9293 – Cardiologia – Como é feito um transplante de coração


MEDICINA simbolo
Há duas técnicas principais. Uma delas é chamada de clássica e a outra de bicaval. A diferença básica está no quanto de tecido do coração velho permanece no corpo do transplantado. A bicaval é a técnica que usa menos “sobra” do antigo órgão. Permanece no paciente apenas um restinho do átrio esquerdo (uma das quatro câmaras que formam o coração), que é conectado ao novo órgão. Hoje a cirurgia bicaval é usada em cerca de 60% dos transplantes realizados no mundo. No Brasil, só em 2003, foram realizados 175 transplantes desse órgão. No planeta são mais de 3 mil casos por ano. A freqüência com que a cirurgia é feita mostra que ela não é mais um mistério. Mas, em dezembro de 1967, todos ficaram assombrados quando o médico sul-africano Christian Barnard fez o primeiro transplante de coração inter-humanos. Apenas cinco meses depois, em maio de 1968, o cirurgião brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini, que havia estudado com Barnard nos Estados Unidos, fazia o primeiro transplante na América Latina e o quinto do mundo! Apesar de hoje essa operação ser superconhecida, ela só é utilizada como último recurso. “Primeiro tentamos o uso de medicamentos ou uma cirurgia convencional. O transplante só é indicado para pacientes em fase de evolução avançada de uma doença cardíaca”, diz o cirurgião cardíaco Noedir Stolf, chefe do setor de transplantes do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. Isso porque a operação envolve vários fatores de risco, como infecções e a possibilidade de o novo coração ser rejeitado pelo organismo do paciente. Mesmo assim, o índice de sobrevivência após o transplante é grande. “Ele é de 80% durante um ano ou mais. Com o passar do tempo, claro, esse índice vai se reduzindo. Até chegar a cerca de 50% de chance de o transplantado sobreviver ao longo de dez anos ou mais”, afirma Noedir. Pode parecer pouco, mas para quem tinha um órgão cambaleante e estava à beira da morte, é como nascer de novo.

4 Horas é o prazo para o transplante
Quando um doador tem a morte cerebral constatada, os médicos verificam se seu coração é saudável e pode ser doado. Após ser retirado, o órgão é mergulhado numa solução salina gelada, é recoberto por sacos plásticos e colocado em um isopor com gelo. Enquanto tudo isso ocorre, a Central de Transplante é avisada de que há um doador.
A Central de Transplante, em geral vinculada às secretarias estaduais de saúde, controla as listas de todos os transplantes. No topo da lista fica quem precisa de um novo órgão com mais urgência. Se o “número 1” não é compatível com o doador em questão — pesa bem menos ou tem sangue diferente, por exemplo — é chamado o número 2, e assim por diante.
Se o paciente que receberá o coração está em casa, ele é localizado pelo telefone. Se já está no hospital onde será feita a cirurgia, começa a ser preparado para a operação. É uma corrida contra o relógio: o tempo ideal entre a retirada do órgão doado e a chegada do coração no hospital do transplantado não pode passar de quatro horas.
O transplante começa com a abertura do peito do paciente. Em seguida, o sangue dele é desviado do coração doente por meio de duas cânulas (pequenos tubos) colocadas nas veias cavas — as duas grandes veias por onde o sangue entra no coração. Essas cânulas passam a conduzir o sangue para uma máquina ao lado da mesa de operação.
Essa máquina de circulação extracorpórea funciona como coração e pulmões artificiais: ela retira o dióxido de carbono do sangue e o oxigena. A seguir, uma bomba devolve o líquido para o paciente por meio de outra cânula, que é ligada à aorta — grande artéria por onde o sangue sai do coração para percorrer o corpo todo.
Só após as veias cavas e a aorta estarem conectadas à máquina de circulação é que o coração doente pode ser retirado. Dependendo da técnica usada na cirurgia, maiores ou menores pedaços do órgão permanecem no corpo do paciente. Após ser extraído, o velho coração é encaminhado para estudos.
O passo seguinte é colocar o novo coração. Os médicos costuram os principais segmentos do órgão doado às partes correspondentes do velho coração que permaneceram no peito do paciente. Quanto tudo já está conectado, a circulação sanguínea do órgão é restabelecida.
Após cerca de quatro horas de cirurgia, o transplante acaba e o médico especialista se retira. Cabe à sua equipe fechar o peito do paciente e finalizar os procedimentos cirúrgicos. Em geral, após 15 dias de recuperação no hospital, o transplantado volta para casa com um coração novo no peito.

