9895 – Mega Mitos – Código de barras é coisa de Satã?


Mais um mega mito criado pela fértil imaginação humana.

Vejamos quais as bases desse mito
Eles estão em toda parte: no sabão em pó que lava mais branco, na lata de molho de tomate que você compra no supermercado, na capa da sua revista preferida. Padrão de reconhecimento e catalogação de produtos, os códigos de barras UPC estão presentes em nossa vida de forma tão avassaladora que se tornaram um ícone pop do capitalismo moderno. Mas, ao mesmo tempo em que fazem o dinheiro mudar de mão e alimentam o comércio mundial, os códigos de barras talvez sejam a única prova material de que, já há bastante tempo, o Anticristo está entre nós. Uma conspiração movida a dólares, tecnologia de ponta e capitalismo transnacional. Como se vê, o tempo de sacrifícios sangrentos e possessões demoníacas acabou. Nos dias que correm, o Filho do Demo está mais para um yuppie de Wall Street, possivelmente metrossexual e amante da música eletrônica, do que para a criatura de chifres e pernas de bode celebrizada em filmes como O Bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973) e A Profecia (1976).
Para entender as teorias conspiratórias que cercam os códigos de barras, é preciso voltar ao ano de 1948. A pedido de uma rede de supermercados da Filadélfia, os estudantes Bernard Silver e Norman Woodland, do Drexel Institute of Technology, começaram a trabalhar em um sistema de identificação de produtos. Depois de pesquisar outros métodos, os dois nerds finalmente chegaram, em 1952, à criação dos códigos de barras UPC, que patentearam como um “Método e Aparato de Classificação Através da Identificação de Padrões”.
Apesar da eficácia do novo sistema, ele só seria implantado comercialmente em 1966, quando foram inventados os primeiros leitores de códigos de barras. A primeira empresa a utilizá-los foi a rede de supermercados Kroger, em Cincinatti, Ohio, que logo depois descartou a novidade. O motivo foi a falta de um padrão, pois cada loja imprimia os códigos UPC de uma maneira diferente. Um problema que foi resolvido apenas em 1974, quando um comitê formado pela National Association of Food Chains (NAFC) adotou as etiquetas com linhas verticais pretas, utilizadas até hoje no mundo inteiro. A apresentação ao público foi em 26 de junho de 1976. Um pacote de chicletes Wrigley’s, o primeiro produto industrializado a vir com os códigos UPC impresso na embalagem, inaugurou o novo sistema.

Segundo os teóricos da conspiração, os códigos de barras podem servir para tudo, menos para a identificação de produtos. Eles seriam uma forma de controle social criada por Satã, o passo definitivo rumo ao Apocalipse, quando toda a Terra irá se curvar ante os poderes do Mal (não que isso já não esteja acontecendo – afinal, desgraça é o que não falta neste planeta). Nas etiquetas que seguem o padrão UPC, cada algarismo é representado por duas linhas que variam na espessura e na distância entre elas. O número oito, por exemplo, é representado por duas linhas finas. Já o número sete é representado por uma linha grossa e outra de tamanho médio. Ao todo, cada etiqueta contém 12 números – que indicam, entre outras coisas, o preço, o fabricante e o país de origem do produto – distribuídos em 30 linhas verticais.
Até aí, tudo bem, não fossem as chamadas “linhas-guia”. Formadas por um conjunto de seis linhas verticais, elas servem para indicar o começo, o meio e o fim da leitura dos códigos. Em cada etiqueta, elas são encontradas em três lugares: no canto direito; no meio, separando pela metade os 12 números de cada código; e no canto esquerdo, indicando que a leitura dos códigos chegou ao final. Como as “linhas-guia”, apesar de um pouco mais longas, seguem o mesmo padrão do número seis (duas linhas finas próximas uma da outra), cada código de barras, obrigatoriamente, carrega o número 666, o número da Besta.
Daí para as teorias mais absurdas é um pulo. As teses conspiratórias baseiam-se em uma das mais famosas profecias bíblicas, o Apocalipse de São João, capítulo 13, versículos 16, 17 e 18: “A segunda Besta faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebam uma marca na mão direita ou na fronte. E ninguém pode comprar nem vender se não tiver a marca, o nome da Besta ou o número do seu nome. Aqui é preciso entender: quem é esperto, calcule o número da Besta; é um número de homem; o número é 666”.

É por isso que, cada vez que um caixa de supermercado passa uma etiqueta de código de barras no leitor da máquina registradora, pode apostar que, em algum lugar do mundo, um fundamentalista religioso e paranoico respira fundo, morrendo de medo de que aquele pacote de macarrão instantâneo que acabou de comprar seja só mais um passo na grande conspiração satânica que pretende dominar a Terra.

