10.589 – Ig Nobel premia estudo sobre escorregão em casca de banana


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Japoneses que descobriram o “coeficiente de fricção da casca de banana” ao ser pisada e espanholas que propõem fabricar salsichas nutritivas com excrementos de bebês foram alguns dos cientistas premiados nesta quinta-feira com o Nobel “alternativo”, uma sátira do prêmio original, na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O prêmio, concedido há 24 anos pela revista Anais da Pesquisa Improvável, tem como premissa honrar pesquisas que primeiro fazem rir e depois pensar. Nessa linha, nem tudo é esdrúxulo, mas certamente é curioso. É o caso da pesquisa que investigou se é mentalmente perigoso para um ser humano ter um gato. O trabalho, que ganhou o Ig Nobel de Saúde Pública, tinha um propósito sério: analisar os riscos de contaminação por toxoplasmose. Outras pesquisas, porém, são graça pura. Em Física, por exemplo, o prêmio foi para os japoneses Kiyoshi Mabuchi, Kensei Tanaka, Daichi Uchijima e Rina Sakai, por medirem a quantidade de fricção entre o sapato e a casca de banana e entre esta e o chão quando uma pessoa pisa.
Em Nutrição, o prêmio ficou com as espanholas Raquel Rubio, Anna Jofré, Belén Martín, Teresa Aymerich e Margarita Garriga por seu estudo intitulado “Caracterização da bactéria do ácido lático isolado de excrementos de bebês como cultivo de potencial alimento probiótico para salsichas fermentadas”. Em Economia, o prêmio foi para o Instituto Nacional de Estatística italiano por “assumir a liderança e cumprir com a instrução da União Europeia para que cada país aumente o tamanho oficial da economia nacional incluindo a renda proveniente da prostituição, da venda de drogas ilegais, do contrabando e de outras transações financeiras ilícitas”.
O prêmio de Ciência Ártica foi ganho por Eigil Reimers e Sindre Eftestol, da Noruega e da Alemanha respectivamente, por “mostrarem como reage uma rena ao ver humanos disfarçados como ursos polares”. Os pesquisadores receberam com bom humor a honraria. Munidos com ursinhos de pelúcia, mostraram imagens de si mesmos fantasiados, apesar de reconhecerem que não se pareciam muito com um urso.
Em Neurociência, os premiados foram pesquisadores de Canadá e China por um estudo que tentou entender o que acontece no cérebro de pessoas que dizem ver a face de Jesus em um pedaço de torrada. Se nada mais der certo, brincou o chinês Kang Lee, é possível comprar uma torradeira com a cara de Jesus no eBay. Destaque também para o trabalho que documentou “cuidadosamente” – como destacaram os organizadores da premiação – o posicionamento de cachorros quando eles fazem xixi ou cocô. Segundo Vlastimil Hart e colegas da República Checa e da Alemanha, na hora de fazer suas necessidades fisiológicas, os animais alinham o eixo do corpo com as linhas do campo geomagnético norte-sul da Terra. Em Psicologia, Peter Jonason (Austrália), Amy Jones (Reino Unido) e Minna Lyons (EUA) foram reconhecidos por “reunirem evidências de que as pessoas que normalmente ficam acordadas até tarde são, geralmente, mais narcisistas, manipuladoras e psicopáticas do que as pessoas que costumam a se levantar cedo”.
Uma das curiosidades da cerimônia é que os prêmios são entregues por verdadeiros premiados com o Nobel. Estiveram presentes nesta edição Martin Chalfie (Prêmio Nobel de Química em 1998), Eric Maskin (Economia, 2007) e Carol Greider (Medicina, 2009), entre outros. Ao todo foram entregues 10 prêmios. O “troféu” era um prato com um frasco de pílulas Acme, em referência aos desenhos do Papa-léguas.

