10.128 – Biologia – Agora é tarde…Veja as próximas extinções


Cágado Astrochelys yniphora
Esse é simplesmente o cágado mais raro do mundo. Nativo de Madagascar, há apenas 300 desses animais no mundo inteiro. Em 2013, 10% de toda a população de Astrochelys yniphora do mundo foi encontrada na mala de um contrabandista.

lince

Lince-ibérico
Em 2004 havia apenas 100 linces-ibéricos adultos – os nascidos em cativeiro estão voltando para a natureza, em uma tentativa de repovoamento. Hoje há apenas 300 desses animais vivos, o que representa um risco extremo de extinção.

Rinoceronte-de-sumatra
Essa é a menor espécie de rinoceronte, atingindo no máximo um metro de altura. A extinção desses animais tem a ver com a venda de seus chifres, que chegam a valer US$ 30 mil por kg. Apenas 200 estão vivos atualmente.

Prolemur simus
Esse mamífero se alimenta de bambu, que contém cianeto, substância venenosa. Não se sabe, ainda, como esses animais sobrevivem ao alimento que consomem. Até 1986 acreditava-se que eles estavam extintos, mas cerca de 100 animais ainda estão na natureza. Só não se sabe por quanto tempo.

tigre sumatra

Tigre-de-sumatra
Em média 40 desses animais são mortos por humanos todos os anos na Sumatra. Em 1978, mil desses tigres estavam vivos. O número hoje caiu para 400.

Leopardo-de-amur
Com apenas 30 leopardos-de-amur no planeta, a reprodução está ainda mais difícil devido à endogamia, que nada mais é do que o sistema de acasalamento entre animais relacionados pela ascendência, aparentados. As fêmeas dão à luz apenas um bebê de cada vez.

Rã-pintada-da-palestina
Não foi vista por 60 anos até 2011. Cientistas acreditam que apenas 14 dessas rãs ainda existam no mundo. A espécie mais próxima a ela morreu há 15 mil anos.

Ambystoma mexicanum
Essa salamandra era tida como totalmente extinta até que duas delas foram vistas recentemente, neste ano. Esse animal tem a capacidade de regeneração de membros e, também por isso, é considerado superimportante para pesquisas científicas.

Rafetus swinhoei
Essa é simplesmente a maior tartaruga de água doce do mundo e apenas quatro delas estão vivas.

golfinho chines

Golfinho-lacustre-chinês
A espécie foi declarada extinta em 2006 e, em 2007, alguns sinais levaram a crer que alguns desses golfinhos ainda existam, mas o número é pequeno demais para repovoar o meio ambiente.

10.127 – Cinofilia – Cães Extintos


Kurī
A raça Kurī foi levada, provavelmente, do leste da Polinésia para a Nova Zelândia por volta do século 14. Embora seja dito que o cão era um companheiro favorito das mulheres Maori, nem todo mundo gostou da raça. “Eles eram traiçoeiros e nos mordiam frequentemente”, escreveu Marie Julien Crozet, uma francesa que viajou para a Nova Zelândia como parte de uma expedição em 1771.
Os cachorros Kurī foram muitas vezes descritos como feios e teimosos com um pobre sentido de olfato e a raça foi se perdendo, tornando-se extinta. Um exemplar empalhado de um Kurī está exposto atualmente no Museu Te Papa Tongarewa, na Nova Zelândia.
Talbot
Este cão de caça branco era tão bem-visto na Idade Média, que muitos brasões de família da época apresentavam a sua imagem. Alguns historiadores acreditam que William, o Conquistador, levou a raça para a Inglaterra em 1066.
Apesar de ser um cão de caça, ele era um pouco lento, mas muito leal e tinha um excelente senso de olfato, sendo muitas vezes utilizado em batalhas. Os Talbot foram todos extintos no século 16, mas seu legado foi herdado por seu tatara-tatara-tatara-tatara-neto, o Beagle.
Molossus
A raça amado pelos romanos e gregos, o Molossus foi o precursor do Mastiff, São Bernardo e outras raças grandes. Acredita-se que eles eram utilizados para a caça, pastoreio e para rinhas. Aristóteles era fã da raça e até escreveu sobre ela:
“É a raça ‘Molossian’ de cães, como são empregados na caça são praticamente os mesmos que em outros lugares, mas os cães desta raça são superiores aos outros em tamanho e na coragem com que eles enfrentam os ataques de selvagens”.

cão d luta

Cão de luta de Córdoba
Este cão cruel e poderoso, que é como uma mistura de Bull Terrier e Bulldog, foi utilizado para combates na Argentina. O grande problema dele é que, quando era hora de acasalar, os machos e fêmeas se atacavam violentamente como nas brigas, causando a falta de descendentes e consequente extinção.

