9274 – Por que os índios não têm barba?


É possível encontrar índios de algumas tribos com bigodes e, mais raramente, alguns que usam barba. É o caso dos guatós, que vivem no Pantanal, no Mato Grosso do Sul, e hoje estão quase extintos. Mas eles são exceção. Em regra, existem três razões principais para que existam poucos índios barbados.
Razão cultural
A maioria dos índios raspa os pelos do rosto ou os arranca fio a fio simplesmente por considerar a barba um troço anti-higiênico e antiestético.
A população indígena que vive atualmente no continente americano tem origem em povos que habitavam o norte e o centro da Ásia. “A ausência de barba é uma característica dos índios brasileiros que bate com a herança de seus ascendentes, os grupos asiáticos, que também têm poucos pelos”.
A barba nunca foi um “acessório” essencial para os índios que se estabeleceram em regiões tropicais, como é o caso do Brasil. Os pelos, você sabe, servem para reter calor. Se nossos índios vivessem num clima frio, provavelmente eles ostentariam barbas espessas, como os nativos dos povos de origem européia. Já no nosso Brasil-il-il, um índio tipo Tony Ramos ou Lula passaria um bruta calor. Por aqui, os povos indígenas desenvolveram um outro mecanismo para não sofrer tanto com o clima local.

9273 – Reprodução – Como um pinto se desenvolve dentro do ovo?


Quando o galo parte para cima da galinha, ela levanta a cauda. Isso facilita o contato entre as cloacas – saída dos sistemas digestivo, urinário e genital das aves. É o chamado beijo cloacal. O macho introduz seu órgão erétil (phallus) na fêmea e despeja seus espermatozoides, fecundando o ovo, que fica “galado”.
A casca é oval porque o óvulo desce em espiral pelo oviduto. O formato também ajuda na hora de o ovo sair da galinha, com a ponta abrindo caminho. Outro ponto alto do design: a forma oval orienta o pintinho para quebrar a ponta mais larga do ovo. Assim, ele atinge um bolsão de ar para respirar antes de sair.
O óvulo fertilizado sai da galinha em 24 horas. Nesse período, os materiais que formam o ovo vão sendo depositados. Primeiro, quatro camadas de albúmen (clara), depois, uma fina membrana – aquela pele que separa a casca da clara nos ovos cozidos – e, por fim, a casca e os pigmentos que dão sua cor.
Na hora de “nascer”, o pintinho empurra a cabeça na direção da casca. A arma secreta para escapar é uma estrutura afiada de queratina que cresce na parte de cima do bico e é chamada “dente do ovo” ou “diamante”. Ela cai alguns dias depois que o pintinho sai do ovo.
O pintinho fica dentro do saco amniótico, totalmente preenchido por líquido. O alimento dele vem da gema, rica em minerais e gorduras. Em volta de tudo, fica a clara, que fornece proteína ao embrião. A captura de nutrientes rola por uma abertura umbilical que se liga ao saco – não confundir com o cordão umbilical, exclusivo dos mamíferos.
A casca e a membrana têm minúsculos poros, que protegem o pintinho contra a entrada de agentes infecciosos externos, além de evitar a perda excessiva de água para o ambiente. É por esses furos microscópicos que o embrião recebe oxigênio e elimina vapor de água e gás carbônico.
Para o embrião se desenvolver, a temperatura interna tem que ser constante – cerca de 37,8 oC. Para isso, a galinha deita sobre ele, apoiando a parte do ventre em que não crescem penas: a placa de incubação. Na época de chocar, a circulação de sangue aumenta na placa e a galinha fica até febril

• A casca é formada por carbonato de cálcio, magnésio e fosfatos

Vejamos passo a passo:
Depois que a galinha bota o ovo, o pintinho se desenvolve em 21 dias

Dia 1
O embrião pesa 0,0002 g. O sistema vascular começa a se formar, mas o coração só bate no dia 2

Dia 4
Todos os órgãos vitais já estão formados. Começam a surgir o bico, as asas, as pernas e as aberturas nasais

Dia 7
Dígitos surgem nas asas e nos pés, e o coração vai para dentro da caixa torácica – antes batia fora do corpo do embrião

Dia 10
Surgem as primeiras penas, e o bico começa a endurecer. O pintinho pesa pouco mais de 2 g

Dia 14
As unhas estão se formando, e o embrião já se movimenta para a posição de eclosão (saída do ovo)

Dia 17
Com todas as estruturas formadas, o embrião já pesa quase 17 g, mas ainda vai engordar outros 13 g

Dia 20
Perfura a membrana e respira pelos pulmões, sugando o ar da cavidade entre membrana e casca

