+11.000 – Drogas – Crack, ideias falsas?


Objetos utilizados no consumo
Objetos utilizados no consumo

Mito número 1 – Há uma epidemia de crack, que transforma uma multidão de pessoas em zumbis sem vontade própria.
A verdade – Não é uma epidemia, já que ela não se alastra. E usuários não são zumbis – se têm oportunidades, são capazes de largar a droga.

Mito número 2 – O crack transforma as pessoas em criminosas, incapazes de refletir sobre a consequência de seus atos.
A verdade – O vício aumenta sim a taxa de roubos, mas metade dos dependentes tem emprego fixo e não comete crimes.

Mito número 3 – Crackeiros tornam-se incapazes de encontrar prazer fora do crack. Escravos da droga, não têm motivação para mais nada.
A verdade – Pesquisas mostram que dependentes de crack são capazes de responder a outros estímulos, se houver uma alternativa atraente.

10.999 – Energia – Escócia começa a construir maior usina de energia das marés do mundo


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O condado de Caithness, no litoral nordeste da Escócia, está prestes a ganhar uma estrutura no fundo do mar que vai gerar energia suficiente para abastecer 175 mil casas. Trata-se da MeyGen, a maior usina de energia das marés do mundo, com potencial total de 400 MW, que começará a ser construída este mês.
Financiada pelo Fundo de Investimento em Energia Renovável do Reino Unido, a iniciativa faz parte de um programa de energia limpa que prevê que até 2050 os britânicos produzam 190 GW de energia renovável. Para a primeira parte do projeto, foram investidas 51 milhões de libras (aproximadamente 203,5 milhões de reais).
Quando estiver concluída, a obra terá 269 turbinas. A empresa responsável pela gestão do projeto, a australiana Atlantis Resources, estima que 61 turbinas fiquem prontas no ano que vem e as restantes em 2020. A previsão é que a usina já comece a gerar e a entregar energia em 2016, com potencial suficiente para abastecer 46 mil casas.
Aproximadamente 25% da energia que vem do mar na Europa provém das costas escocesas, estima o governo. Só a Escócia gera 30% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis, graças, em grande parte, às hidrelétricas. No entanto, o MeyGen é considerado o primeiro projeto de energia das ondas em larga escala no mundo.
Além de não ocupar muito espaço, essa fonte de energia não emite gases de efeito estufa quando em funcionamento e é renovável, uma vez que é resultado de campos gravitacionais do Sol e da lua, combinados à rotação da Terra em torno de seu eixo. Também é possível gerar energia com velocidades baixas, mesmo a 1 m/s, graças à densidade da água, mil vezes mais alta que a do ar.
No entanto, ainda existem poucos exemplos de usinas de energia das marés no mundo e não foram determinados todos os impactos ao meio ambiente. Acredita-se que, como as barragens de marés dependem da manipulação do nível dos oceanos, as usinas tenham efeitos ambientais semelhantes ao das hidrelétricas.
A construção das usinas também pode interromper a migração de peixes nos oceanos e as turbinas podem atrapalhar a circulação de grandes animais marinhos.
Outra desvantagem desse tipo de energia é o alto custo. Projeções apontam que a energia das marés será comercialmente rentável até 2020, com tecnologias melhores. Mas, para isso, é necessário mais investimento em pesquisa no setor.

10.998 – Sonda New Horizons entra nos primeiros estágios do encontro com Plutão


O longínquo Plutão, agora rebaixado a categoria de asteroide
O longínquo Plutão, agora rebaixado a categoria de asteroide

Em 179 dias a sonda New Horizons, da Nasa, terá a sua maior aproximação de Plutão. No entanto, hoje a história já começa a ser escrita: sua aparelhagem já está analisando dados sobre o misterioso planeta-anão e seus arredores.
A Nasa ainda não divulgou fotos, mas já começou a analisar a poeira e o plasma nas proximidades de Plutão. As primeiras imagens, segundo a agência, devem ser divulgadas no início de fevereiro – e foram prometidas imagens incríveis (melhores do que as do Hubble) em maio!
Vale a pena lembrar que a New Horizons tirou um retrato de Plutão quando estava próxima a Netuno, em agosto de 2014 – e essa foto ilustra o início da nota.

