9896 – Cardiologia – Revestimento cardíaco de silicone


Revestimento-cardíaco

John Rogers talvez seja o James Brown dos dispositivos eletrônicos elásticos. Como chefe do Grupo de Pesquisas Rogers, da Universidade de Illinois em Urbana- Champaign, ele está sempre demonstrando seu talento com tatuagens eletrônicas ou implantes médicos que se dissolvem.
Agora ele está de volta com mais uma invenção genial: um revestimento cardíaco eletrônico. O dispositivo se parece com uma bainha de silicone, que é instalada ao redor dos órgãos para monitorar a saúde e tratar doenças. Embora não seja a primeira incursão de Rogers no mundo dos sensores dobráveis, é o primeiro implante elástico a cobrir um órgão inteiro.
Rogers e sua equipe embutiram 68 sensores em uma folha de silicone e a esticaram sobre uma réplica 3D impressa do coração de um coelho. Em seguida, os pesquisadores a transferiram para o coração de um coelho de verdade, que estava batendo fora do corpo do animal. O grupo usou a réplica para obter um ajuste perfeito, já que o excesso de pressão sobre o órgão poderia interferir no ritmo cardíaco.
Vários equipamentos de geração de imagens foram usados para coletar os dados dos sensores, demonstrando que o dispositivo pode detectar medidas biométricas com precisão, como a temperatura, a atividade elétrica e os níveis de pH em diferentes áreas do órgão.
Rogers acredita que o dispositivo pode ser uma alternativa ao marcapasso, já que o implante reveste completamente o órgão e pode conter eletrodos que estimulam o coração. Os cientistas também estão trabalhando para fazer o revestimento e seus componentes eletrônicos se dissolverem quando não forem mais necessários.
O maior obstáculo seria o abastecimento do dispositivo, mas o uso de microbaterias e a transmissão de energia por rede sem fio são soluções possíveis. Os pesquisadores agora pretendem adaptar o sistema a outros órgãos. “Sua capacidade de se curvar ao redor de uma superfície é uma grande vantagem”, declarou Rogers à revista New Scientist . “A ideia pode ser aplicada a qualquer órgão”.