8824 – O que faz homens e mulheres terem cheiros diferentes?


É o suor e sua interação com os hormônios, mas a questão – que encerra uma das chaves da atração sexual – envolve uma química mais complexa. O cheiro masculino, por exemplo, é mais intenso devido aos homens terem mais pelos, que estimulam tanto a produção de suor quanto de odor. Já o aroma feminino característico concentra-se na região genital, por causa da sua lubrificação constante e do fato de o interior da vagina ser mais ácido, para proteger a mucosa. Além disso, existe grande concentração de glândulas sudoríparas na virilha e na vulva. O papel principal nessa história toda é justamente dessas glândulas produtoras do suor. Existem dois tipos: écrinas e apócrinas. As primeiras soltam um líquido que serve apenas para resfriar o corpo. Já as apócrinas liberam uma secreção leitosa, que é a verdadeira responsável pelos cheiros do corpo humano.
O odor feminino também é atribuído aos chamados ácidos alifáticos, substâncias gordurosas presentes no suor e na secreção vaginal. Estudos comprovaram que esses ácidos são uma forte isca sexual entre os primatas. Um exemplo divertido é a famosa carta de Napoleão Bonaparte à sua amada Josephine, avisando que chegaria do campo de batalha em poucos dias e pedindo para ela parar de se banhar, para deixar bem concentrado seu aroma natural. Mas o mais incrível nesse setor da bioquímica erótica são os feromônios, hormônios que produzem aromas que não são percebidos conscientemente, mas que, no mundo animal, regulam a atração que leva ao acasalamento.
Entre os humanos, fatores sociais e culturais pesam mais que os feromônios, mas eles não deixam de ter efeitos curiosos: mulheres que dormem ao lado de um homem tendem a menstruar e ovular mais regularmente; ao mesmo tempo em que, neste homem, a barba cresce mais rápido.

Existem dois tipos de glândulas que produzem suor, mas só uma delas é responsável pelos odores do corpo
1. As glândulas sudoríparas se dividem em écrinas e apócrinas. As écrinas produzem um líquido incolor e inodoro, cuja composição é 99% água, que serve basicamente para resfriar o corpo – por isso, são uniformemente espalhadas por toda a nossa pele
2. O líquido leitoso produzido pelas glândulas apócrinas é levado naturalmente para o folículo piloso (base do pelo) – por isso, regiões do corpo com mais pelos costumam ter cheiro mais forte. Os feromônios, hormônios aromáticos que regulam a atração sexual, também são liberados por essas glândulas
3. Diferentemente das écrinas, a maioria das glândulas apócrinas se concentra nas axilas, no rosto, nos mamilos, na genitália e no ânus. Elas liberam uma secreção leitosa, formada por açúcares, gordura, proteínas e amônia – combinação que é um prato cheio para as bactérias, cuja proliferação é a verdadeira responsável pelo cheiro típico do suor

Hormônios definem passagem para idade adulta
DE MENINO A HOMEM
Os testículos produzem testosterona, o hormônio sexual masculino. É ele que, na puberdade, faz a voz ficar grave, a massa muscular aumentar e os pelos crescerem. Nessa fase, as glândulas apócrinas também se desenvolvem – o que acontece igualmente nas mulheres, mesmo sem testosterona
DE MENINA A MULHER
Os ovários produzem progesterona, o hormônio sexual feminino. É ele que, na puberdade, faz crescer seios e pelos e desencadeia a menstruação. Nessa fase, o progesterona avisa o cérebro de que pode iniciar a produção de feromônios, os hormônios aromáticos que atuam na atração sexual. Nos homens, isso também acontece, mesmo sem progesterona

