10.755 – Câncer – Medicamento sem patente


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Nos anos 1970, pesquisadores soviéticos descobriram uma bactéria na tundra siberiana que lhes chamou a atenção: ela produz um composto que, na época, eles acreditavam ser eficaz no tratamento contra o câncer. No entanto, testes de laboratório revelaram que a substância causava insuficiência cardíaca, o que levou ao abandono dos estudos. Recentemente, Barbara Geratana, pesquisadora da Universidade de Maryland, descobriu que ao remover uma molécula de oxigênio do composto, não apenas os efeitos colaterais são neutralizados, como também a droga, chamada de 9DS, se torna ainda mais poderosa contra as células cancerígenas, impedidas de se multiplicarem. Bem neste momento crítico ela se desligou da instituição e teve que largar a pesquisa – mas o bioquímico Isaac Yonemoto está disposto a fazer o que for preciso para levar o projeto adiante.
Para arrecadar a verba necessária aos primeiros testes do 9DS em ratos, foi criado o Projeto Marilyn, uma campanha de financiamento coletivo que quer descobrir se os medicamentos, assim como os softwares, também podem seguir a filosofia open source. A iniciativa é a primeira a ser promovida pela plataforma indysci.org, uma espécie de Kickstarter idealizado por Yonemoto para concretizar projetos científicos socialmente benéficos de forma mais independente do modelo industrial-comercial. “Nós acreditamos que os produtos farmacêuticos podem ser desenvolvidos sem patentes, o que resultaria em uma assistência médica melhor e mais barata para todos”.
Àqueles que duvidam do potencial de um sistema livre de patentes para tratamentos médicos, os pesquisadores citam o caso da eficaz vacina contra a poliomielite, que foi descoberta por Albert Sabin e Jonas Salk. Em 1952, ao ser questionado sobre quem detinha os direitos da vacina, Salk respondeu categoricamente: “eu diria que o povo, não existe patente. Você poderia patentear o sol?”. Seguindo por esta mesma linha de pensamento, Yonemoto utilizará boa parte dos US$ 58 mil arrecadados para testar nos próximos seis meses se o 9DS é realmente tão eficaz quanto sua equipe acredita para tratar melanoma, câncer de rim e um tipo de câncer de mama.
Além de ser sensivelmente mais barato, o medicamento open source poderá contar com o apoio da comunidade científica durante todo o seu desenvolvimento, o que não acontece dentro das companhias farmacêuticas. “Se forem bem sucedidas, você ouve falar do que fizeram, mas o que você não escuta é sobre as falhas”, diz Yonemoto. “Mesmo quando há sucesso, frequentemente não se escuta sobre os detalhes – existe muito conhecimento perdido. Ao abraçar estratégias e filosofias mais open source, é possível evitar que as pessoas cometam o mesmo erro mais de uma vez”.

10.754 – Medicina – Dose diária de aspirina poderia reduzir risco de morte por câncer


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Tomar uma aspirina diariamente ao longo de uma década poderia reduzir as possibilidades do individuo contrair câncer de estômago e intestino ou de morrer por causa dessas doenças, de acordo com um estudo divulgado pela revista médica “Annals Of Oncology”.
A pesquisa, desenvolvida por especialistas da Universidade Queen Mary, de Londres, assinala que se todas as pessoas acima dos 50 anos no Reino Unido tomassem esse remédio ao longo de dez anos, 122 mil mortes pelos tipos de câncer citados poderiam ser evitadas ao longo de duas décadas.
No entanto, os cientistas alertam que o uso diário da aspirina também poderia causar efeitos secundários, como úlceras, e, por isso, recomendam sempre a consulta médica.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram cerca de 200 estudos que averiguavam os benefícios e prejuízos de consumir aspirina – um tema de contínuo debate médico. Esses analistas descobriram que o remédio reduz entre 30% e 40% o número de casos e de mortes por câncer de intestino, estômago e esôfago.
Por outro lado, os cientistas não alcançaram evidências tão sólidas que pudessem corroborar a tese de que a aspirina também diminui mortes por câncer de mama, próstata e pulmão.
Em suas investigações, os pesquisadores descobriram que as pessoas deviam tomar a aspirina durante pelo menos um período de cinco anos para alcançarem resultados.
O responsável pelo estudo, Jack Cuzick, orientou todas as pessoas acima de 50 anos a considerar a possibilidade de tomar uma pequena dose (de 75 miligramas) de aspirina diária durante uma década. “Apesar de haver alguns efeitos secundários graves que não podem ser ignorados, tomar aspirina diariamente parece ser o mais importante que podemos fazer para reduzir o risco de câncer além de deixar de fumar e reduzir a obesidade”, assinalou Cuzick, que disse tomar aspirina há quatro anos.
Em declarações à emissora “BBC”, Julie Sharp, da organização Cancer Research UK, opinou que, apesar da aspirina ser promissória na prevenção de certos tipos de câncer, “é vital equilibrá-la com as complicações que a mesma pode causar”.

10.753 – Minerais Perigosos – Quartzo (SiO2)


Quartzo
Quartzo

É usado em indústrias como a ótica e a eletrônica, e até para fazer abrasivos – o que o torna o mineral mais usado pela humanidade. Esse monte de aplicações é facilitado pelo fato de ele ser o segundo mineral mais comum na crosta da Terra. Na verdade, o seu valor como incendiário (o adjetivo é válido porque o quartzo produz uma centelha de vida longa quando se choca contra ferro) é provavelmente o impulso para a atividade de mineração mais antiga da humanidade. Hoje, cristais de quartzo piezoelétricos são um componente onipresente em rádios e relógios eletrônicos. Mas nem tudo são flores.
Se ele for moído e inalado, pode render um caso desagradável de silicose. Esta doença respiratória é caracterizada por pulmões e gânglios linfáticos inchados, o que torna a respiração um processo muito difícil. Normalmente, isso só ocorre após cerca de 20 anos ou mais de exposição. No entanto, um subconjunto de pessoas atingidas pode sofrer com esses sintomas em menos de 5 a 15 anos. Um grande punhado de pó de quartzo pode até causar silicose aguda, que é quando seus pulmões se enchem tanto de líquido que fazem você se afogar.
Ele também pode muito bem lhe dar um câncer de pulmão de presente. Uma vez que esta doença está intimamente associada com determinadas indústrias, como a da mineração, de abrasivos e de fabricação de vidro, muitos países implementaram diretrizes rígidas que ditam que os trabalhadores utilizem fumigação (um tipo de controle de pragas) para limitar sua ingestão e o contato com substâncias tóxicas.