9049 – Egiptologia – O Alto Egito


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Era uma das divisões do Antigo Egito antes de sua unificação.
Quando se estuda a civilização egípcia, considera-se que sua formação ocorreu no chamado período pré-dinástico, entre 13.000 e 10.000 anos antes de Cristo. Foi nesta época que o homem se estabeleceu na região e desenvolveu técnicas agrícolas que permitiriam a posterior formação de uma dinastia e, então, de um grande império. A região que hoje compreende os desertos do Saara e Árabe passava, naquela época, por um período de aumento de temperaturas e era frequentemente atingida por chuvas intensas. Formou-se, assim, um vale pantanoso em função do Rio Nilo que atraiu pessoas e animais para se aproveitarem das riquezas do solo.
Ao longo desse trajeto do Rio Nilo formaram-se duas divisões territoriais. O Alto Egito representava uma faixa de terra em ambos os lados do rio que se estendia por vasto território. Para pesquisadores esta divisão é muito importante para se estudar o Antigo Egito, pois, durante algum tempo, foram várias as diferenças entre o Alto Egito e o Baixo Egito.
O Alto Egito era conhecido como Ta Shemau, cujo nome significava “terra de juncos”. A primeira cidade foi Hieracômpolis, que tinha como divindade a deusa Nekhbet. Toda a região foi dividida em 22 nomos, como eram designados os distritos. O centro administrativo do Alto Egito estava na cidade de Tebas. Sua influência, contudo, diminuiu quando os assírios invadiram a cidade e a destruíram. Mais tarde, os ptolomeus comandaram o Alto Egito e estabeleceram como sede administrativa a cidade de Ptolomaida.
A cultura badariense, que surgiu no Alto Egito, foi uma das mais importantes da época e já sustentava sua economia na agricultura e na pecuária. Seus membros já tinham o costume de ser enterrados com seus bens, o que seria repetido, mais tarde, no Império Egípcio. Quando a disputa pelas terras férteis na região se agravou, a cultura badariense foi dividida em territórios distintos. No Alto Egito formou-se como resultante a cultura Nagada I estabelecendo-se uma nova capital em Nekhen.
Os conflitos entre Alto Egito e Baixo Egito se intensificaram na disputa pelas melhores terras do Nilo. Então, o rei do Alto Egito, Narmer, organizou seu exército para um ataque poderoso ao Baixo Egito, por volta de 3.200 antes de Cristo. Sua investida resultou na conquista do Baixo Egito e na unificação dos dois reinos, dando início à primeira dinastia do Império Egípcio.

9048 – Constituição – A Constituição de 1988


A constituição de 1988 é a atual carta magna da República Federativa do Brasil. Foi elaborada no espaço de 20 meses por 558 constituintes entre deputados e senadores à época, e trata-se da sétima na história do país desde sua independência. Promulgada no dia 5 de outubro de 1988, ganhou quase que imediatamente o apelido de constituição cidadã, por ser considerada a mais completa entre as constituições brasileiras, com destaque para os vários aspectos que garantem o acesso à cidadania.
A constituição está organizada em nove títulos que abrigam 245 artigos dedicados a temas como os princípios fundamentais, direitos e garantias fundamentais, organização do estado, dos poderes, defesa do estado e das instituições, tributação e orçamento, ordem econômica e financeira e ordem social. Entre as conquistas trazidas pela nova carta, destacam-se o restabelecimento de eleições diretas para os cargos de presidente da república, governadores de estados e prefeitos municipais, o direito de voto para os analfabetos, o fim à censura aos meios de comunicação, obras de arte, músicas, filmes, teatro e similares.
A preocupação com os direitos do cidadão é claramente uma resposta ao período histórico diretamente anterior ao da promulgação da constituição, a chamada “ditadura militar”. Durante vinte anos o povo foi repetidamente privado de várias garantias. O presidente da república devia ser necessariamente membro das forças armadas (exemplo disso foi o que ocorreu com Pedro Aleixo, o vice-presidente civil de Artur da Costa e Silva, que foi sumariamente impedido de assumir a presidência quando da morte deste). Somado às restrições e proibições, tínhamos ainda graves casos de tortura e perseguição política.
Tal cenário causou uma gradual reação da opinião pública, com reflexo na assembleia constituinte responsável pela confecção da carta. É nesse ponto que convergem a maioria das críticas ao texto, pois, num anseio de incluir o máximo de garantias e tornar o documento um espelho do período pós-ditadura, este ficou “inchado”, repetitivo em inúmeros pontos, além de trazer matérias que não são típicas de uma constituição. Exemplo flagrante disso é o título VI, dedicado à tributação e orçamento, tema mais apropriado a uma lei ou código específico do que uma seção da carta magna. Há ainda o problema do número crescente de emendas constitucionais, responsáveis por uma desfiguração de vários pontos do texto original. Atualmente (10/2013), são 74 as emendas aprovadas, tendo a mais recente cerca de um mês à época da conclusão deste texto, e com a perspectiva de que mais uma dezena se somem a estas só no próximo ano.