9292 – Dermatologia – Por que ficamos de orelhas vermelhas?


As orelhas “ficam quentes”, ou melhor, vermelhas, porque têm uma grande rede circulatória e uma pele bem fina, o que deixa mais visível o sangue que passa por lá. Por isso, basta a pessoa ter uma vasodilatação – o aumento da espessura dos vasos sanguíneos – para a coisa “esquentar”. Às vezes o processo de vasodilatação é só local, como quando a orelha precisa de mais nutrientes e oxigênio do sangue ao ser pressionada pelo telefone por muito tempo. Mas a vasodilatação também pode ser no corpo todo. Ela é, por exemplo, uma resposta do organismo a situações de nervosismo. Mas esse gás na circulação só é visível em alguns pontos do corpo. Aí, já viu: se a pessoa fica nervosa, sobra para as orelhas. Outra curiosidade é que as famosas pílulas para problemas de ereção também aumentam a vasodilatação. O sujeito com o bilau baleado agradece, mas fica com orelhas vermelhas como “efeito colateral”…

9291 – Como o ser humano envelhece?


O principal motor do envelhecimento humano fica dentro de nossas células. Lá, as mitocôndrias fazem a respiração celular para produzir energia, mas acabam gerando como resíduo radicais livres, moléculas com um elétron a menos e que reagem facilmente, danificando a própria célula. Com o tempo os danos se acumulam, fazendo o corpo envelhecer. Além disso, a divisão celular desordenada também ajuda a envelhecer. Ao longo da vida, algumas células se multiplicam constantemente. A cada divisão, fragmentos de DNA são perdidos, causando pequenos erros genéticos que são passados para as células-filhas. Isso acontece até que a célula não consegue mais se dividir ou é destruída pelo próprio organismo por conter muitos erros. Aí, game over.
Algumas células do aparelho auditivo não se renovam e vão ficando cada vez mais danificadas, tornando difícil ouvir sons agudos. Além disso, os cílios que levam o som para dentro do ouvido caem, e os ossículos internos (martelo, bigorna, estribo e cóclea) que têm a mesma função ficam mais duros. Resultado: a gente tem que falar mais alto para a vovó ouvir.
O tecido ósseo é formado principalmente pelos osteoblastos, células que produzem osso, e osteoclastos, que absorvem. Depois dos 45 anos de idade, os osteoclastos dominam, e passamos a perder 5% de massa óssea a cada dez anos, ficando com o esqueleto mais frágil. Quem tem osteoporose, pior ainda: perde até 25% por década.
Cabelo e pele envelhecem lado a lado. Células da raiz dos fios de cabelo param de produzir melanina, deixando a cabeleira branca – já a calvície não tem a ver com a idade; é genética. A flacidez e afinamento da pele vêm da queda na produção de colágeno. O afinamento acaba causando as rugas, mais acentuadas no rosto por causa dos músculos da face.
Você certamente já ouviu seu avô reclamando de vista cansada. Ela é causada por problemas no cristalino, parte do olho que vai ficando rígida e opaca, dificultando a focalização de objetos. A opacidade gera ainda catarata. Aos 60 anos, as pupilas, que aumentam e diminuem com a diferença de luz, têm um terço do tamanho que tinham aos 20 anos, por isso fica mais difícil se adaptar ao lusco-fusco.

