9228 – Panorama Científico da Humanidade no Final do Século 19


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Os meios de comunicação sofreram uma grande revolução com os serviços postais, graças aos progressos da física. A invenção do telégrafo eletrônico por Samuel Morse no século 19 e por Gauss, o americano Graham Bell em 1896, inventou o telefone, tornando possível a transmissão da palavra à grandes distâncias. A telegrafia sem fio surgiria em 1896, junto com o Cinema, a obra dos Irmãos Lumiere em 1895 e ainda o fonógrafo, o tataravô das pick-ups, inventado por Thomas Edison em 1878; a televisão nascia na Escócia em 19256 com Baird. O cinema sonoro, produto de vários inventores teve a sua primeira película rodada em 1926, sob o título de D Juan, sendo este o 1° filme falado.

telafone antigo

O telefone, este objeto que fascinou o mundo, no final do século XIX e hoje parece tão familiar, é o resultado de muitos esforços e invenções para conseguir que a voz humana fosse transmitida através de longas distâncias. Sua história teve início na oficina de Charles Williams, localizada na cidade de Boston, e onde também trabalhava Tomas A. Watson, pessoa que sentia entusiasmo e simpatia por coisas novas, e se dedicava, em tempo integral, à invenção e ao aperfeiçoamento de aparelhos elétricos. Foi nesta mesma oficina que se deu o encontro entre Watson e Alexander Graham Bell, que havia estudado na Universidade de Boston, era professor de fisiologia vocal, e tinha se especializado no ensino da palavra visível (sistema inventado pelo seu pai, com a finalidade de que uma pessoa surda pudesse aprender a falar). Bell tinha a intenção de aperfeiçoar seu “telégrafo harmônico”, aparelho com o qual pretendia transmitir em código Morse de seis a oito mensagens simultâneas. Foi assim que Graham Bell chegou àquela oficina, procurando suporte tecnológico para sua invenção, e começou a trabalhar com Watson. Mais adiante, Bell disse a Watson estas palavras: “Se eu pudesse fazer com que uma corrente elétrica variasse de intensidade da mesma forma que o ar varia ao se emitir um som, eu poderia transmitir a palavra telegraficamente.” Esta foi a chave do invento que viria a se chamar telefone.Depois de muitas tentativas, em 1876, o sonho de Bell se tornou possível. Através de um aparelho, entre um cômodo e outro, Watson ouviu Bell dizendo: “Sr. Watson, preciso do senhor, venha.” Nascia, assim, o telefone. A nova invenção foi apresentada na Exposição do centenário de Filadélfia. Desde então foram grandes e impactantes os avanços da telefonia até o que hoje chamamos de telefones celulares.

9227 – Genética do Envelhecimento – Pesquisa mostra que o seio envelhece mais rapidamente do que o resto do corpo