Cão Havaiano Poi
Assim como o Kurī, este cão tinha origem polinésia. Os cachorros Poi eram alimentados com uma dieta vegetariana pastosa e as suas cabeças tornaram-se grandes e planas, devido ao desuso dos ossos da mandíbula. Esta dieta também contribuiu para sua obesidade galopante e a raça começou a desaparecer no século 18, após o acasalamento com outros cães que foram introduzidos no Havaí.

Paisley Terrier
Originário da Grã-Bretanha, o Paisley foi criado para ser uma variação menor do cão da raça Skye Terrier. Ele também foi pensado para ser um cão especialmente de estimação e mostras, sendo extinto depois que a demanda pela raça em exposições de cães diminuiu drasticamente.
Braque du Puy
Este cão de caça nacional francês foi criado pela primeira vez no século 19 e, embora muitas raças semelhantes possam ser encontradas hoje, o Braque du Puy em sua forma original não existe mais. Ele era conhecido por ser rápido e flexível, de tamanho médio para grande.

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Cão D’água St. John
Esta raça é o antepassado dos retrievers modernos, incluindo o Flat Coated Retriever, o Chesapeake Bay Retriever, o Golden Retriever e o Labrador Retriever. A raça era originária da província francesa no Canadá chamada Newfoundland e seus exemplares foram exportados em grande quantidade, dando origem às raças citadas acima após cruzamentos com outras.
As versões originais do St. John foram acabando lentamente, sendo que alguns permaneceram até o final século 20. Infelizmente, nos anos 70 só existiam dois, mas eram machos, o que causou a condenação final da raça.

Bullenbeisser
Conhecido também como buldogue alemão, esse cão era conhecido por sua força e agilidade. Cerca de 30 exemplares foram cruzados pela Boxer Kennel Club da Alemanha em 1900, com buldogues trazidos das Ilhas Britânicas e o resultado foi bom. Então, os proprietários alemães começaram a cruzar seus cães com todos os tipos de buldogues e boxers, que produziram uma raça indistinguível após a Segunda Guerra Mundial.
Uma razão pela qual tal quantidade de sangue alemão foi usada para criar o cão Boxer era o desejo de eliminar o excesso de cor branca da raça, e da necessidade de produzir milhares de cães para uma das raças mais populares do mundo. Com isso, o verdadeiro Bullenbeisser foi extinto.

Coton de Reunion
O Coton de Reunion foi o ancestral de raças como Bichon Frisé e Maltês. A história conta que uma raça europeia chamada Bichon Tenerife foi levada para as Ilhas do Oceano Índico de Mauritus e Reunion por marinheiros e navios comerciais nos séculos 16 e 17.
Lá, os exemplares cruzaram com cães locais, dando origem a essa raça. Como você deve desconfiar, “Coton” em francês é o mesmo que “cotton” do inglês e significa algodão, como os pelos desses fofinhos se pareciam.

