9125 – Sono ajuda o cérebro a eliminar toxinas


sono
Um experimento com roedores mostrou que o sono é essencial para limpar toxinas acumuladas no cérebro durante o dia. Quando dormimos, células nervosas diminuem, abrindo espaço para fluidos fazerem, literalmente, uma lavagem cerebral.
A descoberta foi feita no laboratório de cientistas da Universidade de Rochester, nos EUA, que usaram uma técnica sofisticada de microscopia a laser para observar tecidos de animais vivos.
As toxinas que se acumulam regularmente no cérebro resultam do funcionamento normal do órgão e precisam ser eliminadas alguma hora.
Ao comparar camundongos acordados com adormecidos, os pesquisadores mostraram que o fluido cerebrospinal –líquido que permeia o cérebro– passa com mais liberdade pelo cérebro durante o período de sono. Isso pode ser uma das principais razões pelas quais dormir é essencial para muitos animais.
No trabalho, a cientista mostrou que uma das moléculas varridas pelo fluido cerebral na hora da limpeza é a beta-amiloide –proteína ligada ao mal de Alzheimer quando se acumula demais.
“A doença de Alzheimer está associada à perturbação do sono”. “A falta de espaço intersticial [lacunas entre células] pode causar o acúmulo de lixo metabólico e danificar o cérebro.”
Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ e colunista da Folha, escreveu para a “Science” um artigo comentando o estudo de Xie. Para ela, a descoberta complementa o que já se conhece sobre o papel do sono, como a consolidação das sinapses (conexões entre diferentes neurônios).
Segundo a cientista, o experimento pode explicar por que animais pequenos, como o morcego, dormem 20 horas diárias, enquanto elefantes só precisam de quatro horas. “Cérebros maiores devem ter um volume de espaço intersticial maior para armazenar moléculas indutoras do sono e, assim, suportariam períodos maiores acordados”.