10.783 – Fisiologia – Odores aceleram regeneração celular


Apesar de ser um dos sentidos humanos mais antigos, o odor foi um dos últimos a ser estudado. Nos últimos dez anos, mais ou menos, cientistas descobriram que os receptores olfativos não estão presentes apenas no nariz, mas estão em todo o corpo, exercendo papel crucial em uma série de funções fisiológicas.
Agora uma equipe de biólogos descobriu que nossa pele está cheia de receptores olfativos.
Não apenas isso: a exposição de um desses receptores a um odor sintético de sândalo, conhecido como Sandalore, desencadeia uma enxurrada de sinais moleculares que parecem induzir à cura de tecidos lesionados.
Numa série de testes, Hanns Hatt, da Universidade Ruhr Bochum, na Alemanha, constatou que a pele se recupera 30% mais rapidamente de abrasões quando há Sandalore presente. Cientistas acham que a descoberta pode levar à criação de produtos contra o envelhecimento da pele e de novos tratamentos para traumas físicos.
A presença de receptores olfativos fora do nariz pode parecer estranha à primeira vista, mas, como observaram Hatt e outros, esses receptores estão entre os sensores químicos mais evolutivamente antigos do corpo, sendo capazes de detectar compostos de inúmeros tipos.
“Se pensamos nos receptores olfativos como detectores químicos especializados, em vez de receptores nasais capazes de detectar odores, então faz muito sentido que eles estejam em outros lugares”, comentou Jennifer Pluznick, professora de fisiologia na Universidade Johns Hopkins em Baltimore. Em 2009, ela descobriu que os receptores olfativos ajudam a controlar a função metabólica e a regular a pressão sanguínea dos rins de camundongos.
Pense nos receptores olfativos como um sistema de fechadura e chave, sendo uma molécula de odor a chave da fechadura do receptor. Apenas certas moléculas se encaixam com certos receptores. Quando a molécula correta aparece e pousa sobre o receptor que corresponde a ela, desencadeia o envio de um sinal nervoso ao cérebro, que nós apreendemos como odor. Mas o mesmo sistema pode cumprir outras funções.
Em um estudo publicado em 2003, Hatt e seus colegas escreveram que receptores olfativos encontrados no interior dos testículos funcionam como uma espécie de sistema químico de orientação que possibilita aos espermatozoides encontrar o caminho até um óvulo não fertilizado.
Desde então, Hatt já identificou receptores olfativos em vários outros órgãos, incluindo fígado, coração, pulmões, cólon e cérebro. Evidências genéticas sugerem que quase todos os órgãos do corpo contêm receptores olfativos.
Em 2009, por exemplo, Hatt e sua equipe informaram que a exposição de receptores olfativos na próstata humana ao beta-ionona, composto odorífero primário presente em violetas e rosas, parece inibir a disseminação de células cancerosas da próstata.
No mesmo ano, a bióloga Grace Pavlath, da Universidade Emory, em Atlanta, publicou um estudo sobre receptores olfativos em músculos esqueléticos. Ela descobriu que, quando os receptores são banhados em Lyral, fragrância sintética com perfume do lírio do vale, ocorre a regeneração do tecido muscular. O bloqueio desses receptores inibe a regeneração muscular, sugerindo que os receptores olfativos são necessários ao complexo sistema de sinalização bioquímica que leva células-tronco a se transformarem em células musculares e a substituírem tecidos lesionados.
Os receptores olfativos são o maior subconjunto de receptores acoplados à proteína G, família de proteínas encontrada na superfície de células que permite às células detectar o que se passa à sua volta. Esses receptores são alvo comum de medicamentos, e esse fato é um indício positivo para o que se poderia descrever como medicina baseada nos cheiros.
Mas, devido à complexidade do sistema olfativo, essa medicina pode estar distante. Os humanos possuem cerca de 350 tipos distintos de receptores olfativos. Até agora, os cientistas encontraram a correspondência de apenas um punhado deles com os compostos químicos que eles detectam. Há pouco conhecimento sobre o que faz a maioria dos receptores.

