10.920 – Sindicalismo – Jair Menenguelli


Lula e Menenguelli

Jair Antonio Meneguelli (São Paulo, 16 de julho de 1947) é um sindicalista e político brasileiro.
Ferramenteiro na Willys Overland, tornou-se presidente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo em 1981. Fundou e presidiu a Central única dos Trabalhadores – CUT nacional por onze anos. Integrante do Partido dos Trabalhadores, elegeu-se deputado federal em 1994 e novamente em 1998.
Em 1989 engajou-se na campanha presidencial de Lula, que disputou com Collor no segundo turno.
Preside o Conselho Nacional do SESI desde 2003.

Somos_Fortes_Somos_CUT

10.919 – Mega Memória Sindicalismo – Dia de cão em Diadema, quebra pau na porta da Arteb


Conhecida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como a BATALHA DE PIRAPORINHA
Primeiro com bombas de gás e depois com tiros, policiais tentaram dispersar 20 mil trabalhadores que realizavam uma passeata no bairro de Piraporinha, em Diadema.
Na frente da fábrica Arteb, cinco metalúrgicos foram baleados.
Era o dia 5 de maio de 1989, uma sexta-feira, e o confronto entrou para a história da categoria como a Batalha de Piraporinha.
Três dias antes acontecera a famosa assembléia de 2 de maio no Paço de São Bernardo, com 50 mil metalúrgicos.
No dia seguinte ao conflito, sábado, 6 de maio, foi realizado um ato de protesto no Sindicato contra a violência da Polícia Militar, que contou com a presença de sindicalistas, representantes de partidos políticos e da Igreja Católica.

vicentinho

10.918 – Neurociência – Tudo o que sabemos sobre cérebro pode estar errado


neurociencia

A grande questão é o que se pode e o que não se pode saber sobre o funcionamento do cérebro. Estamos falando de um sistema nervoso com cerca de 600 trilhões de conexões paralelas, trabalhando de forma frenética para manter nosso corpo funcionando. O que chamamos de consciência é uma parte relativamente pequena dessa conta. Ironicamente, é onde tudo parece se complicar.
No cérebro, temos um fenômeno conhecido como plasticidade. É a capacidade de modificar as conexões cerebrais para adquirir novas habilidades. Graças a essa capacidade constante de reorganização, podemos aprender novas coisas e produzir memórias. Ou sofrer um acidente cerebral, mas recuperar movimentos na fisioterapia. Ou tocar piano muito bem – a área do cérebro responsável pelo movimento dos dedos se expande nos pianistas. A plasticidade foi confirmada e reforçada em anos recentes com técnicas que permitem ver o cérebro trabalhando em tempo real.
O novo passo é, nessa tempestade de impulsos elétricos, conseguir ver imagens. Imagens mesmo: em 2011, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley conseguiram reconstruir imagens coloridas obtidas a partir da visão de voluntários usando ressonância magnética funcional. Os vídeos gerados não são uma perfeição, mas permitem ver vultos das imagens a que as pessoas foram expostas enquanto estavam na máquina de ressonância. Eles esperam que, no futuro, seja possível gravar sonhos para rever na televisão quando estiver acordado.
Inovações como essas fazem parecer que, finalmente, o entendimento de como funciona nosso pensamento está a apenas um passo ou dois de ser compreendida. Só que não.
Às vezes, os neurocientistas se entusiasmam tanto que começam a imaginar ter explicado coisas que estão longe de ser resolvidas. “A despeito de inferências bem informadas, o maior desafio do imageamento é que é muito difícil os cientistas olharem para um ponto ativo em uma imagem cerebral e concluírem com certeza o que está acontecendo na mente da pessoa”, dizem Satel e Lilienfeld.
Um exemplo eloquente de como eles podem escorregar na casca de banana aconteceu em 2008, quando um grupo de neurocientistas da empresa FKF Applied Research, de Washington, tentou enxergar o “posicionamento político” no cérebro de voluntários indecisos sobre sua preferência na eleição presidencial americana. Eles foram colocados em máquinas de ressonância magnética e expostos a imagens de diversos pré-candidatos democratas e republicanos. Segundo suas conclusões, publicadas em artigo no jornal The New York Times, os dois pré-candidatos mais impopulares eram John McCain e Barack Obama, meses depois indicados por seus partidos. Obama ganhou aquela eleição e é tão “impopular” que foi reeleito no ano passado.
Um dos desafios das pesquisas de neurociência é que, para correlacionar um tipo de pensamento a um padrão de atividade cerebral, é preciso que o voluntário relate o que está pensando. Aí fica fácil dizer que visualizaram “amor” ou “ódio” no cérebro. Mas é quase uma redundância. O voluntário já sabia o que estava sentindo, e não precisava de uma imagem cerebral para provar! Por outro lado, sem a informação de quem está “do lado de dentro” da mente, o padrão de atividade em si não permite mais que inferências muito gerais.

