8825 – Ison, o cometa do século chega à Marte


Em sua inabalável e acelerada jornada na direção do interior do Sistema Solar, o cometa passará a apenas 0,07 unidade astronômica (1 UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km) da superfície de Marte, no dia 1º de outubro. Traduzindo em medidas do dia a dia, são “meros” 10,5 milhões de quilômetros.
Embora ainda seja um afastamento considerável (boa notícia para os marcianos, que não precisam temer uma colisão), é apenas um sexto da máxima aproximação que o Ison fará com a Terra, em dezembro, o que significa que pode dar samba para as modestas câmeras do jipe Oportunity. E com certeza dará para a poderosa HiRISE, câmera de alta resolução do satélite Mars Reconnaissance Orbiter, que está neste momento girando ao redor do planeta vermelho.

A equipe do MRO vai tentar fotografar entre 29 de setembro e 2 de outubro. Uma tentativa inicial foi feita no último dia 20, mas a Nasa ainda não divulgou imagens desse primeiro esforço. O desafio aí é que os sistemas foram projetados para tirar fotos em alta velocidade, e a observação celeste exige o contrário, longo tempo de exposição. Mas os cientistas estão otimistas.
Já o pessoal responsável pelo jipe Curiosity também está se preparando, mas admite que não será fácil. “O rover se move por aí e precisa apontar uma câmera com um campo de visão de 5 graus”.

Enquanto isso, na Terra:

cometa ison

O astrônomo amador Bruce Gary, do Arizona (EUA), foi o primeiro a conseguir uma imagem do Ison depois que ele saiu detrás do Sol, onde estava escondido de todas as câmeras na Terra. E as notícias, obtidas no último dia 12, não são boas.
Aparentemente, o brilho dele está menor do que o esperado, o que dá reforço à hipótese de que o cometa não vá ser tão espetacular quanto antes se imaginava. O resultado vai de encontro ao que o especialista em cometas colombiano Ignacio Ferrin já vinha dizendo desde antes de o astro se esconder atrás do Sol: para ele, o Ison é pobre em material volátil (vulgo água) e vai brilhar bem menos do que se imaginava a princípio.
Ele cravou a hipótese antes mesmo de o cometa chegar às regiões mais quentes do sistema (em que a água começa a evaporar) e foi criticado por isso, mas pode acabar rindo por último.
Contudo, os cientistas ainda alertam: astros desse tipo são imprevisíveis e não se pode dizer qual será seu comportamento conforme eles mergulham na direção das proximidades do Sol.