8823 – Arqueólogos usam drones para monitorar sítios no Peru


Arqueólogos estão usando drones (veículos aéreos não tripulados) para acelerar o trabalho de mapeamento de sítios no Peru. Os equipamentos têm ajudado os pesquisadores a produzir mapas tridimensionais dos locais em semanas, em vez de meses ou anos como costumava ser.
Outro objetivo é vigiar os sítios para monitorar ameaças, que podem vir de mineiros, posseiros ou até de indústrias. “Vemos os equipamentos como uma ferramenta vital para a conservação dos locais”, disse Ana Maria Hoyle, arqueóloga do Ministério da Cultura.
“Com essa tecnologia, eu sou capaz de fazer em poucos dias o que levava anos”, disse Luis Jaime Castillo, arqueólogo peruano da Universidade Católica de Lima. Ele começou a usar um drone há dois anos para explorar o sítio de San José de Moro, no noroeste do Peru.
O país é conhecido pelas ruínas de Machu Picchu, mas tem mais 13 mil sítios, segundo estimativa do governo. Apenas 2.500 deles foram demarcados até agora.

8822 – Estudo identifica 13 alterações genéticas envolvidas na esquizofrenia


Um novo estudo identificou 13 novas regiões do DNA nas quais variações genéticas podem levar à esquizofrenia, um transtorno psiquiátrico cuja causa exata ainda é desconhecida. Somadas às partes do genoma humano que já haviam sido relacionadas anteriormente ao transtorno, os pesquisadores estimam que existam 22 regiões genéticas envolvidas na doença.
O DNA humano é composto por duas fitas que carregam uma sequência de nucleotídeos, representados pelas letras A, C, G e T. Os genes, a parte do DNA que carregam informações, são formados por uma sequência especial dessas letras. O que os cientistas descobriram nesse novo estudo foi que, quando há uma variação genética (ou seja, na ordem dos nucleotídeos) em alguma das 22 partes específicas dessa fita, o risco de esquizofrenia se torna maior.
Os autores dessa pesquisa chegaram a esse resultado após estudar casos de esquizofrenia e compará-los a pessoas livres da doença. A equipe também analisou estudos anteriores que avaliaram o genoma de indivíduos com o transtorno. Depois, os pesquisadores aplicaram as conclusões em amostras de DNA humano. Ao todo, quase 60.000 indivíduos foram envolvidos no trabalho.
Patrick Sullivan, coordenador do estudo, explicou em um comunicado que duas dessas regiões do DNA associadas à esquizofrenia carregam genes que influenciam a manutenção das células nervosas, e outra inclui um gene envolvido na regulação do desenvolvimento do sistema nervoso. Além disso, uma parte do DNA relacionada à esquizofrenia já havia sido associada anteriormente ao transtorno bipolar.
O trabalho foi feito no Centro de Psiquiatria Genômica da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e publicado neste final de semana na revista Nature Genetics.

Diagnóstico
O estudo recebeu subsídios do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, sigla em inglês). Em 2009, o órgão criou o Projeto de Pesquisa em Domínio de Critérios, o RDoc, com o objetivo de investir em trabalhos que desvendem os circuitos cerebrais e os fatores genéticos que estão por trás dos principais distúrbios psiquiátricos.
Atualmente, o diagnóstico de transtornos mentais é feito apenas com base nos sintomas clínicos apresentados pelo paciente. Esse método pode levar a diagnósticos imprecisos e equivocados de doenças psiquiátricas, já que não explica o que, de fato, está acontecendo no organismo e no cérebro de um paciente que apresenta algum distúrbio.

Glossário
ESQUIZOFRENIA
O distúrbio mental é caracterizado por perda de contato com a realidade, alucinações (audição de vozes), delírios, pensamentos desordenados, índice reduzido de emoções e alterações nos desempenhos sociais e de trabalho. A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial. O tratamento é feito com uso de remédios antipsicóticos, reabilitação e psicoterapia. A causa exata do transtorno ainda não é conhecida, mas estudos sugerem que ele seja uma combinação entre fatores hereditários e ambientais.

8821 – Planeta Terra – Megafauna foi crucial para fertilizar a Amazônia


Durante milhares de anos, os animais gigantes fertilizaram a bacia amazônica ao espalhar nitrogênio, fósforo e outros nutrientes contidos em seus excrementos, antes de desaparecerem abruptamente. Com isso, privaram definitivamente a região deste aporte maciço de adubo, revelou um estudo publicado neste domingo na revista Nature Geoscience.
No período do Pleistoceno, a América do Sul se parecia muito com a atual savana africana. E os dinossauros, há muito tempo desaparecidos, deram lugar a uma megafauna impressionante: mastodontes, antepassados dos elefantes, preguiças gigantes de cinco toneladas e os gliptodontes, tatus do tamanho de um pequeno carro.