Em relação às Constituições anteriores, a Constituição de 1988 representou um avanço. As modificações mais significativas foram:

Direito de voto para os analfabetos;
Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos;
Redução do mandato do presidente de 5 para 4 anos;
Eleições em dois turnos (para os cargos de presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes);
Os direitos trabalhistas passaram a ser aplicados, além de aos trabalhadores urbanos e rurais, também aos domésticos;
Direito a greve;
Liberdade sindical;
Diminuição da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais;
Licença maternidade de 120 dias (sendo atualmente discutida a ampliação).
Licença paternidade de 5 dias;
Abono de férias;
Décimo terceiro salário para os aposentados;
Seguro desemprego;
Férias remuneradas com acréscimo de 1/3 do salário.
Modificações no texto da Constituição só podem ser realizadas por meio de Emenda Constitucional, sendo que as condições para uma emenda modificar a Carta estão previstas na própria Constituição, em seu artigo 60.

9047 – Medicina – Cuidado com o seu estômago


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Cada brasileiro come 25 kg de arroz e 12 kg de feijão por ano, segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2003. Nosso estômago processa também anualmente 16 kg de carne bovina, 14 kg de frango, 13 kg de pão francês e 12 kg de açúcar cristal. Bebemos 28 litros de leite de vaca pasteurizado e 7 litros de refrigerante de guaraná. Para nos manter acordados ou complementar as refeições, são outros 2,5 kg de café moído.
Os cientistas calculam que, durante toda a vida, um ser humano ingere a bagatela de 22 toneladas de alimentos e bebe 33 mil litros de líquidos para satisfazer suas funções vitais. O aparelho digestivo, um maravilhoso tubo de cerca de 11 m de comprimento que começa na boca e acaba no ânus, administra tudo isso. Entre seus compromissos indispensáveis se destacam a recepção dos alimentos e o fracionamento deles em moléculas simples – um processo conhecido como digestão –, a absorção dos nutrientes esmigalhados até o fluxo sanguíneo e a expulsão dos restos não digeríveis em forma de fezes – ele descarta em média 4 toneladas de excrementos e elimina mais de 40 mil litros de urina.
Se tudo funcionar corretamente, o aparelho digestivo trabalha em total silêncio, violado apenas por arrotos, flatulências e ruídos na barriga tão esporádicos quanto inócuos. Porém, se algo falha, logo se começa a sentir dores abdominais, vômitos, náuseas, cólicas, queimações e diarréias incontroláveis, entre outros sintomas.
Constantemente, o aparelho digestivo está recebendo agressões. Vírus, bactérias, parasitas e outros agentes patogênicos ameaçam se instalar em seu interior. Às vezes, os próprios alimentos que ingerimos – seja por sua composição, seja pelos aditivos industriais ou pela contaminação de algum micróbio – alteram ou danificam perigosamente o mecanismo intestinal. Em outras circunstâncias, algumas peças digestivas apresentam defeitos de fabricação mais sérios, que só podem ser corrigidos na sala de cirurgia. Hoje as patologias do aparelho digestivo são um motivo freqüente de visitas ao médico, relacionadas com disfunções digestivas, como prisão de ventre, apendicite, gastrite, úlcera péptica, gastroenterite, hemorróidas, hepatite, refluxo gastrointestinal e câncer de cólon e reto.
