10.799 – Cadela que seria sacrificada aprende a diagnosticar câncer de próstata na USP


cadela

Por meio do cheiro da urina, uma cadela pastora belga treinada é capaz de ajudar no diagnóstico de homens com câncer de próstata.
Ela se chama Life e vive em Ribeirão Preto (SP). Após ser adestrada para tal missão médica, foi submetida a 402 testes, de pacientes com e sem câncer da USP, e teve nada menos do que 100% de acerto.
Em 2011, pesquisadores japoneses tinham treinado uma cadela para diagnosticar câncer de intestino. Tanto eles quanto os cientistas brasileiros ainda não sabem exatamente qual substância os cachorros conseguem farejar para ter tanto sucesso.
A história de Life, 4, é um tanto curiosa. Ela era da Polícia Militar de Goiás e seria sacrificada após ser agredida por um rottweiler e apresentar vários problemas de saúde.
O treinador que colaborou com a pesquisa e é também Policial Militar, evitou que isso acontecesse, porém. Ele identificou nela potencial para a atividade científica: era importante encontrar um cão que já fosse treinado para responder a comandos e que tivesse facilidade de aprendizagem.
Em Ribeirão, ela foi ensinada que, ao identificar na urina odor com câncer de próstata, deve ficar sentada, sem sair do lugar até seu treinador determinar. Se não há câncer, ela logo volta a se mexer.
O sucesso de Life não significa, porém, que em breve hospitais contarão com um exército de cães farejando amostras de urina de pacientes com suspeita de câncer de próstata, em substituição aos tradicionais exame de sangue e de toque ou da biópsia.
Isso porque o treinamento canino leva tempo. Life precisou de dois anos. A cadela usa no Japão levou quatro, quase uma faculdade de medicina humana –e a “vida útil” de um cão é bem menor do que a de um médico.
Além disso, não são todos os cães que têm o faro aguçado o suficiente ou se adaptam a essa missão. Ainda não se sabe bem quanto custaria um projeto em larga escala ou como se resolveria as dificuldades que a presença em massa de cães num hospital poderia causar.
Segundo Rodolfo Borges dos Reis, médico urologista da faculdade de medicina da USP Ribeirão, o grande desafio científico, na verdade, é descobrir qual marcador na urina Life fareja, o que poderia permitir que se tentasse detectá-lo em laboratório.