11.447 – O adeus à lua-esponja de Saturno


hiperion-620x620
A sonda americana Cassini realizou no último domingo (31 de maio) seu último sobrevoo da lua saturnina Hipérion, a maior delas com formato irregular.
A espaçonave concluirá sua missão de forma apoteótica em 2017, quando o veículo cruzará diversas vezes o plano dos famosos anéis de Saturno, e até lá não haverá outra oportunidade para uma visita à famosa lua-esponja, estudada em detalhes pela sonda desde seu primeiro sobrevoo daquele objeto, em 2005.
Além do formato de batata, ela lembra mesmo uma esponja, e a aparência não está muito longe da realidade. Apesar do tamanho avantajado (360 km em sua maior extensão), ela tem relativamente pouca massa, o que faz os cientistas suporem que ela é cheia de vazios por dentro — mais ou menos como uma esponja, que é toda furadinha. A densidade de Hipérion é metade da da água, o que significa dizer que, se você pudesse colocá-la numa banheira gigante, ela flutuaria — como uma esponja.
(Outra coisa curiosa é que Saturno faria companhia a ela nessa banheirona, pois sua densidade de gigante gasoso também é inferior à da água.)
No dia 31, a sonda passou a 34 mil km de Hipérion — menos que a distância usual que os satélites de telecomunicações guardam da Terra.

11.446 – Veleiro Solar LightSail-1


lightsail
Nas Grandes Navegações, embarcações à vela eram conduzidas sem qualquer forma de propulsão própria, viajando ao sabor do vento, durante as longas travessias oceânicas. Agora, novas espaçonaves começam a se preparar para fazer a mesma coisa, só que no espaço — são os veleiros solares.
A ONG Planetary Society vai lançar ao espaço seu primeiro satélite do tipo, impulsionado apenas pelo suave sopro do vento solar.
Chamado de LightSail-1, ele se destaca por algumas características. A mais marcante é que, sendo um produto de uma instituição não-governamental, ele foi desenvolvido totalmente com recursos privados (mais de US$ 4 milhões foram investidos até agora). Em segundo lugar, ele também se beneficiou da recente miniaturização de sistemas para satélites. O LightSail-1 é um “cubesat” com 4 kg e 30 centímetros de comprimento — mais ou menos do tamanho de uma embalagem de pão de forma.
Contudo, assim que chegar ao espaço, pegando carona num foguete Atlas V (que, por sinal, terá como carga principal um daqueles mini-ônibus espaciais misteriosos da Força Aérea americana), o LightSail ficará enorme. Dele se abrirão quatro grandes velas solares triangulares, com área total de respeitáveis 32 metros quadrados (basicamente um quadrado de 5,6 metros de lado).
Um veleiro solar funciona usando a luz que vem do Sol como propulsão. Cada partícula de luz produz um empurrão muito suave nas superfícies que toca, e se a superfície for suficientemente grande, e a nave suficientemente leve, isso é o que basta para obter aceleração para viajar pelo espaço, uma vez que se vence o poderoso campo gravitacional da Terra.
É um empurrãozinho de nada, é verdade, mas a vantagem é que ele é sempre constante — o Sol não para nunca de brilhar. Combustível é desnecessário para acelerar o veículo. Então, imagine um empurrãozinho agindo durante meses e anos, aumentando gradualmente a velocidade da nave. Com habilidade e controle, é possível levá-la a qualquer parte do Sistema Solar (claro, tudo vai ficando mais difícil conforme se afasta do Sol, e o nível de luz diminui, mas ainda assim é teoricamente possível ir bem longe desse jeito).
Alguns conceitos de missões (tripuladas e não-tripuladas) até as estrelas mais próximas com veleiros já chegaram a ser rascunhados (eles envolviam, além do veleiro em si, poderosos lasers espaciais para focar a luz sobre a vela quando ela já estivesse bem longe do Sol). Mas, claro, tudo isso ainda está muito longe de nossa capacidade de engenharia atual. De toda forma, são uma luz no fim do túnel no espinhoso problema do voo interestelar, e missões como a LightSail são um passo na direção certa para demonstrar conclusivamente o potencial dessa tecnologia.
Nesse lançamento inicial, os sistemas do veleiro serão testados, mas ainda não produzirão efetiva navegação por luz. Como o cubesat será colocado numa órbita baixa, o arrasto provocado pela atmosfera terrestre sobre a grande superfície das velas acabará fazendo com que ele volte para o chão em pouco tempo. A proposta nesse primeiro momento é testar a capacidade de abrir as velas no espaço e controlar a orientação do veículo. Se tudo correr bem, no ano que vem voa o LightSail-1 para valer, que usará suas velas para navegar por luz.
Construir um veleiro solar já está nos planos da Planetary Society há décadas. A organização fundada por Carl Sagan, Bruce Murray e Louis Friedman chegou a construir um, batizado de Cosmos-1, e tentar lançá-lo em 2005, mas o foguete russo Volna que iria colocá-la em órbita deu chabu. Com isso, a ONG perdeu a chance de ser a primeira organização a operar um veleiro no espaço. A honra recaiu sobre a Jaxa, agência espacial japonesa, com sua sonda Ikaros, que viajou na direção de Vênus e testou esse modo de propulsão de forma bem-sucedida em 2010.
O LightSail, por sua vez, herdou tecnologias desenvolvidas pelo projeto NanoSail-D, da Nasa, que chegou a colocar em órbita um veleiro “cubesat”, mas com velas menores (área de 10 metros quadrados).
O entusiasmo pela missão é inegável, não só pelas possibilidades abertas pela tecnologia de navegação por velas solares, mas também pelo nível de participação popular que a missão realizada por uma instituição privada permite.

