10.816 – Psicologia e Comportamento – Como um simples sorriso ganha a confiança das pessoas


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Pesquisadores do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva, em Plön, Alemanha, e da Escola de Economia de Toulouse, França, realizaram um estudo comportamental que avaliava se sujeitos poderiam induzir confiança com seus sorrisos e lucrar com isso. Os resultados mostram que um sorriso avaliado como honesto e verdadeiro inspira confiança, e com razão: em média, estes indivíduos também são mais cooperativos.
O estudo mostra que os sorrisos genuínos são produzidos inconscientemente com mais frequência quando os lucros são maiores e o sujeito é “honesto”. Sorrisos classificados como genuínos são fortes preditores de confiabilidade do indivíduo em questão.
Sorrir é um componente fundamental da comunicação em todas as sociedades humanas. Alguns cientistas especulam que sorrisos surgiram durante o curso da evolução a partir de um gesto de submissão, como o observado entre macacos quando animais socialmente inferiores retraem seus lábios e mostram os dentes como uma forma de demonstrar sua subserviência aos membros dominantes de sua espécie.
Nos seres humanos, o sorriso pode ter se desenvolvido como uma espécie de mimetismo em que os indivíduos dominantes imitam um gesto submisso a fim de sinalizar que são confiáveis.
Ainda não está claro, no entanto, se o sorriso humano é realmente um instrumento de comunicação ou simplesmente uma expressão involuntária do estado emocional. Consequentemente, os cientistas de Max Planck e seus colegas desenvolveram o experimento para medir o impacto de sorrir em relação à disponibilidade para cooperar em situações que requerem confiança. O próprio Darwin discutia a função do “sorriso de Duchenne”, que tem origem inconsciente ou involuntária.
A experiência
No experimento, dois participantes tiveram que cooperar a fim de obter quatro ou oito euros. Os administradores (beneficiários potenciais) se apresentaram usando um texto pré-determinado em videoclipes curtos, pedindo a seus parceiros que os enviassem o dinheiro fornecido pelos pesquisadores.
Com base no vídeo, o remetente, então, tinha que decidir se enviaria o dinheiro para o administrador. Se o dinheiro fosse enviado, a participação seria triplicada e o administrador poderia escolher retornar um terço ou metade deste aumento ao outro participante ou simplesmente ficar com tudo – ou seja, um máximo de 24 euros, enquanto que o remetente ficaria de mãos abanando.
Os cientistas começaram por documentar como os remetentes e sujeitos não participantes avaliaram os videoclipes. Eles tiveram que avaliar a pessoa no clipe em atratividade, inteligência e confiança e se consideravam o seu sorriso como genuíno. “As pessoas cujos sorrisos foram classificados como genuínos também foram considerados de confiança. Os remetentes poderiam usar o sorriso como base para prever se o administrador iria partilhar os lucros”, explica Manfred Milinski, do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva.
Para os remetentes, valeu a pena confiar nos administradores que produziram sorrisos genuínos, porque, em média, eles enviaram mais dinheiro de volta. “Isso significa um sorriso genuíno é percebido como um sinal honesto que mostra disposição a cooperar. Ele destina-se a incentivar os outros a cooperar em situações que exigem confiança justificada”, diz Milinski.
Além disso, em jogos com apostas mais altas do que oito euros, os administradores eram mais propensos a produzir sorrisos que foram classificadas como genuínos. Isto sugere que é mais fácil produzir um sorriso honesto quando uma recompensa maior está à vista. Como sorrisos genuínos são inconscientes na origem e independentes de controle voluntário exterior, parece que eles são trabalhosos e envolvem um esforço que só é feito inconscientemente quando necessário – e quando o sentimento é genuíno.
Atores talentosos podem ser capazes de produzir deliberadamente sorrisos de Duchenne. De qualquer forma, no laboratório de pesquisa e na vida diária, sorrir é um sinal frequentemente usado para induzir confiança e promover a cooperação.

