10.961 – Planeta Verde – Até no deserto funciona


Planeta Verde

O estado americano da Califórnia atravessa uma seca há quatro anos. Em fevereiro, o governador Jerry Brown declarou estado de emergência e pediu à população uma redução voluntária de 20% no consumo de água. Desde então, as ações da American Water Works, a principal companhia de água do estado, subiram 25%. Uma das razões é a percepção dos investidores de que a companhia sabe reagir a cenários de crise.
Além de distribuir hidrômetros e fazer a troca gratuita de torneiras, a American Water faz um programa intensivo de conscientização. Qualquer morador pode solicitar a visita de um especialista, que passará o dia, de graça, identificando como é possível reduzir o consumo em uma casa ou escritório. A diferença em relação ao Brasil também é regulatória. Na Califórnia, quando o volume de reservas cai, automaticamente o aumento de consumo é taxado. Quem desperdiça paga 500 dólares por dia de multa. Na Coreia do Sul, uma tecnologia que indica por sensor e som os vazamentos ajudou a diminuir perdas de 35% para 15% em pouco mais de uma década.
Mas não é preciso ir tão longe. Quando a Odebrecht Ambiental assumiu a operação de água da cidade de Limeira, no interior de São Paulo, o índice de perdas era de 48%. Duas décadas depois, caiu para 15% graças à renovação da tubulação, à identificação de ligações ilegais e à detecção de vazamentos, o que consumiu 42% dos investimentos da empresa na cidade. Em Campinas, a concessionária Sanasa, em parceria com a GE Water, divisão de água e energia da multinacional GE, implementou neste ano um projeto de reúso de água que é considerado exemplar.
O esgoto tratado pode gerar até 365 litros por segundo de água com 99% de pureza — a água é usada, por exemplo, para limpeza de ruas e pelos bombeiros.
Singapura e Israel já utilizam esse tipo de tecnologia há 20 anos. Ganhar eficiência e ensinar ao consumidor que a água é finita são caminhos inevitáveis. Um estudo do Bank of America Merrill Lynch mostra que a demanda global por água deve superar 40% a oferta em 20 anos, com metade da população convivendo com escassez — hoje, já são 46 países nessa situação. O Brasil, por enquanto, está fora da lista.

10.960 – Agricultura – Soja transgênica brasileira


simbolo-alimento-transgenico

Está cada vez mais difícil adaptar o ciclo da soja aos ditames da natureza. O motivo: a escassez de água nos períodos em que deveria chover na lavoura. Em janeiro e fevereiro deste ano, quando a soja de Amano estava se desenvolvendo no campo, caíram apenas 44 milímetros de chuva em suas terras, um sexto do volume normalmente registrado. “A produtividade diminuiu e tive um prejuízo de 100 mil reais”, diz ele. “Foi um dos piores anos para a agricultura nesta parte do Paraná.”
Na safra atual, a ser colhida no ano que vem, os problemas vieram mais cedo. Amano plantou em metade de suas terras no início de outubro — mas, como as chuvas não chegaram na época prevista, parte das sementes não germinou. Por isso, ele decidiu adiar o restante da semeadura. No início de novembro, quando uma reportagem esteve na região, a maior parte da terra que deveria estar ocupada por brotos de soja ou pelas máquinas plantadeiras permanecia coberta apenas pela palha seca das lavouras de inverno, como o trigo. “Muitos agricultores estão, como eu, olhando para o céu à espera da chuva”, diz Amano.
A boa notícia é que, a apenas 30 quilômetros da fazenda de Amano, está em desenvolvimento uma tecnologia que promete diminuir os danos da seca. Numa propriedade de 300 hectares ocupada pela Embrapa Soja — um braço da estatal encarregada da pesquisa agrícola no Brasil —, um grupo de pesquisadores obteve os primeiros resultados com uma semente mais tolerante à escassez de água. No início da década passada, um centro de pesquisas ligado ao governo japonês descobriu um gene de uma planta da família da mostarda capaz de proporcionar resistência a longos períodos de estiagem. Os japoneses fecharam uma parceria com a Embrapa para modificar o DNA da soja com a implantação do gene. As sementes modificadas foram plantadas pela primeira vez num campo experimental na safra passada. Os resultados são promissores: a nova soja transgênica produziu de 240 a 300 quilos a mais por hectare do que as variedades convencionais. “Estamos no caminho certo”, diz Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja responsável pelo projeto.
No ano passado, as perdas causadas às lavouras de milho e de soja pela falta de chuva somaram quase 10 bilhões de reais — 66% mais do que os prejuízos com a seca de toda a década de 80. Um levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia, que analisou dados sobre o clima no país desde 1961, mostra que houve diminuição na média anual de chuvas em áreas de produção agrícola, como a região do Mapitoba — formada pelo sul dos estados do Maranhão e do Piauí, pelo oeste da Bahia e pelo Tocantins — e também de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

10.959 – Genética – O que é a Transgênese?


O código genético de uma espécie é alterado pela a introdução de uma ou mais sequências de genes provenientes de outra espécie. O genoma dos organismos transgênicos contém fragmentos do genoma de bactérias ou vírus em seu DNA. Os genes introduzidos não pertenciam ao genoma original dessa espécie e vão conferir-lhe novas características, fazendo também com que essa espécie possa produzir novas substâncias de interesse.
Nos organismos transgênicos são inseridos materiais genéticos de outros organismos, mediante o emprego de técnicas de engenharia genética. A geração de transgênicos visa obter organismos com características de interesse que o organismo original não apresentava, como a resistência a herbicidas ou a produção de toxinas contra pragas das culturas agrícolas. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Assim podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
Os termos Organismos transgênicos e Organismos Geneticamente Modificados (OGMs’) não são sinônimos. Todo transgênico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgênico. OGM é um organismo que teve o seu genoma modificado em laboratório, sem necessariamente receber material genético (RNA ou DNA) de outro organismo. Transgênico é um organismo que foi submetido à técnica específica de inserção de material genético de outro organismo (que pode até ser de uma espécie diferente).
Desde a criação da primeira bactéria transgênica, em 1973, os laboratórios de pesquisa têm utilizado microrganismos transgênicos nas suas investigações. Posteriormente, organismos transgênicos, como plantas e animais, foram desenvolvidos para estudos, e também vários produtos obtidos a partir de transgênicos foram desenvolvidos e comercializados. O primeiro produto comercializado foi a insulina (produzida a partir de uma modificação da bactéria Escherichia coli, no final da década de 1970). Atualmente, alimentos transgênicos são utilizados para consumo animal e humano.
São alimentos produzidos a partir de organismos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas de insetos, fungos, vírus, bactérias e herbicidas.
O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. O uso de herbicidas, inseticidas e outros agrotóxicos pode diminuir com o uso dos transgênicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos corretos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até cinco aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistente ao herbicida glifosato) utiliza apenas uma aplicação.
É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. Vários países europeus, entre os milhões de hectares de culturas transgênicas. As culturas prevalentes são as de milho, soja e algodão, baseadas principalmente na tecnologia Bt.

Argumento contra
Atualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns países, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada desses alimentos, enquanto que outros países asiáticos, norte e sul-americanos permitem a comercialização de AGMs.
Desde 2004, após seis anos de proibição, a União Europeia autorizou a importação de produtos transgênicos. No dia 2 de março de 2010, a União Europeia aprovou o plantio de batata e milho transgênicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgênica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentícia. Cada país da União Europeia poderá ser responsável pelo cultivo transgênico em suas fronteiras em votação marcada para o meio do ano.

transgenese