10.798 – Biologia – Olfato, a fronteira entre a vida e a morte


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De acordo com um estudo feito por especialistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, o olfato é um sentido de referência para o estado geral do corpo e permite que o organismo saiba quando está exposto a toxinas externas. Por isso, eles afirmam que deixar de sentir odores significa prever a morte em cinco anos. A perda de olfato não representaria uma causa de morte, mas um modo de prevê-la mais preciso que um diagnóstico de câncer, insuficiência cardíaca ou problema pulmonar.
Tal estudo foi realizado entre 2005 e 2006, quando os cientistas fizeram um simples experimento com os voluntários: pediram que identificassem cinco odores simples: de rosa, couro, peixe, laranja e hortelã. O número de odores mal identificados permitiu que obtivessem um certo nível de gravidade em relação à perda olfativa. Cinco anos depois, os pesquisadores repetiram o teste e descobriram que 430 voluntários tinham morrido durante esse período, dos quais 39% haviam falhado no primeiro experimento, 19% haviam constatado uma perda moderada de olfato e apenas 10% tinham sido aprovados. Isto significa que os voluntários que falharam na identificação dos cheiros tiveram uma probabilidade quatro vezes maior de morrer, nos cinco anos seguintes, que aqueles que conseguiram assimilar todos os odores.
Cientificamente, o estudo defende que o nariz é capaz de prever a morte de modo eficaz graças à ponta do nervo olfativo, que é a única parte do sistema nervoso continuamente regenerada por células-mãe. O aparecimento desse tipo de células começa a reduzir à medida que a idade avança, provocando uma diminuição gradativa da capacidade de perceber e identificar odores. Portanto, qualquer disfunção olfativa implica que o corpo já não é capaz de se regenerar por si próprio, o que significa um estado de deterioração ou de uma morte iminente.

10.797 – Mega Memória Games – Nintendo 64, o último a usar cartuchos de memória


Adeus aos cartuchos
Adeus aos cartuchos

No dia 29 de setembro de 1996 ocorria nos Estados Unidos o lançamento do Nintendo 64 (N64), terceiro console da empresa japonesa de mesmo nome. Poucos meses antes, o videogame havia sido lançado no Japão, no dia 23 de junho. O Nintendo 64 foi o último console a usar cartuchos de memória, enquanto produtos rivais já haviam aderido ao CD-ROM. Entre os jogos do videogame que conquistaram maior sucesso pode-se destacar: Doom, Super Mario, Mario Kart, Star Fox, The Legend of Zelda (Ocarina of Time e Majora’s Mask), Mortal Kombat Trilogy e Wave Race.
Comercialmente falando, o N64 vendeu mais de 20 milhões de unidades nos EUA, ficando na segunda posição. Perdeu somente para o PS1, com 40 milhões. Mundialmente, o videogame vendeu um total de 32 milhões de unidades, sendo novamente superado pelo PS1, com 102 milhões.

10.796 – Como gatos passaram de felinos selvagens a animais domesticados?


O raríssimo gato maracajá da fauna brasileira
O raríssimo gato maracajá da fauna brasileira

Pesquisadores compararam os genomas de gatos domesticados e de felinos selvagens para descobrir as diferenças entre ambos. Publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo sugere que a ‘conversão’ está relacionada aos genes da memória, do medo e às ameaças. A pesquisa também pode explicar a razão de gatos domésticos gostarem tanto de comer carne e de praticar poucas atividades físicas.
Gatos compartilham a vida com humanos há mais de 9 mil anos, mas se sabe muito pouco sobre a sua domesticação. “Os humanos provavelmente aceitaram os gatos dentro de casa por eles controlarem os roedores de seus jardins”, conta o autor Wesley Warren. “Na nossa hipótese, as pessoas ofereciam comida aos animais para que eles ficassem próximos”.
Para identificar as alterações no genoma, Warren e seus colegas compararam animais selvagens com gatos domésticos. E com a intenção de ficar ainda mais exato, os pesquisadores também estudaram alguns mamíferos como tigres, cachorros, vacas e até seres humanos.
“Diferente dos cachorros, gatos são apenas ‘semi-domesticáveis’”, conta Warren. “Eles não se separaram por completo de seus ascendentes selvagens – alguns ainda copulam com eles, inclusive. Ficamos surpresos em encontrar evidência doméstica no DNA”.
A comparação resultou em uma descoberta: as diferenças estão nos genes ligados à memória, ao condicionamento do medo e às recompensas; todas relacionadas ao efeito doméstico. “Eles tiveram de se tornar menos “medrosos” nas novas locações. A promessa de comida também fez com que ficassem com os humanos”.
Os gatos domésticos também sofreram outras variações genéticas. Como por exemplo, no metabolismo, na visão e audição e até no olfato. Esses animais conseguem ouvir em uma camada ultrassônica, são capazes de expandir a área de audição e melhorar sua visão de longa distância.