10.126 – Astronomia – Explicado o mistério da luz brilhante em Marte


mate

Um ponto de luz em Marte registrado pela sonda Curiosity gerou uma onda de especulações sobre a vida no Planeta Vermelho. Não poderia ser diferente. Afinal, cada sinal fora do comum observado por lá pode se tornar alvo de muita curiosidade e comemoração pelos entusiastas da existência de extraterrestres.
No entanto, essa imagem que intrigou bastante os especialistas da área no princípio já está sendo tratada como algo comum. Segundo o Live Science, os membros da equipe da missão disseram que flashes brilhantes de luz visíveis em Marte — nas fotos tiradas pela sonda em 2 e 3 de abril — quase certamente têm uma explicação perfeitamente normal.
“Uma possibilidade é que a luz seja o brilho de uma superfície rochosa refletindo os raios solares. Quando essas imagens foram tiradas, o sol estava na mesma direção que o ponto brilhante, a oeste-noroeste da sonda e relativamente baixo no céu”, explicou Justin Maki, o líder de engenharia de câmeras da Curiosity ao Space.com.
Maki também acrescentou que a equipe científica da sonda também vê a possibilidade de que esse ponto brilhante seja da luz solar que atinge o CCD (charge-coupled device) da câmera, diretamente através de um orifício, o que já aconteceu anteriormente com outras câmeras da Curiosity e de outras sondas. Segundo ele, isso acontece quando a geometria da luz do sol que entra em relação à câmera é precisamente alinhada.
O especialista também acredita que seja possível que os flashes de luz sejam resultado do impacto dos raios cósmicos em movimento rápido com a câmera, esclarecendo que o fenômeno está longe de ser raro. “Em milhares de imagens que recebemos da Curiosity, vemos aquelas com pontos brilhantes quase todas as semanas”, disse Maki em um comunicado da NASA.
As duas fotos (em preto e branco) que foram tiradas pela câmera de navegação da Curiosity do lado direito mostram o que parece ser um pequeno flash de luz brilhante ao longe (numa área de estudos chamada Kimberley), na frente de uma cratera que domina o horizonte.
Porém, a imagem captada pela câmera que fica do lado esquerdo da sonda, quase que simultaneamente à outra, mostra o mesmo local sem a luz, apoiando a possibilidade de ela ter sido mesmo apenas um reflexo de raio solar ou cósmico.

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10.125 – Sexologia – Por que as mulheres fingem orgasmos?


Um estudo publicado recentemente no Journal of Sexual Archives diz que as mulheres fingem atingir o ápice do prazer não apenas para manter seu relacionamento ou por insegurança, mas também para se sentirem mais excitadas. A pesquisa norte-americana questionou 481 moças heterossexuais sexualmente ativas com idade média de 20 anos e que não estivessem em relacionamentos sérios.
Perguntadas sobre os motivos para mentir nessa hora, os quatro motivos mais recorrentes foram os seguintes:
Enganação altruísta (fazer o homem se sentir melhor);
Medo e insegurança (se esquivar de sentimentos ruins sobre a experiência);
Elevação de excitação (entrar mais no clima);
Encerramento sexual (fazer com que o sexo acabasse logo).
As duas respostas mais populares certamente vão de encontro ao que normalmente pensamos quando o assunto é fingir orgasmos, isto é, que isso acontece porque as mulheres querem agradar a seus parceiros ou têm medo de serem consideradas frígidas. No entanto, o pesquisador Erin Cooper ressalta que o terceiro item revela avanços na autodeterminação feminina na cama.
Vale ressaltar, no entanto, que o estudo questionou apenas mulheres jovens e solteiras. Pesquisas anteriores indicaram que esse grupo tem mais dificuldade de atingir orgasmos verdadeiros do que moças que estão em relacionamentos sérios. Ainda assim, um trabalho anterior revelou que cerca de 80% das mulheres em geral já fingiram atingir o ápice do prazer pelo menos uma vez, então não seria impensável que os motivos possam valer para todas.