9894 – Medicina – Cuidado com a Neurocisticercose


Trata-se de uma infecção do sistema nervoso central (SNC) pela forma larvária da Taenia solium, sendo problema particularmente comum em países latino-americanos, asiáticos e africanos. É uma doença de origem parasita e potencialmente endêmica e ocasiona, sobre tudo, epilepsia crônica. Em humanos, esta enfermidade pode se dar pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos viáveis de Taenia solium. Se tratada a tempo, possui um bom prognóstico. A quantidade de cisticercos pode variar de 1 a 500 ou mais e seu tamanho de 1-7 ou mais cm de diâmetro.
A cisticercose é causada pela forma larvária da Taenia solium chamada Cisticerco, que se alberga, principalmente, na musculatura de bovinos e suínos que são hospedeiros intermediários. O hospedeiro definitivo desta Taenia é o homem, no qual a forma adulta do parasita se aloja no Intestino Delgado. No entanto, o homem pode também ser hospedeiro intermediário se ingerir ovos da Taenia procedente de fezes de portadores humanos do parasita. As larvas dessa espécie de cestoda tem um nome específico em latim: Cistycercus cellulosae. Esse nome tem origem no fato de que a presença das larvas nas carnes dos suínos era atribuída a uma espécie de verme própria desse hospedeiro, quando ainda não se conhecia o ciclo do parasita. Mais tarde, estudos demonstraram que as ‘canjiquinhas’, como são chamadas as larvas presentes nas carnes dos suínos, eram na verdade, as larvas da Taenia solium, parasita do intestino do homem.
Os porcos se infestam ao ingerir fezes humanas que contém ovos da Taenia solium, os quais se transformam em larvas (cisticercos) e se instalam nos músculos onde produzem cisticercose e no cérebro onde produzem neurocisticercose. Quando as pessoas comem a carne do porco mal cozida, infectada com cisticercos, desenvolvem a Teníase Intestinal, porém não a Cisticercose do SNC. Ao ingerir os ovos da Taenia, o indivíduo pode desenvolver cisticercose.
A presença da doença está associada à zonas pobres, onde se come carne de porco e onde esses animais são criados de forma extensiva, à larga, isto é, soltos nas ruas e lixões.

A falta de higiene e de saneamento básico eficaz, a utilização de águas contaminadas com fezes humanas, sem tratamento adequado, facilitam a propagação da enfermidade.
O abate clandestino dos suínos destinados ao consumo, sem a devida inspeção feita por profissionais médicos veterinários em abatedouros oficiais, e a posterior ingestão de carnes contaminadas com os cisticercos, é também importante fator para a manutenção da doença.
Convulsão: é a forma mais comum de apresentação da NCC.
Hidrocefalia: sintomas da hidrocefalia são deteriorizão cognitiva, incontinência esfincteriana e dificuldade de marcha. Cefaleia é agregada quando hipertensão intracraniana está associada.
Infarto Cerebral:(AVE) surge em conseqüência da vasculite criada pelo cisticerco.
Pseudo-Tumorais: cistos gigantes irão simular tumor ou abcesso cerebral.
O cisticerco é viável por tempo indefinido e só morre se produzida uma reação granulosa.

Estudos experimentais mostram que no corpo do porco, os eosinófilos cercam e atacam os cisticercos; depois se observam linfócitos e células plasmáticas formando grupo ao redor do parasita e finalmente os macrófagos fagocitam dejetos celulares e corpúsculos calcários.

Os cisticercos vivos se mantém mesmo com a presença de anticorpos, devido ao seu mecanismo de evasão imune, desviação de moléculas imunossupressoras e mascaramento por imunoglobinas.
Foi observado que a resposta imune do enfermo é diferente na corrente sanguínea e no líquido cefalorraquidiano, mas a classe de anticorpos contra os cisticercos mais frequente é IgG.
É diagnosticada por meio da Ressonância Magnética e da Tomografia Axial Computadorizada, os quais são de alta confiabilidade, permitindo saber a etiologia e definir o número, localização e extensão das lesões.
Há também o método de imunoeletrotransferência.

Cura
Uma nova pesquisa descobriu a causa e a cura para uma doença que afeta milhares de pessoas de uma só vez.
A tênia de porco (Taenia solium) infecta as pessoas através de carnes de porco mal cozidas ou contaminadas com fezes. Enquanto ela permanece viva em seu corpo, não é perigosa.
Mas, quando a praga entra em contato com o ácido gástrico no estômago, ela morre e se transforma em larvas, cistos chamados oncosferas. Oncosferas podem migrar para dentro do músculo, olhos e cérebro, onde causam inflamação.
Agora, um novo estudo dos cientistas do Colégio Baylor de Medicina descobriu que algo chamado Substância P é o culpado pela doença. Melhor ainda: nós já temos medicamentos que podem bloquear a Substância P.
Os pesquisadores pensaram na substância P porque ela é um neuropeptídeo conhecido por estar envolvido com a inflamação. Assim, eles realizaram autópsias e encontraram a substância P em pacientes infectados, mas não em cérebros não infectados.
Os cientistas também descobriram que ratos injetados com substância P sofriam convulsões graves. Quando eles recebiam uma droga que bloqueia o receptor da substância P, não tinham convulsões. Além disso, os ratos sem o receptor de substância P não também tinham convulsões, mesmo se infectados pela tênia.
Agora, o próximo passo da pesquisa será testar a droga anti-Substância P em pessoas que sofrem de convulsões como resultado da neurocisticercose.
A infecção por tênia subjacente continua a exigir tratamento, mas não ter convulsões durante os cuidados é fundamental para prevenir os problemas que vêm com elas: cair e ferir a cabeça ou pescoço, afogamento, problemas psicológicos, incluindo depressão e ansiedade, etc.