10.795 – Biodiversidade – A Biopirataria


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Trata-se da exploração ou apropriação ilegal de recursos da fauna e da flora e do conhecimento das comunidades tradicionais.
O conceito de biopirataria surgiu em 1992 com a “Convenção Sobre Diversidade Biológica” apresentada na Eco92. Desde então, a biopirataria vem sendo tema de infindáveis discussões sobre a apropriação indébita por parte de grandes laboratórios farmacêuticos internacionais dos conhecimentos adquiridos por povos indígenas, quilombolas e outros, acerca das propriedades terapêuticas ou comerciais de produtos da fauna e da flora de diversos países, ou de seus princípios ativos utilizados para a confecção de medicamentos.
Existem normas internacionais, como os tratados sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comércio (OMC – Organização Mundial do Comércio) que permitem aos pesquisadores patentear descobertas feitas através de pesquisas em outros países desde que estes tenham participação nos lucros obtidos com as descobertas. Entretanto, são inúmeros os casos em que a patente é feita, mas o país de origem sequer chega a ver a cor do dinheiro.
A biopirataria acontece em qualquer país do mundo que possua recursos naturais com potencial de comercialização e poucos investimentos em pesquisa e regulamentação, principalmente relacionada a medicamentos. Mas no Brasil o tema ganha uma dimensão enorme devido ao fato de este ser o país com a maior biodiversidade do planeta e de que aqui ainda há um potencial muito grande e inexplorado. Estima-se que o Brasil perca cerca mais de 5 bilhões de dólares por ano com o tráfico de animais, produtos da flora e de conhecimentos das comunidades tradicionais.
Geralmente associa-se a biopirataria com as indústrias farmacêuticas e princípios ativos de medicamentos. Mas, embora esse comércio movimente as maiores cifras (o mercado de remédios baseados em plantas medicinais lucra algo em torno de U$400 bilhões por ano; e do Brasil saem anualmente e de forma ilegal, mais de 20 mil extratos de plantas nativas), ele não é a única forma de exploração. A extração ilegal de madeira também figura como biopirataria.

Infelizmente, a reação brasileira ainda é incipiente. Por enquanto há apenas uma Medida Provisória (N. 2.186) sobre o assunto, criada logo após a conclusão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 2003 que investigou a biopirataria no Brasil, porém sem grandes sucessos. Entretanto, é difícil dizer se essa MP ajudou ou piorou ainda mais a situação. A biopirataria ainda não é considerada como crime e a partir da MP o acesso a qualquer recurso genético depende da autorização da União. Ou seja, a MP não pune os praticantes da biopirataria e ainda tornou mais difícil o acesso dos pesquisadores brasileiros aos recursos genéticos.
Alguns dos recursos brasileiros pirateados por indústrias de outros países são os seguintes: o caso mais clássico é o do açaí, que chegou a ser patenteado pela empresa japonesa K. K. Eyela Corporation, mas que devido à pressão de diversas ONGs e da mídia, teve sua patente caçada pelo governo japonês (isso depois de mais de um ano…); o segundo caso famoso é o do veneno de jararaca que teve o princípio ativo descoberto por um brasileiro. Mas o registro acabou sendo feito por uma empresa americana (Squibb) que usou o trabalho e patentou a produção de um medicamento contra a hipertensão (o Captopril) nos anos 70.
No primeiro caso houve sucesso (mesmo que demorado) porque a patente havia sido feita recentemente, após a Convenção Sobre Diversidade Biológica. Mas, nos casos como o segundo, em que as patentes são antigas as chances de que isso ocorra são praticamente nulas e, como a maior parte dos recursos biopirateados vai para grandes e multimilionárias empresas e ainda não há legislação no Brasil que defina a biopirataria como crime, recorrer acaba sendo uma ação dispendiosa e quase sempre infrutífera.

