10.943 – Psiquiatria – A era da auto-destruição


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Segundo dados do Mapa da Violência 2014, a taxa de suicídio de jovens com idade entre 10 e 14 anos aumentou 40% no país nos últimos 10 anos. Entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 33%. O Brasil é um exemplo de uma tendência que assola o mundo: o suicídio é a principal causa de morte entre jovens em um terço dos países. Por aqui, o suicídio está atrás de homicídios e acidentes de carro, com taxas 4 e 6 vezes maiores de mortes. O problema é que o assunto ainda é um tabu — e características da adolescência, como isolamento e alterações de humor, fazem com que o comportamento suicida muitas vezes passe batido para a família.
O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), de 2013, aponta que 36% dos jovens consomem álcool de forma nociva — quatro doses ou mais em até duas horas. É um aumento de três pontos percentuais em relação há três anos, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo. Quando a bebida é aliada à depressão, doença que afeta quase um terço dos adolescentes, tem-se uma combinação perigosa. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de doença e inaptidão de adolescentes no mundo.
Outro fator apontado como uma das causas do aumento nos suicídios é o excesso de aulas, cursos e esportes a que os jovens são submetidos. Trata-se de um estilo de vida que está sendo investigado por psicólogos que relacionam a epidemia ao perfeccionismo. Estudo divulgado no ano passado nos EUA apontou que 70% dos 33 meninos que tiraram a própria vida tinham exigências altas demais. “O adolescente muitas vezes sofre com uma imagem fantasiada dos pais e não tem espaço para ser quem ele é, além de não tolerar a frustração”, diz Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio.
INTERNET > Entre trolls e anjos da guarda
A internet tem um papel ambivalente quando o assunto é suicídio. Por um lado, ela pode ser a origem dos problemas dos jovens que tiram a própria vida. Um caso bastante comentado no Brasil foi o de Júlia Rebeca, que em 2013 anunciou sua própria morte pelo Twitter depois que um vídeo íntimo seu com outra jovem e um homem foi divulgado no WhatsApp. Rebeca, que morava em Parnaíba, no Piauí, foi encontrada morta enrolada no fio do aparelho de fazer chapinha. Na mesma semana, uma adolescente de 16 anos se suicidou em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, depois que um ex-namorado vazou suas fotos íntimas na internet. “Essa exposição provoca uma dor muito grande e, se os jovens não conseguem falar sobre isso com a família ou amigos porque vão sofrer rejeição, eles correm maior risco de entrar em depressão e cometer suicídio”.
Por outro lado, nem tudo é tragédia na relação entre web e jovens suicidas. A americana Trisha Prabhu, de 13 anos, criou um projeto para combater o cyberbullying, que a levou a ser finalista na Feira de Ciências do Google realizada neste ano. Trisha criou o “Rethink” (repense, em inglês), um sistema de alerta que exige que as pessoas pensem duas vezes antes de postar algo prejudicial em redes sociais. A ideia surgiu depois que ela resolveu estudar o cérebro dos adolescentes e descobriu que ele não está completamente desenvolvido, o que faz com que os jovens sejam mais impulsivos. Trisha testou o alerta com voluntários e, segundo ela, 93% desistiram de divulgar imagens depois do alerta.
Suicídio já foi um tabu maior no passado, quando os jornais sequer falavam no tema por medo do efeito contágio. Anos de debates depois, ficou claro que, na verdade, a melhor forma de combatê-lo é exatamente falando sobre o assunto. “Há 20 anos, ninguém falava em câncer, Aids”, diz Karen. “Hoje, por que as pessoas fazem exames preventivos do câncer? Porque essas doenças foram debatidas, houve mobilização e campanhas.”
O problema do tabu é que as pessoas que tentam o suicídio são vistas como loucos, não como pessoas doentes que precisam desesperadamente de ajuda — e isso só serve para isolá-las ainda mais. Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS, trabalhou diretamente com pessoas que tentaram se matar e uma das frases mais ouvidas foi “se eu dissesse o que passava na minha cabeça iam dizer que estava louco”. “Às vezes nem a pessoa leva seu sofrimento a sério”.