9893 – Droga usada em câncer de pele reverteu o Alzheimer em ratos


Pesquisadores concluíram, sem querer, que uma droga usada para tratar um tipo de câncer rapidamente inverteu o mal de Alzheimer em ratos.
No estudo, os cientistas deram aos ratos megadoses de bexaroteno, uma droga usada para tratar um tipo de câncer de pele chamado de linfoma cutâneo de células T.
Dentro de 72 horas, os ratos mostraram melhorias dramáticas em memória. Além disso, mais de 50% de placas amiloides – uma característica do mal de Alzheimer – tinham sido removidas do cérebro.
Gary Landreth, pesquisador-chefe do estudo, advertiu que, apesar dos resultados serem impressionantes em ratos, podem não funcionar em pessoas. “Precisamos avançar rapidamente, mas com cautela”, disse.
Ratos – e seres humanos – com Alzheimer têm níveis elevados de uma substância chamada beta-amiloide no cérebro. Testes de patologia nos ratos mostram que o bexaroteno baixa os níveis de beta-amiloide e eleva os níveis de apolipoproteína E no cérebro, o que ajuda a manter os níveis de beta-amiloides baixos.
Os cientistas testaram a memória dos animais com a doença, tanto antes quanto depois da droga. Por exemplo, os ratos com
Alzheimer caminhavam direto para uma gaiola onde eles tinham anteriormente levado um choque doloroso, mas após o tratamento com bexaroteno, os ratos se lembraram do choque e se recusaram a entrar na gaiola.
Em outro teste, os cientistas colocaram papel de seda em uma gaiola. Ratos normais instintivamente usam o papel em sua gaiola para fazer um ninho, mas os ratos com Alzheimer não conseguem descobrir o que fazer com a seda. Após o tratamento com a droga, os ratinhos com Alzheimer fizeram um ninho com o papel.
Uma das grandes vantagens do bexaroteno é que ele já é aprovado para uso em humanos, o que significa que os pesquisadores podem mover para testes em humanos mais cedo do que se fosse uma droga completamente nova.
Landreth espera poder experimentar a droga em humanos saudáveis dentro de dois meses, para ver se tem o mesmo efeito. Os participantes do estudo receberiam a dose padrão que pacientes com câncer geralmente recebem. Como a droga tem alguns efeitos colaterais – pode aumentar o colesterol, por exemplo -, o cientista pretende usá-la em níveis ainda mais baixos conforme o estudo se desenrola.

9892 – Farmacologia – O Ácido Gama-aminobutírico


gaba

Também conhecido pela sigla inglesa GABA (Gamma-AminoButyric Acid), é um ácido aminobutírico em que o grupo amina está na extremidade da cadeia carbônica. É o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central dos mamíferos. Ele desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal ao longo de todo o sistema nervoso. Nos seres humanos, o GABA também é diretamente responsável pela regulação do tônus muscular. Em espécies de insetos o GABA atua apenas em receptores excitatórios nos nervos.
Na diplegia espástica em seres humanos, a absorção de GABA por parte de alguns nervos fica danificada, o que leva a hipertonia dos músculos sinalizado por esses nervos.
Nos vertebrados, o GABA atua em sinapses inibitórias no cérebro através da ligação aos receptores específicos transmembranares na membrana plasmática de ambos os neurônios, pré e pós-sináptico, em processos neuronais. Essa ligação provoca a abertura de canais iônicos para permitir o influxo de íons de carga negativa como o íons cloreto na célula ou íons potássio carregados positivamente para fora da célula. Esta ação resulta numa mudança negativa no potencial transmembrana, normalmente causando hiperpolarização. Atualmente são conhecidas três classes de receptores GABA: GABAA e GABAC, que são receptores ionotrópicos, e GABAB, receptor metabotrópico, um receptor ligado a um proteína G, que abrem canais iônicos através de intermediários.

É um neurotransmissor importante, atuando como inibidor neurossináptico, por ligar-se a receptores específicos. Como neurotransmissor peculiar, o ácido gama aminobutírico induz a inibição do sistema nervoso central (SNC), causando a sedação. Isso porque as células neuronais possuem receptores específicos para o GABA. Quando este se liga aos receptores, abre-se um canal por onde entra íon cloreto na célula neuronal, fazendo com que a célula fique hiperpolarizada, dificultando a despolarização e, como consequência, dá-se a diminuição da condução neuronal, provocando a inibição do SNC.

Os neurônios que secretam GABA são chamados de GABAérgicos e têm ação inibitória principalmente em receptores no nos vertebrados adultos. Em contrapartida,o GABA exibe ações excitatórias em insetos, mediando ativação muscular em sinapses entre os nervos e células musculares, e também o estímulo de certas glândulas.
A atividade do GABA vai ser excitatória ou inibitória dependendo da direção (para dentro ou para fora da célula) e magnitude das correntes iônicas controlado pelo receptor GABAA. Quando o fluxo de íons positivos estiver direcionado para dentro das células a ação é excitatória, do contrário, o fluxo for para fora da célula, a ação é inibitória. A troca da maquinaria molecular que controlam a polaridade deste curso, durante o desenvolvimento, é responsável pelas alterações no papel funcional do GABA entre os estágios neonatal e adulto. Ou seja, o papel do GABA muda de excitatória para inibitória a partir do desenvolvimento do cérebro na idade adulta.
No hipocampo e no neocórtex dos cérebros dos mamíferos, o GABA tem inicialmente efeitos excitatórios no início do desenvolvimento, e é de fato o maior neurotransmissor excitatório em muitas regiões do cérebro antes da maturação das sinapses com glutamato.
Nas fases anteriores de desenvolvimento da formação de contatos sinápticos, o GABA é sintetizado por neurônios e atua tanto como um mediador de sinalização autócrina (agindo sobre a mesma célula) ou parácrina (agem em células vizinhas).
O GABA também regula o crescimento das células estaminais embrionárias e neurais. O GABA pode influenciar o desenvolvimento do cérebro através da expressão de células progenitoras neurais derivadas de fatores neurotróficos (BDNF).
O ácido gama-aminobutírico foi primeiramente sintetizado em 1883, e foi inicialmente conhecido apenas como um produto metabólico de plantas e micróbios. Em 1950, porém, o GABA foi descoberto como uma parte integrante do sistema nervoso central dos mamíferos.
Drogas que atuam como agonistas dos receptores GABA (conhecido como drogas gabaérgica ou análogos do GABA) ou aumentar o montante disponível do GABA normalmente têm efeitos relaxante, antiansiedade e anticonvulsivos. Muitas das substâncias abaixo são conhecidos por causar amnésia anterógrada e amnésia retrógrada.