11.445 – Curso de astronomia da USP para a terceira idade atrai curiosos


Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo

Alunos atentos, fazendo perguntas, tomando notas e até cochilando. A cena poderia descrever qualquer aula para adolescentes, mas, nesse caso, é do curso de astronomia para a terceira idade, no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.
São dez aulas ao todo, que acontecem duas vezes por semana, e são voltadas para o público a partir dos 50 anos.
O curso, anual, começa em fevereiro e conta com cem alunos –capacidade máxima do auditório –, que devem se inscrever pelo site do IAG.
Eles aproveitam todos os momentos para tirar dúvidas. Seja durante o intervalo ou depois da aula, os alunos vão até o professor para conversar sobre o tema da palestra.
Mas a conversa esquenta mesmo quando o professor abre alguma brecha para a discussão sobre a possibilidade de vida extraterrestre.
Os alunos inundam o professor de perguntas sobre a viabilidade de os humanos visitarem planetas fora do Sistema Solar e de eles abrigarem vida. A resposta? Sim, eles podem abrigar vida, mas não necessariamente inteligente, e as viagens são inviáveis por ora.
A sala é composta por pessoas que têm alguma formação na área –um dos alunos fabrica espelhos para telescópios– e até por gente que quer fugir do alzheimer.
A maioria, porém, está ali por mera curiosidade.
É o caso do engenheiro elétrico aposentado João Monetti, 59. Assíduo dos cursos de astronomia, diz que gosta de estar na USP em contato com os colegas.
Um dos objetivos do curso é apresentar uma visão geral da astronomia, a partir dos principais assuntos na área: a Terra, o Sistema Solar, as galáxias, a era dos grandes telescópios.
O curso também inclui observação noturna do céu com os telescópios do IAG –na semana em que a reportagem acompanhou as aulas, porém, a atividade foi cancelada por causa do céu nublado, para a frustração dos alunos.
Os veteranos dos cursos livres, que querem aproveitar o tempo ocioso pós-aposentadoria, são outro.

