9882 – Medicina – Vacina contra a Hipertensão


Estudos avançam sobre o anticorpo capaz de inibir o hormônio que eleva a pressão.
Uma novidade apresentada no XVI Congresso Brasileiro de Hipertensão, promete facilitar a rotina dos hipertensos dependentes de medicação diária: a chamada vacina contra hipertensão.
As últimas descobertas apontam para a produção de um anticorpo capaz de atuar sobre a angiotensina II. O presidente e coordenador do congresso, Antonio Felipe Sanjuliani, explica que a angiotensina II é um hormônio produzido pelo organismo. “Em certas condições, ela tem a capacidade de elevar a pressão arterial e induzir à hipertensão. O anticorpo seria capaz, então, de inibir a atuação deste hormônio”.
O estudo realizado por cientistas suíços, publicado na revista especializada Lancet ainda não é conclusivo, já que foi feito com um número muito restrito de pacientes. A previsão para o uso seguro da medida terapêutica também não foi definida, segundo o especialista.
Sobre a possibilidade de a vacina substituir todas as outras formas de tratamento, Antonio Felipe é incisivo: “a vacina atuaria sobre um dos principais mecanismos responsáveis pelo aumento da pressão, mas não em todos. E certamente seu uso não descartaria a necessidade de seguir hábitos saudáveis, nem a possibilidade do uso de outros medicamentos para controlar a pressão”.
A vacina seria capaz de substituir apenas o grupo de medicamentos que atuam na mesma direção que ela. Ou seja, medicamentos que agem sobre os efeitos da angiotensina II.
Além da comprovação de sua eficácia, os estudos precisam checar a segurança da vacina. O coordenador do congresso explica que a vacina bloqueia o receptor da angiotensina II. Este, por sua vez, desempenha papel fundamental na regulação da pressão e dos líquidos corporais. “Ainda não se sabe o que o bloqueio total deste sistema poderia acarretar diante de situações de desidratação ou trauma”.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 22% da população com mais de 18 anos é hipertensa. O número representa aproximadamente 26,5 milhões de brasileiros. Já os dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão mostram que quase 300 mil pessoas morrem anualmente no Brasil por causa de doenças cardiovasculares. Mais da metade deste valor decorre da hipertensão.
O especialista conta que a pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio. Valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg são considerados altos. Mas Hilton faz uma ressalva: “não se sabe ao certo o que é pressão normal. O que sabemos é que, considerando uma determinada população, os riscos de infarto, morte súbita, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral são maiores quando a média da pressão excede 140/90 mmHg. Adota-se, então, este critério para rotular indivíduos hipertensos”.
Na maioria dos indivíduos, a hipertensão não apresenta sintomas. Hilton relata que alguns pacientes relacionam, de maneira equivocada, a coincidência de sintomas como dores de cabeça, sangramento pelo nariz, tontura, rubor facial e cansaço, à pressão alta. Para descobrir a existência da doença, o conselho do especialista é medi-la com regularidade e visitar o médico frequentemente.
Os medicamentos entram em cena porque nem sempre as modificações do estilo de vida são suficientes para estabilizar a pressão. “O tratamento medicamentoso reduz a mortalidade cardiovascular e previne o agravamento metabólico. Ou seja, além de abaixar a pressão arterial, os medicamentos proporcionam maior sobrevida aos pacientes”, fala o especialista da SBH.
O cardiologista informa ainda que mesmo os pacientes hipertensos que seguem algum tipo de tratamento medicamentoso apresentam mais riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, se comparados às pessoas que não sofrem de hipertensão. Os hábitos saudáveis, portanto, são ressaltados também como medida preventiva.