10.997 – Novo acelerador de partículas será inaugurado em 2018, em Campinas


sirius

Quem visita o campus do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, já pode ver no solo o traçado de uma circunferência de 235 metros de diâmetro. Não é um aeroporto para discos voadores. Nesse círculo ficará o Sirius, o novo acelerador de partículas da instituição, uma máquina de R$ 1,3 bilhão.
A maior parte será financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) também contribui para o projeto.
O tamanho do projeto pode não ser muito impressionante comparado aos maiores aceleradores de partículas do mundo –o LHC, na Suíça, tem 8,6 km de diâmetro– mas a máquina brasileira tem a chance de ser a melhor de sua categoria quando for inaugurada, em 2018.
Diferentemente dos aceleradores que produzem colisões entre partículas, o Sirius vai gerar raios de luz síncrotron, tipo especial de radiação. Ela é usada para obter imagens de alta definição em técnicas de análise estrutural de materiais e moléculas.
Dentro do acelerador circulam elétrons que, ao serem desviados por ímãs para seguirem a trajetória do anel, emitem radiação síncrotron pela tangente.
A radiação gerada pelo Sirius terá muitas características especiais se comparada a uma fonte de luz comum. Seu espectro será muito amplo, indo desde a luz infravermelha (de frequência baixa) até o raio X (de frequência alta), passando pelas sete cores da luz visível e pelo ultravioleta.
Outra coisa que torna especial a luz gerada pelo Sirius é sua “baixa emitância”. Isso significa que sua radiação será separada em raios distintos e estreitos, com apenas 0,5 micrômetro de largura (0,5% de um fio de cabelo). Focalizados, eles são capazes de seguir longos percursos sem se dispersar, como o laser.
“A emitância, que é medida em uma unidade chamada nanômetros-radianos [nm.rad], é o parâmetro que caracteriza a qualidade da máquina”, explica Liu Lin, uma das cientistas responsáveis pelo projeto do Sirius.
O LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), divisão do CNPEM encarregada do Sirius, opera desde 1997 outro acelerador, o UVX, que gera raios com emitância de 100 nm.rad em seu anel de 30 m de diâmetro. A do Sirius será de apenas 0,27 nm.rad.
A demanda por uma tecnologia melhor já existe no setor de pesquisas de empresas como a Petrobras, que lida com equipamentos de exploração e análise de rochas a serem perfuradas.
O laboratório colocará as linhas de luz à disposição de cientistas que estudam desde proteínas e fármacos até ligas metálicas, passando por análise de solo e produtos da agroindústria. Empresas privadas também podem solicitar espaço nos laboratórios, desde que paguem pelo custo do serviço.
Diferentemente do UVX, que já era uma fonte síncrotron de segunda categoria quando ficou pronta, a nova máquina pretende ser mais competitiva, com potencial real de atrair colaborações com outros países.
“O Sirius vai nascer na liderança”, diz José Roque da Silva, diretor do LNLS, que compara o projeto ao MAX IV, na Suécia, único acelerador em construção no mundo com emitância comparável à do Sirius. Ambos terão elétrons circulando com a mesma energia em seus anéis.
Segundo o cientista, foi a expertise adquirida na construção do UVX, que começou em 1987 e durou dez anos, que permitiu o projeto mais ousado agora.
Cerca de metade do custo bilionário do acelerador é o prédio que vai abrigá-lo, que requer condições muito específicas. O piso onde o anel acelerador será assentado, por exemplo, terá mais de 500 metros de circunferência, e não pode contrair imperfeições maiores do que 0,25 mm por ano, do contrário vai atrapalhar o funcionamento da máquina.
Nos próximos dois anos, porém, para que o projeto não atrase o cronograma -algo que em geral implica também um aumento de custo– será preciso obter um fluxo de verbas de R$ 300 milhões anuais. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que abarca o LNLS, havia prometido honrar o compromisso, por considerar o Sirius de importância estratégica para a pesquisa nacional. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), também contribui para o projeto.