11.444 – Cientistas podem ter encontrado uma maneira de evitar que o câncer de mama se espalhe para os ossos


metastase ossea
Não se pode subestimar nenhuma alternativa na luta contra essa doença.
Isso representa um avanço que poderia melhorar as taxas de sobrevivência de milhares de pacientes. E ainda mais empolgante, eles também encontraram um medicamento existente que pode impedir que a metástase aconteça em camundongos.
A equipe descobriu que antes de um tumor se espalhar, ele libera uma enzima que começa a quebrar o tecido ósseo, acarretando na formação de buracos, preparando-os para a chegada das células cancerígenas. Eles agora esperam que, ao bloquear esta enzima, conhecida como lisil oxidase ou LOX, possam ser capazes de interromper a progressão da doença em alguns pacientes.
Na publicação, divulgada na revista Nature, os pesquisadores explicam que os resultados poderiam ajudar as quase 12.000 pessoas no Reino Unido, 40.000 nos EUA, e 3.000 na Austrália, que morrem de câncer de mama anualmente. A maior parte dessas mortes ocorrem após a doença se espalhar para outras partes do corpo, em um processo conhecido como metástase. Em cerca de 85% destes casos, a estrutura óssea é o primeiro local de ataque do câncer de mama.
“Estamos realmente animados com os nossos resultados, que mostram que os tumores de câncer de mama enviam sinais para destruir o osso antes das células cancerígenas chegarem lá, preparando o local para a chegada das células”, disse um dos principais pesquisadores do estudo, Alison Gartland, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido. “Este é um importante progresso na luta contra a metástase do câncer de mama e essas descobertas podem levar a novos tratamentos para interromper tumores de mama secundários que crescem no osso, aumentando as chances de sobrevivência em milhares de pacientes”.
Os pesquisadores também mostraram que, em ratos, uma classe de drogas chamadas bisfosfonatos, que são usados ​​para tratar a perda de massa óssea em pacientes com osteoporose, foi capaz de evitar que os buracos se formassem nos ossos, interrompendo a propagação do câncer de mama.
A descoberta se aplica apenas à cerca de um terço dos pacientes que têm estrogênio receptor negativo (ER negativo) de câncer de mama, tornando particularmente difícil o tratamento para os médicos.
“O próximo passo é descobrir exatamente como o tumor secretado com a LOX interage com as células ósseas, sendo capaz de desenvolver novos medicamentos para evitar a formação de lesões ósseas e metástase do câncer”, disse Gartland. A pesquisa também poderia levar a novos tratamentos para debilitantes de condições ósseas.

11.443 – Sonda New Horizons poderia fazer “contato com alienígenas” após sobrevoo histórico em Plutão


sonda new horizons
Os investigadores esperam usar a sonda para enviar uma mensagem às profundezas do espaço, contando aos supostos extraterrestres detalhes da humanidade e enviando um ‘mapa’ para encontrar a Terra. A sonda deve fazer o primeiro sobrevoo em Plutão em 14 de julho, e uma transmissão de mundos alienígenas já poderia acontecer em julho de 2016.
O projeto, apelidado de “Uma Mensagem da Terra”, é ideia de Jon Lomberg, o mesmo responsável pela inserção de músicas populares colocadas a bordo da Sonda Voyager da Nasa, em 1977. Similar ao projeto anterior, chamado de ‘Golden Records’, o atual irá pedir às pessoas de todo o mundo que contribuam com imagens, sons e ideias para enviar a bordo da New Horizons.
“Esta é realmente uma chance de tentar pensar sobre nós mesmos a partir de uma longa perspectiva”, disse Lomberg ao Space.com. “Nós nunca saberemos se esse público extraterrestre que nós estamos imaginando, irá receber as mensagens, mas nós sabemos que as pessoas da Terra que participarem, desempenham um papel importante no projeto, podendo, literalmente, mudar nossas vidas”, completou.
Caso a Nasa aprove a inserção do projeto em sua sonda, os pesquisadores planejam criar um arquivo digital com 150 megabytes de dados, basicamente o mesmo valor dos registros enviados pela Voyager. De acordo com a Space.com, a mensagem também poderia incluir um mapa do mundo e cada imagem e som poderia ser assinalado para o lugar de onde veio.
Lomberg e seus colegas estão, agora, com o objetivo de levantar pelo menos US $ 500.000 (R$ 1.500.000) de pessoas ao redor do mundo para financiar o projeto. Mas, primeiro, New Horizons precisa torná-lo viável, através de seu sobrevoo em Plutão, em uma peça acoplada.
Pesquisadores disseram que anéis e luas ainda desconhecidos em torno do planeta anão podem representar um perigo para a sonda. Até agora, sabe-se de cinco luas nas proximidades do planeta, mas teorias acreditam que possam existir mais, e, eventualmente, um sistema complexo de anéis.
Se isso acontecer, a New Horizons pode precisar tomar uma ação defensiva, a fim de se proteger e garantir que a viagem de mais de nove anos não termine em fracasso. O perigo deve ser levado em conta, pois a distância de Plutão da Terra faz com que seja difícil descobrir exatamente o que está orbitando o planeta anão.
A sonda New Horizons deve fazer sua maior aproximação em 14 de julho, mas há uma chance – embora pequena – de que uma lua inédita possa representar um perigo. E se, assim como Saturno, Plutão tiver um extenso sistema de anéis, composto por pequenas pedras, esses restos também poderiam ser uma ameaça. “Com a New Horizons a uma velocidade de cerca de 50.400 km/h, qualquer fragmento, por menor que seja, poderia prejudicar ou destruir a sonda”, disse o cientista do projeto, Dr. Hal Weaver.
Cada vez mais perto de Plutão, New Horizons começa agora sua primeira busca por essas prováveis novas luas ou anéis. No início deste mês, a sonda capturou imagens em baixa resolução das menores das cinco luas conhecidas de Plutão, Kerberos e Styx.
Uma animação lançada continha quatro imagens tiradas entre 25 de Abril e 1 de Maio. “New Horizons está agora no limiar da descoberta”, disse um membro da equipe científica da missão, Dr. John Spencer, do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. “Se a sonda observar quaisquer luas adicionais, à medida que se aproximar de Plutão, elas serão inéditas”, concluiu.