10.124 – Alcoolismo – O que o álcool faz com o seu cérebro


alcoolismo

Imagine você acordando em uma cama ou um sofá de um lugar totalmente desconhecido com aquele gosto de “cabo de guarda-chuva”, uma dor de cabeça fenomenal e nenhuma lembrança da noite anterior, parecendo uma cena de “Se Beber Não Case”. Você já passou por isso ou conhece alguém que tem uma história parecida com essa?
Pois a amnésia depois de ter bebido exageradamente é algo que acontece com frequência com muitas pessoas e pode ser muito perigoso, em diversos aspectos, você sabe. Mas você tem conhecimento de por que e como exatamente esse apagão acontece em seu cérebro?
Primeiro é preciso saber que nem todos os apagões são iguais. Existem dois tipos deles: o “em bloco” e o “fragmentado”, segundo um estudo do National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism. Como seus nomes sugerem, os apagões fragmentados fazem com que o beberrão não se lembre de momentos em pequenos períodos de tempo, enquanto os apagões em bloco referem-se a períodos maiores.
As pessoas que sofrem apagões fragmentados, por vezes referidos como “blecautes”, geralmente podem recordar de acontecimentos esquecidos. São como aqueles flashes de acontecimentos da noite passada que você lembra quando a ressaca já está passando.
Já quem tem os blecautes em bloco não têm tanta sorte, pois, nesse caso, a amnésia é praticamente total. Nesse último caso, a pessoa só vai ficar sabendo do que aconteceu na noite anterior de bebedeira quando os amigos contarem alguma coisa ou quando o indivíduo assistir a um vídeo seu da festa em situações provavelmente constrangedoras.
Entretanto, os cientistas afirmam que ambos os tipos de apagões são causados pela mesma coisa: um fenômeno neurofisiológico que acontece devido a um rompimento químico no hipocampo do cérebro, que é uma região essencial para a formação da memória.
Por essa razão, o álcool interfere nos receptores no hipocampo que transmitem o glutamato, um composto que transporta sinais entre os neurônios. Durante esta interferência, o álcool impede que alguns receptores trabalhem, enquanto ativa outros.
Este processo faz com que os neurônios criem esteroides que, em seguida, evitam que os neurônios se comuniquem uns com os outros corretamente, prejudicando, assim, a chamada potenciação de longa duração (long-term potentiation – LTP), um processo necessário para o aprendizado e para a memória.
Em termos mais simples, o efeito é semelhante à amnésia anterógrada, em que o cérebro perde temporariamente a capacidade de criar novas memórias. E, claro, isso pode causar sérias consequências.
As pessoas que sofrem esses blecautes totais tendem a apresentar um alto nível de intoxicação, durante o qual elas não mantêm seu melhor julgamento, aumentando o risco de um comportamento perigoso, como ter relações sexuais desprotegidas ou dirigir um carro.
Você deve estar cansado de saber que é necessário se alimentar antes de beber ou durante. O estômago vazio é uma das piores armadilhas para cair na bebedeira da amnésia. Portanto, estar com a barriguinha mais cheia ajuda. Não comer fará com que seu nível de álcool no sangue se eleve mais rapidamente, mas só isso não resolve.
Beber em menor quantidade e mais devagar também é importante. Além disso, alternar os drinks com água pura também pode ajudar bastante para evitar a desidratação que o álcool causa.
Pesquisas mostram que o principal culpado de um apagão é um pico rápido e forte no conteúdo de álcool no sangue. As mulheres podem ter mais dificuldade em evitar os apagões, pois seus aumentos no conteúdo de álcool no sangue acontecem mais rapidamente do que nos homens.
Não só elas tendem a ter menos água em seus corpos para dispersar o álcool, como também têm menos deidrogenase gástrica, uma enzima que decompõe o álcool.
Também parece haver uma tendência de as pessoas tentarem reverter o estado “pré-apagão” quando começam a perceber que a coisa está ficando feia. Nesse momento, é melhor trocar a bebida por muita água ou até algo açucarado para não apagar. Porém, o melhor caminho ainda para evitar essas situações é simplesmente não beber ou se limitar a uma taça de vinho ou poucos copos de cerveja.

10.123 – Vilões famosos dos quadrinhos


coringa

Coringa:
O principal inimigo do Batman teve sua origem depois de um personagem chamado Gwynplaine, retirado de uma adaptação para os cinemas feita pelo diretor alemão Paul Leni— intitulada O Homem Que Ri. O ardiloso maluco de Gotham City levou consigo a estranheza, bem como a assustadora maquiagem da face pouco amistosa de seu inspirador, cuja aparência simula uma feição de riso eterno.