Predominantemente herbívoros, estes mamíferos gigantes consumiam quantidades importantes de vegetais, absorvendo nitrogênio e fósforo que liberavam nas fezes e na urina por onde passavam. Segundo o estudo, eles também contribuíram para redistribuir esse adubo natural em distâncias muito grandes — sem ele, os solos permaneceriam estéreis, particularmente na bacia amazônica.
Mas o que aconteceu depois que esta megafauna desapareceu há 12 mil anos, depois de uma extinção maciça provavelmente vinculada a uma mudança climática e às atividades humanas?
Segundo cálculos dos pesquisadores, a dispersão do adubo cessou rapidamente com o desaparecimento da megafauna, há 12.000 anos. Assim, a redistribuição de adubo acabou limitando-se aos sedimentos transportados dos Andes por meio dos rios e ribeirões. Segundo o modelo matemático desenvolvido por eles, a dispersão de fósforo na bacia amazônica teria, desta forma, despencado 98%.
“Em outras palavras, os grandes animais são como as artérias de nutrientes para o planeta. Se eles desaparecem, é como se cortássemos essas artérias”, diz o principal autor do estudo, Christopher Doughty, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Porque a maioria destes animais desapareceu, o mundo tem muito mais regiões pobres em nutrientes do que teria tido caso contrário.”
O estudo se concentrou na Amazônia, mas o estudioso considera provável que essas transferências de nutrientes tenham ocorrido em todo o continente sul-americano, também na Austrália e em outras regiões do planeta. Em todos os cenários, as transferências foram interrompidas com o desaparecimento da megafauna.
“Mesmo que 12.000 anos seja uma escala de tempo que não tenha grande sentido para a maioria das pessoas, com esse modelo mostramos que as extinções que ocorreram na época continuam a afetar atualmente a saúde do nosso planeta”, afirmou Doughty. Segundo ele, o modelo concebido para o estudo pode ser adaptado ao nosso mundo moderno. “Podemos estimar os efeitos de longo prazo na fertilidade do solo se animais como os elefantes desaparecessem”.

Se os humanos contribuíram para a extinção em massa dos animais gigantes há 12.000 anos, então podemos concluir que eles começaram a afetar o meio ambiente muito antes do surgimento da agricultura, disse Adam Wolf, pesquisador em Ecologia da Universidade de Princeton, nos EUA, que participou do estudo.

Glossário:
PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

8820 – Geo-Política – A Crise no Oriente Médio


Para os judeus, Israel é a “terra prometida” para onde Moisés os levou. Para os católicos, é a terra santa, onde Jesus viveu. Para os muçulmanos, é sagrada porque foi de Jerusalém que Maomé teria subido aos céus. A região foi dominada por gregos, romanos e bizantinos. Em 636, os árabes a islamizaram. De 1099 a 1291, os cruzados cristãos invadiram e, em 1516, os turcos tomaram conta. Em 1917, os ingleses expulsaram os turcos e instalaram o protetorado da Palestina.
No final do século XIX, a imigração judia para a terra prometida começou a aumentar, especialmente após a fundação do Movimento Sionista, em 1897, que pregava a criação de um Estado próprio. Depois do apoio da Inglaterra à tese, a população judia quase triplicou: de 85 000, em 1914, saltou para 238 000, em 1933.
Os árabes, é claro, detestaram. Mas as atrocidades nazistas aumentaram a simpatia à causa judaica. Em 1947, a ONU aprovou a divisão dos 26 000 quilômetros quadrados da Palestina (o tamanho do Estado de Alagoas). Israel, com 680 000 judeus, ficaria com 55% do território e os 1,3 milhão de árabes, com 45%. Os países árabes votaram contra.
Israel proclamou a independência, venceu cinco exércitos e conquistou, na marra, 80% da Palestina. Os 20% restantes foram ocupados pelo Egito e pela Jordânia. Mais de 700 000 palestinos se exilaram em outros países. O nó do Oriente Médio só apertou.