Rugas e cabelos brancos não são os únicos sinais de envelhecimento. Cientistas desenvolveram um novo método para medir a idade de células, tecidos e órgãos humanos. E descobriram que o corpo envelhece em ritmos diferentes. O tecido dos seios das mulheres, por exemplo, é de dois a três anos mais velho do que o do resto do organismo. Ao comparar tumores a tecidos saudáveis, essa diferença pulou para 36 anos.
Mecanismos para avaliar a idade, denominados relógios biológicos, já haviam sido desenvolvidos em estudos anteriores. Os pesquisadores se baseavam em dados colhidos da saliva, nas taxas de hormônios ou no estudo dos telômeros – extremidades dos cromossomos, que encurtam ao longo do tempo – para determinar a idade de um organismo.
O novo dispositivo é o primeiro a medir separadamente e com precisão a idade de diferentes células e tecidos de uma mesma pessoa. Steve Horvath, professor de genética da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, desenvolveu o dispositivo com base na metilação do DNA, um processo natural que altera quimicamente o material genético. O mecanismo é essencial para desenvolver e diferenciar as células em suas diversas funções.
Para criar o relógio, Horvath analisou cerca de 8.000 amostras de 51 tipos de tecidos e células de diversas partes do corpo. Ele então mapeou como a idade afeta a metilação desde antes do nascimento até os 101 anos. O estudo resultou em um relógio composto de 353 marcadores, que variam de acordo com a idade e englobam todo o organismo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira, no periódico Genome Biology.
O pesquisador testou a precisão do relógio em alguns tecidos e, para sua surpresa, a idade biológica apontada correspondia à cronológica. Mas enquanto a maior parte das amostras seguiu essa correspondência, algumas apresentaram divergências significativas. O tecido dos seios femininos, por exemplo, revelou-se de dois a três anos mais velho do que o do resto do organismo. Para o autor, esse resultado pode ajudar a esclarecer por que o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres.
Em caso de tumores, a diferença é ainda maior. “Se a mulher tiver câncer de mama, o tecido saudável ao redor do tumor será cerca de 12 anos mais velho”, afirma. Já os tecidos com tumor mostraram-se, em média, 36 anos mais velhos do que os saudáveis.
Horvath mostrou ainda que é possível reverter o envelhecimento a partir do desenvolvimento de células-tronco pluripotentes. Elas são criadas a partir da reprogramação de células adultas, que voltam a ter capacidade de se diferenciar em qualquer célula do organismo, como no estágio embrionário. “Minha pesquisa revelou que o processo de transformação em uma célula-tronco pluripotente faz o relógio celular voltar para o zero”, afirmou o cientista.
A velocidade do relógio também varia. Ele se acelera do nascimento até a adolescência e se torna constante por volta dos 20 anos. Para Horvath, uma grande questão a ser respondida com pesquisas futuras é se esse relógio controla o envelhecimento, o que o tornaria um marcador importante desse processo.

9226 – Evolução de Espécies – Cérebro dos primatas está programado para ter medo de cobras


Uma pesquisa publicada recentemente sugeriu que o perigo representado pelas cobras moldou a evolução dos ancestrais humanos e dos outros primatas. O estudo, feito em uma parceria entre cientistas brasileiros, americanos e japoneses, mostrou que existem células nervosas no cérebro dos macacos especificamente designadas para responder, de modo quase imediato, à ameaçadora presença desses animais.
Os cientistas analisaram como os neurônios visuais no cérebro dos primatas respondiam a uma série de imagens mostradas na tela de um computador: cobras, rostos de outros macacos e formas geométricas. O resultado foi que a imagem dos répteis induzia respostas mais rápidas e fortes que todas as outras.
Segundo Lynne Isbell, antropóloga da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que participou do estudo, o fato de os neurônios responderem de modo mais forte às serpentes do que ao rosto de outros macacos é surpreendente, uma vez que os primatas são animais altamente sociais. “Nós estamos encontrando resultados consistentes com a ideia de que as cobras têm exercido forte pressão seletiva sobre a evolução dos primatas”.
A pesquisa foi baseada em estudos realizados pela antropóloga desde 2006, que culminaram no livro The Fruit, the Tree and The Serpent (O Fruto, A Árvore e a Serpente, inédito em português). Nele, Lynne traça uma série de mitos — desde a cobra que tentou Adão e Eva no Éden bíblico até a serpente que envenena Thor na mitologia nórdica — para mostrar o papel central do animal na religião e folclore humanos.
O objetivo de sua teoria é entender a relação ancestral de medo, respeito e até veneração que os seres humanos têm com as cobras — relação essa que está presente mesmo entre indivíduos que nunca se deparam com esses animais antes. Segundo a pesquisadora, isso teria acontecido por causa do impacto enorme das cobras na evolução dos primatas.
Os mamíferos modernos e as serpentes grandes o suficiente para devorá-los evoluíram praticamente ao mesmo tempo, há cerca de 100 milhões de anos. Já as cobras venenosas surgiram há 60 milhões de anos. As disputas de vida ou morte na copa das árvores e nas pradarias teriam sido responsáveis por selecionar características comportamentais e cerebrais dos ancestrais primatas. Segundo a pesquisadora, esse é o motivo para os primatas possuírem uma boa visão de curto alcance: para enxergar e evitar as cobras venenosas.
Em seu laboratório na Universidade de Toyama, no Japão, o neurocientista Hisao Nishijo estuda os mecanismos neurais responsáveis pela emoção e o medo em macacos, especialmente as respostas instintivas que ocorrem sem qualquer tipo de aprendizagem ou memória. Um dos métodos que o pesquisador utilizava para causar medo nas cobaias era, justamente, a visão de cobras. Quando Nishijo ouviu falar de teoria de Lynne, decidiu explorá-la, a fim de explicar de onde vinha esse intenso temor.
O pesquisador estudou o cérebro de dois macacos japoneses (Macaca fuscata) enquanto eles eram expostos às imagens na tela de um computador. Ele analisou 91 neurônios localizados no pulvinar medial e dorsolateral, regiões envolvidas na atenção visual e no processamento rápido de imagens ameaçadoras.
Como resultado, descobriu que, não só a resposta à imagem da cobra foi mais rápida, como também atingiu o maior número de neurônios. “Os resultados mostram que o cérebro tem circuitos neurais especiais para detectar esses animais, e isto sugere que esses circuitos foram codificados em seu DNA”.
Os pesquisadores destacam o fato de os dois macacos terem sido criados em cativeiro e nunca encontrado uma cobra antes — seu medo era puramente instintivo. Segundo o estudo, isso sugere que existe uma base neurobiológica para sensibilidade visual dos primatas às cobras, que os torna capazes de detectá-las de modo instantâneo. A habilidade de perceber sua aproximação e escapar de suas presas se tornou essencial para a sobrevivência dos ancestrais primatas, o que teria moldado sua evolução.