Tem sido sugerido que administração oral de GABA aumenta a quantidade de secreção do hormônio do crescimento humano, mas isso é questionável, uma vez que se desconhece se o GABA pode ultrapassar a barreira hematoencefálica. No entanto, quando administrado por via oral, o GABA tem efeitos fora do do sistema nervoso central (por exemplo, diminuição do tônus muscular).
Por outro lado, uma nova pesquisa publicada no Journal of Alternative and Complementary Medicine mostra que uma hora de yoga eleva os níveis de GABA no cérebro, o que supostamente ajuda a combater a ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.
A pesquisa foi realizada na Boston University School of Medicine (BUSM) e no Hospital McLean e comprovou-se com imagens de ressonância magnética espectroscópica ao examinar dois grupos de pessoas antes e depois de uma prática de Yoga. O outro grupo leu um livro, como controle.
Os participantes do grupo de Yoga obtiveram um aumento de 27% nos níveis de GABA, enquanto que no grupo de leitura, permaneceram inalteradas. Os co-autores Chris Streeter da BUSM e Domenic Ciraulo salientaram que esta pesquisa mostra um método de tratamento de estados de baixa GABA e demonstra clara e inquestionavelmente um método não-farmacológico para o aumento dos níveis de GABA, que as pessoas podem utilizar agora, sem esperar que drogas sintéticas sejam criadas e ainda precisam passar por orgãos governamentais reguladores como o FDA.
Esta pesquisa ainda mostrou que, como os níveis de GABA caem na doença de Alzheimer, pode-se aplicar a lógica que o Yoga pode ser benéfico para aqueles que sofrem da doença de Alzheimer.

9891 – Medicina – Catuaba levanta até coração


Que a catuaba é uma planta vendida como afrodisíaco potente, isso já faz parte do folclore brasileiro. Mas que ela é capaz de reverter uma parada cardíaca?
É exatamente o que uma equipe da USP afirma ter descoberto: ao testar um composto com a planta em corações de coelho, os órgãos dos bichinhos voltaram a bater normalmente. A mistura usada pela equipe do professor Irineu Tadeu Velasco, do Departamento de Clínica Médica da universidade, é bem brasileira: catuaba, guaraná, gengibre e muirapuama, e foi batizada como “catuama”.
Velasco estima que, em seis ou sete anos, a catuama pode substituir o equipamento de eletrochoque, o chamado desfibrilador, usado nas paradas cardíacas. “Há milênios, desde Abraão e Noé, é procurada uma droga como essa”, diz ele.
Se a catuama vier a substituir o choque, há duas mudanças à vista.
A primeira é que os hospitais economizariam 30 mil dólares por aparelho. A outra é que a pesquisa poderá influenciar os seriados médicos. Em vez de dar choques nos pacientes, os doutores da TV deverão gritar: “Catuama nele!”

9890 – O que é o Daltonismo?


Também chamado de discromatopsia ou discromopsia, é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos órgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica.
O distúrbio, que era conhecido desde o século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico John Dalton, que foi o primeiro cientista a estudar a anomalia de que ele mesmo era portador. Uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossomo X, ocorre com maior frequência entre os homens, que possuem apenas um cromossomo X, enquanto mulheres possuem dois.
Os portadores do gene anômalo apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, como o verde e o vermelho, o que se repercute na percepção das restantes cores do espectro. Esta perturbação é causada por ausência ou menor número de alguns tipos de cones ou por uma perda de função parcial ou total destes, normalmente associada à diminuição de pigmento nos fotorreceptores que deixam de ser capazes de processar diferencialmente a informação luminosa de cor.
A retina humana possui três tipos de células sensíveis à cor, chamadas cones. Cada um deles é sensível a uma determinada faixa de comprimentos de onda do espectro luminoso, mais precisamente ao picos situados a 419 nm (azul-violeta), 531 nm (verde) e 559 nm (verde-amarelo).
A classificação dos cones em “vermelho”, “verde” e “azul” (RGB) é uma simplificação usada por comodidade para tipificar as três frequências alvos, embora não corresponda à sensibilidade real dos fotorreceptores dos cones. Todos os tons existentes derivam da combinação dessas três cores primárias.
As tonalidades visíveis dependem do modo como cada tipo de cone é estimulado. A luz azul, por exemplo, é captada pelos cones de “alta frequência”. No caso dos daltônicos, algumas dessas células não estão presentes em número suficiente ou registam uma anomalia no pigmento característico dos fotorreceptores no interior dos cones.
Não existem níveis de daltonismo, apenas tipos. Podemos considerar que existem três grupos de discromatopsias: monocromacias, dicromacias e tricromacias anómalas.
Monocromacia ocorre quando há apenas percepção de luminosidade na visão dos animais. São as células bastonetes as responsáveis por esta percepção, que permite variações diferentes da cor cinza. Normalmente, os monocromatas apresentam a chamada “visão em preto e branco”.