maneto

Erik Magnus Lehnsherr — Magneto
O eterno vilão mais querido do universo dos X-Men teve sua criação depois de uma das figuras mais importantes da luta pelos direitos humanos. Erik Lehnsherr foi baseado em ninguém menos do que o próprio Malcom X, justamente no período crítico em que o ele e Luther King batalhavam contra a opressão racial — o que é justamente o grande ideal do controlador do magnetismo. Vale lembrar que a dupla Stan Lee e Jack Kirby optaram por fazer de Magnus um pouco menos pacifista do que seu amigo Prof. Xavier e por essa razão é que o personagem figura nesta lista de vilões.
Círculo Interno do Clube do Inferno
Outra dupla de talentosos produtores por trás das histórias dos Fabulosos X-Men certamente foi Chris Claremont e John Byrne, que fizeram o favor de criar o Clube do Inferno durante a primeira saga da Fênix Negra.
Entre os membros da versão inaugural dessa confraria de muito dinheiro e poder, encontramos o Mestre Mental (baseado no ator britânico Peter Wyngarde), o temível Sebastian Shaw (baseado no ator Robert Shaw), Donald Pierce (baseado no ator Donald Sutherland), Harry Leland (baseado em Orson Welles) e a bela Ema Frost (baseada em uma personagem do cinema interpretada por Diana Rigg).

galactus

Galactus — O Devorador de Mundos
É uma das entidades que representa uma das existências mais antigas de todo o universo Marvel, sendo considerado ao lado das forças essenciais da natureza (assim como a morte). O personagem também foi criado por Stan Lee e Jack Kirby, com a intenção de representar algo que estivesse além de conceitos como o bem e o mal. E exatamente por essa razão que a dupla se baseou no próprio criador de todo o universo para fazer o devorador de mundos. Isso mesmo, Galactus é uma espécie de Deus do Universo Marvel.

O Caveira
O temível inimigo do Capitão América, que (de acordo com os dois últimos longas do herói para o cinema) também conta com uma força sobre-humana, conta com uma inspiração no mínimo “estranha”, por assim dizer. Joe Simon, um dos criadores do alter ego de Steve Rogers, revelou que se baseou em uma sobremesa para a criação do vilão. Isso mesmo, quando você vê aqueles ossos rubros sobre o pescoço do nazista, que tal imaginar um sundae de chocolate com uma cereja no topo? Pois foi exatamente isso que Simon fez…

10.122 – Olho biônico devolve visão a americano


Um homem de 55 anos voltou a enxergar com a ajuda de um olho biônico. Com o dispositivo, implantado por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, o paciente Roger Pontz consegue entrever formas, silhuetas, sombras e flashes de luzes e pode identificar a presença de seu neto ou de seu gato, por exemplo.
Pontz perdeu a visão devido a uma retinite pigmentosa diagnosticada na adolescência. Trata-se de um tipo de degeneração da retina que leva à perda lenta e progressiva da visão. Pacientes afetados sentem, inicialmente, cegueira noturna seguida de redução do campo visual. Algumas pessoas com a doença ficam cegas após os 50 anos, enquanto outras permanecem com parte da visão a vida toda.
Segundo a agência de notícias Associated Press, o olho biônico consiste em um par de óculos com uma pequena câmera de vídeo e um transmissor. As imagens captadas pela câmera são transformadas em pulsos elétricos, que por sua vez são transmitidos a eletrodos ligados à retina do paciente. Esses pulsos estimulam as células saudáveis que restam na retina a levar os sinais ao nervo ótico, onde a informação visual é reconhecida e interpretada.
O implante do olho biônico de Pontz aconteceu em janeiro deste ano, mas o seu caso só foi relatado nesta quarta-feira. Além dele, outros três pacientes receberam o dispositivo na Universidade de Michigan — informações sobre os demais indivíduos, porém, não foram divulgadas. Essas pessoas foram as primeiras nos Estados Unidos a receber a “retina artificial”, que foi aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) no ano passado. Na Europa, dispositivos como esse já haviam sido implantados em pacientes anteriormente.