10.996 – Nutrição – O que é O que é glucosamina?


glucosamina

É uma substância produzida naturalmente no organismo humano, importante para a saúde das cartilagens nas articulações. Trata-se de um aminossacarídeo (C6H13NO5) importante para a síntese de lipídios e glicoproteínas.
Também faz parte da estrutura do exoesqueleto dos crustáceos, da parede celular dos fungos e de outros organismos. Os suplementos comercialmente disponíveis também podem ter origem em um processo de fabricação que requer a fermentação de grãos de milho ou aveia.
Existem várias evidências científicas de que o uso do sulfato de glucosamina no tratamento da osteoartrite do joelho traz benefícios, que vão de leves a moderados, com pouca ou nenhuma reação adversa ou efeito colateral. A osteoartrite é uma condição em que a cartilagem se desgasta e os ossos passam a tocar uns nos outros, causando dor, limitação dos movimentos e outros problemas.
Acredita-se que, por seu papel essencial na formação das moléculas que constituem cartilagens, suplementos à base de glucosamina podem ajudar a fortalacer as articulações. Segundo o site de informações médicas americano Mayo Clinic, se isso se confirmar, “significaria que o sulfato de glucosamina é mais eficaz do que a glucosamina sem o sulfato”.
Suplementos de sulfato de glucosamina são geralmente ingeridos juntamente com a condroitina, substância que se origina da cartilagem. Em pessoas com osteoartrite, o uso combinado desses suplementos se mostrou benéfico por permitir a diminuição das dosagens de outros medicamentos usados no tratamento da doença, como os Antiinflamatórios Não-Esteróides (AINEs).
A cartilagem é um tipo de tecido conjuntivo não-vascularizado (ou seja, não possui vasos sanguíneos), que tem a função de amortecer impactos (como as cartilagens presentes nas articulações), modelar e dar sustentação (como a cartilagem do nariz e das orelhas), ou apenas revestir e evitar o atrito entre os ossos.
Como as cartilagens não apresentam nervos ou vasos linfáticos, não sentimos dor ou qualquer outra sensação nessas áreas. Também por causa da falta de vascularização, a regeneração desses tecidos é bastante lenta.
Os suplementos à base de glucosamina que existem no mercado são geralmente produzidos a partir da da casca de crustáceos, como camarão, caranguejo e lagosta, ou de fontes vegetais, como dos grãos de aveia e cevada. A condroitina também é extraída da cartilagem animal.
Suplementos geralmente podem ser encontrados sob a forma de cápsulas, tabletes, líquido ou em pó (para ser misturado em água), sendo o consumo recomendado de 1.500 mg por dia.
Quais os benefícios da glucosamina para a saúde?
Acredita-se que a ingestão desses suplementos diminui a deterioração da cartilagem, combate a dor causada pela osteoartrite e melhora a mobilidade das articulações atingidas pela doença.
A Arthrites Foundation, uma fundação americana com sede em Atlanta, explica que “a glucosamina produzida pelo corpo fornece blocos de construção naturais para o crescimento, reparo e manutenção da cartilagem. Assim como a condroitina, a glucosamina pode ajudar a lubrificar articulações, ajudar a cartilagem a reter água e evitar sua deterioração”.
A Fundação explica ainda que a glucosamina traz resultados similares aos proporcionados pelos AINEs na diminuição dos sintomas de osteoartrite, mas podem levar até duas vezes mais tempo para fazer efeito. As vantagens? Por se tratar de um produto natural, causa pouco ou nenhum efeito colateral.
Apesar dos resultados inconclusivos de algumas pesquisas, a glucosamina parece uma boa aposta. Uma pesquisa de 2005 avaliou 20 estudos de glucosamina e descobriu uma melhoria na dor das articulações, na rigidez e na mobilidade, dentre pacientes que tomaram a marca de glucosamina Rottapharm (que tem o nome comercial de Dona, Viartril e Xicil), mas outras marcas não apresentaram os mesmos resultados.
O maior estudo realizado até agora foi iniciado em 2006, o chamado “Estudo de Intervenção com Glucosamina e Condroitina no Combate à Artrite” (Glucosamine/chondroitin Arthritis Intervention Trial – GAIT, na sigla em inglês). Foram estudadas 1,6 mil pessoas com osteartrite do joelho.
A primeira fase do estudo revelou que uma pequena parcela do grupo de pacientes com artrite de moderada a severa apresentou um alívio importante da dor, ao ingerir glucosamina e condroitina combinados.
Mais surpreendente ainda foi a fase desse mesmo estudo realizada em 2010, que durou dois anos. Nele, a glucosamina e a condroitina se reveleram tão eficazes no tratamento da osteoartrite do joelho quando o antiinflamatório não-esteroide celecoxib.
Já em um pequeno estudo realizado em 2012, o uso combinado de glucosamina e AINEs levou à diminuição dos sintomas, e um grupo de pacientes que tomou apenas a glucosamina também apresentou melhorias importantes, ainda que menores que as apresentadas pelo grupo que também tomou os antiinflamatórios.
“Pesquisas também sugerem que a glucosamina pode retardar a deterioração das articulações. Um estudo feito em 2008 com quase 300 pacientes revelou que aqueles que usam glucosamina tiveram que realizar 50% menos cirurgias para substituição de articulações que os pacientes que estavam tomando placebo”, explica a Fundação.
Qual a dosagem recomendada?
Antes de tomar qualquer suplemento, é necessário que o paciente consulte seu médico e siga suas instruções. As dosagens mais comuns da glucosamina são de 1.500 mg diarias, sejam ingeridas apenas uma vez ou três vezes ao longo do dia – divide-se em três doses para evitar dores no estômago.
As doses recomendadas seriam então de 500 mg de sulfato de glucosamina e 400 mg de sulfato de condroitina três vezes ao dia. Os efeitos podem levar de um a três meses para começar a aparecer.
Por ser extraída de crustáceos, pessoas alérgicas devem procurar pelas marcas que processam glucosamina de origem vegetal, através da fermentação de grãos.
Efeitos adversos da glucosamina
A glucosamina pode causar uma leve dor de estômago, náusea, queimação, diarreia e constipação, assim como aumentar o nível de açúcar, colesterol e triglicerídeos do sangue, elevando a pressão sanguínea.
Algumas pesquisas também sugerem que portadores de glaucoma ou hipertensão intraocular podem apresentar uma piora da pressão ocular se tomarem um suplemento à base de glucosamina.
Dentre seus efeitos adversos, os que causam maior preocupação são os relacionados ao aumento do nível de açúcar do sangue, um risco sobretudo para pacientes diabéticos que também sofrem com a osteoartrite.
Mas as pesquisas ainda não conseguiram descobrir se a ingestão do suplemento realmente tem um impacto sobre o aumento do nível da glicose na corrente sanguínea.