9225 – Nutrição – Mulheres que seguem a dieta do Mediterrâneo envelhecem melhor


Seguir a dieta do Mediterrâneo pode ser a chave para uma velhice mais saudável, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Annals of Internal Medicine. Os pesquisadores afirmam que mulheres de meia-idade que adicionam a seus cardápios alimentos presentes na dieta, como vegetais, grãos e peixes, têm chances 40% maiores de passar dos 70 anos sem doenças crônicas ou comprometimento das funções mentais, como a memória.
O estudo foi realizado com mais de 10 000 mulheres de aproximadamente 50 anos de idade. As voluntárias preencheram um questionário sobre seus hábitos alimentares e, quinze anos depois, responderam outras perguntas sobre seu estado de saúde. Segundo os pesquisadores, as adeptas da dieta do Mediterrâneo apresentaram uma vida mais saudável do que as demais.
A dieta do Mediterrâneo é baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo. Ela inclui muitas frutas, legumes, peixes, grãos integrais e gordura saudável, como o azeite. Por ser menos restritiva do que outros regimes, é considerada mais fácil de ser seguida a longo prazo, o que potencializa seus efeitos.
Outros estudos já destacaram os benefícios dessa dieta à saúde de idosos. Uma pesquisa divulgada em maio deste ano mostrou que o regime é eficaz para proteger o cérebro dos mais velhos. Outra, publicada em abril, provou a relação entre a dieta e uma menor prevalência de problemas de memória entre seus adeptos. Essa é a primeira vez, porém, em que se analisam os efeitos da dieta do Mediterrâneo especificamente na saúde de mulheres idosas, com um grande número de voluntárias.

