9204 – Biologia Marinha – Polvo Gigante Mete as Mãos Pelos Pés


Polvo

O biólogo canadense Jim Cosgrove mergulhou nas águas do Pacífico jogando uma substância irritante sobre os recifes, nos quais se esconde o polvo gigante. Esse animal é dificílimo de ser flagrado. Mas, sem respirar direito, ele apareceu. Depois houve uma longa negociação: o bicho ficou meia hora apalpando o estranho, até se sentir seguro. Só então topou fazer esta e outras poses.
A fama de mau começou com os antigos gregos, no século III a.C., que espalharam o mito de um polvo gigante capaz de virar barcos e esmagar homens com seus tentáculos. Puro boato. Em geral, o polvo gosta é de paz. Não briga nem por uma bela fêmea. Na hora de procriar, se existe uma única parceira receptiva na área, os machos fazem um acordo de cavalheiros. Ou melhor, fazem fila. O maior, na frente. A cerca de um metro deste, o segundo fica à espera. O menor de todos se coloca a uns três metros de distância. Eventualmente, surge um quarto candidato, mas logo desiste. Percebe, por instinto, que até chegar a sua vez terão se passado quatro dias e a fêmea já não estará tão disposta ao sexo.
Caseiro, o molusco escolhe uma brecha nos recifes para morar e não costuma trocar de endereço sem um bom motivo. Geralmente, só sai de um lugar porque cresceu e não cabe mais ali. Confusão mesmo, só arruma quando outro polvo quer viver no mesmo canto. Então, o maior pode engolir o menor. Não é, contudo, um comportamento muito comum. “Mais do que atacar, essa espécie é especializada em se defender”.
A astúcia faz com que os polvos não percam tempo diante de um inimigo. Apesar de serem surdos, como todos os membros da família cefalópode, eles enxergam com impressionante nitidez. Seus olhos possuem 50 000 receptores de luz por milímetro quadrado, o que lhes dá uma visão melhor do que a humana, porque eles vêem até no escuro. Os adversários também são reconhecidos pelo olfato.
As pontas dos oito tentáculos funcionam como narizes, com células especializadas em captar odores. Provavelmente, o bicho percebe pelo cheiro que o outro animal está liberando hormônios relacionados ao comportamento agressivo. Ou seja, pretende atacá-lo. Então, lança uma tinta escura e viscosa para despistar o agressor. E escapa numa velocidade impressionante para um animal aquático (veja infográfico abaixo).
Raramente o agressor consegue ser mais rápido. Se isso acontece, e o polvo é atacado, prefere deixar um de seus tentáculos entre os dentes do adversário e fugir. Um novo tentáculo tende a nascer no lugar ferido. A principal tática de defesa, no entanto, é o mimetismo. Em menos de trinta segundos, ele é capaz de mudar completamente de cor, ficando da mesma tonalidade da areia ou de uma pedra. O que mais fascina os cientistas é que o bicho também usa as cores para se comunicar. Tons berrantes funcionam como um aviso para outros polvos de que há um predador nas redondezas. Já manchas rosadas são sinal de amor.

Movimento à jato:
A água que entra na cavidade desse órgão cilíndrico, chamado sifão, é arremessada graças às contrações dos músculos ao redor. São os jatos fortes e contínuos que impulsionam o bicho a se locomover
Um polvo não perde nada do que acontece à sua volta, enxergando com nitidez impressionante, mesmo à distância. A pupila é horizontal, mas as outras estruturas oculares são similares às do homem.
Os oito tentáculos, juntos, reúnem cerca de duas mil ventosas, que são verdadeiros aparelhos de sucção. Graças a elas, quando o animal abraça uma presa ou mesmo uma pedra, ninguém solta.