9272 – Planetas semelhantes à Terra são comuns na Via Láctea


Em agosto, cientistas da Nasa anunciaram o fim das atividades da sonda espacial Kepler, após desistirem de consertar as inúmeras falhas no equipamento. Nesta segunda-feira, uma pesquisa publicada na revista PNAS mostrou que, mesmo com sua aposentadoria precoce, a missão cumpriu seu objetivo inicial: determinar quantas das 100 bilhões de estrelas da Via Láctea possuem planetas habitáveis girando ao seu redor. O estudo, que analisa as observações recolhidas durante seus quatro anos de funcionamento, determinou que uma em cada cinco estrelas semelhantes ao Sol têm planetas do tamanho da Terra orbitando ao seu redor, em regiões onde a temperatura de sua superfície pode ser propícia à vida.
Esse é um dado importante para os engenheiros da Nasa, que pretendem construir as missões sucessoras da Kepler. “Essas missões vão tentar obter imagens reais desses planetas, e o tamanho do telescópio que será construído depende do quão perto eles estão da Terra. Uma abundância de planetas orbitando estrelas próximas deve simplificar tais missões”, diz Andrew Howard, pesquisador da Universidade do Havaí que participou do estudo.
A sonda Kepler foi lançada em 2009 com o objetivo de analisar a luz das estrelas em busca de planetas que estejam girando ao seu redor. Entre todos os 150 000 astros fotografados durante a missão, os cientistas detectaram mais de 3 000 candidatos a planetas. Isso é possível porque quando esses corpos passam na frente de sua estrela, eles ofuscam seu brilho, o que é perceptível a partir da órbita terrestre.
A maioria dos corpos detectados até agora, no entanto, são muito maiores do que a Terra, sendo provavelmente gigantes gasosos semelhantes a Júpiter. Outros estão localizados em regiões muito próximas ou muito distantes de suas estrelas, onde a água não pode existir em sua forma líquida — apenas na gasosa ou sólida, respectivamente. Nessas condições, não é possível o desenvolvimento de vida nas condições conhecidas pelos cientistas.
Por isso, no atual estudo, os pesquisadores se focaram nas 42 000 estrelas semelhantes ao Sol analisadas pelo telescópio Kepler, buscando apenas os planetas de tamanho semelhantes ao da Terra localizados em sua zona habitável. De todos os 603 planetas orbitando essas estrelas, apenas dez cumpriam os requisitos da pesquisa.
As medições realizadas pela sonda nem sempre conseguem detectar planetas pequenos, que costumam passar despercebidos por seus instrumentos. Por isso, os cientistas submeteram os dados coletados a uma série de testes, para medir quantos planetas do tamanho da Terra não teriam sido detectados durante a missão.
Ao cruzar os dados, os pesquisadores concluíram que 22% de todas as estrelas parecidas com o Sol na Via Láctea possuíam planetas do tamanho da Terra em suas zonas habitáveis. O fato de os planetas estarem na zona habitável de sua estrela não significa que eles possuem todas as condições de hospedar a vida. Alguns deles podem ter atmosfera muito fina, portanto muito quente, ou uma composição química muito diferente da composição da Terra.
Há esperanças aos cientistas de que a composição química terrestre seja comum na galáxia. Elas descrevem o primeiro exoplaneta composto de rochas e ferro — como a Terra. “Isso nos dá confiança para, quando estudarmos planetas localizados na zona habitável de sua estrela, esperar que eles sejam rochosos e do tamanho da Terra”.

9271 – Deodoro da Fonseca e a Proclamação da República


deodoro

(Cidade de Alagoas, 5 de agosto de 1827 — Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1892) foi um militar e político brasileiro, proclamador da República e primeiro presidente do Brasil.
O Governo Deodoro foi marcado pelo esforço da implantação de um regime de Estado Republicano, mas foi caracterizado, entretanto, por grande instabilidade política e também econômica, devido às tentativas de centralização do poder, da movimentação de opositores da queda do Império, e por parte de outros setores das Forças Armadas descontentes com a situação política republicana. A crise teve seu ápice no fechamento do “Congresso Nacional do Brasil”, o que mais tarde acabou levando à renúncia de Deodoro da Fonseca.
Filho de Manuel Mendes da Fonseca (1785-1859) e Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802-1873). Seu pai também foi militar, chegando à patente de tenente-coronel, e pertencia ao Partido Conservador. Deodoro tinha duas irmãs e sete irmãos. Todos os homens eram militares e seis deles lutaram na Guerra do Paraguai. O mais velho, Hermes Ernesto da Fonseca, pai do também presidente da República e marechal Hermes da Fonseca, chegou ao posto de marechal-de-exército e foi presidente das províncias de Mato Grosso e da Bahia.
Em 1852, foi promovido a primeiro-tenente. Em 24 de dezembro de 1856, recebeu a patente de Capitão. Em dezembro de 1864, participou do cerco à Montevidéu, durante a intervenção militar brasileira contra o governo de Atanasio Aguirre no Uruguai. Pouco depois, o Uruguai, sob novo governo, juntamente com o Brasil e a Argentina, formariam a Tríplice Aliança, contra a ofensiva do ditador paraguaio Francisco Solano López.
Em junho de 1865, foi em rumo com o Exército brasileiro para o Paraguai, que havia invadido a província de Mato Grosso. Deodoro comandava o segundo Batalhão de Voluntários da Pátria. Seu desempenho no combate lhe garantiu menção especial na ordem do dia 25 de agosto de 1865. No ano seguinte, recebeu comenda no grau de cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro e, em 22 de agosto, a patente de major.
Foi chamado de volta ao Rio de Janeiro, por seu envolvimento no confronto das classes armadas com o governo civil do Império, episódio que ficaria conhecido como a “Questão Militar”, e por ter permitido que os oficiais da guarnição de Porto Alegre se manifestassem politicamente, o que era proibido pelo governo imperial. Chegando ao Rio, Deodoro foi festivamente recebido por seus colegas e pelos alunos da Escola Militar. Foi, então, eleito primeiro presidente do Clube Militar, entidade que ajudara a constituir, e passou a liderar o setor antiescravista do Exército.