Cronologia de disputas
Em 29 de novembro de 1947, a ONU dividiu a Palestina, então um protetorado inglês, em dois Estados, um judeu e um árabe, transformando Jerusalém em cidade internacional. Os palestinos árabes nunca apoiaram a decisão. Em 13 de maio de 1948, os ingleses se retiraram e, no dia 14, Israel declarou a independência. No dia 15, foi invadido por exércitos de cinco países árabes.

Israel venceu a Guerra da Independência e conquistou 6 000 km2, ocupando um território compacto de 20 700 km2 e metade de Jerusalém. O Egito ficou com a Faixa de Gaza e a Jordânia com a Cisjordânia. O Estado palestino nunca foi proclamado e 700 000 árabes tiveram que fugir das áreas ocupadas pelos israelenses, virando refugiados em vários países.

Em 1967, Israel derrotou o Egito, a Síria e a Jordânia, anexou Jerusalém, ocupou a Cisjordânia, o Sinai e as colinas de Golan, dobrando seu território. Para fazer a paz com os inimigos mais poderosos, devolveu parte do Golan à Síria, em 1981, e o Sinai ao Egito, em 1982. Mas começou a colonização da Cisjordânia. Em 1987, os palestinos protestaram com a revolta da Intifada.

Em 1993, pelos Acordos de Oslo, Israel reconheceu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como representante palestino e a OLP reconheceu o direito de Israel existir. Aprovou-se um plano de transição de cinco anos para a retirada israelense das zonas ocupadas e a transferência do poder à Autoridade Nacional Palestina. Hoje, já existem aldeias palestinas autônomas e semi-autônomas. Mas 40% de Gaza e 70% da Cisjordânia continuam sob controle israelense exclusivo. A ideia de um Estado palestino ainda é um sonho remoto.

8819 – Planeta Terra – Entendendo o El Niño


Quando ele chega, tudo muda de lugar. Ventos que durante milênios sopravam num mesmo sentido passam a correr de trás para a frente. Chuvas viram secas, calor dá lugar a frio e o que era gélido começa a torrar. O responsável por tudo, o El Niño, é o primeiro indício descoberto pelos meteorologistas de que o clima pode mudar em escala planetária num período muito curto, praticamente de um ano para outro.
O que causa o El Niño é uma gangorra. Sempre que a pressão atmosférica sobe no Oceano Índico, ela desce no Pacífico. E vice-versa. Notados há poucas décadas, o El Niño e a gangorra são traços milenares do clima. A gangorra intrigante, que foi ironizada quando anunciada pelo inglês Gilbert Walker, em 1928, não só era para ser levada a sério, como está na raiz desse hospício instalado no nosso planeta. Louco não foi o descobridor da gangorra da pressão. Louco mesmo era o clima.

Um jogo de empurra sobre o planeta:
A peça-chave do clima planetário é um jogo de empurra que faz a pressão atmosférica subir num ponto e, ao mesmo tempo, descer num outro canto da Terra. É chamado de Oscilação Sul e, como faz uma aliança com o El Niño, os cientistas, agora, sempre falam no par El Niño-Oscilação Sul, ou Enso, que é a sua sigla em inglês. Hoje, é difícil descer num lugar do mundo onde o Enso não se intrometa.
Vamos lá. Pousando no Paquistão, em agosto, você presenciaria crianças com sede, arrastando as sandálias no chão rachado de tão seco. É que o Enso faz a pressão subir sobre o Oceano Índico. Traduzindo, faz o ar descer do alto da atmosfera para a superfície. Assim, empurra para longe a umidade das monções. E, sem esses ventos, não chega chuva no Paquistão.
Há quem tente botar a culpa no efeito estufa, que é o excesso de calor provocado pela poluição industrial. Mas o Enso aparece em registros históricos, muito antes de existir indústria e poluição. Então, por enquanto, tentar forçar uma explicação só aumenta a doidice que já cerca o fenômeno. E aí, a loucura não é mais do clima. É da imaginação.