MENTES QUE MENTEM
Em seu livro A Skeptics Guide to the Mind: What Neuroscience Can and Cannot Tell Us About Ourselves (“Um guia cético para a mente: o que a neurociência pode e não pode nos dizer sobre nós mesmos”), publicado em 2013, Burton sugere que acreditar demais no poder da neurociência pode levar a situações dramáticas. Com ampla experiência médica, ele lembra os casos em que a pessoa fica em coma profundo, ou em estado vegetativo, por vários anos.
Alguns neurocientistas têm investigado o nível de atividade cerebral nesses pacientes e sugerido, a partir disso, que eles ainda estão conscientes, apesar de incomunicáveis. Burton defende que essa é uma conclusão precipitada, sem base em ciência sólida, e que pode levar ao sofrimento muitos parentes que tiveram de fazer a opção por desligar o suporte de vida a esses pacientes. Indo mais longe, Burton acredita que há uma falha essencial que impedirá os humanos de compreenderem sua própria mente.
Já se identificaram o centro de recompensa, as áreas responsáveis pela memória, pela visão, pela audição e até mesmo que região é usada na leitura (uma atividade aprendida, em que o cérebro empresta uma área associada a reconhecimento de rostos).

Experimentos em macacos iniciados pelo brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, mostram que é possível extrair sinais do cérebro e interpretá-los por computador de forma que o animal controle braços robóticos ou um cursor na tela. Espera-se que isso resulte em próteses cibernéticas para paraplégicos.
Estudos no Japão já mostraram que é possível interpretar sinais do córtex visual e transformá-lo em imagens muito próximas do que os voluntários estão vendo. O passo seguinte é fazer a mesma coisa com sonhos.
Uma revisão recente publicada na revista Nature Reviews Neuroscience demonstrou que os estudos de neurociência em geral têm uma confiabilidade estatística muito baixa. Como eles usam poucos voluntários, é difícil distinguir fenômenos reais de flutuações.
Embora a compreensão de fenômenos neurológicos que levam a doenças como epilepsia e mal de Alzheimer tenha aumentado, pouquíssimas drogas eficazes surgiram como resultado dos avanços recentes da neurociência.
Na Índia, em 2008, eletroencefalogramas foram usados para condenar à prisão perpétua uma estudante de 25 anos, acusada de matar o ex-noivo envenenado. Outros dois foram condenados por assassinato pelo mesmo método, até que um relatório, naquele mesmo ano, mostrou que os exames eram absolutamente inconclusivos.

10.917- Astronáutica – Nasa estuda forma de viajar mais rápido que a luz


warpdrive

Com a tecnologia atual, a humanidade não vai conseguir chegar longe no Cosmos. As distâncias são muito grandes – e nossos foguetes, muito lentos. Mas um grupo da Nasa diz que é possível construir uma espaçonave capaz de um feito incrível: voar mais rápido do que a velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo). Isso permitiria ir a lugares muito remotos e alcançar os planetas habitáveis mais próximos da Terra. Para fazer isso, a nave teria de deformar o espaço, comprimindo o que está à sua frente e esticando o que está atrás dela, criando a chamada dobra espacial. Pela Teoria da Relatividade, é possível. Só que não é fácil. Seria preciso pegar uma quantidade enorme de massa, equivalente à do planeta Júpiter, e transformá-la em energia (colidindo essa matéria com antimatéria, que pode ser produzida num acelerador de partículas). Inviável.
Mas o físico Harold White, da Nasa, diz que é possível aperfeiçoar o processo – e gerar a energia usando apenas 500 kg de matéria. A energia alimentaria anéis na frente e na traseira da nave, que produziriam um campo gravitacional artificial – deformando o espaço. “Seria o suficiente para alcançar dez vezes a velocidade da luz”, diz. Daria para ir até a estrela mais próxima, Alfa Centauri, em meros cinco meses.
Para chamar atenção para seu projeto, White produziu um desenho da nave. Mas ainda é cedo para saber se vai virar realidade. Esses 500 kg de massa ainda são muita energia: cerca de 25 mil tWh (terawatts-hora), tudo o que os EUA consomem em um ano. White, por ora, tem planos mais modestos. Está bolando um teste para demonstrar que é realmente possível gerar uma dobra espacial.

