10.738 – Noite Branca em Sampa – Lâmpadas de LED podem provocar impacto ecológico


Av 23 de Maio
Av 23 de Maio

No início de outubro, o prefeito de São Paulo anunciou uma Parceria Público-Privada (PPP) para modernizar toda a iluminação pública da capital. Fernando Haddad pretende, por meio de edital, definir um consórcio para substituir cerca de 600 mil lâmpadas, em sua maioria de vapor de sódio (amarelas) ou de vapor de mercúrio (brancas), por modelos de LED branco de última geração. Com um investimento inicial de R$ 1,8 bilhão, o parceiro escolhido deverá otimizar e gerir todas as instâncias do sistema ao longo de 24 anos. A prefeitura afirma que a tecnologia irá aumentar a eficiência da rede e proporcionar maior segurança aos paulistanos; por outro lado, especialistas chamam a atenção para o relativo desconhecimento de possíveis impactos ecológicos resultantes desta transição, que vem sendo implantada em grande escala em cidades do mundo inteiro.
Um estudo publicado em outubro no periódico Ecological Applications alerta que o processo pode levar a um potencial agravamento na infestação de insetos voadores nos ambientes urbanos, quadro que poderia resultar em uma cadeia de desequilíbrios na fauna e na flora. Os animais são mais intensamente atraídos pelo diodos emissores de luz (LED, na sigla em inglês) do que pelas lâmpadas amarelas. Os pesquisadores do centro de pesquisa Scion, da Nova Zelândia, descobriram que a atração aumenta 48% quando comparada com a taxa relacionada às lâmpadas de vapor de sódio.
A causa, segundo eles, tem a ver com a evolução biológica dos receptores de luz das espécies, responsáveis pela orientação espacial em situações noturnas. “O receptor mais comum tem sensibilidade ao ultravioleta, ao azul e ao verde, o que explica o motivo de os insetos serem mais atraídos pelos comprimentos de onda azuis, que compreendem uma proporção muito menor do total de luz que emana de lâmpadas amarelas”, diz o entomologista Steve Pawson, um dos autores da pesquisa. E azul é justamente a cor primária dos diodos emissores de luz branca produzidos industrialmente.
O tom aparentemente branco é adquirido a partir de um revestimento de fósforo que absorve os comprimentos de onda azuis mais curtos, e os reemite em comprimentos maiores, fazendo com que a luz pareça branca aos olhos humanos. Na tentativa de amenizar o efeito nos insetos, os cientistas aplicaram filtros para “esquentar” a temperatura da cor, ou seja, torná-la mais avermelhada. Ao contrário das expectativas, os resultados mostraram que a atração dos animais não é substancialmente reduzida com este procedimento. “Nós suspeitamos que a razão para isso seja que cada LED branco que testamos fosse baseado em um azul, portanto mesmo LEDs brancos quentes possuem uma significativa emissão na região azul do espectro visível”.
A invenção do diodo azul representou o pontapé inicial para a produção industrial do LED branco, que permitiu o desenvolvimento de grandes projetos de iluminação pública como o do prefeito Haddad. A descoberta foi tão celebrada que rendeu o Nobel de Física 2014 para os físicos japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura. A Fundação Nobel julgou pertinente laurear os pesquisadores por terem criado a chave para uma alternativa mais sustentável e eficiente às velhas fontes luminosas – além de emitirem uma quantidade maior de luz, gastam cerca de metade da energia e duram até três vezes mais do que os modelos mais antigos. “Lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX; o século XXI será iluminado por lâmpadas de LED”, prenuncia a organização.
No entanto, de acordo com Alessandro Barghini, especialista em impacto da radiação eletromagnética sobre a biosfera pelo Instituto de Biologia da USP, a ampla adoção dos diodos traz um impasse a partir do ponto de vista ambiental. “O aumento da eficiência de um processo leva a um aumento do uso do mesmo processo: a disponibilidade de iluminação artificial mais eficiente corre o risco de aumentar ainda mais desnecessariamente o fluxo luminoso”, explica. E se os impactos ecológicos da poluição luminosa já são consideráveis atualmente, podem se tornar ainda maiores com o crescente deslumbramento pelo LED.
A PPP anunciada pela prefeitura de São Paulo é, de longe, o mais ambicioso projeto do gênero de que se tem registro – em parte porque a metrópole está entre as dez maiores do mundo e pretende atualizar toda a sua infraestrutura elétrica. Outras cidades já promoveram, ou estão promovendo, programas de substituição de luzes antigas por modelos de diodo, mas em nenhum lugar houve a iniciativa de trocar 600 mil lâmpadas como aqui. Londres, por exemplo, pretende substituir a iluminação de 35 mil postes até 2016, enquanto grandes capitais como Milão, Los Angeles, Houston e Nova Iorque fizeram a opção de implantar em suas ruas entre 150 e 250 mil LEDs nos próximos anos.
Quem mora na capital e transita regularmente pela Avenida 23 de Maio deve ter reparado que desde abril deste ano as lâmpadas nos postes são de diodo branco. O secretário de serviços Simão Pedro defende que a transição trouxe melhorias significativas ao tráfego. “Dois anos de gestão no Ilume nos mostrou que a melhor iluminação diminui os acidentes em grandes vias. Estamos para apresentar um estudo da CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] para verificar o quanto diminuíram os problemas de trânsito na região da 23 de Maio entre o aeroporto e o Anhangabaú”, comenta. Outras áreas também já contam com a luz branca do LED, como o Parque Ibirapuera e algumas localidades do centro. “Ninguém nunca questionou, pelo contrário, a população tem gostado muito”, pontua.
Pawson enxerga a medida como uma chance de ouro para os pesquisadores brasileiros empreenderem estudos que avaliem o antes e o depois da transição e, assim, descobrirem de forma mais contundente se existe ou não um lado negro no LED branco. “Eu encorajo os cientistas locais a trabalharem em conjunto com os oficiais do governo para desenvolver um estudo que mensure o escopo e a magnitude de qualquer efeito ambiental deste plano tão ambicioso, de forma que possa ser útil ao processo de tomada de decisão de outras cidades”.