10.121 – Pele artificial poderá dar sensibilidade a membros biônicos


mao robotica

O homem já conseguiu fazer com que os robôs andem, enxerguem e até tomem decisões. Já existem aqueles que são padres, médicos e até atores. Contudo, nenhum deles possui tato — a sensibilidade que existe na pele para perceber o mundo com o toque. Um grupo de cientistas da Universidade de Berkley (EUA) tratou de resolver essa falha. O trabalho foi publicado na versão online do periódico Nature Materials.
Utilizando técnicas avançadas de nanotecnologia — a ciência das coisas que são milhares de vezes menores que um milímetro — os pesquisadores americanos desenvolveram uma pele artificial dotada de tato que poderá servir, a longo prazo, como solução para dar sensibilidade às proteses artificiais em implantes humanos. “A ideia é ter um material que funcione como a pele humana, incorporando o tato aos objetos”, disse o engenheiro Ali Javey, chefe da equipe que está desenvolvendo a pele artificial.
O feito foi apelidado de “e-skin” pelos cientistas de Berkley e poderá ajudar a resolver um grande problema na robótica — adaptar a quantidade de força necessária para segurar e manipular vários objetos. “Os humanos sabem quanta força é necessária para segurar um ovo sem quebrá-lo”, disse Javey. “Se quisermos que um robô faça tarefas de casa, por exemplo, temos que ter certeza que ele não vai quebrar as taças de vinho no processo. Mas também queremos que o robô seja capaz de segurar uma panela sem deixá-la cair”.
Os testes realizados pelos engenheiros demonstraram que a pele artificial consegue identificar pressões equivalentes a digitar em um teclado ou segurar um objeto. Os cientistas esperam que a invenção possa ajudar a restaurar a sensibilidade em pacientes com membros biônicos. Mas para isso, lembram os especialistas, será preciso muitos avanços na integração de sensores eletrônicos com o sistema nervoso humano.

10.120 – A maior favela vertical do mundo


favela vertical

Apesar de no Brasil — infelizmente — não faltarem favelas e cortiços, esses assentamentos não são exclusividade do nosso país, nem é por aqui que se encontram os maiores do mundo. Em Caracas, na Venezuela, está localizada a Torre de David, que ficou conhecida como a maior favela vertical do planeta graças a seus 45 andares e população de cerca de 3 mil pessoas.
Segundo o El País, o prédio — que fica no bairro de San Bernardino e é o mais alto de Caracas — estava destinado a abrigar um novo centro financeiro. Contudo, em 1994, depois da morte de seu criador, David Brillembourg, e por conta do colapso do setor financeiro venezuelano, a construção foi abandonada e nunca foi finalizada.
Quando a obra foi interrompida, os primeiros 28 andares se encontravam em um estágio mais avançado de construção, sendo considerados como habitáveis. Mas o fato de que os demais andares ainda não estivessem terminados não parou os invasores. Aos poucos, os moradores foram tapando os perigosos espaços abertos e instalando seus próprios sistemas de água e eletricidade, e hoje a Torre de David inclusive abriga lojinhas e até uma academia improvisada.
Atualmente, as famílias pagam em média 200 bolívares — cerca de R$ 60 — ao mês para ajudar a custear as patrulhas 24 horas responsáveis por fazer a segurança do edifício. Apenas os andares superiores contam com sacadas, nas quais os vizinhos costumam se reunir para conversar, ouvir salsa e fazer churrasco — ou você pensava que o bom e velho churrasquinho na laje só era feito por aqui?
Os pavimentos mais altos também são os mais ventilados e livres do cheiro de esgoto que domina os pisos inferiores. Além disso, a Torre de David não conta com elevadores, e a distribuição dos moradores ocorre conforme a situação de cada um. Os mais jovens e ativos ocupam os andares mais altos, enquanto que os idosos e fisicamente incapacitados permanecem nos mais baixos.
Os ocupantes da Torre de David invadiram o edifício em 2007, e o governo do então presidente Hugo Chávez não fez qualquer esforço no sentido de reverter a situação. Para os ocupantes, o edifício simboliza um refúgio seguro que os abriga das áreas dominadas pelo crime nas quais moravam antes. Mas a população de Caracas, evidentemente, vê o edifício como um antro de ladrões e um símbolo do desrespeito à propriedade privada.
A vizinhança se queixa constantemente de roubos, tráfico de drogas e assaltos a caixas eletrônicos, mas os moradores do edifício alegam que nos últimos 18 meses todos os delinquentes foram identificados e expulsos da Torre, e que uma nova “diretoria” pôs ordem na casa.

fav verti

10.119 – A ciência responde: a arca de Noé poderia flutuar?


