigibilidade excelente e o comportamento em curvas bastante elogiável.
A Dacon como marca encerrou suas atividades há mais de 20 anos. Mas o espírito de customização e exclusividade de seus modelos permanece na mente de todos aqueles que verdadeiramente gostam de carro. Em breve teremos mais criações dessa oficina que escreveu seu nome na história automotiva brasileira.

11.454 – Comportamento – A casa agora é dos cães – e não das crianças


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Os bichinhos de estimação nunca foram tão acolhidos, mimados, enfeitados, bem cuidados e desejados no Brasil quanto agora. Nunca mesmo: uma questão incluída na Pesquisa Nacional de Saúde, parte de um levantamento inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o número de cães nos lares brasileiros superou o de pequenos humanos: de cada 100 famílias no país, 44 criam cachorros, enquanto só 36 têm crianças. A pesquisa foi feita em 2013, mas o resultado do cruzamento dos dados saiu apenas na semana passada. Ele apontou a existência de 52 milhões de cães, contra 45 milhões de crianças de até 14 anos – uma situação que se assemelha à de países como o Japão (16 milhões de crianças, 22 milhões de animais de estimação) e os Estados Unidos (em 48 milhões de lares há cães; em 38 milhões há crianças). Nesses lugares, assim como no Brasil, o principal motivo para essa revolução dos bichos (bem mais amigável que a descrita pela rebelião metafórica de George Orwell) é de ordem demográfica.
Além de entreterem as famílias que têm filhos, os bichinhos são frequentemente a alternativa escolhida para preencher o vazio em lares com pouca gente – e esses lares têm se tornado cada vez mais numerosos. Isso porque, na maioria dos países desenvolvidos, as mulheres vêm tendo menos bebês, e, quando os têm, decidem fazê-lo mais tarde. Ao mesmo tempo, há o aumento da população idosa, cujos filhos já saíram de casa. Ninho e berço vazios reunidos, sobram espaço, tempo e dinheiro para os bebês de quatro patas.

11.453 – Concentração de carbono na atmosfera pode mudar a vida marinha


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Assim como as florestas, os oceanos são fundamentais para o equilíbrio climático do planeta: absorvem 25% das emissões totais de gás carbônico (CO2), o principal gás responsável pelo efeito estufa.
No entanto, a concentração de carbono na atmosfera bateu recorde este ano e excedeu o limite de 400 partes por milhão (ppm), o que indica que os mares podem não estar dando conta do recado.
Se o aumento da temperatura global ficar acima de dois graus, o que já é considerado difícil de ser revertido, a vida marinha terá de se reorganizar de uma forma nunca vista nos últimos três milhões de anos, mostra um estudo publicado nesta semana na revista científica “Nature Climate Change”.
Com águas mais quentes, espécies capturadas para consumo humano podem desaparecer porque os ambientes se tornarão inóspitos.
Até os mares das regiões polares, que se tornariam mais agradáveis para a vida marinha, devem virar palco de disputas entre as espécies endêmicas e as invasoras.
“Haverá espécies que vão desaparecer, mas outras conseguirão assumir um lugar nos ecossistemas. Mas os pescadores estão acostumados a capturar apenas determinadas espécies, e eles terão de se adaptar a essa nova realidade”, afirmou o coordenador do estudo, Gregory Beaugrand, oceanógrafo do Centro Nacional Francês de Pesquisas Científicas.
Os prejuízos para a indústria da pesca, que acrescentou US$ 274 bilhões ao PIB mundial em 2012, ainda não podem ser estimados.
Mas é fato que ela afetará de crustáceos a cetáceos. O aquecimento das águas tem como consequência o impacto no crescimento do fitoplâncton, a base da cadeia alimentar marinha, o que resulta em menos alimento disponível para os peixes.
Além do aquecimento das águas, a elevada concentração de gases de efeito estufa nos oceanos torna as águas mais ácidas, outro fator de risco à vida marinha. A Unesco diz que a acidez aumentará 150% até 2100.
“A acidificação dos oceanos é um fenômeno pouco conhecido, mas é uma ameaça silenciosa do aquecimento global. Ela vai afetar a sobrevivência dos recifes de corais”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, consultora da SOS Mata Atlântica.
No Brasil, a situação das espécies marinhas não é das mais animadoras: quase 100 espécies de peixes marinhos de importância comercial estão sob risco de extinção.
Diretora da Oceana, ONG internacional voltada à conservação de oceanos, Monica Brick Peres diz que o Brasil não produz estatísticas confiáveis sobre a pesca, o que faz com que espécies ameaçadas continuem sendo pescadas acidentalmente e até vendidas ilegalmente como se fossem peixes permitidos.

11.452 – A misteriosa ponte do suicídio de cães na Escócia


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O mistério acerca da ponte escocesa, conhecida pela enorme quantidade de cães que se suicidaram nela, parece ter sido resolvido. Trata-se da Overtoun Bridge, localizada em Milton, na Escócia, e chamada de “a ponte dos cães suicidas”, já que, aproximadamente, 100 cachorros se jogaram de sua altura nos últimos 50 anos.
O veterinário David Sands, da Clínica do Comportamento Animal de Lancashire, na Inglaterra, resolveu investigar as causas enigmáticas do peculiar comportamento suicida adotado pelos cães nessa ponte, de 12 metros de altura. Primeiramente, ele descobriu que apenas cachorros da raça Labrador, Collie e Golden Retriever, saltavam da ponte. Por saber que algumas raças possuem um olfato ainda mais desenvolvido, Sands concluiu que, provavelmente, algum odor os estava deixando loucos.
Depois de descartar várias espécies vegetais, ele finalmente descobriu que o responsável por emanar um odor semelhante é o vison-americano, animal valorizado por sua pele, usada em casacos, que possui glândulas anais que exalam uma substância extremamente fedorenta para demarcar limites territoriais. E o aroma desta substância acaba enlouquecendo os cães, principalmente os que têm o olfato mais aguçado.
A área onde se localiza a ponte, com um leito obstruído e sem correntes para espalhar o odor, é o habitat ideal para o vison-americano. Os cães, quando cruzam a ponte, podem ficar loucos, chegando ao extremo de se jogar sem medir as consequências. O especialista planeja realizar uma série de experimentos para comprovar sua teoria.