11.442 – Futuro: eletricidade doméstica virá de baterias e da luz solar


rede-inteligente-de-energia
Já imaginou não depender mais das concessionárias de energia elétrica? Ainda estamos no começo dessa onda, mas, pode apostar, em breve serão vários os exemplos de gente que consegue abastecer a casa inteira com eletricidade de graça. O forncedeor? O sol!
Recentemente a montadora norte-americana Tesla, que ficou famosa por seus carros elétricos esportivos, anunciou uma bateria para casas. Elon Musk, o fundador da empresa, disse que a novidade vai ajudar a mudar a infraestrutura energética de todo o mundo. Agora, você vai entender como!
No ano passado, a empresa anunciou a construção da maior fábrica de baterias de lítio-íon do mundo; uma parceria com a japonesa Panasonic, que resultou em uma fábrica de 5 bilhões de dólares.
A declaração foi ainda mais radical quando Musk disse que, com a bateria doméstica seria possível nos tornarmos completamente independentes da rede e, consequentemente, das concessionárias de energia elétrica.
O certo é que em um futuro próximo nossa relação com as concessionárias de energia elétrica vai mudar; isso, sim!
O dispositivo apresentado pela Tesla pode ser instalado na parede da garagem de uma casa. A bateria doméstica armazenaria energia a partir de painéis fotovoltaicos e até da rede elétrica durante a noite – quando a energia é mais barata. Atualmente, com uma instalação bem dimensionada, os painéis solares têm eficiência suficiente para gerar energia de sobra pra uma casa.
A princípio, a bateria doméstica da Tesla vai custar 3500 dólares, cerca de 10500 reais – mas estará disponível apenas nos Estados Unidos. O curioso é que, aqui no Brasil, já existem projetos semelhantes com outro tipo de bateria, as de chumbo ácido. Em regiões onde as concessionárias de energia elétrica não chegam, como por exemplo, o interior do Amazonas e até algumas partes de Ilha Bela, no litoral paulista, algumas casas contam com painéis solares e baterias para suprir sua energia.
As baterias de chumbo ácido não são tão eficientes quanto as de lítio-íon. Mas, para se ter uma ideia, apenas duas baterias como esta – ambas de lítio-íon, importadas – seriam capazes de alimentar uma residência por um dia inteiro; o problema é que cada uma vale 15 mil reais.
Ou seja, dá para afirmar: sim, provavelmente teremos baterias para alimentar nossas casas e elas serão abastecidas pela energia solar. E, antes que você pergunte, saiba que, sim, essas instalações são seguras…
Dois esclarecimentos, antes de fechar essa história. O primeiro: as placas das quais estamos falando aqui são as fotovoltaicas. Não confundir com as placas de aquecimento solar – que já são bastante comuns – até no Brasil. O segundo esclarecimento. Há um lado controverso nessa história. Se todo mundo começar a gerar a própria energia, a dúvida que fica é: como as concessionárias vão sobreviver? Quem vai pagar pelas linhas de transmissão e por toda a infra-estrutura que ainda será necessária para iluminar ruas, parques e outros locais públicos, por exemplo? Deixaremos de pagar a conta de luz e pagaremos por esses serviços por meio de algum tipo de imposto?

