10.692 – Facebook – Mural da autocensura


face auto

Em época de eleições, ameaças de limpeza de amigos e seguidores são comuns nas redes sociais (“quem disser que vai votar em fulana é unfollow”). E quem nunca se arrependeu de ter entrado em um bate-boca no Facebook? Discutir política pode ser desgastante, e é compreensível que muita gente simplesmente prefira não dizer nada. Há uma teoria da ciência da política e da comunicação para isso: a “espiral do silêncio”, ou a tendência a ficar quieto por medo de isolamento quando você sente que as pessoas à sua volta não compartilham da sua opinião.
Durante as eleições de 1965 na Alemanha, a cientista política Elisabeth Noelle-Neumann observou que, apesar de os maiores partidos estarem empatados nas pesquisas de opinião, apenas o partido democrata cristão expressava suas convicções com entusiasmo. Consequentemente, aqueles que se opunham ao partido mais “popular” falavam menos sobre o assunto. Os indecisos acabaram se inclinando ao partido que eles entenderam como preferido — e adivinha quem saiu vencedor?
Algumas décadas depois, a internet ganhou um peso significativo nas eleições e hoje as redes sociais teoricamente oferecem oportunidades infinitas de mobilização. Da Primavera Árabe ao desafio do balde de gelo, ativistas usam a web para causar um impacto real na política. Se ditadores foram derrubados depois de protestos convocados no Facebook, imagine o que mais as redes poderiam fazer pela democracia, certo? Bem, mais ou menos. Uma pesquisa feita pelo centro norte-americano Pew Research e divulgada em agosto concluiu que, apesar de diminuir distâncias e engajar cidadãos, as redes não são capazes de promover o debate entre pessoas com opiniões opostas.
Os pesquisadores perguntaram a 1.801 americanos como eles preferiam discutir a revelação de dados confidenciais sobre a vigilância do governo americano por parte de Edward Snowden. O resultado: 86% achavam melhor discutir o caso pessoalmente, e apenas 42% dos usuários de Facebook e Twitter postariam algo sobre o assunto nas redes sociais. E os dois grupos reconheceram que estariam mais dispostos a compartilhar sua opinião se soubessem que os amigos concordariam com eles. Os pesquisadores concluíram, então, que as redes sociais na verdade não oferecem uma plataforma alternativa de discussão.

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