10.916 – Genética – A era dos mosquitos transgênicos


Ele tem um segredo terrível, que vai destruir a sua própria espécie. Parece um conto bíblico, mas é real: é a história do OX513, um mosquito geneticamente modificado que foi criado pelo homem com a missão de extinguir o Aedes aegypti e acabar com a epidemia de dengue. Depois de criar versões transgênicas de plantas como o milho e a soja, agora a humanidade modifica o DNA de um bicho e se prepara para liberá-lo na natureza. Aqui mesmo no Brasil – onde fica a primeira fábrica de mosquitos transgênicos do mundo.
PESTE ALADA
Mosquitos são criaturas terríveis. Estima-se que eles tenham sido responsáveis por metade de todas as mortes de seres humanos ao longo da história. Ou seja, mataram mais gente do que qualquer outra coisa. Isso acontece porque, como se multiplicam rápido e em enormes quantidades, são excelentes transmissores de doenças – como a dengue, que é causada por um vírus chamado DENV. O mosquito pica uma pessoa infectada, adquire o vírus, e o espalha para outras pessoas ao picá-las também. A dengue é uma doença séria, que pode matar, e um grande problema no Brasil: em 2013, o Ministério da Saúde registrou 1,4 milhão de casos, mais que o dobro do ano anterior. Tudo culpa do Aedes aegypti. Ele é um mosquito de origem africana, que chegou ao Brasil via navios negreiros, na época do comércio de escravos. E hoje, impulsionado pela globalização, levou a dengue a mais de cem países (na década de 1970, apenas nove tinham epidemias da doença). Os números mostram que, mesmo com todos os esforços de combate e campanhas de educação e prevenção, o mosquito está ganhando a guerra.