Só a pança cresce
A menor produção de células e a queda do nível de alguns hormônios causam perda de massa muscular – são 3 quilos a menos a cada dez anos! O relaxamento muscular forçado pode até prejudicar os músculos da bexiga e dos esfíncteres, que ficam flácidos e acabam não segurando o tchan. Daí, dá-lhe fralda geriátrica…
Com menos músculos queimando calorias e menos células no organismo, o corpo precisa de pouca energia para funcionar. Na velhice, a tireoide funciona mais devagar, desacelerando o metabolismo. Tudo isso aumenta o risco de engordar. A gordura em excesso pode ser fatal: se acumular nas artérias, pode causar infartos

• As células da pele se renovam tanto que, por volta dos 40 anos, cerca de 180 kg de células já foram eliminados;

• Os ossos do rosto se renovam a cada dois anos. Com 50 anos, nosso crânio já é a 25ª cópia. Nos velhinhos, a renovação continua – em ritmo mais lento;

• As cartilagens perdem rigidez com o tempo, fazendo com que as orelhas e a ponta do nariz “caiam” e pareçam maiores;

• Em alguns vovôs, a proporção de gordura no organismo pode aumentar 30% comparada à dos 30 anos.

O que a falta de hormônios provoca:
Nas mulheres, a menopausa começa por volta dos 40 anos, com a queda do nível do hormônio estrógeno. Sem ele, vêm as ondas de calor e elas sentem mais cansaço e irritação. O risco de osteoporose aumenta e o sono some. Os homens sofrem bem menos com a andropausa. Como a queda de testosterona é menor e aos poucos, o único efeito é a queda da libido. Para sorte masculina, a impotência não é resultado da velhice, pois está mais ligada a fatores emocionais.

9290 – Desidratação – Faz mal beber água do mar?


Não só faz mal, como mata. O problema é a quantidade exagerada de sais, principalmente cloreto de sódio (o sal de cozinha), que existe na água do mar. Apenas 0,9% do nosso sangue é composto por sais, enquanto na água do mar a concentração é de 4%. Se uma pessoa mata a sede bebendo essa água supersalgada, seu intestino recebe uma quantidade de sal muito maior do que a que existe no sangue que circula pelos vasinhos da parede do tubo digestivo. Em razão de um processo natural – a osmose -, a solução mais concentrada tende a puxar a água da solução menos concentrada para tentar chegar a um equilíbrio. Como a membrana que compõe os vasos sanguíneos não permite a passagem de partículas sólidas, o sal fica retido no plasma do sangue, deixando-o muito mais concentrado do que o normal. Assim acontece a desidratação, que, para piorar, faz com que o corpo peça mais água. O problema é que a água que pode fazer a concentração do sangue voltar ao normal é a água pura (ou o soro fisiológico, que tem a mesma concentração de sal que o plasma) e não a salgada, que só piora o problema. “Os receptores que controlam a sede atuam de acordo com a concentração do sangue. Portanto, quando há sal demais no plasma, o organismo vai sentir: ‘Opa, preciso de água’”.
Para complicar ainda mais a situação, alguns sais, principalmente o magnésio, irritam a mucosa do intestino, que já está repleto de água. É diarréia na certa! Esse processo é desencadeado por qualquer quantidade de água do mar ingerida, mas, claro, quanto maior o volume, maior o efeito. Portanto, se você beber um golinho de água enquanto nada no mar, você não vai morrer, mas vários goles podem colocar sua vida em risco.