Muitas vezes os pacientes minimizam os sintomas estomacais e sofrem em silêncio. Como exemplo, os especialistas citam a pirose, o nome técnico da azia – a queimação de estômago característica da doença por refluxo gastroesofágico. As queimações noturnas, registradas em 40% dos afetados de azia, são menosprezadas pelos pacientes com refluxo, de acordo com um estudo realizado na Espanha. “Entre os pacientes, 12% têm sintomas sugestivos de refluxo, como azia e regurgitação, pelo menos uma vez por semana”, diz Jaime Natan Eisig, médico assistente da disciplina de gastroenterologia clínica da Univer-sidade de São Paulo (USP). A persistência das queimações noturnas tem seqüelas. O chamado esôfago de Barrett é uma delas. O refluxo do suco gástrico lesiona a mucosa do esôfago e pode causar úlcera e estreitamento do tubo na região. Com a lesão, as células passam a se multiplicar desordenadamente, podendo resultar em câncer. Com efeito, a azia nas horas de sono, além de prejudicar a via esofágica, pode afetar os pulmões e, se o ácido subir até a garganta, irritar e danificar as cordas vocais, a laringe e os dentes, também causando ronqueira e apnéia.
Ainda não se sabe o que causa as DIIs. Os especialistas sugerem que elas poderiam ser o resultado de uma combinação de fatores genéticos com uma infecção ou com os conservantes, os antioxidantes, os corantes e outros produtos artificiais que estão em quase todos os alimentos. Também poderiam vir da carência de fibras e do excesso de açúcar na dieta diária ou o não-aleitamento materno depois do nascimento. Em contrapartida, o estresse, o excesso de trabalho, a falta de sono, as comidas fortes e as mudanças de tempo são, entre outros, fatores que desatam e agravam o começo da colite ulcerativa, sobretudo quando ela se encontra numa fase instável. Algo semelhante ocorre com a doença de Crohn: o fumo piora a enfermidade, assim como o uso de antiinflamatórios não esteroídeos (ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno), laxantes e antiespasmódicos.
As doenças inflamatórias que não têm um tratamento eficaz derrubam a qualidade de vida dos pacientes. No caso de Crohn, degeneram no estreitamento ou na estenose do intestino devido às cicatrizes deixadas pelo processo inflamatório e na aparição de dolorosas fístulas, canais que se abrem no intestino, na bexiga, na vagina e na pele, por onde saem materiais mucosos e fecais. A cirurgia era a única solução para atenuar esses problemas. Até então, o tratamento da doença de Crohn se baseava na utilização de corticoesteróides para inibir a inflamação intestinal. Hoje, os pacientes que não respondem a esses remédios podem ser tratados com o infliximab, um poderoso anticorpo monoclonal que bloqueia a atividade do chamado fator de necrose tumoral – o anti-TNF –, um mediador inflamatório-chave na gênese e na progressão da enfermidade.
Síndrome do intestino irritável
Outras gravidades digestivas cada vez mais presentes nas salas de espera são, sem dúvida, as doenças gastrointestinais do tipo funcional, caso da síndrome do intestino irritável (SII) e da dispepsia funcional. “Os pacientes costumam morrer de medo de ser uma coisa mais grave porque a SII é uma doença de exclusão, ou seja, não se tem um diagnóstico imediato”, diz a gastroenterologista Maria do Carmo Friche Passos, professora-adjunta do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os afetados por SII – acredita-se que de 10 a 15% da população, principalmente as mulheres – padecem de moléstias como dor abdominal associada a diarréias, prisão de ventre ou ambas alternadamente, sem que apresentem lesão alguma. As pessoas com dispepsia também sofrem dores na parte alta do abdômen, que freqüentemente se relacionam com a alimentação, na forma de saciedade precoce ou estofamento.