10.995 – Fisiologia – Entenda por que o estômago não se auto digere


estomago

O estômago de um adulto mediano suporta três quartos (três litros) de fluido. Seu estômago é composto por uma série de camadas, incluindo:
a serosa – a camada externa que age como uma cobertura para as outras camadas;
duas camadas de músculos – as camadas do meio que empurram o alimento do estômago para o intestino delgado;
a mucosa – a camada interna feita de células especializadas, incluindo células parietais, células g e células epiteliais.
As células parietais produzem ácido hidroclorídrico, um ácido forte que ajuda a quebrar os alimentos. O ácido em seu estômago é tão concentrado que, se colocasse uma gota em um pedaço de madeira, ele a corroeria totalmente.
As células g produzem gastrina, um hormônio que facilita a produção de ácido hidroclorídrico pelas células parietais.
O estômago é protegido pelas células epiteliais, que produzem e secretam uma solução rica em bicarbonato que protege a mucosa. O bicarbonato é alcalino, uma base, e neutraliza o ácido secretado pelas células parietais, produzindo água no processo. Este fornecimento contínuo de bicarbonato é a principal forma com que o estômago se protege da autodigestão (de se digerir) e do ambiente ácido como um todo.
Em alguns indivíduos, devido à diminuição da capacidade de fornecimento de sangue para o estômago ou à superprodução de ácido, este sistema de defesa não funciona tão bem quanto deveria. Estas pessoas podem adquirir úlceras gástricas. Há também bactérias específicas, chamadas Helicobacter pylori, que podem causar prejuízos às defesas do estômago e também podem ser responsáveis pelas úlceras.

10.994 – Física – O que é a Força de Coriolis?