11.451 – Medicina – Vírus do herpes x Células cancerosas


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O vírus funcionaria como um “cavalo de Tróia” para destruir os tumores malignos de melanoma. Este é o mais recente avanço em um campo da medicina que luta contra o câncer, chamado de imunoterapia, uma nova arma na luta científica contra a temida doença.
A quimioterapia tradicional
A primeira técnica clínica contra o câncer que a ciência moderna criou, foi a quimioterapia, desenvolvida nos anos quarenta. A quimioterapia tem como alvo todas as células em replicação rápida no corpo, com o objetivo de abater as células cancerígenas, que se multiplicam velozmente. Porém, também mata células importantes do estômago e das raízes capilares, por isso existem os terríveis efeitos colaterais, incluindo a perda de cabelo.
Após o tratamento, os doentes podem ter uma menor resistência à infecções por um tempo. Outros efeitos colaterais podem aparecer, meses ou anos após a quimioterapia ser concluída, incluindo a menopausa precoce, infertilidade, alterações na sensação das mãos e dos pés (neuropatia periférica) e problemas cardíacos e pulmonares. Alguns tipos de quimioterapia contribuem para a perda de massa óssea e risco de osteoporose; homens podem sofrer de disfunção sexual.
Mas, apesar disso, não se engane! A quimioterapia salvou inúmeras vidas. Mas ela é um tratamento que pode ser brutal. Em termos militares, isso seria chamado de danos colaterais. Para minimizá-lo, os cientistas inventaram medicamentos direcionados, tais como o Tamoxifeno, para a terapia do câncer da mama. Pense neles como bombas inteligentes contra o câncer, mas nem sempre acertam o alvo, causando efeitos colaterais perturbadores.
A nova descoberta
A imunoterapia, em contrapartida, utiliza vírus para identificar as células cancerígenas com delicadeza letal, destruindo-a de dentro para fora. O mais recente avanço foi liderado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer e o Royal Marsden NHS Foundation Trust, ambos em Londres. Ele envolve a injeção de um vírus do herpes que tenha sido alterado geneticamente, de modo que não cause nenhum dano para as células saudáveis, em pacientes com melanoma maligno.
O vírus atua como uma arma letal, atingindo o alvo precisamente no interior do corpo. Ao invadir as células cancerígenas, o vírus modificado libera uma substância química que alerta o sistema imunitário do paciente sobre uma ameaça tumoral, fazendo as defesas do próprio corpo atacarem o câncer.
Os novos ensaios clínicos, publicados no Journal of Clinical Oncology, envolveu 436 pacientes com melanoma maligno inoperável – a forma mais letal de câncer de pele – com cerca de 13 mil casos incidentes por ano, resultando em mais de 2.000 mortes.
Nos testes com o T-VEC, os tumores desapareceram em quase 40% e diminuíram mais da metade nos outros casos.
“Esperamos que este seja o primeiro de uma onda desses tipos de agente, na próxima década ou mais”, diz Kevin Harrington, líder de pesquisa do T-VEC, do Royal Marsden, que apesar de concordar que mais trabalhos experimentais sejam realizados, espera que o tratamento esteja disponível dentro de um ano.
Na verdade, outras drogas de imunoterapia viral já estão sendo desenvolvidos para utilização contra câncer de cérebro, pescoço, bexiga e fígado.
Curiosamente, a ideia de aproveitar o nosso sistema imunológico para combater o câncer surgiu pela primeira vez há 150 anos, mas foi negligenciado. Tais teorias foram deixadas de lado com a chegada de poderosos medicamentos de quimioterapia.
Agora, com o advento da medicina genética, temos o potencial de transformar erros infecciosos em um tratamento eficaz. Isso não quer dizer que o advento da imunoterapia moderna representará o fim do uso de quimioterapia e terapias clínicas do câncer, com drogas convencionais, e sim, complementá-las. Isso levanta a perspectiva do tratamento se tornar menos debilitante.
Este é um elemento crucial da imunoterapia. Muitas vezes, as células tumorais podem ser suficientemente semelhantes às saudáveis, passando imunes pelo radar dos nossos sistemas imunitários. Ao recrutar nosso sistema imunológico natural para a luta, o risco de efeitos colaterais indesejados é reduzido significativamente.
A nova terapia de câncer de pele, chamada T-VEC, tem uma outra arma em seu arsenal. Uma vez que o vírus esteja dentro de uma célula cancerígena, ele se multiplica até ela se desfazer, matando a célula no processo.
Então, sequestrando o vírus de herpes, os cientistas estão, efetivamente, empregando a tática em nosso favor. Apesar da herpes causar muitos problemas, os cientistas têm estudado as capacidades invasivas do vírus em laboratórios durante décadas, podendo modificar seus genes para que esses poderes destrutivos sejam utilizados em nosso benefício.