cores primárias
cores primárias

O monocromata típico é caracterizado pelo monocromatismo de bastonetes, que corresponde a uma discriminação de cores nulas pela falta de cones. Ocorre na população humana com uma incidência de 0,003% nos homens e de 0,002% nas mulheres. Essa característica é encontrada em muitos animais, como aqueles de hábitos noturnos, peixes abissais, cachorros e pinguins.
O monocromata atípico possui um monocromatismo de cones, assim a não discriminação de cores é devido a falta de sinais oponentes por ter apenas um tipo de cone. É muito raro na população humana. É encontrado em alguns animais, como em alguns ratos e no quivi, ave neozelandesa, que enxergam tons no espectro da luz verde.
A dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de:
protanopia, em que há ausência na retina de cones “vermelhos” ou de “comprimento de onda longo”, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro. O seu ponto neutro encontra-se nos 492 nm. Há igualmente menor sensibilidade à luz na parte do espectro acima do laranja.
deuteranopia, em que há ausência de cones “verdes” ou de comprimento de onda intermédio, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro.Trata-se uma das formas de daltonismo mais raras(cerca de 1% da população masculina), e corresponde àquela que afectou John Dalton (o diagnóstico foi confirmado em 1995, através do exame do Ácido desoxirribonucleico do seu globo ocular). O seu ponto neutro encontra-se nos 492 nm.
tritanopia, em que há ausência de cones “azuis” ou de comprimento de onda curta, resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo.
A tricromacia anómala resulta de uma mutação no pigmento dos fotorreceptores dos cones retinianos, e manifesta-se em três anomalias distintas:

A mutação genética que provoca o daltonismo sobreviveu pela vantagem dada aos daltônicos ao longo da história evolutiva.[carece de fontes] Essa vantagem advém, sobretudo, do fato de os portadores desses genes possuírem uma melhor capacidade de visão noturna, bem como maior capacidade de reconhecerem elementos semiocultos, como animais ou pessoas disfarçadas pela sua camuflagem.

Como o daltonismo é provocado por genes recessivos localizados no cromossomo X (sem alelos no Y), o problema ocorre muito mais frequentemente nos homens que nas mulheres. Estima-se que 8% da população masculina seja portadora do distúrbio, embora apenas 1 % das mulheres sejam atingidas.
Existem três métodos para se diagnosticar a presença do daltonismo e determinar em que grau ele está afetando a percepção das cores de uma pessoa:

anomaloscópio de Nagel – consiste em um aparelho onde o indivíduo que vai ser examinado tem seu campo de visão dividido em duas partes. Uma delas é iluminada por uma luz monocromática amarela, enquanto a outra é iluminada por uma diversas luzes monocromáticas verdes e vermelhas. O examinado deve tentar igualar os dois campos, alterando a razão entre a intensidade das luzes vermelha e verde, e modificando a intensidade da luz amarela;
lãs de Holmgreen – consiste na avaliação da capacidade de separar determinados fios de lã em diversas cores;
teste de cores de Ishihara – consiste na exibição de uma série de cartões pontilhados em várias tonalidades diferentes. Esse é o método mais frequentemente utilizado para se diagnosticar a presença do daltonismo, sobretudo nas deficiências envolvendo a percepção das cores vermelho e verde. Uma figura (normalmente uma letra ou algarismo) é desenhada em um cartão contendo um grande número de pontos com tonalidades que variam ligeiramente entre si, de modo que possa ser perfeitamente identificada por uma pessoa com visão normal. Porém um daltônico terá dificuldades em visualizá-la.
Como o teste de Ishihara não pode ser utilizado por crianças ainda não alfabetizadas, desenvolveu-se um método secundário onde os cartões, em vez de números e letras, contêm desenhos de figuras geométricas, como quadrados, círculos e triângulos, que podem facilmente ser identificados por crianças em idade pré-escolar.

Atualmente não existe nenhum tipo de tratamento conhecido para esse distúrbio. Há, porém, uma empresa americana fabricando lentes que permitiriam a distinção de cores pelos daltônicos. Elas seriam seletivas quanto à passagem de luz, bloqueando o necessário para corrigir defeitos da visão. Os tais óculos custam cerca de US$ 700. Mas alguns estudiosos ainda encaram a iniciativa com reservas alegando que não há estudos científicos que reconhecidamente indiquem o método.

Porém, um daltônico pode viver de modo perfeitamente normal, desde que tenha conhecimento das limitações de sua visão. O portador do problema pode, por exemplo, observar a posição das cores de um semáforo, de modo a saber qual a cor indicada pela lâmpada. Como na idade escolar surgem as primeiras dificuldades com cores, sobretudo em desenhos e mapas, os pais e professores devem estar atentos ao problema, evitando constranger e traumatizar a criança. Pode ser frustrante para uma criança ter a certeza de que está vendo algo em determinada cor, enquanto todos os colegas e a professora afirmam que ela está errada.

Em 2009 pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Flórida conseguiram restabelecer o processo de visão de macacos da espécie Saimiri sciureus através de tratamento genético.
Para um daltônico, navegar em websites coloridos da Internet pode ser uma experiência não muito agradável. Alguns textos podem estar ilegíveis, ou mesmo a leitura dos gráficos pode ser impossibilitada devido o esquema de cores utilizado. Para possibilitar a leitura destes textos e gráficos foi desenvolvido por Daniel Ruoso, um desenvolvedor daltônico, o libcolorblind[1] que é um software que faz transformações nas cores no sentido de permitir que cores dúbias sejam colocadas em posições diferentes do espectro de cor, de forma a tornarem-se diferenciáveis por um daltônico. O programa de acessibilidade do Gnome, gnome-mag, tem suporte a esse software e fornece uma maneira intuitiva de ativar e desativar os filtros.

Algumas cidades já possuem semáforos adaptados para os portadores de daltonismo (quer condutores/quer pedestres), que apresentam uma faixa branca ao lado da luz amarela, possibilitando ao daltônico distinguir qual a cor do sinal aceso pela posição da luz (acima ou abaixo da faixa).
Lápis de cores podem ter o nome de cada cor gravada em seu corpo de modo a facilitar sua identificação.
A justiça brasileira reconheceu que os portadores de daltonismo são sujeitos dos direitos que a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Pessoas Portadoras de Deficiência estabelece e que cursos de educação complementar públicos ou privados devem promover adaptações em materiais didáticos para possibilitar o acesso dos daltônicos a informação.