É uma pseudoforça ou força inercial – não sendo portanto uma força na definição do termo – percebida apenas por observadores solidários a referenciais não-inerciais animados de movimento de rotação em relação a um referencial inercial que se afastam ou aproximam do centro deste movimento de rotação. A pseudoforça de Coriolis faz-se presente apenas quando o objeto encontrar-se em movimento em relação ao referencial não-inercial em consideração, mostrando-se sempre perpendicular à velocidade e também ao eixo de rotação do sistema não inercial em relação ao inercial .
Os corpos em movimento em relação ao referencial em rotação aparecem também sujeitos a uma segunda pseudoforça que atua em direção radial para fora, ou seja, que atua de forma paralela ao vetor que localiza a partícula em relação ao centro de curvatura da trajetória descrita pela partícula conforme identificada via referencial inercial. Tal pseudoforça denomina-se força centrífuga.
A pseudoforça centrífuga e a pseudoforça de Coriolis são, portanto, as duas parcelas da força inercial total necessária à correta descrição dos movimentos dos corpos observados a partir de referenciais não-inerciais que giram em relação a um referencial inercial. Sendo parcelas de uma força inercial ou pseudoforça, são também forças inerciais, e portanto não são forças na definição formal do termo. Não se consegue estabelecer a reação do par ação-reação para estas forças.
No final do século XVIII e início do século XIX, a Mecânica conheceu grandes desenvolvimentos teóricos. Como engenheiro, Gustave-Gaspard Coriolis interessou-se em tornar a mecânica teórica aplicável na compreensão e no desenvolvimento de máquinas industriais. Em seu artigo Sur les équations du mouvement relatif des systèmes de corps (1835), Coriolis define matematicamente a força que, mais tarde, levaria seu nome. Neste artigo, a “força de Coriolis” aparece como um componente suplementar da “força centrífuga”, sentida por um corpo em movimento relativo a um referencial em rotação, como acontece, por exemplo, nas engrenagens de uma máquina.
O argumento de Coriolis baseava-se na análise do Trabalho e da Energia potencial e cinética nos sistemas em rotação. Hoje em dia, a demonstração mais utilizada para ensinar a pseudoforça de Coriolis usa os utilitários da Cinemática.
Foi somente no final do século XIX que e “força de Coriolis” fez sua aparição na literatura meteorológica e oceanográfica. O termo “força de Coriolis” apareceu no início do século XX.

Corioliskraftanimation

Um observador sobre a superfície da Terra constitui-se em um referencial não inercial que gira em relação a um inercial com origem no centro da Terra. Logo, para tais observadores, a pseudoforça de Coriolis dá origem, ou seja, explica, diversos fenômenos observados da superfície da Terra. Ela influencia o movimento das massa de ar (vide figuras. Obs.: localize-se como um observador na superfície da Terra, no centro das figuras, e não como um inercial, a olhar o globo do espaço), desvia a trajetória de projéteis de longo alcance e causa uma modificação no plano do movimento de um pêndulo, como demonstrado por Foucault na sua experiência do pêndulo de Foucault em 1851 no Panthéon.
Uma experiência colocando em evidência a pseudoforça de Coriolis pode ser feita como segue: uma pessoa senta-se em uma cadeira giratória com os braços estendidos e com halteres nas mãos. Faz-se a cadeira girar em torno do seu eixo com razoável velocidade angular. Se a pessoa sentada na cadeira encolhe os braços e aproxima os halteres de seu corpo, sua velocidade angular aumenta. Para uma pessoa inercial observando o fenômeno, trata-se simplesmente da conservação do momento angular, mas para a pessoa sentada na cadeira a interpretação é diferente: ela precisa, com os halteres estáticos em relação a ela, constantemente puxar os halteres em direção a seu corpo a fim de criar uma força que cancele a pseudoforça centrífuga que ela observa em seu referencial, força centrífuga esta que quer puxar o objeto para longe dela em direção radial. Para ela encolher os braços sem girá-los ao redor do corpo, ela precisará fazer, além de uma força ligeiramente maior do que a centrífuga (para puxar os halteres em sua direção), também uma força lateral (perpendicular a seus braços), a fim de cancelar a pseudoforça de Coriolis que surge quando os halteres se movem com velocidade não nula em direção a ela. Se ela não aplicar esta força perpendicular aos braços a fim de cancelar a força de Coriolis, os halteres e seu braços serão postos a girar, em função desta força, em torno de seu corpo. No caso das massas de ar se deslocando nas figuras, não há quem faça esta força perpendicular ao “braço”, e elas são desviadas lateralmente pela pseudoforça de Coriolis ao se moverem.
É importante ressaltar pois que, embora sejam apenas forças inerciais, para os observadores não inerciais estas mostram-se muito reais, produzindo para eles todos os efeitos que esperar-se-iam de forças reais.
Os ventos de nortada que se fazem sentir na costa oeste da Europa são um resultado deste efeito.