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10.942 – Epidemias – Morcego teria dado início ao surto de ebola


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A pior epidemia de ebola da história pode ter começado com um garoto que brincava com morcegos, no interior da Guiné. Seu nome era Emile Ouamouno. Isso é o que aponta um estudo realizado em Berlim, após uma pesquisa que envolveu dezenas de cientistas e meses de trabalho. Os morcegos estariam em uma das árvores na periferia de um vilarejo de apenas 31 casas.
O trabalho do Instituto Robert Koch foi publicado na revista EMBO Molecular Medicine e indicou que o “ponto zero” da epidemia que já infectou mais de 20 mil pessoas e levou países africanos ao caos teria sido o vilarejo de Meliandou, na região de Guéckédou.
O primeiro caso, justamente do garoto de 2 anos, foi registrado em dezembro de 2013. Dias depois, ele morreu. Em março, parte do buraco na árvore em que se alojavam morcegos foi queimada, justamente para espantar os animais que, entre os moradores locais, eram considerados como os responsáveis pela doença. Nesse momento, outras dez pessoas do mesmo vilarejo já haviam morrido, entre elas a mãe e a irmã de Emile.
Os pesquisadores admitem que não há provas definitivas de que essa tenha sido a forma pela qual a epidemia começou. Mas, segundo os antropólogos que entrevistaram os moradores e os testes de DNA na árvore queimada, a hipótese faz sentido. A comunidade internacional já destinou mais de 1 bilhão de dólares para lutar contra a doença. Mas a OMS admite que não sabe quando conseguirá controlar a doença, que já matou quase 8 mil pessoas.

10.941 – Brasil deve perder para a Índia o 7º lugar entre as maiores economias


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O fraco crescimento do Brasil deverá fazer o país perder o posto de sétima maior economia do mundo para a Índia já em 2015. A previsão é da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit).
Segundo a EIU, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deverá somar US$ 2,12 trilhões em termos nominais neste ano, ante US$ 2,48 trilhões da Índia, que também deixará para trás a Itália, hoje a oitava maior economia.
A tendência já era antevista por economistas para algum momento desta década por causa das altas taxas de expansão do país asiático.
O cenário de persistente fraco crescimento do Brasil e recuperação da economia indiana depois de percalços nos últimos anos contribui para a possível materialização da projeção em 2015.
O PIB brasileiro se expandiu a modestos 2% ao ano desde 2011, cerca de metade da taxa média que era projetada para o país em meados da década passada.
A Índia também desacelerou. O crescimento do país, que atingiu dois dígitos em 2010, chegou a cair para 4,7% dois anos depois.
Mas, em 2014, a economia indiana ensaiou uma recuperação, ao contrário da brasileira, que deve ter ficado praticamente estagnada.
Neste ano, a expectativa é de nova aceleração na Índia –a EIU projeta alta de 6,5%, ante 6% em 2014– e outro ano de expansão fraca no Brasil, inferior a 1%.
Mudanças de posição no ranking das maiores economias do mundo não são incomuns e, às vezes, provam-se insustentáveis. O Brasil chegou a desbancar o Reino Unido e alcançar a sexta posição em 2011, para recuar, novamente, em 2012.
A ascensão da Índia, porém, tende a ser definitiva devido à expansão demográfica e à urbanização, que favorecem altas taxas de expansão no país asiático.
A Índia começou sua retomada depois que o governo reformista do primeiro-ministro Narendra Modi assumiu, em maio de 2014. Modi tem conseguido destravar a agenda de reformas.
Segundo Omar Hamid, chefe do departamento de risco da Ásia da consultoria IHS, existe uma percepção de que o novo governo “está fazendo muito mais” do que a gestão anterior, minada por escândalos de corrupção.
Entre as mudanças implementadas, estão medidas para melhorar o ambiente de negócios. Em outubro, Modi anunciou, por exemplo, um plano para reduzir o elevado custo trabalhista no país.
Para Robert Wood, diretor-adjunto de risco da EIU, a mudança de humor em relação à Índia começou antes mesmo da posse do novo governo, com a indicação de Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do FMI, para o comando do banco central, em setembro de 2013.
Assim que assumiu, Rajan promoveu três altas de juros que contribuíram para a desaceleração da inflação.
Além disso, a Índia se beneficia da queda do preço do petróleo, que favorece o declínio da inflação doméstica e a estabilização do deficit em conta-corrente.