Tudo sobre as úlceras
De 4 a 15% das mulherese de 10 a 15% dos homensvão sofrer desse mal
Definição: a úlcera péptica é uma chaga ou ferida de forma circular ou oval que aparece nos revestimentos do estômago ou do duodeno (o primeiro degrau do intestino ), onde o ácido clorídrico e a pepsina estão presentes.
Incidência: de 4 a 15% das mulheres e de 10 a 15% dos homens apresentam a úlcera pelo menos uma vez na vida.
Causas: os estudos mostram que 80% das úlceras gástricas e 90% das duodenais se desenvolvem como resultado da infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori. Quem toma de maneira prolongada remédios antiinflamatórios, como a aspirina e o ibuprofeno, tem maior risco.
Sintomas: o sinal mais comum é uma dor do tipo cólica ou uma queimação no abdômen. O mal-estar aparece freqüentemente entre as refeições e de manhã cedo. Outros sintomas são náuseas, vômitos e perda de apetite.
Complicações: as úlceras não tratadas podem causar hemorragias, já que corroem os músculos do estômago e da parede duodenal, e perfurações, que se abrem no espaço abdominal e degeneram em peritonite.
Tratamento
Remédios: bloqueadores H2 (cimetidina, ranitidina, nizatidina), que limitam a secreção de ácidos ao bloquear a histamina; inibidores da bomba de prótons (omeprazol, lansoprazol); e agentes protetores da mucosa (subsilicato de bismuto). Quando é necessário combater a H. pylori, esses medicamentos são usados em combinação com os antibióticos.
Cirurgia: aplica-se em casos resistentes. Basicamente, existem três tipos de intervenção: a vagotomia (consiste em cortar partes do nervo vago para reduzir a secreção de ácidos), a antrectomia (extirpa a parte inferior do estômago em que se libera um hormônio que estimula a secreção de sucos digestivos) e a piloroplastia (o cirurgião aumenta a abertura entre o estômago e o intestino delgado para permitir que o conteúdo passe mais facilmente desde o estômago).
Prevenção
Evitar os alimentos muito temperados, gordurosos e ácidos. Abandonar o fumo e limitar o consumo de álcool e cafeína. Evitar o estresse físico e mental. Lavar as mãos depois de usar o banheiro e antes das refeições.

O trato gastrointestinal é delimitado por duas aberturas: uma de entrada (a boca) e outra de saída (o ânus). Entre elas há vários órgãos que se encarregam de triturar e digerir os nutrientes e expulsar os resíduos.
A digestão da comida começa na cavidade bucal: os dentes trituram os alimentos e as secreções das glândulas salivares os umedecem e iniciam sua decomposição química. Em seguida, o bolo alimentício cruza a faringe, desce pelo esôfago e entra pelo esfíncter até o estômago, uma bolsa muscular de 1,5 litro de capacidade que agita lentamente seu conteúdo como se fosse uma betoneira.Na saída do estômago, o tubo digestivo se prolonga com o intestino delgado, um tubo de 7 m de comprimento que aparece dobrado sobre si mesmo. Em sua primeira parte, o duodeno recebe secreções das glândulas intestinais, a bílis do fígado e o suco pancreático. Esses e outros líquidos contêm uma grande quantidade de enzimas que ajudam nos processos de digestão e absorção. Em seu último degrau, o tubo digestivo corre pelo intestino grosso, onde o conteúdo intestinal, até agora com a consistência de um mingau, perde água e normalmente se solidifica na forma de fezes à medida que alcança o reto. Alguns palmos mais atrás, a chamada flora bacteriana, composta por mais de 100 bilhões de bactérias amigas, previne a invasão de microorganismos patogênicos, colabora com a absorção de nutrientes e fabrica algumas substâncias importantes, como a vitamina K. A passagem dos excrementos pelo túnel de saída – o reto – estimula a defecação.