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10.794 – Biologia e Biodiversidade – As Viagens de Darwin


viagem de darwin

Ele foi um dos primeiros naturalistas-viajantes, Charles Darwin (1809-82). Conheceu lugares, povos, faunas e floras diferentes. Pode coletar, desenhar, descrever e dissecar detalhadamente as partes de muitos exemplares de plantas e animais. Não foi a toa que após retornar de sua viagem escreveu o livro nais famoso de todos os tempos depois da Bíblia ” A Origem das Espécies”.

origem das espécies

O naturalista Charles Darwin fez uma viagem que durou quatro anos e nove meses como objetivo de mapear a costa da América do Sul. Ele não foi convidado para procurar e coletar os materiais, mas sim para fazer companhia ao capitão da embarcação, que buscava uma pessoa com quem pudesse conversar durante a viagem. O navio utilizado tinha o nome de HMS Beagle, em referência à raça de cães.
A rota do Beagle começou na Inglaterra no dia 10 de fevereiro de 1831 e teve cerca de 20 paradas. Passou pelo Brasil – em Salvador e Rio de Janeiro -, depois foi para o Uruguai, Montevidéu, Argentina, Patagônia no Chile e Ilha Galápagos, que pertence ao Equador. Em seguida foi para o Haiti, passou pela Nova Zelândia, Austrália e África. Depois desse percurso, ele retornou à Bahia e seguiu para a Inglaterra. Nessa jornada Darwin viu que há muita diversidade de meio ambiente e que cada lugar tem suas características, tanto na vegetação, quanto na fauna e flora.
Quando o navio chegou ao Rio de Janeiro, o naturalista oficial não quis mais seguir viagem, então Darwin, com apenas 22 anos, assumiu o cargo. Como isso, ele pode coletar amostras, pesquisar e conversar com as pessoas nativas para obter todas as informações sobre os locais que passava. Durante a viagem Darwin conseguiu coletar 1.529 espécies fósseis, 3.907 espécimes preservados e um diário de 770 páginas no qual registrava tudo que observava.
À medida que coletava materiais, o naturalista já enviava à Inglaterra para seus amigos pesquisadores realizarem a identificação. Se encontrava um mamífero, mostrava para um especialista da área, se fosse uma planta enviava a outro.
Três observações constituem o ponto de partida para Darwin começar a pensar na Teoria da Evolução: fósseis encontrados na Patagônia, a distribuição geográfica da Ema e a diversidade da vida animal no Arquipélago de Galápagos. Até então, acreditava-se que as espécies eram imutáveis, mas, depois de concluir a viagem, Darwin começou a crer que as espécies mudavam com o passar do tempo. Ele observou que às vezes era possível encontrar uma concha do mar no alto de uma montanha. Então, provavelmente, aquele local teria sido mar em alguma época remota. Para ele, a Terra não foi sempre igual, pois acreditava que ela sofria modificações com o passar do tempo e com isso algumas espécies poderiam de se adaptar a esses novos ambientes e dar origem a uma nova espécie.

Darwin visitou na Patagônia o sítio arqueológico de Ponta Alta, um lugar apropriado para a fossilização, onde encontrou o fóssil de uma preguiça. Alguns anos atrás, outro cientista havia encontrado um fóssil deste animal, evidenciando que a Terra já tinha sido habitada por animais que já estavam extintos. Nesta região, ele também conheceu uma espécie diferente, a ema (Rhea americana), ave ternária de grande porte que não voa.
Quando a embarcação atracava, a tripulação saía para caçar animais, como a ema. Conversando com os nativos, Darwin descobriu que naquela região tinha outra ave parecida com esta, mas um pouco menor. Eles acreditavam que esse animal era a Rhea americana mais jovem. A ave foi servida na ceia de natal e quando Darwin comeu e observou os ossos, percebeu que tinha algo diferente. Então, ele recolheu os ossos e pediu ao cozinheiro as penas que havia retirado da ave. No retorno à Inglaterra, descobriu que o animal era outra espécie muito semelhante à ema. A nova espécie recebeu o nome de Rhea darwinii.
Em 1838, dois anos depois do fim da viagem, Darwin leu um ensaio do matemático Thomas Malhus que falava da tendência da humanidade em crescer em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética, ou seja, em algum momento teria mais gente que comida. A dúvida de Darwin foi: o que mantinha o equilíbrio estável de uma população? Então observou que nas populações existe competição – pelo ambiente, alimento, abrigo e uma série de outras coisas – e o indivíduo que apresenta variação vantajosa sobrevive e se reproduz, já aquele que não apresenta as características necessárias a própria natureza extingue. Foi assim que surgiu o conceito de seleção natural.
Em 1859, Darwin escreveu o livro “A Origem das espécies”, em que explica como chegou à Teoria da Evolução. Cada local que poderia servir de exemplo foi detalhado no livro para evitar contestação. Quando foi lançado, em poucas horas todos os exemplares se esgotaram.