Entra em cena o OX513A, que foi criado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele é idêntico ao Aedes aegypti – exceto por dois genes modificados, colocados pelo homem. Um deles faz as larvas do mosquito brilharem sob uma luz especial (para que elas possam ser identificadas pelos cientistas). O outro é uma espécie de bomba-relógio, que mata os filhotes do mosquito. A ideia é que ele seja solto na natureza, se reproduza com as fêmeas de Aedes e tenha filhotes defeituosos – que morrem muito rápido, antes de chegar à idade adulta, e por isso não conseguem se reproduzir. Com o tempo, esse processo vai reduzindo a população da espécie, até extingui-la (veja no infográfico abaixo como o processo funciona). Recentemente, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou o mosquito. E o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a permitir a produção em grande escala do OX513A – que agora só depende de uma última liberação da Anvisa. A Oxitec, empresa criada pela Universidade de Oxford para explorar a tecnologia, acredita que isso vai ocorrer. Tanto que acaba de inaugurar uma fábrica em Campinas para produzir o mosquito.
O OX513A já foi utilizado em testes na Malásia, nas Ilhas Cayman (no Caribe) e em duas cidades brasileiras: Jacobina e Juazeiro, ambas na Bahia. Deu certo. Em Juazeiro, a população de Aedes aegypti caiu 94% após alguns meses de `tratamento¿ com os mosquitos transgênicos. Em Jacobina, 92%. As outras formas de combate, como mutirões de limpeza, campanhas educativas e visitas de agentes de saúde, continuaram sendo realizadas. “Nós não paramos nenhuma ação de controle. Adicionamos mais uma técnica”, diz a bióloga Margareth Capurro, da USP, coordenadora técnica das experiências. Há indícios de que o mosquito transgênico funciona. Mas ele também tem seu lado polêmico.
Há quatro anos, quando os mosquitos da Oxitec chegaram à Malásia para uma das primeiras rodadas de teste, surgiu uma preocupação. Quando um organismo geneticamente modificado é introduzido na natureza, seja ele uma planta ou um animal, é complicado prever tudo o que pode acontecer – e muito difícil contê-lo se alguma coisa der errado. Em tese, os mosquitos transgênicos não têm como se espalhar. Três a quatro dias depois de serem soltos, e de fazer sexo com uma fêmea, eles simplesmente morrem. Seus filhotes não conseguem crescer, e também morrem. E a história acaba aí. Mas, e se o mosquito OX513A sofresse uma mutação, e se tornasse imune ao gene letal? Afinal, é assim que a evolução funciona. Mutações são inevitáveis. “Todas as espécies agem para burlar os fatores que tentam exterminá-las”, afirma o biólogo Carlos Andrade, da Unicamp. Se o inseto transgênico conseguisse vencer o gene letal, ele poderia se reproduzir livremente – e se tornaria incontrolável. Foi essa a preocupação do grupo ambientalista inglês EcoNexus, que enviou uma carta às autoridades da Malásia. “Os [insetos] transgênicos podem não ser completamente erradicados do ecossistema, com consequências perigosas.” A Oxitec diz que não há risco. Ela estima que até 5% dos filhotes transgênicos poderão sobreviver ao gene letal, e chegar à idade adulta. Mas eles serão menores e mais fracos do que os mosquitos “selvagens”, e por isso não conseguirão se reproduzir. Mesmo se conseguirem, em tese não terão nenhuma característica que os torne mais perigosos que o Aedes comum. Além disso, como eles são criados em laboratório, seu DNA pode ser monitorado. “Os dois genes [que foram] inseridos são muito estáveis. A linhagem OX513A foi criada em 2002, e até agora teve mais de cem gerações em laboratório, sem nenhuma mudança nos genes inseridos”.
Os mosquitos machos se alimentam de frutas, e por isso não picam. Quem pica é a fêmea, que precisa de sangue humano para nutrir seus ovinhos. É ela que transmite a dengue. Por isso, as fêmeas de OX513A são separadas no próprio laboratório. Algumas são mantidas em cativeiro, para reproduzir a espécie, e as demais são mortas. Apenas os machos, que não picam, são liberados na natureza.

O processo de separação não é perfeito. Até 0,2% dos mosquitos liberados são fêmeas, que podem picar seres humanos. Não é uma quantidade insignificante. A fábrica da Oxitec em Campinas tem capacidade para produzir 500 mil mosquitos machos por semana, podendo ser ampliada para 2 milhões. Isso significa que, devido à margem de erro, mil a 4 mil fêmeas seriam liberadas a cada semana. E elas poderiam transmitir dengue. A Oxitec questiona essa possibilidade. “Para transmitir dengue, a fêmea primeiro tem de pegar dengue”, diz Sofia Pinto, supervisora de produção dos mosquitos. O ciclo da dengue, em que o mosquito pega o vírus de uma pessoa e o transmite para outra, leva cerca de dez dias. Um estudo 1 revelou que em condições ideais, de laboratório, as fêmeas de OX513A podem alcançar 16 dias de vida. Mas, segundo a Oxitec, isso não ocorre na natureza – onde os insetos transgênicos não sobrevivem mais de quatro dias. Ou seja: em tese, as fêmeas liberadas acidentalmente não teriam tempo de espalhar a doença.
Uma eventual extinção do Aedes aegypti não poderia acabar criando um desequilíbrio ecológico? “Não acredito que vamos ter efeitos negativos, porque esse mosquito é uma espécie invasora”, diz Glen Slade, diretor da Oxitec. O mosquito da dengue já chegou a ser erradicado no Brasil, na década de 1950, e só voltou nos anos 80 (vindo da Ásia). “Não existe animal que viva nos criadouros desse mosquito, como caixas d¿água e vasos de plantas. E animais como lagartixa, sapo, pássaro comem qualquer inseto que voe, não só esse mosquito”.
Apesar de todos os poréns científicos, a crítica mais forte ao inseto transgênico está relacionada a algo trivial: a quantidade de mosquitos necessária. O OX513A é fisicamente mais fraco do que o mosquito natural, e por isso tem que ganhar em número. Para que a técnica dê certo, e o transgênico consiga acasalar com as fêmeas (para gerar descendentes inférteis e acabar com a espécie), é preciso liberar uma quantidade enorme dele: dez mosquitos transgênicos para cada mosquito selvagem. Na prática isso significa que, para tratar uma área bem pequena, com apenas 10 mil habitantes, seria preciso liberar 2 milhões de mosquitos por semana durante a fase inicial de tratamento, que dura de quatro a seis meses. Isso é alvo de críticas de alguns especialistas. “Liberar milhões de mosquitos numa área de alguns quarteirões urbanos é insano. É forçar para dar certo”, diz o biólogo Carlos Fernando Andrade, da Unicamp.
O OX513A pode acabar se mostrando uma solução sofisticada demais para um problema que pode ser atacado com medidas mais simples. Talvez a vacina contra o vírus da dengue.
Seria muito mais fácil controlar a dengue com uma vacina. E ela pode estar perto de virar realidade. Num estudo 2 feito na Ásia, 10 mil crianças receberam uma vacina experimental, fabricada pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. Entre elas, houve 56,5% menos casos de dengue. Ou seja: a vacina não é perfeita, mas parece fazer efeito. O problema é que só imuniza contra três dos quatro subtipos de vírus da dengue – e os cientistas ainda não sabem o porquê. Há outro estudo em curso, com 20 mil voluntários espalhados por Brasil, Colômbia, Honduras, México e Porto Rico.

