9222 – Mega de ☻lho no Eclipse


O fenômeno que alinhou a Lua, a Terra e o Sol pôde ser visto parcialmente, entre as 9h e 11h deste domingo, dos estados das regiões Nordeste e Norte (Pará, Amapá, Roraima, e regiões do Amazonas e do Tocantins). Por causa da localização geográfica do Brasil, só foi possível ver a Lua tangeciar o Sol, sem encobrir totalmente sua circunferência.

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9221 – Missão Marte – Índia lança a sua nave


marte planeta

A Índia lançou com sucesso nesta hoje, 05/11/2013, sua primeira missão ao planeta Marte, aonde só Rússia, Estados Unidos e a Agência Espacial Europeia conseguiram chegar, informou o órgão espacial indiano em seu site.
O primeiro lançamento interplanetário do país asiático, com custo de 73 milhões de dólares, ocorreu às 9h08 (7h08 em Brasília) no Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, sul do país.
Com 1,35 tonelada, a nave Mangalyaan – veículo de Marte – ficará na órbita terrestre até 1º de dezembro, quando começará sua viagem de 300 dias até o planeta vermelho. O módulo espacial deve chegar a Marte em 24 de setembro de 2014, após percorrer 400 milhões de quilômetros.
O veículo que orbitará ao redor do planeta vermelho leva cinco instrumentos para estudar a superfície, a topografia e a atmosfera de Marte, e vai se concentrar na busca de metano. “Orbitar Marte é um desafio por si só”, disse ao jornal The Times of India o presidente da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, sigla em inglês), K. Radhakrishnan, que acrescentou que haverá “missões maiores depois”.
Apenas Estados Unidos, Rússia e a União Europeia conseguiram finalizar com sucesso missões para Marte. Rússia e China não conseguiram que suas naves saíssem da órbita terrestre em 2011 e uma missão japonesa ao planeta vermelho também fracassou em 2003.
A Índia comemorou no ano passado 50 anos do início de seu programa espacial. Seu primeiro lançamento foi apenas em 1975, quando enviou ao espaço o satélite Arybhatta, utilizando um foguete russo. Desde 1999, o órgão espacial indiano, através de seu braço comercial, também coloca em órbita satélites estrangeiros. A Índia tem planos de lançar em 2016 sua primeira missão espacial tripulada.

9220 – Medicina – Rasteira na Dengue


Foi descoberta uma ligação genética entre o mosquito hospedeiro e o vírus da dengue que determina a transmissão da doença. Com o resultado, a pesquisa feita por franceses e tailandeses pode criar métodos para interromper o ciclo de contaminação no seu início e, assim, diminuir os casos de dengue.
A estudo feito pelo Instituto de Pesquisas de Ciências Médicas das Forças Armadas (Afrims), em Bangkok, juntamente com o Instituto Pasteur, em Paris, revelou que os mosquitos são sensíveis a uma determinada estirpe do vírus e, ao mesmo, tempo resistente a outras. Os cientistas esperam que a descoberta leve a novos medicamentos para controlar a dengue e, no futuro, a produção de mosquitos transgênicos mais resistentes ao vírus.
O Afrims criou 20 mil fêmeas do mosquito por semana especialmente para a pesquisa. Diferente do mosquito transmissor da malária, o Aedes aegypti prefere as regiões urbanas e locais onde a água se acumula.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por ano, mais de 100 milhões de pessoas no mundo são contaminadas com o vírus da dengue. Essa doença é uma epidemia em mais de 100 países tropicais. Mas com as mudanças climáticas e a globalização, ela começa aparecer em regiões de temperaturas mais moderadas.
No Brasil, a última grande epidemia foi registrada em 2010, com cerca de 4 mil municípios infestados. Os sintomas da dengue são parecidos com o de uma gripe forte, porém com dores nos ossos e articulações que duram semanas. Em 5% dos casos, o vírus pode ser mais perigoso e levar à morte.
O próximo passo do estudo é fazer um mapeamento dos fatores genéticos que determinam a dengue em mosquitos. Lambrechts acredita que a pesquisa irá ajudar outros cientistas a interromper completamente o início do ciclo de transmissão da doença.
Em 2014, uma vacina para a dengue pode ser liberada. No Brasil, desde 2006, o Instituto Butantan está pesquisado esse método. Mas a maioria dos cientistas concordam que uma abordagem diversificada é ideal para controlar a dengue.
Na Tailândia são usados métodos naturais e tradicionais, como a mistura de capim cidreira e água que atrai o mosquito e mata suas larvas depositadas nessa água.
Além disso, um peixe que come as larvas também é usado no combate à dengue. Mas o pesquisador alerta que os peixes não devem ser colocados em recipientes com água que será consumida.