11.441 – Mega Memória – Concorde da Air France faz o seu último voo comercial em 31-05-2003


Concorde, o supersônico
Concorde, o supersônico

O jato supersônico Concorde da Air France fez seu último voo comercial com passageiros no dia 31 de maio de 2003. Em outubro do mesmo ano, foram encerradas as atividades comerciais da aeronvane pela British Airways. O Concorde foi desenvolvido pelos governos britânico e francês e iniciou suas operações comerciais em janeiro de 1976. Considerado um símbolo da inovação tecnológica, design e luxo, o avião fazia a distância entre Nova York e Londres em, aproximadamente, três horas e meia, viajando a 1.755 km/h.
A maioria das companhias aéreas não teve interesse na compra da aeronave, e apenas 16 Concordes foram construídos para a British Airways e Air France. O serviço ficou limitado aos trechos entre Londres e Nova York e Paris e Nova York para viagens de luxo destinadas a passageiros que queriam fazer a travessia do Atlântico em menos de quatro horas.
Uma das críticas ao avião era o imenso barulho produzido. A história do Concorde foi arranhada por um acidente no dia 25 de julho de 2000, quando um avião da Air France caiu após decolar em Paris, matando 113 pessoas. Todos os voos de Concorde foram cancelados por um ano após o incidente. A partir dali, ocorreu o começo do fim das atividades comerciais do Concorde, por conta aumento do custos operacionais e da queda nas vendas.
Os voos do lendário jato supersônico iniciaram no dia 21 de janeiro de 1976, quando partiram, simultaneamente, do aeroporto de Heathrow, em Londres, e do Aeroporto de Orly, próximo de Paris, os primeiros voos comerciais com passageiros. O voo de Londres teve como destino o Bahrein, no Golfo Pérsico, e o de Paris foi para o Rio de Janeiro via Senegal, na África Ocidental. Este voo inaugural representou o resultado de um esforço de 12 anos que opôs engenheiros ingleses e franceses contra os seus pares na URSS, na corrida pelo desenvolvimento de uma aeronave supersônica que pudesse transportar passageiros em voos comerciais.

11.440 – Açúcar: Tomar um refrigerante por dia pode dobrar suas chances de morrer de doença cardíaca