9046 – Imunologia – Pesquisadores desenvolvem nova vacina contra tuberculose


Pesquisadores canadenses anunciaram o desenvolvimento de uma nova vacina contra a tuberculose, que deve servir como um reforço para os programas de imunização da doença. A partir de um vírus do resfriado geneticamente modificado, a vacina se mostrou segura e eficaz no primeiro teste realizado com seres humanos, mostrando ser capaz de induzir uma resposta forte do sistema imunológico dos pacientes. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.
A tuberculose é uma doença infecciosa transmitida pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela afeta principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2011, 8,7 milhões de pessoas contraíram a doença em todo o mundo, sendo que 1,4 milhão morreram.
O controle da tuberculose tem encontrado dificuldades ao redor do planeta, principalmente por causa do desenvolvimento de novas cepas da bactéria, capazes de resistir aos medicamentos usados atualmente. A OMS afirma que casos de cepas multirresistentes foram identificados em 77 países em 2011, e estima que até dois milhões de indivíduos poderão ser contaminadas com essas variedades até 2015.
A nova vacina foi desenvolvida para agir como um reforço para a BCG (Bacille Calmette Guerin), que é atualmente a única forma de imunização contra a tuberculose disponível. Ela foi desenvolvida na década de 1920 e tem sido utilizada desde então em todo o mundo, mas sua eficácia sempre foi questionada. Os pesquisadores sabem que a vacina é mais efetiva em proteger as crianças da doença — seu efeito diminui com o passar do tempo — e mais eficaz contra alguns tipos da doença do que outros.
Atualmente, a vacina BCG é parte do programa de imunização da OMS na Ásia, África, Europa Oriental e América do Sul. Ela é aplicada no primeiro ano de vida da criança. O reforço serviria para reativar elementos do sistema imunológico que diminuem ao longo do tempo após a aplicação da BCG.
A nova vacina tem sido desenvolvida há mais de uma década, e já se mostrou eficaz em pesquisas com animais. Os primeiros testes com seres humanos começaram em 2009, com 24 voluntários saudáveis, entre eles doze que haviam sido previamente vacinados com a BCG. “Nosso objetivo era estudar a segurança de uma única dose da vacina, bem como sua potência em acionar o sistema imunológico dos pacientes”, disse Zhou Xing, professor da Universidade McMaster que também participou da pesquisa.
Como resultado, os pesquisadores descobriram que a vacina era segura e dava início a uma resposta imunológica robusta na maioria dos participantes. Seu efeito foi maior nos voluntários que já haviam sido vacinados com a BCG, reforçando ainda mais a produção de células do sistema imunológico. Os pesquisadores devem agora realizar os testes em um número maior de pacientes, para medir o potencial real da vacina, antes que ela possa chegar ao mercado.

9045 – Sistema Solar – Pela primeira vez, componente do plástico é encontrado fora da Terra