9219 – Atmosfera da Terra – Estudos revelam história do oxigênio no planeta


Fachada do NY Times
Fachada do NY Times

Do New York Times para o ☻ Mega

Para Donald E. Canfield, existe algo incrível a cada vez que respiramos. “As pessoas consideram o oxigênio um fato consumado porque ele está aí e o respiramos o tempo todo”, disse o doutor Canfield, geoquímico na Universidade do Sul da Dinamarca. “Mas nós temos o único planeta conhecido que possui oxigênio.”
O que é ainda mais surpreendente é que a Terra começou com uma atmosfera sem oxigênio. Passaram-se bilhões de anos antes que houvesse oxigênio suficiente para que animais como nós pudessem viver.
Os cientistas continuam fazendo descobertas. Recentemente, o doutor Canfield e seus colegas publicaram alguns estudos que forneceram pistas significativas sobre alguns dos capítulos mais importantes da história do oxigênio na Terra. Eles estão descobrindo que nossa atmosfera é o resultado de uma complexa dança entre geologia e biologia.
Para estudar a antiga atmosfera, os geoquímicos examinam as “impressões digitais químicas” deixadas nas rochas. Algumas contêm moléculas que só poderiam ter se formado na presença de oxigênio.
Quando eles examinam as rochas mais antigas da Terra, não encontram vestígios de oxigênio na atmosfera. Suas pesquisas indicam que o ar primordial da Terra era formado principalmente por dióxido de carbono, metano e nitrogênio. Os raios de sol criavam um pouco de oxigênio livre, ao separá-lo do dióxido de carbono e outras moléculas. Mas o oxigênio desaparecia logo depois de se formar.
Isso porque o oxigênio é um elemento extremamente amigável, formando ligações com um amplo leque de moléculas. Ele se ligava ao ferro nas rochas, por exemplo, criando ferrugem. Em outras palavras, nosso planeta foi um gigantesco vácuo de oxigênio em seus primeiros anos.
Isso mudou há cerca de 3 bilhões de anos. Na edição de 26 de setembro da revista “Nature”, o doutor Canfield e seus colegas relataram impressões digitais de oxigênio nas rochas daquele período. Eles estimam que a atmosfera tinha apenas 0,03% dos níveis de oxigênio atuais.

Mas isso marcou uma enorme mudança na química terrestre.
A luz do sol por si só não poderia ter colocado tanto oxigênio na atmosfera.
Somente a vida poderia.
Alguns micróbios tinham desenvolvido a capacidade de realizar a fotossíntese. Flutuando na superfície do oceano, eles usavam a energia solar para crescer com dióxido de carbono e água e liberavam oxigênio como dejeto. Grande parte do oxigênio liberado por esses micróbios fotossintéticos era sugada da atmosfera pelo vácuo da Terra.
Mas uma pequena quantidade de oxigênio permanecia para trás porque parte da matéria orgânica dos micróbios mortos afundava da superfície do oceano para o leito, onde o oxigênio não podia reagir com ele.
O oxigênio permanecia no ar.
O oxigênio continuou bastante escasso durante algumas centenas de milhões de anos.
Mas, durante esse tempo, o vácuo da Terra enfraqueceu. O planeta esfriava e, por isso, os vulcões expeliam menos hidrogênio na atmosfera para sugar oxigênio.

9218 – Substância de coral destrói superbactéria hospitalar em testes


Uma das superbactérias mais resistentes a antibióticos, a KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) acaba de ganhar um novo adversário: o coral orelha-de-elefante (Phyllogorgia dilatata).
A espécie, que existe apenas na costa brasileira, é a primeira nas águas da América do Sul a apresentar capacidade de controle desse microrganismo, encontrado em ambiente hospitalar.
Há relatos de moléculas extraídas de animais marinhos, corais e esponjas que combatem outros tipos de bactérias, mas não a KPC.
Causadora de infecção pulmonar, a KPC matou ao menos 106 pessoas no país em 2010 e 2011, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde. A maioria dos casos foi registrada na região sudeste (64) e sul (12).
Responsáveis pelo estudo, pesquisadores da pós-graduação de Ciências Genômicas e Biotecnologia da UCB (Universidade Católica de Brasília) e do Projeto Coral Vivo selecionaram seis espécies de corais para testes.
“A escolha foi feita pelas características desses animais, que sobrevivem à alta competitividade nos ambientes marinhos, possivelmente por possuírem barreiras químicas. Mas ainda não sabemos se a substância que combate a KPC é do coral ou de uma bactéria que vive associada a ele”, diz o biólogo Clovis Castro, coautor da pesquisa e coordenador do Projeto Coral Vivo, ligado ao programa Petrobras Ambiental.