Seu combustível é o Sol, que aquece a água, a terra e o ar.
A luz do solar faz a água virar vapor e formar nuvens. Ela também cria os ventos, pois o ar quente se expande e ocupa mais volume. Com isso, fica mais rarefeito, mais leve, e sobe. Sobra um vazio que o ar frio em volta corre para preencher. É o vento. Assim, arma-se um jogo de empurra em todo o planeta que, ao longo dos milênios, criou o clima.

Sob o Sol a água vira vapor. Nasce a chuva.
O calor faz o ar subir, criando os ventos;
No solo, a luz vira calor;

O El Niño nasce porque a atmosfera muda de cara.
Dentro da atmosfera, o ar circula junto à linha do equador como se estivesse encanado. Ele gira entre a superfície e o topo da atmosfera formando circuitos fechados, chamados células de Walker. Uma ao lado da outra, elas dão a volta ao mundo. Em 1928, o inglês Gilbert Walker viu que as células amarravam a pressão atmosférica entre dois oceanos: o Índico e o Pacífico. Se a pressão aumenta de um lado, ela diminui do outro, e vice-versa. Ou seja, se o ar pressiona o cidadão contra o solo de um lado, do outro ele sobe e alivia a força, do outro. O jogo das pressões corre pelas células e dá a volta ao mundo. Você vai ver, aqui, como esse jogo cria o El Niño.

O pacífico sem a confusão …
1. É assim que o ar circula na atmosfera, definindo a força e a direção do vento na superfície do oceano.
2. Os ventos sobem e levam umidade para formar nuvens de chuva sobre toda esta região.
3. A brisa empurra a água para a Austrália. O nível do oceano fica 60 centímetros mais alto do que no Peru.
4. Aqui o nível do oceano é baixo. O plâncton do fundo vem à tona e vira comida de peixe. A pesca é farta.

… E com o El Niño
1. A circulação do ar muda em relação à situação normal (acima). O vento agora desce e mata a chuva.
2. O ar úmido agora sobe longe da Austrália. As chuvas caem em alto-mar e o país sofre.
3. Com o vento invertido, a água superficial, aquecida, permanece na costa do Peru. Esse calor é que é a marca do El Niño.
4. O plâncton do fundo não chega à superfície. Os peixes passam fome, procriam menos e as redes ficam vazias.

Perda material:
O El Niño de 1982 foi o mais forte do século, até agora. Na América do Sul, quem mais sofreu foi o Peru. A pesca, uma atividade econômica chave, ficou prejudicada. As enchentes também atrapalharam o Uruguai, a Argentina, o Paraguai e o Brasil, na Região Sul. O Nordeste sofreu com a seca. O prejuízo total na América do Sul foi de 3 bilhões de dólares, e, em todo o planeta, 13 bilhões. Leia abaixo o custo dos desastres.

Enchentes
O prejuízo recorde, de 1,3 bilhão de dólares, coube aos Estados Unidos. O Peru e o Equador arcaram com 650 000 dólares, vindo a Bolívia em seguida, com 300 000.

Furacões
Causaram impacto bem menor. O Havaí pagou o maior preço, 230 000 dólares. Ao Taiti couberam 50 000. Os dois lugares ficam no Pacífico.

Secas
A Austrália perdeu 2,5 milhões de dólares. Vieram depois a África do Sul com 1 milhão, a Indonésia com 500 000, as Filipinas com 450 000. A América Central arcou com 600 000 dólares.

Confusões que os brasileiros já viram:
Uma alteração típica foi o aumento das chuvas na Região Sul, durante o mês de agosto. Já na Serra da Mantiqueira e no litoral da Bahia caiu menos água do que deveria. Os termômetros subiram, em geral, 2 ou 3 graus Celsius no leste de São Paulo, no nordeste de Goiás e no sul do Mato Grosso do Sul. No centro da Bahia e no sul do Piauí o tempo ficou até 3 graus mais fresco. Daqui para a frente, todos concordam que vai chover mais no Sul e menos no Nordeste. Também vai ficar mais frio no Sul e mais quente no Nordeste.