9889 – Psicologia – A Intolerância


O “outro” é desumanizado e a individualidade beira a intolerância. Em essência essa é a raiz do ódio que impõe uma linha tênue entre o desequilíbrio mental e o orgânico. Rush W. Dozier Jr. diz em Por que Odiamos (M.Books), que há em nosso cérebro uma programação que funde o ódio ao uso da força, numa reação primitiva. Para ele terrorismo, fanatismo e outras formas de discriminação são geneticamente inevitáveis, mas parte para a defesa intransigente dos direitos humanos, com uma extensa lista de motivos que vão de Charles Darwin a Thomas Friedman, o ás da globalização.

intolerãncia

Num sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos-de-vista diferentes. Como um constructo social, isto está aberto a interpretação. Por exemplo, alguém pode definir intolerância como uma atitude expressa, negativa ou hostil, em relação às opiniões de outros, mesmo que nenhuma ação seja tomada para suprimir tais opiniões divergentes ou calar aqueles que as têm. Tolerância, por contraste, pode significar “discordar pacificamente”. A emoção é um fator primário que diferencia intolerância de discordância respeitosa
A intolerância pode estar baseada no preconceito, podendo levar à discriminação. Formas comuns de intolerância incluem ações discriminatórias de controle social, como racismo, sexismo, homofobia, heterossexismo, etaísmo (discriminação por idade), intolerância religiosa e intolerância política. Todavia, não se limita a estas formas: alguém pode ser intolerante a quaisquer ideias de qualquer pessoa.
É motivo de controvérsia a legitimidade de um governo em aplicar a força para impedir aquilo que ele considera como incitamento ao ódio. Por exemplo, a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América permite tais manifestações sem risco de ação criminal. Em países como Alemanha, França, Portugal e Brasil, as pessoas podem ser processadas por tal atitude. Esta é uma questão sobre quanta intolerância um governo deve aceitar e como ele decide o que constitui uma manifestação de intolerância.
Enquanto prossegue o debate sobre o que fazer com a intolerância alheia, algo que freqüentemente ignora-se é como reconhecer e lidar com a nossa própria intolerância.

9888 – Mega Memória – As Figurinhas Carimbadas


album_figurinhas

Os primeiros álbuns chegaram ao Brasil na década de 40 e traziam jogadores de futebol. Logo, colecionar a foto de seus ídolos virou mania entre os meninos. Foi nessa época que nasceram termos que, ainda hoje, fazem parte do nosso vocabulário, como “figurinha difícil” (algo árduo e trabalhoso) e “trocar figurinha” (conversar).
Nos anos 60, surgiram as figurinhas carimbadas que podiam ser trocadas por prêmios. Alguns álbuns davam prêmios a cada página completada. Abrir um pacotinho era uma emoção: eram duas ou três chances em cada envelope. Os prêmios acabaram proibidos depois de denúncias de que as empresas simplesmente não imprimiam algumas figurinhas. Para as repetidas, a solução era trocar com os amigos ou jogar bafo.
Em 1976, surgiram as figurinhas autocolantes, o que aumentou muito as vendas. Nas décadas de 80 e 90 ficaram populares os álbuns de personagens e filmes de cinema e da tevê.

Carros de Corrida (1969)
Mickey e Donald apresentavam a história do automobilismo. Na pista, máquinas possantes como o Porsche 1965 e a biografia de pilotos como Emerson Fittipaldi e Chico Landi
Superman (1979)
O mais legal do álbum era a última página, em que várias figurinhas formavam um pôster do herói. Nas outras 30 apareciam cenas do filme, os personagens e o nome dos atores
Galeria Walt Disney (1976)
A grande novidade eram as figurinhas autocolantes. Muita gente decorava cadernos, agendas e estojos, deixando álbuns vazios. Outra razão do sucesso foi o fato de atrair a atenção de meninos, meninas e adultos
Chapinhas de Ouro (1979)
Inesquecível álbum de figurinhas redondas e metálicas. Dá para imaginar como o álbum ficava pesado depois de colar as 211 chapinhas que, apesar do nome, eram de aço? O difícil era jogar bafo com figurinhas tão pesadas
Brasil CampeÃo (1958)
Pelé, Zagalo, Garrincha e todos os craques da seleção campeã do mundo na Suécia. Eram apenas 24 figurinhas e o álbum foi lançado depois da conquista
Guerra nas Estrelas (1978)
As figurinhas reproduziam as cenas e tinha um texto que narrava a história, assim o álbum completo parecia com uma fotonovela estrelada por Luke Skywalker e Darth Vader
Turma do Paulistinha (1980)
500 cruzeiros em notas fiscais valiam um pacote com dez figurinhas e o álbum completo dava direito a concorrer a prêmios: entre eles, uma Belina e um Dodge Polara. Só foi lançado em São Paulo
Sítio do Pica-Pau Amarelo (1981)
Além da galeria de personagens, havia uma história em branco para preencher com figurinhas em transfix (lembra aquele plastiquinho que você raspava com a unha de um lado e o desenho saía do outro?)
Amar É … (1982)
Um casal peladinho definia o amor com uma frase romântica: “Amar é … dividir tudo, mesmo um saquinho de pipoca ou percorrer a nave da igreja em direção ao altar”. Os cenários, cabelos e roupas dos personagens mudavam de acordo com a frase
Bem me quer (1982)
“Você pediu minha mão e levou meu coração.” As figurinhas com o casal de namoradinhos e frases adocicadas ficaram famosas entre meninas do mundo todo. A australiana Sarah Kay se transformou em celebridade internacional por causa delas
Campeonato Brasileiro (1990)
Além da tabela com todos os jogos, havia fichas completas dos jogadores dos 20 times que disputavam o torneio. Foram vendidas mais de 300 milhões de figurinhas. O número foi superado pelo álbum do campeonato de 1994: 335 milhões, até hoje um recorde
Ping Pong Espanha 82 (1982)
Algumas seleções vinham completas, com fotos de todos os jogadores (a do Brasil tinha até gente que não foi para a Copa). Outras, como El Salvador e Nova Zelândia, vinham pela metade. Mas até hoje tem gente que se lembra do goleiro Arzu, de Honduras
Pokémon (1999, 2001 E 2002)
Os esquisitos personagens japoneses protagonizaram três álbuns. Juntos, eles venderam 280 milhões de figurinhas
Por onde anda Sarah Kay?
A artista ainda mora na mesma casa em Sydney, onde há 20 anos criou o casalzinho apaixonado que virou febre mundial. Ela, que criou os personagens para entreter os filhos Adam e Allison, hoje ganha a vida licenciando seus desenhos para fabricantes de cartões e bonecas.
Truques do bafo
As regras do jogo eram variáveis, o que acabava gerando polêmica. Bater com a palma das mãos ao lado do monte para que o vento virasse as figurinhas valia no meu prédio, mas na escola era considerado crime. Porém lamber ou passar a mão no rosto suado para que as figurinhas grudassem era sempre proibido.