superbacteria

“Nos testes percebemos que o orelha-de-elefante tinha mais potencial [no combate à superbactéria] do que os demais”, disse Loiane Alves de Lima, que apresentou o estudo no mestrado na UCB.
“Também vamos fazer testes contra vírus e fungos. A descoberta pode ter potencial ainda maior”, disse a bióloga molecular Simoni Campos Dias, da UCB, que orientou Loiane Lima.
A descoberta foi publicada na revista “Protein & Peptide Letters”, voltada para estudos de bioquímica. O levantamento começou em 2009 com material recolhido em Porto Seguro (BA).
Pedaços de diferentes colônias da espécie foram triturados e passaram por processo de purificação até a separação da substância de combate à superbactéria.
Testes in vitro indicaram que após 12 horas, toda da população de KPC fora exterminada pela proteína do coral.
Detectada pela primeira vez nos EUA em 2001, a KPC chegou ao Brasil em meados de 2005. De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia Marcos Cyrillo, sua incidência decuplicou nos últimos cinco anos. “De 100 amostras de Klebsiella pneumoniae (bactérias do trato gastrointestinal) analisadas há cerca de cinco anos, 2% eram KPC, ou seja, multirresistentes. No último ano, constatamos que esse número subiu para 20%”, destaca.
Os pesquisadores contam que o composto será clonado dentro de leveduras para que seja possível produzir o princípio ativo em grande escala.
Para que o medicamento seja fabricado, no entanto, ainda há necessidade de testes em animais e humanos, além da aprovação dos órgãos competentes, o que pode demorar até 10 anos.
Além da KPC, a proteína combate outras duas bactérias hospitalares resistentes: a Staphylococcus aureus e a Shigella flexneri.
A espécie está ameaçada de extinção devido à coleta predatória para venda em aquários e lojas de souvenires. O projeto Coral Vivo vem estudando a espécie com o objetivo de criar um projeto de cultivo do organismo.

9217 – Astronomia – 22% das estrelas similares ao Sol têm planetas habitáveis


A cada cinco estrelas similares ao Sol, pelo menos uma deve ter um planeta como a Terra que seja potencialmente habitável.
Essa é a ousada –e empolgante– conclusão de um trabalho feito por pesquisadores nos EUA, baseado em dados do satélite Kepler.
A ousadia é proveniente do fato de que foi preciso realizar alguma ginástica estatística para chegar a esse número, em razão da pifada do telescópio da Nasa, em maio.
“Não podemos contar com nenhum dado adicional do Kepler para melhorar o baixo nível de completude da amostra de planetas análogos da Terra além do que reportamos aqui”, afirmam Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e seus colegas, em trabalho publicado na última edição do periódico “PNAS”.
O Kepler observou cerca de 150 mil estrelas durante quatro anos, monitorando reduções de brilho que pudessem indicar a presença de planetas passando à frente delas.
Dessas, o grupo separou cerca de 42 mil que fossem similares ao Sol (tipos K e G) e menos ativas (o que facilita a detecção de planetas).

Uma Terra a cada 5 estrelas
Uma Terra a cada 5 estrelas

Então procuraram planetas com um software que analisa os dados do Kepler. Localizaram 603, dos quais dez tinham o mesmo porte da Terra. Nenhum deles com a mesma órbita do nosso planeta.
A partir desses dados, os pesquisadores procederam com uma análise estatística para eliminar qualquer viés de observação e extrapolar os resultados para todas as estrelas da Via Láctea.
O resultado foi entusiasmante. Cerca de 22% das estrelas do tipo solar devem ter um planeta na chamada zona habitável (região do sistema onde um planeta poderia conservar água em estado líquido em sua superfície).
Nesse caso, os pesquisadores adotaram uma definição de zona habitável que inclui mundos que recebem de um quarto a quatro vezes a radiação que a Terra ganha do Sol.
Em nosso sistema planetário, essa região incluiria Vênus, Terra e Marte. Desses, sabemos que hoje só o nosso mundo conserva água em estado líquido de forma estável. Mas sabe-se que no passado Marte teve água líquida, e essa possibilidade não está descartada para Vênus.
Levando em conta a densidade de estrelas em nossa região da Via Láctea, Marcy e colegas calculam que o mundo habitável mais próximo deve estar num raio de “meros” 12 anos-luz de distância.
Agora, se a busca se restringir a planetas com órbitas bem semelhantes à da Terra, de 200 a 400 dias, os números caem. Apenas 5,7% das estrelas de tipo solar deveriam ter um mundo assim.
Ainda assim, é uma ótima perspectiva, levando em conta os 200 bilhões de estrelas que tem a nossa galáxia.