11.008 – Nutrição – O herói das creches


Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acreditam ter criado a arma ideal para acabar com a anemia crônica das creches públicas brasileiras – nada menos que 56% das crianças sofrem de anemia e por isso têm distúrbios de memória e dificuldade de aprendizado. Para superar o problema, no entanto, basta acrescentar pó de ferro à farinha que entra na receita do popular pãozinho francês. O resultado dos primeiros testes, realizados com 600 meninas e meninos de Barueri, São Paulo, foi espantoso: em apenas seis meses, o número de anêmicos caiu em mais de 60%, de cerca de 200 crianças para apenas 66. Mauro Fisberg, da Unifesp, diz que o pãozinho foi escolhido por se encontrar em qualquer padaria e ser largamente consumido pela população. Segundo ele, a dose de ferro – equivalente a 3% das necessidades diárias das crianças – foi cuidadosamente estudada para prevenir a anemia sem alterar o gosto do pão. A mudança de sabor poderia levar as crianças a recusar o “remédio”.

11.007 – Adivinhe se vai chover… – Se é pra “adivinhar”, faça você mesmo


Um dos aparelhos usados para prever a chuva é o barômetro, que mede a pressão atmosférica. Quando ele indica pressão baixa, pode ser sinal de que as águas vão rolar. Então, arranje uma jarra de boca larga e uma garrafa de refrigerante e siga as instruções.
A montagem tem de ser feita em um dia de chuva. Primeiro, faça cinco ou seis marcas, com a caneta, em um pedaço de fita crepe e cole a fita no bico de uma garrafa vazia (que não pode ter buracos). Numere a fita de baixo para cima, de zero a cinco.
Coloque água colorida com anilina (para realçá-la) na garrafa e na jarra e emborque a garrafa na jarra. Erga um pouco a garrafa de modo que o nível da água dentro da garrafa fique na marca zero, a de mais baixa pressão.
Agora é só calçar a garrafa com pedaços de fita para ajustar o seu encaixe na jarra e o barômetro de garrafa está pronto. Em dias secos, o nível da água deve ficar nas marcas 2 ou 3, caindo para zero quando começar a se armar uma chuva.

11.006 – Mega Mitos – Colocar uma colher no gargalo de uma garrafa de refrigerante impede a saída do gás?


Quem já tentou deve ter percebido que o método não é lá muito eficaz. “Não dá para conceber de que forma uma colher pendurada no gargalo poderia exercer qualquer efeito sobre o gás de uma bebida”, afirma um químico da Universidade de Pittsburgh. “Para que esse truque funcionasse, o talher teria de produzir alguma força misteriosa que empurrasse o gás carbônico de volta para o líquido. O fato é que não conhecemos nenhuma força desse tipo.” A maneira mais indicada para conservar um refrigerante depois que a garrafa foi aberta é tampá-la bem e colocá-la na geladeira. Assim, o gás liberado pela bebida fica preso no vasilhame, aumentando a pressão interna e impedindo que mais gás saia do líquido. Guardar a garrafa na geladeira também ajuda, pois temperaturas mais baixas fazem o refrigerante reter uma quantidade maior de gás.

11.005 – Neurologia – Benefícios do Bom sono


sono

A falta de sono afeta tanta gente que já vem sendo chamada de epidemia. Só nos Estados Unidos, a privação de descanso afeta o trabalho de 160 milhões de pessoas, vítimas da pressão cultural pela redução do tempo que passam na cama. Nos últimos 100 anos, o homem moderno perdeu, em média, 90 minutos de sono por noite, roubados pela difusão da luz elétrica, pela industrialização, pelas longas jornadas de trabalho. Em 1910, dormia-se nove horas em média. Hoje, são 7,5 horas. Pode-se argumentar que, de lá para cá, a expectativa de vida dobrou. No Brasil, de 33,7 anos, em 1900, para 68 anos, em 1999. A verdade é que a evolução da expectativa de vida envolve outras variáveis, como a cura de doenças e a melhoria das condições sanitárias.
Isolado, porém, o sono é determinante para a longevidade, como comprova uma pesquisa publicada no ano passado por médicos da Universidade de Nagoya, Japão. Eles estudaram por 12 anos um grupo de 5 000 habitantes da cidade de Gifu. A pesquisa analisou apenas os hábitos de sono do grupo e revelou que o risco de morte para quem dorme menos de sete horas diárias é quase duas vezes maior que o das pessoas cujo descanso varia entre sete e dez horas.
“O sono é o mais importante indicador de quanto tempo uma pessoa viverá. Mais importante até que seus hábitos de risco, como tabagismo e sedentarismo, ou alguns níveis metabólicos vitais como pressão arterial e nível de colesterol no sangue”, diz William Dement, fundador do primeiro centro de estudos do sono, na Universidade de Stanford, Estados Unidos.