10.588 – Astronomia – Cometas que poderão ser vistos em 2014


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É consenso entre os astrônomos que 2014 não se trata de um ano ideal para a visualização de cometas – daqui até dezembro, nenhum deles será visível a olho nu. O último que passou pelas redondezas da Terra com maior estilo foi o finado ISON, no fim do ano passado. No entanto, se você tiver um bom binóculo astronômico e também um aplicativo que permita a fácil localização de objetos no céu noturno, conseguirá driblar esta dificuldade e contemplar um desses astros. Abaixo nós também incluímos mapas para setembro que vão facilitar ainda mais a sua busca.
C/2014 E2 Jacques – até outubro Este cometa é especial para a astronomia brasileira: foi o primeiro a ser batizado em homenagem a um astrônomo daqui. Quem o identificou no início deste ano foi Cristóvão Jacques, do observatório mineiro SONEAR. Segundo Jacques, o cometa “dele” é atualmente o mais promissor para o hemisfério norte, e voltará a estar mais visível por aqui a partir da segunda quinzena de setembro. Uma boa oportunidade de observação é o dia 14 deste mês, quando o astro estará logo ao lado da estrela Albireo (constelação Cygnus, ou Cisne). O limite é o dia 1º de outubro, quando sua localização será próxima à Águia.

C/2013 V5 Oukaimeden – até outubro De acordo com Cristóvão Jacques, o Oukaimeden é a melhor aposta para quem quiser ver um cometa ainda este ano. Atualmente ele está mais alto no céu, próximo ao Unicórnio, mas o período em que estará mais brilhante e próximo à Terra será por volta do dia 16 de setembro. Já bem perto da linha do horizonte, o corpo celeste poderá ser encontrado ao lado da estrela Alfa da constelação de Antlia, ou Máquina Pneumática.

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C/2012 K1 Pan-STARRS – até dezembro O Pan-STARRS voltou a ser visível no hemisfério sul agora no início de setembro, e daqui até o fim do ano suas chances de visualização só devem melhorar, conforme vai subindo no céu noturno. O dia em que passará mais perto da Terra será 31 de outubro, quando vai estar na região da constelação do Pintor.

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C/2013 A1 Siding Spring – até dezembro Este cometa deve atingir seu máximo brilho por volta da metade de setembro, na constelação do Pavão. Mas a situação mais interessante com o Siding Spring vai ocorrer em 19 de outubro: ele vai passar literalmente “raspando” em Marte, a cerca de 127 mil quilômetros. Para se ter uma ideia de como isso é perto, no ano passado os astrônomos chegaram a prever que o astro iria colidir com o planeta e causar muitos estragos. Já sabemos que isso não irá ocorrer, mas de qualquer forma os marcianos terão um show e tanto neste dia. Será que a Curiosity vai nos presentear com alguma foto espetacular do cometa?