mosquito-transgenico

10.915 – Medicina – A Neurologia


neurologia

É uma especialidade médica que trata dos distúrbios estruturais do sistema nervoso. Especificamente, ela lida com o diagnóstico e tratamento de todas as categorias de doenças que envolvem os sistemas nervoso central, periférico e autônomo, incluindo os seus revestimentos, vasos sanguíneos, e todos os tecidos efetores, como os músculos. O correspondente cirúrgico da especialidade é a neurocirurgia.
O neurologista, médico que se especializou em neurologia, é treinado para investigar, diagnosticar e tratar distúrbios neurológicos. O neuropediatra trata doenças neurológicas em crianças. Neurologistas também podem estar envolvidos na pesquisa clínica, ensaios clínicos, bem como em pesquisa de ciências básicas da medicina.
Entre as principais doenças abordadas pela especialidade podem-se citar:
Distúrbios do sono
Neuro-infecções
Epilepsias
Doenças vasculares encefálicas
Neuropatias
Mielopatias
Traumatismo crânio-encefálico
Doenças neurodegenerativas
Distúrbios dos movimentos
Síndrome de Guillain-Barré
Deficiência mental e Malformações congênitas do Sistema Nervoso
Para se obter o título de Médico especialista em Neurologia no Brasil, é necessário, após a graduação em Medicina, cumprir integralmente o programa de residência médica reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) ou realizar estágio em instituição reconhecida, com duração de 3 anos, e após, prestar prova no concurso promovido pela Academia Brasileira de Neurologia.
Um caso fascinante é relatado pelo neurocientista português Antônio Damásio no seu livro “O Erro de Descartes” a respeito de Phineas Gage, um capataz de construção civil na Nova Inglaterra que, em 1848, teve um acidente no qual um bastão de ferro lhe entra pela face esquerda, trespassando a base do crânio e destruindo-lhe a parte anterior do cérebro, porém sobreviveu. Através dos relatos a respeito da mudança de personalidade de Gage, os neurologistas ainda hoje retiram daí ilações sobre a fisiologia cerebral.