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10.737 – “Maria vai com as outras” – Eleições brasileiras batem recorde de interações no Facebook


Face "falta de assunto"
Face “falta de assunto”

O período eleitoral no Brasil gerou 674,4 milhões de interações no Facebook, um novo recorde para eleições nos registros da rede social, segundo informou a empresa nesta segunda-feira.
As conversas sobre as eleições brasileiras envolveu 48,3 milhões de pessoas, o equivalente a 54% de todos os usuários ativos do Facebook no país.
O número é nada menos que o triplo do recorde anterior para um período eleitoral, as 227 milhões de interações registradas no pleito da Índia neste ano, um país com 1,252 bilhão de habitantes, seis vezes mais que o Brasil, e com o dobro de internautas, segundo a rede social.
O diretor de relações institucionais do Facebook no Brasil, Bruno Magrani, disse à Agência Efe que as eleições brasileiras foram “um dos maiores eventos vividos na plataforma neste ano”.
“Estamos muito felizes que a plataforma possa contribuir como um importante espaço para a conversa política na internet”, afirmou Magrani.
O evento que mais provocou a participação dos usuários do Facebook na história da rede social foi a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, com três bilhões de interações.
Interações são publicações de textos, fotos, curtidas, comentários e qualquer conteúdo compartilhado. Os dados da rede social sobre a disputa eleitoral começaram a ser calculados desde o início da campanha, em julho.
Dilma Rousseff (PT) foi reeleita no segundo turno das eleições com 51,64% dos votos, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB), segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral após 99,99% da apuração.

10.736 – Essa não!! Ele voltou…- Alemanha “reconstrói” Muro de Berlim para comemorar 25 anos da unificação do país


Marreta nele
Marreta nele

Durante 30 anos, o muro que dividia Berlim em dois representava a tensão da Guerra Fria. Não era apenas a capital alemã que estava partida em dois. O mundo se dividia entre países socialistas, encabeçados pela União Soviética, e capitalistas, ao lado dos Estados Unidos. Em novembro de 1989, com o fim da Guerra Fria, a separação da União Soviética e a predominância dos EUA, o muro foi derrubado. Mas agora, 25 anos depois, ele será reconstruído.
Mas, calma, isso não significa a volta da Guerra Fria e muito menos a transformação da Alemanha em um país comunista. A reconstrução do muro será simbólica: em vez de arames, concreto e vigilância militar, ele será feito de balões de luz. Isso aí. 8 mil balões vão dividir a capital alemã em dois, seguindo a mesma linha do muro, por 16 km.
A ideia de reerguer a barreira foi do artista Christopher Bauder e do cineasta Marc Bauder. Os balões vão cruzar Berlim do dia 7 ao dia 9 de novembro. Ao longo da linha, serão projetadas imagens que mostram como era a Alemanha na época da Guerra Fria e contam histórias de pessoas que tiveram suas vidas separadas pelo muro.
Voluntários também poderão escrever mensagens nos balões biodegradáveis da Lichtgrenze (alemão para “fronteira de luz”) e depois soltá-los no ar.

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10.735 – Automóvel – Freios: Do tambor ao ABS