A despeito da intensa propaganda republicana, a ideia da mudança de regime político não ecoava no país. Em 1884, foram eleitos para a Câmara dos Deputados, apenas três republicanos, entre eles os futuros presidentes da República Prudente de Morais e Campos Sales. Na legislatura seguinte, apenas um conseguiu ser eleito. Na última eleição parlamentar realizada no Império do Brasil, a 31 de agosto de 1889, o Partido Republicano só elegeu dois deputados.
Percebendo que não conseguiriam realizar seu projeto político pelo voto, os republicanos optaram por concretizar suas ideias através de um golpe militar. Para tanto, procuraram capitalizar o descontentamento crescente das classes armadas com o governo civil do Império, desde a Questão Militar. Precisavam, todavia, de um líder de suficiente prestígio na tropa, para levarem a efeito seus planos.
Foi assim que os republicanos passaram a aproximar-se de Deodoro (amigo do Imperador), procurando seu apoio (sem sua participação direta segundo diversas fontes Históricas), para um golpe de força contra o governo imperial de Dom Pedro II.
O que foi difícil visto ser Deodoro homem de convicções monarquistas, que declarava ser amigo do imperador Dom Pedro II e lhe dever favores. Dizia ainda Deodoro querer acompanhar o caixão do velho imperador.

Em 14 de novembro de 1889, há 124 anos, portanto, os republicanos fizeram correr o boato, absolutamente sem fundamento, de que o governo do primeiro-ministro liberal visconde de Ouro Preto havia expedido ordem de prisão contra o Marechal Deodoro9 e o líder dos oficiais republicanos, o tenente-coronel Benjamin Constant. Tratava-se de proclamar a República antes que se instalasse o novo parlamento, recém-eleito, cuja abertura estava marcada para o dia 20 de novembro.
A falsa notícia de que sua prisão havia sido decretada foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o governo imperial. Pela manhã do dia 15 de novembro de 1889, o marechal reuniu algumas tropas e as pôs em marcha para o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclamação, hoje chamado Praça da República.
Penetrando no Quartel-General do Exército, Deodoro decretou a demissão do Ministério Ouro Preto – providência de pouca valia, visto que os próprios ministros, cientes dos últimos acontecimentos, já haviam telegrafado ao Imperador, que estava em Petrópolis – RJ, pedindo demissão. Ninguém falava em proclamar a República, tratava-se apenas de trocar o Ministério, e o próprio Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou um “Viva Sua Majestade, o Imperador!”

9270 – Marte – Passado Aquático


Foi o que mostrou um recente vídeo da NASA
A Nasa deve lançar sua mais nova sonda em direção a Marte: a Maven. Ela vai orbitar o planeta em busca de informações sobre sua atmosfera, analisando como mudanças em sua composição afetaram o clima marciano no decorrer de sua história. Como preparativo para a missão, a agência espacial divulgou um vídeo mostrando como seria o clima do planeta no passado — ameno e com abundante água líquida em sua superfície — em comparação com o presente frio e seco.
Os cientistas estimam que, há bilhões de anos, Marte deveria possuir um clima mais quente e uma atmosfera mais espessa do que hoje, capaz de armazenar oceanos de água líquida. Era, em suma, um ambiente muito mais propício à vida. Hoje, o planeta possui uma atmosfera muito mais rarefeita, na qual a baixa temperatura e pressão atmosférica fazem com que a água só possa existir nos estados sólido e gasoso — passando de um estado para outro diretamente.
As provas desse passado líquido, no entanto, são abundantes. “Existem canais na superfície do planeta que, assim como na Terra, são consistentes com uma erosão superficial causada por fluxos de água. Os interiores de algumas crateras possuem bacias, sugerindo a presença de lagoas, com alguns canais que sugerem o fluxo de água para dentro e fora da cratera. Alguns minerais presentes na superfície só podem ser produzidos na presença de água líquida, como hematita e argila”, diz Joseph Grebowsky, pesquisador do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa e integrante da missão Maven.
O vídeo divulgado nesta quarta-feira mostra justamente a transição de Marte a partir desse passado úmido para o presente seco, enquanto sua atmosfera se torna cada vez mais rarefeita. Ao final, ele mostra a sonda Maven chegando ao planeta, com objetivo de investigar, justamente, o que provocou essa mudança.

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