9242 – Medicina – Bactéria radioativa ataca o câncer


O câncer de pâncreas é um dos piores que existem. Isso porque, quando é descoberto, geralmente já se espalhou pelo corpo, ou seja, sofreu metástase. E isso torna o câncer incontrolável – cinco anos após o diagnóstico, 95% dos pacientes estão mortos. Mas duas pesquisadoras da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, criaram uma arma ousada: uma bactéria radioativa, capaz de se infiltrar nas células cancerosas de todo o corpo e destruí-las.
É uma versão modificada da Listeria monocytogenes, que causa intoxicação alimentar. As cientistas criaram uma versão enfraquecida dessa bactéria e juntaram a ela um anticorpo produzido em laboratório – que continha um elemento radioativo, o rênio-188. Por fim, injetaram a combinação no sangue de ratos com câncer de pâncreas. A bactéria fez o resto: e levou o rênio-188 até as células cancerosas.
O tumor principal encolheu cerca de 60%, e as metástases foram reduzidas em mais de 90%. A bactéria não produziu efeitos colaterais, pois só agiu nos focos de câncer. Isso supostamente acontece porque, como é fraca, não consegue infectar as células saudáveis. Já as células cancerosas, que costumam despistar o sistema imunológico, foram um prato cheio para a Listeria radioativa. A mecânica do tratamento ainda não é totalmente compreendida, mas os resultados animaram as pesquisadoras.Se o governo dos EUA autorizar, os testes em seres humanos começarão em 2015.

9241 – Meteoritos como o que atingiu a Rússia podem ser dez vezes mais comuns do que o previsto


meteorito-rusia

Em meados de fevereiro, um meteorito atingiu uma região próxima à cidade de Chelyabinsk, na Rússia. A maior parte de sua massa se desintegrou no ar, mas a onda de impacto foi forte o suficiente para ferir mais de 1 500 pessoas. O evento foi capturado por uma série de câmeras espalhadas pela região, o que possibilitou aos cientistas realizarem estudos detalhados de sua origem, trajetória e destruição. A conclusão das pesquisas não é tranquilizadora: esse tipo de impacto pode ser até dez vezes mais comuns do que se pensava.
A queda do asteroide aconteceu sobre uma área densamente povoada da Rússia, onde pôde ser observada por uma série de equipamentos eletrônicos, desde instrumentos científicos até centenas de câmeras amadoras. A enorme disponibilidade de imagens forneceu aos pesquisadores uma oportunidade única para analisar o maior meteorito a atingir o planeta nos últimos cem anos.
O estudo dessas filmagens deu origem a três pesquisas publicadas duas delas na revista Nature e uma na Science. “Se a humanidade não quiser seguir o caminho dos dinossauros, precisamos estudar um evento como esse em detalhes”, diz Qing-Zhu Yin, professor da Universidade da Califórnia, que participou do estudo publicado na Science.
Ao analisar o caminho percorrido pela bola de fogo no céu — e capturada por uma série de câmeras no solo — os cientistas conseguiram detalhes importantes de sua trajetória. Segundo os estudos, a bola de fogo teve origem em um asteroide com cerca de 19 metros de diâmetro, que entrou na atmosfera a uma velocidade de 19 quilômetros por segundo — mais de cinquenta vezes mais rápido que a velocidade do som.
Conforme penetrava na atmosfera terrestre, o meteorito foi se desgastando por causa do atrito com ao ar. A partir dos 45 quilômetros de altura, ele começou a se desintegrar em diversos pedaços, até que, a 27 quilômetros da superfície, explodiu em uma bola de fogo, poeira e gás. Nesse momento, a luz emitida pelo objeto foi até trinta vezes mais brilhante que a do sol e pôde ser vista por pessoas localizadas a até 100 quilômetros de distância — causando, inclusive, queimaduras.
Os pesquisadores estimam que cerca de três quartos do asteroide evaporou nesse instante. A maior parte do material que restou virou poeira e apenas cerca de 4 000 quilos — 0,05% de sua massa total — atingiu a superfície terrestre como meteoritos. A maior peça, pesando 570 quilos, foi encontrada por mergulhadores no fundo do lago Chebarkul, em outubro.
Ao desenhar o caminho percorrido pelo meteoro na atmosfera terrestre, os pesquisadores também conseguiram estimar a rota que percorreu antes de atingir o planeta. Descobriram, assim, que o impacto não foi previsto por nenhum astrônomo, pois, nos últimos anos, percorreu uma órbita que não podia ser vista a partir de telescópios terrestres.
Essa trajetória é muito semelhante à de outro corpo que gira em volta do Sol e passou perto da Terra recentemente: o asteroide 86039, de dois quilômetros de diâmetro. Segundo os pesquisadores a semelhança entre as duas órbitas é tanta que, muito provavelmente, ambos os corpos faziam parte de um mesmo asteroide, que se fragmentou no meio do caminho.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ASTEROIDE, METEORITO E METEORO?
Asteroides são corpos celestes menores que planetas que vagam pelo Sistema Solar desde sua formação, há 4,6 bilhões de anos. Meteoritos são pedaços de asteroides que eventualmente atingem a superfície da Terra. Meteoros são os rastros luminosos produzidos por pedaços de asteroides em contato com a atmosfera da Terra, resultado do atrito com o ar, e são popularmente reconhecidos como estrelas cadentes.

9240 – Brasil vai produzir seis remédios para artrite e câncer


O Ministério da Saúde anunciou a entrada da empresa Merck Serono num acordo de parceria para desenvolvimento produtivo para produção nacional de seis remédios biológicos usados no tratamento de câncer e artrite. A multinacional ingressa na iniciativa com compromisso de transferir a tecnologia para fabricação dos medicamentos no prazo de cinco anos.
Os remédios serão feitos pela Bionovis, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Vital Brasil. A parceria prevê a construção de uma fábrica a partir de 2014. Os produtos que serão fabricados são: etanercepte, rituximabe, bevacizumabe, cetuximabe, infliximabe e trastuzumabe.
Em junho, o governo lançou uma chamada para produção de 14 medicamentos biológicos. Nesse sistema, empresas interessadas, associadas a laboratórios públicos, buscam farmacêuticas detentoras da tecnologia para produção do medicamento. O projeto agora anunciado é o primeiro aprovado pelo ministério.
“Foi um processo rápido”, diz o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Com a transferência de tecnologia, que começa a partir de 2014 com treinamento de funcionários no exterior, a Merck Serono fica comprometida a vender, no próximo ano, os seis medicamentos para o governo com desconto de 5%. O porcentual vai aumentando ao longo do tempo. Em cinco anos a expectativa é a de que a economia seja de 25%. A produção dos medicamentos no país começa em 2015.
Gadelha afirmou que os parceiros apresentaram também a proposta de produzir outros quatro medicamentos biológicos. Esses, no entanto, não estão na lista de prioridades preparada pelo governo em julho. Isso não significa, no entanto, que a oferta será recusada.
A substância ativa de um medicamento biológico é feita por (ou derivada de) um organismo vivo, como uma bactéria ou uma levedura (um tipo de fungo unicelular).
Ele pode ainda ser obtido de uma fonte biológica, como um tecido ou sangue, de onde são extraídos compostos que agem como medicamentos.
Diferentemente de um remédio sintético, que é produzido por síntese química em processos controlados, o remédio biológico tem um processo bem mais complexo, que pode envolver etapas de recombinação genética.
Vacinas e antissoros também são considerados biológicos. O remédio Avastin, um anticorpo monoclonal, é um dos remédios contra o câncer mais usados no mundo.