10.587 – Definições absurdas (e possíveis) do Universo


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Durante décadas, a teoria do big bang reinou absoluta como a explicação dominante sobre as origens do nosso universo, há 13,8 bilhões de anos – e permanece sendo o modelo mais aceito pela comunidade de cosmólogos. Recentemente, a descoberta de ondas gravitacionais corroborou ainda mais com sua validação. No entanto, apesar de ser valiosíssima para nossa compreensão atual do cosmos, a teoria deixa algumas lacunas: o que havia antes da mega-explosão? Onde ela ocorreu?
Como a física teórica é um campo que está constantemente se reinventando, novas evidências aliadas a complexos modelos matemáticos acabam dando origem a diversas interpretações alternativas. Mesmo que muitas pareçam maluquice, elas são estritamente baseadas em dados empíricos e totalmente plausíveis do ponto de vista da ciência. Confira abaixo quatro destas teorias que parecem ter saído diretamente da ficção científica:
O universo é um holograma Imagine um holograma padrão, com aquelas figuras impressas em uma superfície bidimensional que aparentam estar em 3D. Agora, imagine que os pontos que compõem a imagem sejam infinitamente pequenos – ela se torna cada vez mais nítida. Nos anos 90, os físicos Leonard Susskind e Gerard ‘t Hooft demonstraram matematicamente que nosso universo pode ser justamente isso, um holograma, composto por grãos de informação bilhões de vezes menores do que prótons.
Quando tentaram combinar através de cálculos as descrições quânticas do espaço-tempo com aquelas da Relatividade de Einstein, os cientistas descobriram que estes grãos funcionam como os pontos de uma superfície 2D. De acordo com as leis da física, eles devem sofrer perturbações eventualmente, “borrando” a projeção. Pesquisadores desenvolveram um Holômetro, um arranjo de alta precisão de espelhos e lasers que deve descobrir em um ano se nossa realidade é granulada em sua menor escala.
O universo é uma simulação computacional Sim, nós podemos estar vivendo em uma Matrix de verdade sem nem sequer desconfiar. Platão já havia levantado filosoficamente a possibilidade de que o mundo em que vivemos seja uma ilusão, e desde então a ideia não foi deixada de lado. Os matemáticos se perguntam: por que 2 + 2 tem sempre de ser 4, não importa a circunstância? Talvez porque simplesmente isso faça parte do código com o qual o universo foi programado.
Em 2012, físicos da Universidade de Washington afirmaram que existe uma forma de descobrir se vivemos mesmo em uma simulação digital. Eles argumentaram que modelos computacionais são baseados em grades 3D, e a própria estrutura às vezes causa anomalia nos dados. Se o universo for uma grande grade, os raios cósmicos, que são partículas altamente energéticas, devem apresentar anomalias semelhantes – uma espécie de falha na Matrix. Ano passado, um engenheiro do MIT escreveu um artigo ainda mais intrigante, no qual afirma que como o espaço-tempo é composto por bits quânticos, então o universo deve ser um gigante computador quântico. Se isso for verdade, então quem ou o que escreveu o código?
O universo é um buraco negro Buracos negros são regiões tão densas do espaço-tempo que nada pode escapar de sua força gravitacional, nem mesmo a luz. Eles são formados a partir do colapso de objetos muito massivos, como grandes estrelas. Em 2010, um físico da Universidade de Indiana escreveu um artigo em que comprova que o cosmos pode ter se originado em um buraco negro, a partir da explosão de uma estrela da 4ª dimensão, e toda a matéria que vemos (e que não vemos) é proveniente desta supernova. O big bang seria justamente a explosão desta estrela.
Segundo o pesquisador, é possível testar esta teoria pois apenas um buraco negro que tenha rotação permite que a matéria não colapse completamente. Nós poderíamos detectar esta rotação através de medições do movimento das galáxias, que seria levemente influenciado para uma direção específica. O mais interessante é pensar na quantidade de universos paralelos que podem estar flutuando no espaço como buracos negros.
O universo é uma bolha A descoberta das ondas gravitacionais reforçou a hipótese da inflação cósmica, que diz que logo após a grande explosão que deu origem ao universo, o espaço-tempo se expandiu de forma exponencial, só depois se estabilizando em uma taxa mais regular de expansão. Para alguns teóricos, se esta inflação for confirmada, então nós devemos viver em um oceano borbulhante de múltiplos universos, onde cada um deles seria análogo a uma bolha.
Alguns modelos dizem que, antes do big bang, o espaço-tempo continha um “vácuo falso”, ou um instável campo de alta energia desprovido de matéria e radiação. Para se tornar estável, o vácuo teria começado a borbulhar como uma água fervente, dando origem a um multiverso sem fim. A nossa melhor chance de comprovar esta teoria seria investigar possíveis efeitos de um impacto com um universo vizinho, e é isso que pesquisadores da Universidade da Califórnia estão fazendo. Pesquisas envolvendo a radiação cósmica de fundo (resquício do big bang) revelaram uma improvável “mancha fria” que pode indicar uma dessas colisões.