A Arca de Noé
A Arca de Noé

Na história bíblica de Noé, recém-adaptada para o cinema, uma arca gigantesca é construída para abrigar dois animais de cada uma das espécies existentes no planeta e salvá-los de um dilúvio. Do ponto de vista científico, essa proeza seria possível? A resposta é sim — mas com ressalvas.
As especificações bíblicas para o tamanho da arca — respeitadas no filme Noé — são precisas: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. O côvado é uma unidade de medida arcaica que se baseia no comprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo, e cada uma das civilizações antigas adotava uma medida diferente para representá-la.
Um grupo de estudantes da Universidade de Leicester, na Inglaterra, que realizou um estudo sobre a arca de Noé, estabeleceu um padrão ao fazer uma média entre o menor valor (44,5 centímetros, adotado pelos hebreus) e o maior (52,3 centímetros, dos egípcios), chegando a 48,2 centímetros.
Com base nessa medida, a arca teria 144,6 metros de comprimento (o equivalente a cerca de um quarteirão e meio), 24,1 metros de largura (aproximadamente dez carros, lado a lado) e 14,4 metros de altura (um prédio de quase cinco andares). Curiosamente, as medidas são parecidas com as de um navio de carga atual, e as dimensões ainda correspondem à proporção adotada no presente. “O fato de a arca ter essas dimensões é surpreendente, porque são os parâmetros de um navio da atualidade”, afirma Ricardo Pinto, professor de engenharia naval da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Para saber se a arca flutuaria, é preciso analisar também o material usado na sua fabricação. O texto bíblico menciona a “madeira de gofer”, que, hoje, seria semelhante ao pinheiro ou ao cipreste. Como a densidade dos dois materiais é parecida, os estudiosos ingleses escolheram o cipreste como exemplo.
Com essas informações, e assumindo que Noé teria seguido as instruções o mais literalmente possível, construindo uma embarcação retangular, em forma de caixa, é possível concluir que a arca não afundaria na água. “Qualquer objeto, ao ser colocado na água, provoca o deslocamento de certo volume. Para flutuar, o peso do volume da água deslocada pelo corpo deve ser igual ao peso do próprio corpo”, explica Pinto. “Esse tipo de madeira leve faria com que a embarcação flutuasse facilmente.”
Essas estimativas referem-se à arca vazia. Para descobrir o peso que a embarcação teria de suportar, é preciso saber quantos animais seriam colocados dentro. Pesquisadores que estudaram a história de Noé, como John C. Whitcomb e Henry M. Morris, autores do livro The Genesis Flood (O dilúvio de gêneses, em tradução livre), chegaram à conclusão de que cerca de 35 000 animais precisariam entrar na arca para que o Reino Animal fosse salvo. Existe uma discussão sobre o fato de que a expressão “dois animais de cada tipo”, contida da Bíblia, pode não significar exatamente cada espécie, o que reduziria ainda mais o número de eleitos. Whitcomb e Morris estimaram, também, que a ovelha representaria a média de tamanho dos animais.
A partir desses números, os cientistas da Universidade de Leicester calcularam que a arca suportaria o peso correspondente a 2,15 milhões de ovelhas. “Nós observamos que a arca aguentaria o peso, não como os animais caberiam dentro dela, ou como seriam armazenados alimentos e água fresca”, diz o estudante de física Oliver Youle, principal autor do estudo, publicado em 2013 no periódico Journal of Physics Special Topics, da Universidade de Leicester.
Além da capacidade do barco de suportar o peso, mais fatores precisam ser levados em consideração. “Podemos até assumir que a arca teria flutuabilidade, mas não sabemos sobre sua estabilidade”, afirma Pinto. A estabilidade depende da geometria, ou seja, do formato da embarcação, e da condição em que a carga foi dividida nela. “Se todos os animais pesados, como elefantes e leões, fossem colocados de um lado só, ela provavelmente ficaria desequilibrada.”
Seria necessária uma distribuição de peso cuidadosa para manter a embarcação estável, principalmente devido a seu tamanho. “Quanto mais comprida uma viga, mais fraca ela é. Um navio funciona como uma viga em termos técnicos, então quanto mais comprido, mais bem-estruturado precisa ser”, explica o professor. Para ele, a arca seria um navio “muito arrojado” para os padrões da época — uma construção tão surpreendente quanto as pirâmides do Egito.