10.914 – Esporte – Usain Bolt X Jesse Owens


Em 1936, Jesse Owens surpreendeu o mundo e obteve quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim. Naquele tempo, foi visto um fenômeno difícil de ser igualado. Oitenta e dois anos depois, porém, um outro velocista provocou um tipo de espanto parecido: Usain Bolt bateu seus concorrentes com uma facilidade assombrosa. As conquistas unem Owens e Bolt, mas todo o resto – do perfil físico aos recursos de treinamento – separa os dois.

usain

Usain “Lightning” Bolt

• Ouro nos 100 metros rasos, 200 metros rasos, revezamento 4×100 metros e recordista mundial nas três provas na Olimpíada de Pequim-2008
• Trelawny, Jamaica, 21 de agosto de 1986

• 1,96 metro de altura e 86 quilos

Com apenas 22 anos de idade, Usain Bolt tornou-se medalhista de ouro e recordista mundial nas provas dos 100 e 200 metros rasos e 4×100 metros em Pequim-2008. Na prova dos 100 metros, Bolt deixou o mundo de boca aberta ao quebrar o recorde “sem esforço” – no fim, até desacelerou. Quatro dias depois, Bolt voltou pista para quebrar o recorde dos 200 metros, que já durava 12 anos. Desta vez, porém, o jamaicano teve de fazer seu melhor.
Aos 15 anos, o jamaicano faturou um ouro e duas pratas no Mundial de Atletismo Júnior, em Kingstown, na Jamaica. Em 2003, foi a vez do Canadá ver a performance do jovem, que faturou um ouro no mundial de Sherbrooke, nos 200 metros. Ainda como júnior, Bolt venceu os 200 metros em 2004 (nas Bermudas) e 2005 (nas Bahamas). Já como profissional, ficou em segundo lugar no mundial de Osaka, nas provas dos 200 metros e revezamento 4×100, antes de conquistar os ouros na Olimp ada de Pequim. Sua marca nos 100 metros: 9,69 segundos.
Apesar de preferir as festas, o atleta treina horas a fio todos os dias na Jamaica. Tem ao seu lado muitos profissionais especializados, como nutricionista, fisiologista, massagista, treinador de 100 metros e 200 metros e psicólogo. Além do trabalho na pista, também faz musculação para preparar melhor o corpo para as provas de alta velocidade.
Com um porte físico parecido com o de um jogador de basquete – 1,96 metro e 86 quilos-, Bolt é um visto como um marco nas provas mais velozes do atletismo. Antes, imaginava-se que um atleta tão alto não conseguiria uma aceleração rápida o suficiente para vencer os 100 metros. Carl Lewis, por exemplo, tinha 1,80 metro e 80 quilos quando dominou as provas de velocidade nas décadas de 1980 e 1990.

Jesse
Jesse

James Cleveland “Jesse” Owens
• Ouro nos 100 metros rasos, 200 metros rasos, salto em distância e revezamento 4×100 metros na Olimpíada de Berlim-1936
• Alabama, EUA, 12/set/1913-31/mar/1980
• 1,77 metro de altura e 75 quilos
O atleta venceu os 100 e 200 metros rasos, revezamento 4×100 metros rasos e salto em distância, na Olimpíada de Berlim, em 1936. Quando Owens ganhou a prova dos 200 metros, o líder nazista Adolf Hitler, que pretendia usar os Jogos para demonstrar sua teoria de superiordade da raça ariana, se retirou do estádio para não cumprimentá -lo. Jesse Owens foi aclamado por milhares de torcedores de diversos países naquele dia.
Jesse Owens começou sua carreira na equipe de uma escola de Cleveland. Foi campeão nacional de um torneio interescolar nos Estados Unidos e igualou o recorde americano das 100 jardas, com 9,4 segundos. Ao entrar na universidade de Ohio, passou a sofrer com a discriminação racial. Podia participar apenas dos eventos do “campus dos negros”. Competindo apenas com atletas de sua etnia, baixou outros recordes, forçando o comitê olímpico a levá-lo para os Jogos de Berlim. Sua melhor marca nos 100 metros: 10,20 segundos.
Owens cresceu em Oakville, no Alabama, com seus pais Henry e Emma Owens, e mais nove irmãos. As dificuldades financeiras fizeram com que a família do atleta fosse para Cleveland, em Ohio. O atleta teve que trabalhar desde criança para ajudar sua família – isso até o dia em que obteve ajuda financeira da escola em troca de medalhas conquistadas em torneios de atletismo.
Com 1,77 metro de altura e 75 quilos, Jesse Owens tinha 19 centímetros e 11 quilos a menos que Bolt quando disputou os Jogos de Berlim e conquistou quatro medalhas de ouro. Era rápido por ser muito leve, mas o “baixinho” dificilmente estaria numa final olímpica com os gigantes do atletismo atual.