9224 – Biologia Marinha – Ciência desvenda nado das águas-vivas


agua viva

A medusa-da-lua, um tipo comum de medusa (ou água-viva), costuma ser vista como um invasor ecológico, um estorvo para os nadadores ou algo pior. Uma explosão populacional das medusas-da-lua no mês passado entupiu as entradas de água de uma usina nuclear sueca, levando ao seu desligamento.
A medusa, que pode ter de 5 a 38 cm de diâmetro, causa tanta preocupação que engenheiros na Coreia do Sul desenvolveram robôs marítimos ambulantes para destruí-las.
Mas alguns pesquisadores se interessaram por outro aspecto dessas bolhas altamente bem-sucedidas. Elas podem ser os mais eficientes nadadores do planeta.
Brad Gemmell, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole, em Massachusetts, e outros cientistas analisaram o movimento das medusas como parte de um projeto financiado pela Marinha, examinando aquilo que Gemmell descreveu como “propulsão não tradicional”.
Os cientistas usaram uma nova forma de calcular a energia, chamada “custo de transporte”, que levou em conta o que acontecia durante as duas fases do movimento de natação da água-viva.
Na primeira fase, o animal contrai sua cavidade gastrovascular (o celêntero) e empurra a água sob ele, impulsionando-se para frente. Aí, ele volta à sua forma original e torna a se encher de água.
Estudos anteriores haviam demonstrado que a medusa recebia um segundo impulso durante a fase de descanso e reenchimento, mas não haviam calculado o gasto energético do animal durante esse período. Ocorre que a medusa não estava realmente fazendo nenhuma atividade nessa fase.
Em vez disso, o tecido elástico do celêntero funcionava como uma cinta de borracha, devolvendo sua forma original. Essa ação produzia sob a medusa um movimento de turbilhão, o que a impulsionava para frente.
O estudo mostrou que o empurrão secundário era responsável por cerca de 30% da distância percorrida pela água-viva e funcionava mesmo com águas-vivas anestesiadas que eram empurradas na água. A fase de recuperação e seu “coice” eram puramente mecânicos. “É isso que as torna tão eficientes do ponto de vista energético”.
A descoberta oferece algumas ideias sobre propulsão que poderiam ser úteis para a Marinha.
Esse tipo de propulsão com baixo gasto energético e alta eficiência não alimentaria nenhum tipo de embarcação oceânica veloz e com manobras ágeis, mas poderia ser útil para aparelhos de monitoramento que precisam manter sua posição ou se deslocar lentamente.

9223 – Macacos recebem primeira dose de vacina anti-HIV da USP


Cientistas da Faculdade de Medicina da USP aplicaram ontem em quatro macacos resos do Instituto Butantan a primeira dose da vacina anti-HIV desenvolvida pelos dois centros de pesquisa. Resultados preliminares sobre o potencial de proteção do imunizante saem em abril.
Na fase inicial da pesquisa, os animais receberão três doses da vacina de DNA (uma a cada 15 dias). O material contém informação genética que deve fazer o organismo dos macacos produzir fragmentos do vírus. Espera-se que esses pedaços do HIV sejam capazes de preparar o sistema imune dos hospedeiros para combater infecções.
Na segunda fase do teste, prevista para março, os animais –que têm de dois a sete anos de idade– receberão um vírus de gripe modificado com pedaços do HIV, que tem a intenção de dar um impulso final na imunização.

Depois dessa etapa, se tudo der certo, um segundo teste será feito com outros 28 macacos, num regime diferente de aplicação da vacina.
“Como a restrição de idade nos deixou com um número pequeno de animais, achamos melhor fazer um primeiro teste em apenas quatro deles”, conta Edecio Cunha Neto, pesquisador da USP que liderou os trabalhos de desenvolvimento da vacina.
Os animais não serão injetados com HIV. Para saber se seu organismo produz as células e moléculas necessárias à imunização, pesquisadores vão retirar amostras de sangue dos macacos. No laboratório, o material será exposto a fragmentos do vírus que devem ativar seu sistema imune contra o parasita.
Não é possível submeter os animais vacinados a um desafio direto contra o HIV, porque ele não infecta macacos naturalmente. O grupo já produziu uma versão da vacina contra a variedade símia do vírus –o SIV–, mas o biotério do Instituto Butantan, a céu aberto, não possui o nível de segurança necessário para manipular vírus ativos.
Se algum laboratório de alta segurança se interessar, a USP diz que está disposta a fazer um estudo em colaboração. “Para nós, por enquanto, vai ser suficiente saber que a vacina induz uma resposta potente nos macacos resos”, diz Cunha Neto. “Antes disso, porém, nós já poderíamos fazer testes de segurança em humanos.”
Antes do início dos testes, o macacário do Butantan recebeu reforço de segurança, com câmeras de monitoramento por vídeo 24 horas, entradas reforçadas, e aumento nos turnos de vigilância. O instituto quer evitar que ativistas contra testes em animais invadam o local e prejudiquem os trabalhos.