10.815 – O que é Vida? A Nasa tenta definir


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Definir o que constitui vida é complicado, ainda mais porque não sabemos que outros tipos de vida, sem ser as que conhecemos aqui na Terra, podem existir.
Por outro lado, é preciso que haja alguma acepção, para justamente podermos procurar pela vida fora do planeta.
Muitos cientistas tentaram listar características básicas da vida para que pudéssemos identificá-la. Mas uma lista precisa de um quadro teórico maior. Caso contrário, é difícil argumentar que estas características seriam universais, encontradas entre as formas de vida que nós ainda não conhecemos.
Em 1994, um grupo de cientistas da NASA criou uma definição de apenas sete palavras para guiar a agência espacial norte-americana nas suas missões em busca de vida extraterrestre.
Segundo eles, a vida é um: “sistema químico autossustentável capaz de evolução darwiniana”. Mas será que isso realmente abrange toda a vida, incluindo os tipos que ainda temos que descobrir?
“Sistema químico” é um termo que reconhece que a vida é a integração de vários processos metabólicos, interdependentes. A palavra “sistema” também faz uma distinção entre “vida” e “viva”, que não são necessariamente a mesma coisa. Uma célula de sangue em seu corpo é viva – é um tecido vivo -, mas, por si só, não é vida.
Já “autossustentável” não quer dizer que a vida não precisa comer para crescer e se desenvolver. Neste contexto, significa que a vida não precisa de intervenção contínua – seja por um ser inteligente, seja por Deus, por um estudante de pós-graduação ou por um jardineiro – para fornecer o seu sustento. Dado um ambiente com recursos suficientes, ele pode sobreviver por conta própria.
Por fim, “capaz de evolução darwiniana” é uma expressão que se refere ao mecanismo por trás da seleção natural que permite que a vida sobreviva e se adapte a ambientes em constante mudança. No sentido mais amplo, a evolução darwiniana significa que a “vida” deve ser capaz de fazer cópias perfeitas de informação imperfeita durante a reprodução, e depois ser capaz de passar essa informação para sua prole, através das gerações. Nas formas de vida terrestres, essa informação é codificada no DNA.
Tal expressão é especialmente crítica para diferenciar entre um verdadeiro organismo vivo de outros processos químicos que podem imitar a vida, como os cristais. Um cristal de clorato de sódio pode ser usado para semear o crescimento de outros cristais de clorato de sódio. Ou seja, pode se reproduzir. Além disso, as características do cristal podem ser passadas para seus descendentes.
No entanto, a replicação é imperfeita. E a informação nestes defeitos em si não é hereditária: os defeitos do cristal pai não são reproduzidos nos cristais descendentes. Assim, as informações contidas nos defeitos no cristal são totalmente independentes das informações armazenadas nos defeitos do pai. Por isso, o cristal de cloreto de sódio não pode suportar a evolução darwiniana, o que significa que um sistema de cristais de clorato de sódio não se qualifica como vida.
Aliás, como “capaz de evolução darwiniana” é o predicado do sujeito “sistema químico”, é o sistema vivo que precisa se adaptar e evoluir. Um único indivíduo pode parecer ser capaz de sofrer evolução darwiniana, mas pode de fato estar morto, ser um resto fóssil ou até ser incapaz de encontrar um companheiro ou companheira.
Outro ponto importante é que informações químicas são o produto da evolução darwiniana. Assim, todas as informações necessárias para que o sistema se submeta a evolução darwiniana devem ser parte do sistema.
Muitas coisas não se encaixam nessa definição, de forma que o pente parece de fato ser fino o suficiente para identificarmos vida.
No entanto, um dos primeiros organismos que logo pode não caber mais nesta descrição são os próprios seres humanos.
Em poucos anos, poderemos ser capazes de identificar as sequências de DNA que são melhores para nossos filhos e ter a tecnologia que permite que estas sequências sejam colocadas em nossas linhas germinativas. Se isso acontecer, então a nossa espécie vai começar a escapar de mecanismos darwinianos para melhorar os nossos genes.
A boa notícia é que não vamos mais precisar ver crianças morrerem de doenças genéticas; um grande número de más mutações é o custo da evolução darwiniana.
Através desta possível nova tecnologia, a humanidade seria capaz de evoluir de uma forma mais “lamarckiana”. Assim, quem sabe devêssemos começar a pensar em uma melhor definição da teoria da vida agora mesmo.