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Nas últimas décadas, a indústria automobilística evoluiu bastante o sistema de freio dos automóveis. Mas antes de chegar ao patamar tecnológico, vamos conhecer como eram os freios até pouco tempo atrás.
O primeiro e mais antigo tipo, ainda hoje utilizado nas rodas traseiras de alguns modelos mais populares é o freio a tambor. Totalmente mecânico, ele funciona com um cilindro hidráulico que aciona as sapatas de freio para que elas gerem atrito com o tambor e pare o veículo. Além da manutenção complicada, o freio a tambor já não é mais eficiente para os carros atuais.
Em um automóvel, apenas 30% da força de frenagem é feita nas rodas traseiras. Isso explica porque alguns modelos ainda utilizam o freio a tambor atrás. Nas rodas dianteiras, já também há bastante tempo, o que se vê são os freios a disco – responsáveis por 70% da força de frenagem. O sistema de disco também é mecânico: uma pinça hidráulica é acionada quando o motorista pisa no freio e o atrito com o disco faz o carro parar.
Os discos evoluíram com o passar do tempo. Sua maior eficiência em comparação com os freios a tambor se devem principalmente a uma característica…
Mecanicamente, o que evoluiu nos freios a disco foi o material. No automobilismo, os carros de corrida utilizam discos de carbono para aumentar a performance do sistema de frenagem. Mas a maior evolução nos freios a disco não foi mecânica e, sim, eletrônica. A chegada do ABS nos anos 90 foi um avanço enorme na segurança dos automóveis.
ABS é abreviação de “Antilock Brake System” ou Ssistema Antibloqueio de Frenagem. Durante a frenagem de emergência, o ABS evita o travamento de uma ou mais rodas. O ABS funciona com um conjunto de sensores de velocidade instalados em cada roda. Quando o pneu perde aderência com o solo, o ABS alivia automaticamente a pressão hidráulica na roda em travamento evitando a derrapagem.
A partir do ABS, a tecnologia chegou com força total para deixar os sistemas de freios ainda mais seguros e modernos. Uma série de siglas surgiu para classificar os tipos de ABS. Uma das primeiras a aparecer foi o EBD, sigla para “Electronic Brakeforce Distribution” ou Sistema de Distribuição Eletrônica de Frenagem. A grande maioria dos carros com ABS também têm EBD atualmente. Trata-se de um dispositivo eletrônico que distribui a frenagem entre os eixos em situações normais; como dissemos o início, 30% no eixo traseiro e 70% no dianteiro.
Em conjunto com o ABS, outra tecnologia embarcada nos freios a disco é o BAS, sigla para “Break Assist System”. Este é um sistema inteligente de auxílio para a frenagem de emergência que entende por uma série de condições que aquela é uma situação crítica e aumenta a força de frenagem.
Outro dispositivo que aumenta a segurança e eficiência do ABS é o AFU, abreviação do francês para “Aide au Freinage d´Urgence” ou Auxílio à Frenagem de Urgência. Em situações de emergência, a forte trepidação do pedal gerada pelo ABS pode fazer com que o motorista alivie a pressão, minimizando ou até mesmo anulando o efeito do ABS. O AFU corrige esta falha. O sistema é capaz de detectar a velocidade com que o freio foi acionado e se considerar que foi uma frenagem de emergência, aplicar uma força extra ao freio para que o ABS continue funcionando.
A maioria das tecnologias voltadas para performance e segurança nos automóveis veio das pistas. A grande evolução sempre vem do automobilismo. Interessante é que a evolução dos freios é tamanha que a maioria dessas tecnologias foi banida das corridas porque ela acaba tirando a emoção das provas. Carros esportivos de luxo como as Ferraris, por exemplo, trazem tudo que foi desenvolvido para o automobilismo para as ruas.
Recentemente, você viu aqui no Mega uma reportagem sobre o futuro dos carros autônomos, nos quais os motoristas serão meros passageiros. A evolução dos freios vai exatamente nesta direção. Alguns carros mais modernos já possuem sistemas de sensores que brecam o carro automaticamente em caso de emergência ou falha do motorista. Ou seja, se hoje o sistema de frenagem mais moderno ainda depende do motorista, isso não será assim para sempre.

10.734 – Cardiologia – Pela primeira vez, médicos transplantam coração sem batimento


MEDICINA simbolo

Cirurgiões australianos anunciaram nesta sexta-feira que conseguiram, pela primeira vez, transplantar um coração que já havia deixado de bater, avanço que pode revolucionar a técnica de doação de órgãos.
Até agora, médicos utilizavam apenas corações que permaneciam com batimentos, procedentes de doadores com morte cerebral, para realizar transplantes. No entanto, os especialistas do Hospital Saint Vincent, na Austrália, conseguiram desenvolver uma técnica para “ressuscitar” órgãos cujos batimentos ficaram parados por até 20 minutos.
“Nós já sabíamos que, até certo tempo, o coração pode ser reanimado, assim como outros órgãos. Agora, conseguimos fazer isso com a ajuda de uma máquina”, diz o cirurgião Kumud Dhital, professor da Universidade de New South Wales, em Sydney, e um dos membros da equipe.
A técnica consiste em transferir o coração do doador a uma máquina portátil. Nela, o órgão é mantido em uma inovadora solução que o conserva e o reanima, e permanece aquecido e com seus batimentos normalizados até o momento do transplante.
A equipe australiana aplicou a técnica em três pacientes. Dois deles se recuperam com normalidade e um está na unidade de terapia intensiva do hospital australiano.
“É um grande passo para reduzir a escassez de órgãos doados”, disse, em comunicado, Peter MacDonald, diretor do Hospital Saint Vicent. “Eu me atreveria a dizer que, nos próximos cinco anos, veremos cada vez mais transplantes com o novo método.”