Em recente pesquisa científica, concluiu-se que que beber uma bebida gaseificada e açucarada por dia já é suficiente para aumentar as chances de morrer de doença cardiovascular em quase um terço. E para aqueles que consomem um quarto de suas calorias diárias de açúcar, o risco desse tipo de morte é dobrado.
A adição de açúcar que é introduzida na dieta diária acaba sendo oriunda do processamento de produtos alimentares, em vez de ser a partir de fontes naturais, tais como as frutas, por exemplo. As diretrizes alimentares da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam que adição de açúcar deve representar menos de 10% da ingestão de calorias diárias.
Entretanto, ativistas britânicos estão brigando por um limite máximo de 5%, juntamente com uma taxação elevada em refrigerantes e bebidas com muito teor de açúcar, porque eles dizem o açúcar é o “novo do tabaco”.
O professor Graham MacGregor, presidente da “Action in Sugar”, disse: “Este é um estudo importante. Ele mostra claramente que uma alta ingestão de açúcar está diretamente associada a um aumento do risco de derrames e ataques cardíacos, destacando-se a necessidade de muito mais foco na redução do açúcar para reduzir a obesidade e riscos cardiovasculares”. Ele ressalta: “Ao aumentar a ingestão de açúcar, além de ser um ganho desnecessário de calorias, é uma das principais causas do surgimento da cárie dentária. Precisamos agir agora”.
O estudo, liderado pelo Dr. Quanhe Yang, dos Centers for Disease Control and Prevent em Atlanta, utilizou dados da pesquisa nacional de saúde dos Estados Unidos para determinar a quantidade de açúcar adicionada pelos consumidores.
Entre 2005 e 2010, a adição de açúcar foi responsável por pelo menos 10% das calorias consumidas em mais de 70% da população dos EUA. Cerca de um décimo desses adultos tem um quarto ou mais de suas calorias provenientes de açúcar, diz um relatório no JAMA Internal Medicine. Os dados foram comparados com a mortalidade por doença cardíaca durante um período de 14,6 anos, durante os quais 831 mortes por doenças cardiovasculares foram registradas no grupo de estudo, o que é um número significativo para a população.
O risco de morte relacionado com o coração era 38% para as pessoas que consumiam de 17 a 21% das calorias diárias de açúcar, em comparação com aqueles que eram menos de 10%. Uma lata de bebida açucarada a cada dia aumenta o risco de morte por doenças cardiovasculares em 29% em comparação ao consumo de uma lata ou menos em uma semana. Uma lata com 360 ml de refrigerante pode conter até oito colheres de chá de açúcar.
Os pesquisadores dizem que o risco extra não é simplesmente porque as pessoas que consomem mais açúcar são mais propensas a ter excesso de peso ou obesidade, o que faz com que os problemas cardíacos sejam mais prováveis. Eles alegam que o excesso de açúcar tem um efeito independente sobre o corpo, que ainda não é compreendido. Isso pode elevar a pressão alta e a efeitos adversos sobre o sangue e gerar inflamações.
Um britânico típico consome 12 colheres de chá de açúcar por dia, e alguns chegam a consumir até 46. O máximo de consumo ditado pela OMS é equivalente a, no máximo, 10 colheres por dia.
Um porta-voz da indústria açucareira contestou a alegação de doença cardíaca. Dr. Glenys Jones, de Sugar Nutrition UK, disse: “Os especialistas em todo o mundo, incluindo a Organização Mundial de Saúde e o UK Department of Health, reviram a evidência científica e afirmaram claramente que o consenso da pesquisa mostra que a ingestão de uma dieta com adição de açúcar não causa doenças cardíacas”.

11.439 – Neurologia – Mulher virou um gênio após pancada na cabeça


cerebro-mulher-pancada-cabeca-noticias-agsandrew_-_shutterstock.com_
Leigh Erceg, hoje com 47 anos de idade, levava sua vida normalmente, feliz, com amigos e atividades normais, trabalhando como fazendeira no Colorado, EUA. Certo dia, no ano de 2009, enquanto alimentava suas galinhas, teve uma forte queda e sofreu lesões graves, incluindo danos no cérebro e na coluna vertebral. Os médicos, na época, acharam que ela não voltaria a andar.
No entanto, gradativamente, Erceg começou um longo processo de recuperação. Embora tenha voltado a andar, ela perdeu todas as recordações de sua vida até o momento do acidente. Uma amiga de infância teve que ajudá-la a reconstruir seu passado, com base em conversas e fotos. Mas a parte mais assustadora do seu caso é que, após o acidente, seus interesses e habilidades mudaram para sempre, e de forma drástica: ela logo se transformou em uma excelente desenhista e poetisa, com incrível capacidade para as ciências exatas e extrema sensibilidade para a luz.
Clinicamente, seu quadro é chamado de “savantismo”, ou “síndrome do sábio”, uma condição que ocorre quando uma pessoa desenvolve, repentinamente, capacidades intelectuais que antes não possuía, o que pode acontecer, inclusive, em níveis prodigiosos. Também foi alterada sua percepção sensorial, com um fenômeno denominado sinestesia, através do qual uma pessoa pode sentir o cheiro de uma cor, ver um som e ouvir uma figura geométrica, por exemplo.
Os especialistas afirmam que se trata do primeiro caso documentado em que ambos os quadros, de sinestesia e de savantismo, acontecem simultaneamente em uma mesma pessoa.