Jato antinordeste…
Correntes de jato são rios de ar que disparam a 12 000 metros de altura. Com o El Niño, uma delas bloqueia as frentes frias que normalmente criam as chuvas do Nordeste em fevereiro e março.

…E antisul
Na Região Sul, o bloqueio da corrente tem um efeito oposto. Ele trava as frentes frias sobre ela, provocando chuvas torrenciais e enchentes.

8818 – Mega Fight – O Kung Fu


kung fu

A luta que conhecemos como kung fu na verdade se chama wushu e foi criada há pelo menos 4 mil anos, na Mongólia, espalhandose pela China. A falha de comunicação foi do missionário francês Jean Joseph Marie Amiot (1718-1793), que acabou reba rebatizando a luta com uma expressão que significa “trabalho duro”, em cantonês. De qualquer forma, foi como kung fu que essa arte marcial ganhou fama no Ocidente e, a partir dos anos 60, passou a estrelar no cinema. Muito antes disso, porém, o wushu – “arte da guerra” em mandarim – era mania nacional na China desde 700 a.C. Ao longo do tempo, o wushu ganhou dezenas de variações, muitas delas criadas em templos famosos, como Shaolin, Fukien e Huanshan. Em 1949, o governo chinês criou regras oficiais para competição, usadas até hoje nos campeonatos mundiais que rolam a cada dois anos.

Popularizada pelo cinema, a modalidade é marcada por movimentos rápidos e precisos

Vale até ser acrobático para acertar o adversário
SALTO DE 540º
Este giro e meio no ar, finalizado com um chute baixo, impressiona. Trata-se, porém, de um golpe mais bonito do que eficiente

MARTELO
Por ser muito veloz, este golpe ajuda a pegar o rival desprevenido. Se for mal aplicado, porém, abre a guarda para o contra-ataque

JOELHADA
Golpe dos mais comuns nos filmes de kung fu: com um salto preciso, o lutador cai com o joelho ferindo as pernas do adversário

NA DEFESA
Bloquear sequências de golpes não garante contra-ataques

GIRO DE MÃOS
É eficaz contra golpes altos em sequência, mas não evita que o oponente continue na ofensiva e encurrale o adversário.

BLOQUEIO
Evita golpes fortes e diretos na altura do tronco. Apesar de ser muito eficiente, não ajuda na preparação do contra-ataque.

EMPURRÃO
Neste caso, a defesa é o melhor ataque. Um movimento rápido em direção ao peito faz o adversário recuar e perder o equilíbrio.

Bruce Lee, a lenda…
Com a lenda das artes marciais e do cinema, não tinha nada coreografado e as lutas filmadas eram espontâneas. Além de se tornar um mestre do wushu, Bruce Lee criou seu próprio estilo de luta, o Jeet Kune Do. Enquanto atuava e praticava artes marciais, o cara ainda arranjou tempo para se formar em filosofia
– Um dos golpes mais famosos nos filmes, o soco de uma polegada, é mais usado no wing chun, arte marcial chinesa que Bruce Lee dominava
– Os estilos derivam do movimento de 12 seres: urso, serpente, águia, tigre, dragão, galo, cavalo, louva-a-deus, macaco, gavião, andorinha e garça
– Antes de ser ator, o mestre Jet Li também demonstrou a luta para autoridades. Foi em 1974, na Casa Branca, diante de Richard Nixon
– Por volta de 200 a.C., muitas mulheres eram mestras. Uma das mais conhecidas foi Yuenu, que se apresentou para o imperador Goujian.

Na competição, as lutas rolam em um tablado elevado e os lutadores, descalços, usam luvas e protetores de cabeça. As apresentações coreografadas, individuais e coletivas, por sua vez, acontecem no chão e lembram as provas de solo da ginástica olímpica.
Um dos 13 árbitros fica no tablado e orienta a luta junto com dois auxiliares. Os outros dez contabilizam, de longe, os pontos de cada lutador para a contagem final;

PONTO CERTO
A luta é decidida por nocaute ou por pontos. Para golpes simples, valem mais os que acertam a cabeça. Golpes no tronco valem um pouco menos e nas pernas menos ainda. O que dá mais pontos, porém, é encaixar uma sequência de golpes ou mandar um daqueles de difícil execução, como o salto de 540º;

TEMPO DE LUTA de 1min20s a 5minutos

PEÇAS E ACESSÓRIOS

As armas do wushu estão ligadas à tradição militar chinesa
DAO Na China, este sabre usado na Ásia há 5 mil anos é a mais básica das armas
BIAN Espada curta, usada no estilo Shaolin Quan, aparece em vários filmes
MARTELO Formado por uma corda de 4 m com dois pesos de 180 g na ponta
DAN Tridente muito comum no kung fu, principalmente no estilo Chuang Fa.