Mais sobre o sono
Uma proteína desconhecida até três anos atrás pode ajudar a desvendar um dos maiores empecilhos à produtividade do ser humano: aquele sono irresistível depois do almoço.
De tão nova, a substância, produzida no hipotálamo, não tem nome definitivo: alguns cientistas chamam-na de hipocretina. Outros, de orexina. Agora está se pensando em batizá-la de agripinina.
Nomes à parte, o que importa é a ação da agripinina como neurotransmissor, responsável pela comunicação entre neurônios. Seu papel é estimular uma região do cérebro responsável por nos manter despertos. O elo desse processo com a alimentação é a leptina, uma enzima produzida pelo organismo quando comemos. A presença da leptina inibe a produção da agripinina, ou seja, quanto mais leptina no cérebro, menos agripinina, e maior o sono.
A proteína também está ajudando a ciência a elucidar um grave distúrbio do sono, a narcolepsia, que atinge uma em cada 2 000 pessoas e tem sintomas extravagantes: é a única que causa cataplexia, um sono repentino que acomete o doente em situações emotivas. Há casos de pessoas que caem no sono ao rir de uma piada ou durante uma discussão no trânsito. Detalhe: a pessoa não consegue se mexer, mas se mantém consciente.
“Quem não conhece meu problema acha que estou dormindo, mas em segundos eu desperto e acompanho a conversa normalmente, porque estava ouvindo tudo”, diz o advogado João José Pedro Frageti, que, antes de ser diagnosticado, procurou ajuda em centros espíritas. Em média, os portadores de narcolepsia levam 14 anos para descobrir o mal que os aflige. Os narcolépticos também sofrem de um tipo de paralisia durante o sono. A pessoa acorda, mas não consegue se mexer, porque a resposta muscular está cortada. Pesquisas recentes realizadas pelas universidades de Stanford e Chicago descobriram que 90% dos pacientes têm um defeito genético. “O desafio agora é sintetizar uma substância que imite seu efeito”, afirma o biólogo Mário Pedrazzoli, um dos autores do estudo da Universidade de Stanford.
Dormindo com o inimigo
Em 100 anos de estudo, os cientistas já descreveram mais de 80 distúrbios ligados ao sono. Desde insônias passageiras até doenças que culminam com a morte. Conheça os problemas mais comuns

Apnéia obstrutiva do sono – Um problema simples com conseqüências graves. A apnéia tem como causa uma obstrução da passagem do ar durante o sono devido ao relaxamento dos tecidos da faringe ou pela língua. Sufocada, a pessoa acorda por alguns segundos, respira e volta a dormir, em um ciclo sono-despertar que se repete às vezes mais de 80 vezes por hora, causando sonolência durante o dia. A cada sufocamento, a oxigenação do sangue diminui, exigindo uma compensação do coração. Resultado: taquicardia, arritmia e pressão alta. Há outras conseqüências: ao tentar respirar, o paciente acaba por sugar o conteúdo do estômago, causando irritação no esôfago. Pode ser tratada por cirurgia, aparelhos para facilitar a respiração ou mudanças de hábitos de sono.
Insônia – É a percepção de que o sono não foi suficiente. Com essa definição abrangente, a insônia é o distúrbio mais comum: um terço da população sofre desse mal. Há várias causas, desde uma cama desconfortável até problemas psiquiátricos, passando pela mais comum delas: a ansiedade.
Jet-lag – Sonolência decorrente de mudança no fuso horário. Embora temporária, pode trazer grande prejuízo. Há casos de executivos que perderam negócios devido ao mau desempenho em reuniões. Para evitá-lo, o ideal seria começar a dormir antecipadamente no horário do local de destino. Experimentos recentes indicam que o viajante pode atenuar o problema se, alguns dias antes da viagem, passar a comer no horário das refeições de seu destino.
Sonambulismo – Está ligado a um determinado tipo de onda cerebral, as ondas delta, mais presentes no sono durante a infância, o que torna o sonambulismo um distúrbio típico entre crianças. Os cientistas aconselham a não acordar o sonâmbulo, para não deixá-lo confuso. Mas a lenda de que acordar um sonâmbulo pode matá-lo não passa disso mesmo: uma lenda.