A sonda Cassini encontrou propileno, substância utilizada para fazer diversos produtos de plástico, em Titã, uma das luas de Saturno. Esta descoberta marca a primeira vez que um componente do plástico é encontrado em outra lua ou planeta, que não a Terra. Uma pequena quantidade do gás foi identificada na atmosfera baixa de Titã pelo Espectrômetro Composto Infravermelho (Cirs, na sigla em inglês) presente na sonda Cassini, que explora o sistema de Saturno.
“O propileno substância está ao nosso redor cotidianamente, em longas cadeias que formam um plástico chamado polipropileno”, explica Conor Nixon, cientista da Nasa e principal autor do estudo, publicado nesta segunda-feira, no periódico Astrophysical Journal Letters.
Esta foi a primeira molécula descoberta em Titã com uso do Cirs, instrumento que mede o calor da radiação emitida por Saturno e suas luas, de forma parecida com a qual as nossas mãos sentem o calor de uma fogueira ao se aproximar dela. Assim, ele identifica um gás em particular através de sua assinatura térmica. O maior desafio, porém, é isolar essa assinatura dos sinais de outros gases ao seu redor.
A identificação do propileno preenche uma lacuna nas observações de Titã, desde quando a sonda Voyager 1 se aproximou desta lua pela primeira vez, em 1980. A sonda descobriu que muitos gases na atmosfera de Titã eram hidrocarbonetos, substâncias que formam o petróleo e outros combustíveis fósseis da Terra.
Os hidrocarbonetos se formam em Titã quando os raios solares quebram as moléculas de metano e elas se recombinam, formando cadeias com um ou mais carbonos. A sonda Voyager identificou todos os membros das famílias com um e dois carbonos na atmosfera, mas da família de três carbonos foram encontrados apenas os compostos mais leves, como o metilacetileno, e os mais pesados, como o propano. Já os intermediários, como o propileno, estavam faltando — até serem encontrados pelo Cirs.

9044 – Robótica, Biônica e Cibernética – Cientistas desenvolvem prótese robótica para a perna controlada pelo cérebro


Robo Japones

Pesquisadores americanos estão testando uma nova prótese robótica para a perna. O dispositivo capta os impulsos cerebrais relacionados ao movimento do membro que foi amputado e os utiliza para movimentar o joelho e o tornozelo mecânicos, provocando um movimento mais natural. A “leitura” dos impulsos é feita por sensores que ficam na perna do usuário, recebendo as informações enviadas aos nervos responsáveis pela movimentação da região.
O primeiro paciente a testar o dispositivo é um homem de 31 anos que teve a perna amputada acima do joelho, após um acidente de motocicleta em 2009. Com a perna robótica, ele consegue andar e subir e descer escadas e rampas, sem precisar de nenhum tipo de controle.
O que permite que a perna se movimente de acordo com a vontade do usuário são os impulsos que o cérebro envia para controlar o membro – mesmo após a amputação. Os nervos que se ligavam à parte inferior da perna, que foi amputada, foram redirecionados para músculos saudáveis da coxa, em um processo denominado reinervação muscular dirigida. Assim, os sinais que o cérebro enviaria para o tornozelo, por exemplo, não se perdem. Por meio de eletromiografia, uma técnica que capta os impulsos elétricos dos músculos, a perna robótica recebe os sinais enviados pelo cérebro e realiza o movimento próximo do que a perna real executaria.
O estudo, liderado por Levi Hargrove, do Instituto de Reabilitação de Chicago, nos Estados Unidos, foi publicado na semana passada, no periódico New England Journal of Medicine. Os pesquisadores divulgaram ainda um vídeo, em que o paciente aparece utilizando a prótese. “Até onde temos conhecimento, esta é a primeira vez que sinais neurais foram usados para controlar uma prótese de joelho e tornozelo motorizada”.
Um sistema parecido tem sido utilizado em braços robóticos, mas no caso dos membros inferiores, o desafio é maior. Segundo Hargrove, a principal diferença é que pessoas que usam uma prótese robótica no braço não correm o risco de cair caso os sinais sejam lidos de forma incorreta. “A prótese para a perna precisa ser capaz de sustentar o peso da pessoa e gerar força suficiente para fazê-la subir escadas”, diz o pesquisador.
A prótese ainda apresenta algumas limitações. Os pesquisadores pretendem reduzir seu peso – que atualmente é de cerca de quatro quilos e meio – diminuir o barulho que ela faz e aumentar a duração da bateria, além de reduzir a taxa de erros de movimento.
Uma iniciativa parecida está sendo desenvolvida pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que atualmente é diretor do laboratório de neuroengenharia da Universidade Duke, nos Estados Unidos.
O protótipo criado por Nicolelis é um exoesqueleto, uma veste robótica controlada por pensamento. Porém, diferentemente do caso americano, em que a prótese capta os impulsos nervosos que chegam aos membros, os pacientes vão usar, na fase de testes, um capacete com sensores que captam a atividade cerebral. Além disso, um dos grandes diferenciais do exoesqueleto é o “feedback tátil”: o paciente que usa a veste robótica pode sentir o chão e o peso do corpo ao pisar, o que facilita a locomoção.