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1. Brasil Campeão (1958)
2. Carros de Corrida (1969)
3. Galeria Walt Disney (1976)
4. Guerra nas Estrelas (1978)
5. Superman (1979)
6. Chapinhas de Ouro (1979)
7. Turma do Paulistinha (1980)
8. Sítio do Pica-Pau Amarelo (1981)
9. Turma da Mônica (1981)
10. Tex Willer (1981)
11. Bem me quer (1982)
12. Ping Pong Espanha 82 (1982)
13. Amar É … (1982)
14. Olimpíadas de 84 (1984)
15. Rainbow Brite (1984)
16. Bebês Moranguinho (1987)
17. Campeonato Brasileiro (1990)
18. PokÊmon (1999, 2001 e 2002)

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9887- Oficina do Inferno – Não tente fazer em casa…


escoteiro mirim

Até parece o inferno, mas é a oficina secreta dos presidiários, erguida longe da vista dos guardas e vigias para fornecer aos detentos aquilo que eles querem, mas não podem ter. Isqueiros, aquecedores, tostadores de sanduíches, forninhos, tudo isso feito com clipes de papel, pedaços de escova, palitos e outros objetos simples do dia-a-dia.
Trinta dessas invenções carcerárias, desenhadas por presos americanos, acabam de ser publicadas no livro Prisoners’ Inventions (“Invenções de Prisioneiros”, sem tradução para o português). Espécie de versão masmorra do Manual do Escoteiro Mirim, o livro chamou a atenção de artistas e as peças viraram até exposição na Europa.

Café quente na cela? Com objetos comuns, um presidiário reproduziu o que os físicos chamam de efeito Joule. Duas tiras de metal saem da tomada e entram num copo d·água. A pouca corrente elétrica que passa pelo líquido gera calor. No protótipo o copo começou a fumegar em 30 minutos. Demorou? Não esqueça que, na prisão, o tempo custa a passar…

Até parece um barbeador elétrico, mas é uma engenhoca para acender bitucas. Um preso americano bolou e nós comprovamos: o cigarro acende mesmo, mas dá medo chegar perto. Isso porque, para melhorar a condutividade, joga-se uma pitada de sal na água. Em segundos, o copo esquenta e a parte imersa do clipe escurece. É a reação de eletrólise, na qual os sais da água grudam no metal.

Para que guardar as especiarias em potinhos impessoais quando se pode usar um elegante galheteiro? Com palitos de sorvete, tiras de alumínio cortadas de lata de refrigerante e caixas de fósforo, constrói-se uma peça de design bacana para não misturar o sal e a pimenta. São objetos simples como esses que fazem de uma cela um lar.

“Maria louca”
No Brasil, os presos estão mais preocupados em fazer cachaça. No extinto Carandiru, eles faziam. Com água, fermento e arroz, e dominando as artes da fermentação e da destilação, eles produziam a “Maria Louca” (veja o processo acima). Também chamada de “Água de Coco” e “Zulu”, a garrafa custava 150 reais nos pavilhões, igual a um uísque escocês 12 anos no supermercado. E olha que a “Maria” levava só seis dias para fazer.

Presos do Carandiru faziam essa bebida em segredo
1 – Fermentação
Os presos misturam água, arroz, fermento e açúcar (mais casca de frutas, café ou cravo para dar gosto) em garrafas plásticas e escondem em um buraco na cela. Uma luz fornece o calor necessário. As tampas vão sendo giradas aos poucos para soltar os gases. O processo dura seis dias.
2 – Destilação
Num galão, eles esquentam o líquido com uma tesoura plugada na tonada. O álcool, com ponto de ebulição menor que o da água, vira vapor logo. Esse vapor é resfriado na serpentina e vira o precioso líquido, pronto para o consumo dos condenados.