10.793 – Urologia – Equipe de universidade no interior de São Paulo patenteia “viagra caipira”


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Como vimos em um capítulo anterior, um grupo de pesquisadores estava testando uma série de moléculas similares como arma contra o mal de Chagas, doença causada por um parasita e que pode levar à insuficiência cardíaca.
As substâncias não se revelaram muito eficazes para esse fim, mas alguns dos ratos usados no estudo, repararam os cientistas, apresentavam uma potente ereção.
Após estudar melhor o fenômeno, a equipe da Unifran (Universidade de Franca, no interior paulista) acabou mostrando que uma das substâncias, a (-)-cubebina –pronuncia-se “menos cubebina”– tinha potencial para ser usada como medicamento contra a disfunção erétil em seres humanos, inclusive com vantagens em relação a fármacos que estão no mercado hoje, como o Viagra (citrato de sildenafila).
A equipe obteve recentemente a patente do uso da molécula para esse fim nos Estados Unidos e está negociando testes mais detalhados dela com representantes da indústria farmacêutica, afirma o coordenador do estudo, o farmacêutico Márcio Luís Andrade e Silva.
“Esperamos fechar isso o mais rápido possível. Podemos ter excelentes notícias em breve, mas a negociação ainda é confidencial”.
A molécula, como indica seu nome, foi obtida a partir da cubeba ou pimenta-de-java (Piper cubeba), nativa da Indonésia, tradicionalmente usada como condimento ou para fins medicinais.
Segundo Andrade e Silva, a equipe passou a fazer modificações na estrutura molecular dos derivados da cubeba, testando essas substâncias também contra doenças como esquistossomose ou como anti-inflamatório.
Após verificar o curioso efeito nos ratos, a equipe passou a fazer exames mais detalhados do fenômeno, inclusive analisando o que acontecia com o corpo cavernoso do pênis dos animais –a parte do órgão que, ao receber maior irrigação sanguínea, é a principal responsável por mantê-lo ereto (veja o quadro acima).
“Comparamos a ação da (-)-cubebina com a do princípio ativo do Viagra e verificamos que ela é 50% mais potente”, diz o farmacêutico da Unifran. Trocando em miúdos, a molécula derivada da planta enche o pênis com sangue de modo mais eficiente, deixando-o mais túrgido (“cheio”), como dizem os especialistas.
Essas análises mais detalhadas também mostraram que a substância atua inibindo uma enzima (molécula que acelera reações bioquímicas), a fosfodiesterase-5, que mantém o pênis em seu estado flácido. Essa enzima também é o alvo de remédios contra disfunção erétil existentes hoje.

10.792 – Pediram água? Ela vai vir – Um vento preocupante sopra na Antártica


Antártida derretimento
Antártida derretimento

Pesquisas já haviam sugerido que a expansão do gelo do mar da Antártica anuncia mudanças, acelerando o derretimento de sua cobertura de gelo e armazenando calor por baixo de uma camada de água fria de superfície – o que irá piorar as enchentes em todo o mundo.
A impressionante extensão de banquisas sobre os mares que cercam a região foi causada por água doce fluindo das geleiras. Este derretimento está formando camadas de água incomumente fria e relativamente sem sal. E pode redesenhar a influente Circulação de Revolvimento do Atlântico Meridional, que carrega água entre as regiões tropicais e polares, desde o Ártico à Antártica, com consequências para todo o planeta.
Um estudo recente mostra a atuação de outro fator preocupante: novos ventos estão soprando sobre o Polo Sul, já uma área de forte ventania. Isto ameaça aumentar ainda mais a taxa de derretimento e intensificar as enchentes.
Os ventos, lendários, estão em uma direção mais orientada para o polo desde os anos 1950. São esparsas as observações de temperatura no continente hostil, mas cientistas modelaram os efeitos do oceano sobre esta mudança, que vem sendo causada pelo afinamento da camada de ozônio e e o aumento dos gases de efeito estufa. E ficaram impressionados pelo perigoso feedback da mudança do clima que descobriram.
Segundo eles, a alteração nos ventos “produz um aquecimento intenso” logo abaixo da superfície do oceano. Ela está trazendo correntes quentes de águas mais profundas para uma zona onde a camada de gelo da Antártica é mais vulnerável e desmorona a partir de sua parte baixa – os locais onde torres de gelo estão sobre solos submersos.
“Estamos identificando um mecanismo muito simples,” disse ontem Stephen Griffies, cientista da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, que contribuiu com o trabalhado publicado na Geophysical Research Letters.
As maiores reservas de água do gelo sobre o mar ficam na Antártica, e entender a taxa na qual o gelo fluirá para o mar pode ajudar pesquisadores a refinar suas previsões sobre a elevação de seu nível. Projeções atuais indicam que 2.6% da população mundial estaria vivendo em áreas regularmente inundadas até o final do século. E se a Antártica for menos estável do que se espera, a catástrofe pode ser ainda pior do que o previsto, diz a Climate Central.