Dicas de Sobrevivência:
Coloque água salgada até a metade de um recipiente e cubra-o com um pedaço de plástico. Depois de um tempinho você notará que o plástico estará cheio de gotinhas – essa água não tem sal. Chupe as gotas e repita o processo, se possível com vários potes. Tá certo que é pouca água, mas esse líquido pode te salvar…

A água da chuva costuma ser a salvação dos náufragos: no mar as chuvas são mais abundantes que em terra firme e, longe dos centros urbanos, a água da chuva é quase pura. Para captá-la, faça um reservatório usando uma lona ou qualquer tecido impermeável, uma capa de chuva, por exemplo.
Peixes também podem te fornecer um pouquinho de água. Segundo o instrutor de mergulho Vagner Marretti, especialista em sobrevivência no mar, alguns guias de sobrevivência garantem que espremendo um peixe com um pano consegue-se água não salgada. Você pode também mastigar a carne crua.

9289 – Mega Bloco Medicina – Quando Surgiu a Quimioterapia?


quimio
Durante a Segunda Guerra Mundial, um barco aliado carregado de gás mostarda foi bombardeado enquanto se encontrava no porto. O veneno espalhou-se pela água e muitos marinheiros ficaram expostos. Entre os efeitos do gás havia uma redução dos glóbulos brancos no sangue. Isto fez pensar que podia ser usado para tratar algumas leucemias. Para evitar a sua toxicidade, testou-se uma variante, as mostardas azotadas. O primeiro paciente tratado com elas melhorou de forma espetacular após 48 horas, e ao décimo dia tinha desaparecido o linfoma.
Nessa época, os americanos desenvolveram um programa secreto com gases tóxicos para serem usados como armas no transcorrer do conflito. Um desses gases chamava-se mostarda nitrogenada e os técnicos que a manipulavam eram submetidos a controles laboratoriais sistematicamente. Dos resultados desses exames, que indicavam queda no número de glóbulos brancos do sangue desses trabalhadores, surgiu um desafio: se lidar com a mostarda nitrogenada provocava diminuição dos leucócitos e certos tipos de câncer (as leucemias e alguns linfomas) causavam aumento excessivo desses glóbulos, não valia a pena observar a ação dessa substância sobre a doença?
Assim feito, constatou-se que muitos doentes com gânglios e ínguas espalhados pelo corpo apresentavam redução importante das massas tumorais, quando submetidos ao tratamento com mostarda nitrogenada. Tempos depois, surgiram vários medicamentos dotados da mesma propriedade, ou seja, a de destruir células tumorais agindo durante a divisão celular. Quando a célula vai multiplicar-se, sofre a ação da droga e o processo é interrompido.
Esse é o princípio básico da quimioterapia, conceito terapêutico que nasceu empiricamente e representou um avanço importante no tratamento do câncer.
A descoberta dos efeitos da mostarda nitrogenada durante a Segunda Guerra Mundial foi um achado incidental. Não faz muito tempo, a pesquisa em quimioterapia era totalmente empírica. Em laboratório, pingava-se um remédio em animaizinhos com tumor ou em células tumorais in cultura para ver como reagiam.
O fato de a célula tumoral levar vantagem sobre as células normais, porque se divide rapidamente é também seu ponto fraco, pois durante a divisão requisita muita energia e recursos celulares. Se conseguirmos atacá-la nesse ponto, ela não se divide e morre. Por isso, o objetivo dos pesquisadores era encontrar substâncias que obstruíssem o processo de divisão celular. Foi assim que surgiu a quimioterapia. Como já disse, o método era totalmente empírico. Testava-se, em laboratório, um número gigantesco de drogas e separavam-se as que tinham atividade em animais ou em culturas de células. Para ter uma ideia, em cada 150 mil drogas pesquisadas segundo essa técnica, apenas uma chega ao mercado.
Desde a década de 1950, o Instituto Nacional do Câncer dos EUA tem um programa intensivo de busca de produtos naturais, isto é, de produtos extraídos da natureza, que mostrem em laboratório a possibilidade de interromper o crescimento de células. É uma busca não muito racional, porque não se direciona ao ponto específico do crescimento tumoral. Atinge também as células normais que estão se dividindo no momento em que a droga é administrada.