9043 – Tecnologia – Recarregue a bateria com o dedo


dedo bateria

(E dê o outro pra falta de energia…)

Todos nós já estamos cansados que ler notícias a respeito de projetos que propõem o uso de água, lixo, barulho e muitos outros recursos para produzir energia. Mas os designers Song Teaho e Hyejin Lee inovaram ao inventar um meio de produzir energia que depende, apenas, de um dedo.
Trata-se da “Twirling Battery”, uma bateria para celulares que é recarregada a partir de movimentos de rotação feitos com o dedo indicador. Segundo os criadores, são necessárias 130 voltas para que o celular funcione por 25 minutos em standby ou ainda para que uma pessoa possa fazer uma ligação de 2 minutos.
A invenção, claro, não é nada prática – sem contar que os casos de tendinite cresceriam absurdamente, se a moda pegasse. Mas tem gente vendo o lado positivo da história: Song Teaho e Hyejin Lee deram o primeiro passo e, agora, quem sabe, a tecnologia pode ser aprimorada, para um dia se tornar uma alternativa a ser considerada quando o assunto são as energias limpas.
Por enquanto, a invenção pode ser usada nos momentos de Lei de Murphy, em que precisamos do celular exatamente quando ele está sem bateria.

9042 – Biologia – Insetos conseguem ‘prever’ tempestades e evitam sexo antes de tempo ruim


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Insetos possuem um tipo de percepção para algo que humanos não conseguem fazer sem o auxílio de instrumentos: prever o tempo. Um experimento de biólogos da USP acaba de mostrar que esses invertebrados monitoram a pressão atmosférica para antever tempestades.
Segundo os cientistas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba), que publicaram um estudo sobre o trabalho, essa habilidade é tão disseminada entre insetos que está presente em espécies tão distintas quanto besouros, mariposas e pulgões.
Para Maurício Bento, um dos autores do estudo, o fato de essa característica ser tão comum nesse grupo de animais surgiu de uma vulnerabilidade especial que eles apresentam a ventos muito fortes e chuvas torrenciais.
A maneira com a qual esses animais conseguem antever um temporal não é por valores absolutos de pressão atmosférica, mas quando esta começa a cair. Uma alteração tão baixa quanto 2 milibares de pressão no ar –imperceptível para humanos– é suficiente para alterar o comportamento de animais.
Na etapa do experimento em que os pesquisadores analisaram um besouro, os cientistas notaram que, sob queda de pressão, machos deixavam de dar tanta atenção ao feromônio da fêmea. Na natureza, esses animais estariam mais preocupados em achar abrigo do que em copular naquela circunstância, pois quedas de pressão em geral antecedem temporais em algumas horas.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas mantiveram um rígido controle de suas observações, monitorando de hora em hora a pressão atmosférica em Piracicaba.
Numa segunda etapa, os cientistas decidiram realizar um experimento mais controlado. Para isso, a bióloga Ana Cristina Pellegrino viajou para a Universidade de Ontário Ocidental, no Canadá, para realizar mais testes dentro de uma câmara barométrica, um equipamento que controla a pressão do ar com precisão.
Observando pulgões e mariposas dentro do aparelho, ela notou que fêmeas não se preocupavam em emitir feromônios sexuais durante quedas de pressão simulada.
A escolha das espécies para o experimento, diz Bento, considerou que uma delas –o besouro– era mais resistente, e outra –o pulgão– mais frágil (a mariposa está num nível intermediário). Como insetos de diferente porte exibiram a habilidade, provavelmente ela se estende por toda a classe de animais.
O estudo da Esalq, bancado por Fapesp, CNPq e fundos canadenses, foi publicado na revista “PLoS One”.