9886 – Prêmio IgNobel – Mais alguns “Einsteins de Botequim’


Essa paródia do Nobel faz jus ao nome: agracia de fato os trabalhos científicos mais ignóbeis. Para você ter uma idéia, recordando o prêmio Nobel de Física de 2003, o de verdade, foi para um trio de cientistas que ajudou a desenvolver os supercondutores – aqueles materiais que podem melhorar a distribuição de energia elétrica.
Já a versão Ig ficou com uns australianos pela memorável “Análise das Forças Necessárias para Arrastar Ovelhas em Superfícies Diferentes”. Precisa dizer mais? Criada há 23 anos por uma revista de humor científico, a idéia deu tão certo que o povo vai pessoalmente receber seus canecos. Falem mal, mas falem de mim…

Recorde os principais trabalhos premiados na versão 2003 do IgNobel
Medicina – O vencedor foi um grupo de ingleses, ao concluir que a parte do cérebro onde fica a memória é maior nos taxistas, acostumados a decorar caminhos e ruas
Química – Um cientista japonês estudou a composição de uma estátua de bronze para entender por que ela não atraía pombos
Pesquisa Interdisciplinar – Um trio de cientistas suecos, por tascar esta pesquisa inédita e com um título irresistível: “Galináceos Preferem Pessoas Bonitas”
Biologia – Um holandês documentou um caso inédito no mundo animal: um pato fez sexo com o cadáver de outro pato
Engenharia – “Se algo puder dar errado, dará.” É a equação da popular Lei de Murphy, criada em 1949 por três americanos e premiada agora.
Paz – Um indiano que fundou a Associação das Pessoas Mortas, após ter sido dado como falecido.
Literatura – Pesquisador escreveu 86 artigos estranhos. Veja: “De 108 pessoas na padaria, 60,2% pegaram pães com as mãos e sem guardanapo.”
Economia – Executivo pôs para alugar o principado de Liechtenstein, vizinho à Suíça, para casamentos e reuniões.

9885 – Física – Por que a chama do fogão ilumina menos que a da vela?


A resposta está na cor de cada chama: por ser amarelo, o fogo da vela ilumina mais que o do fogão a gás, que emite principalmente luz azul.
Isso porque o olho humano está adaptado a enxergar melhor durante o dia.
Assim, desenvolveu maior sensibilidade às luzes com cores mais abundantes no espectro solar. “Como o Sol emite muita luz na faixa do amarelo e do verde, os nossos olhos também são mais sensíveis a estas cores”, afirma um professor de física da USP.
Outro fator para enxergarmos pouco a chama do fogão é que a luz azul se dispersa com facilidade pelo ar, enquanto a amarela permanece concentrada por mais tempo. “Vemos a luz azul do fogão somente quando olhamos diretamente para a chama, pois ela se espalha pelo ar com mais facilidade. A luz amarela dispersa menos e pode chegar facilmente às paredes, de onde é refletida para os nossos olhos”, diz um físico da Universidade Federal de Santa Catarina.

9884 – O que é azeite virgem? (será?)


Quando o assunto é azeite, existem vários graus de virgindade. Em linhas gerais: quanto mais preservadas forem as características aromáticas da azeitona, mais virgem será o azeite. Para regulamentar a produção industrial, o Conselho Oleícola Internacional (associação dos produtores de azeite) adotou uma classificação por critérios objetivos. Segundo essas regras, o azeite é virgem se for extraído por métodos físicos (a azeitona pode ser espremida ou aquecida), nunca com agentes químicos. A acidez desse produto se mede pela concentração de uma substância chamada ácido oleico: se ela for igual ou inferior a 1%, o azeite pode ser rotulado como extravirgem. Entre 1,1% e 2%, o óleo é classificado simplesmente como virgem. Entre 2,1% e 3,3%, é chamado de azeite virgem comum – coisa que não se encontra por aqui. Se a acidez é superior a 3,3%, o azeite é impróprio para o consumo e precisa ser refinado. Assim, digamos, ele perde a virgindade. Como o azeite refinado perde o aroma de azeitona, ele geralmente é misturado a um pouco de azeite virgem: surge, então, o produto rotulado como azeite de oliva, sem adjetivo algum.

9883 – O Cupinzeiro


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Em alguns países só tem a altura de alguns centímetros. Na África do Sul existem alguns com 60 cm de altura por 60 de diâmetro. O peso do solo em alguns cupinzeiros é de mais de 11 mil toneladas. Algumas estradas de ferro foram abertas no meio deles. Quando estava sendo construída a pista do aeroporto de Bulawayo, Rodésia, foi preciso remover cerca de 20 mil toneladas de solo de cupinzeiro. Muitos cupins só perderam o lar pelo uso de explosivos empregados pelo agricultor local, alguns usam água para amolecer o solo e poder escavar manual ou mecanicamente.
O cupinzeiro é um aglomerado de terra e outros resíduos, edificado pelos cupins, constituindo o seu ninho. Os cupins são os grandes construtores do mundo dos insetos. Os enormes cupinzeiros da espécie africana Macrotermes podem medir 8 metros de altura e mesmo uma colônia média pode chegar a cerca de dois milhões de integrantes. As paredes dos cupinzeiros são feitas de partículas de solo retiradas pelos pequenos cupins operários e misturadas à saliva para formar uma substância dura semelhante ao tijolo, resistente a tudo, exceto a um predador persistente. O alicerce do ninho, no centro do monte consiste de um labirinto de passagens dando acesso a inúmeras camadas de vários tipos, cada uma com uma função especial: berçários onde as larvas eclodem e são nutridas; “jardins” especiais onde fungos são cultivados para alimentar a colônia; e uma câmara real, onde a rainha vive, colocando milhares de ovos para assegurar a continuidade da espécie. Ao mesmo tempo que fornece proteção contra intrusos, o monte é construído de maneira a proporcionar um “microclima” perfeitamente balanceado, essencial para a sobrevivência de seus habitantes. Temperatura, umidade e ventilação são precisamente regulados. O ar do interior do ninho, aquecido pela atividade metabólica dos cupins e fungos a uma temperatura constante de cerca de 30°C, sobe por convecção e depois desce por canais estreitos nas paredes do monte, perdendo calor para o exterior e trocando dióxido de carbono por oxigênio no processo. Por fim, o ar renovado e resfriado entra na área habitada por baixo, para ser novamente circulado.