10.782 – Energia e Iluminação – Adeus Lâmpadas Gastonas


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Aos poucos, todas as lâmpadas incandescentes estão sendo retiradas do mercado. No fim de junho, as de 75 W e 100 W vão parar de ser fabricadas no Brasil. Isso porque esse tipo de lâmpada gasta muito mais energia do que as outras. De toda energia que ela consome da rede, apenas 8% se torna luz de fato. O resto é transformado em calor. O prazo final para que todas as incandescentes deixem de ser comercializadas é junho de 2017. É bom já ir trocando as da sua casa. Veja as alternativas:

LED
É a mais econômica. Pode consumir até 95% menos energia do que a incandescente. Já existem modelos amarelados, que deixam o ambiente mais acolhedor.

FLUORESCENTE
Uma lâmpada fluorescente compacta eletrônica de 23 W pode substituir uma incandescente de 100 W. Você terá a mesma luz gastando 77% menos energia.

HALÓGENA
As lâmpadas incandescentes duram entre 750 e mil horas. As halógenas duram o dobro do tempo. Você vai gastar bem menos com a reposição do produto.

Até o fim deste ano, não haverá mais lâmpadas incandescentes de 100 W à venda. As versões de 60, 40 e 25 W desaparecerão gradativamente até 2016. O produto será banido por ser pouco sustentável – apenas 5% da energia consumida vira luz. Os outros 95% perdem-se em calor. “A fuorescente compacta fez fama por causa do apagão de 2001, mas os leds vieram para fcar”, avalia Marcos Santos, gerente de produto da Osram. Veja, abaixo, uma comparação entre os quatro tipos.

INCANDESCENTE
A versão de 60 W é, hoje, a mais vendida do Brasil. Uma de suas vantagens é a possibilidade de dimerização, característica difícil entre as concorrentes. O fluxo luminoso ocorre instantaneamente: ao ser acesa, já dá seu máximo. Seu tom amarelado é confortável aos olhos (temperatura de cor de 3000 k). Possui máximo índice de reprodução de cor (IRC): 100%. Tem vida curta: cercade mil horas. Para clarear 25 mil horas, são necessárias 25 lâmpadas (R$ 62,50). Por esse período, o gasto com energia elétrica é de 1 500 kWh, o que custa R$ 450*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 512,50.

HALÓGENA
Sua equivalente é a opção com 42 W, que representa uma economia de 30%. Assim como as incandescentes, aceita dimer com facilidade. Seu fluxo luminoso também é imediato. Oferece suave tom amarelado (temperatura de cor de 2700 k). Seu índice de reprodução de cor (IRC) é de 100%. Vida de aproximadamente mil horas. Trocam-se 25 lâmpadas para iluminar 25 mil horas (R$ 125). Com consumo de energia atinge 1 050 kWh, cerca de R$ 315*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 440.

FLUORESCENTE COMPACTA
Para obter o mesmo resultado de uma incandescente de 60 W, busque a versão de 15 w. Poupa-se 80% na conta de luz. No Brasil, é raro encontrar as opções que aceitam dimer. Para atingir seu máximo, pede entre um e dois minutos. Acender e apagar seguidamente reduz sua durabilidade. Há mais opções de cor – desde as brancas (6 500 k) até as amareladas (2 700 k). Tem bom IRC: 80%. Dura por volta de 8 mil horas. Apenas três lâmpadas clareiam por 25 mil horas (R$ 30). Foram gastos 375 kWh, o que equivale a R$ 112,50*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 142,50

LED
Com apenas 10 W, ela ilumina o mesmo que a incandescente de 60 W. No fim do mês, a economia ultrapassa os 80%. As versões dimerizáveis custam quase o dobro das comuns. Logo que acende, alcança sua capacidade total de clarear. Conta com opções de cor que vão das brancas (6 500 k) até as amarelas (2 700 k). Tem bom IRC: 80%. Oferece a maior vida útil: aproximadamente 25 mil horas. Basta uma lâmpada para 25 mil horas. (R$ 50). O consumo fica em 250 kWh, cerca de R$ 75*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 125.