8817 – Medicina – A Espera do Curativo genético


A Terapia Gênica é o nome que se dá à técnica de fazer curativos nos genes para remediar os males do corpo. Por enquanto, o tiro saiu pela culatra, mas a Medicina está no caminho certo.
Suponhamos que um cidadão quebrou o braço. E, em vez de engessar e esperar a regeneração natural dos tecidos, o médico implanta em algumas células da vítima, como as do sangue, um pedaço de DNA corretivo. Este fragmento fabrica uma proteína que faz a soldagem de um modo muito mais simples e rápido que o tradicional. Em ratos, esse tipo de remendo genético foi experimentado com sucesso. Mas isso é apenas um meio de ilustrar uma técnica revolucionária, que pode fazer muito mais do que colar ossos. Em poucas palavras, não importa se os sintomas são os da Aids, da gripe, do câncer ou de uma doença hereditária. Sempre vai dar para arranjar um gene que ajuda a eliminar o mal ou a aliviar as suas consequências.
Tal técnica vem sendo aprimorada em silêncio, nos últimos anos, em milhares de experiências, com animais ou com alguns pacientes humanos. Nenhum dos testes deu resultado conclusivo, e seria uma falha ética imperdoável exagerar as esperanças que eles criam para milhões de pacientes. Mudanças comparáveis às das grandes revoluções do passado, como a das vacinas e a dos antibióticos.” Para ter uma idéia dos avanços já feitos na terapia gênica, você só precisa seguir a hélice de DNA.
A melhor maneira de entender os curativos genéticos, ou a terapia gênica, como dizem os especialistas, é comparar o organismo humano com um computador. Essa analogia é possível porque tanto um como o outro precisam de instruções para trabalhar. Assim, enquanto a máquina lê os comandos gravados nos programas, o corpo segue as ordens escritas nos genes. Isso quer dizer que não é preciso mexer diretamente nos órgãos para tentar eliminar os males de um cidadão. Basta instalar nas células um novo programa – ou seja, um novo gene – e deixar que, daí para a frente, o próprio organismo resolva os seus problemas.
Não é difícil perceber o potencial revolucionário desse tipo de tratamento. Antes de mais nada, ele cria a primeira oportunidade de atacar pela raiz as doenças hereditárias. Ou seja, aquelas em que o paciente já vem ao mundo com um “software” imperfeito. O ideal, aqui, seria trocar o gene enguiçado por uma cópia em boas condições. Agora, se o gene não foi identificado, ou se ninguém sabe direito como ele funciona, sempre existe a alternativa de achar algum outro pedaço de DNA que possa, pelo menos, eliminar os sintomas.
Basta essa possibilidade para explicar o entusiasmo com a terapia gênica, pois há registro de mais de 4 000 moléstias associadas a defeitos nos genes, muitas delas incuráveis. Mas isso é só o começo da história, como se vê pela Aids, que não é hereditária e não tem nada a ver com mutações ou estragos feitos no DNA por radiação ou qualquer outro acidente. Apesar de ser causada por um vírus, o HIV, ela também pode ser combatida com fragmentos de DNA que, de alguma forma, prejudiquem o vírus. Até já se conhecem proteínas que atrapalham a proliferação do micróbio. Os pesquisadores estão tentando implantar no organismo dos pacientes o gene que fabrica essas substâncias. E aí, se der certo, as próprias células poderão fabricar antídotos contra o HIV.
É isso o que faz a nova terapia: descobrir genes que, de uma maneira ou de outra, fabricam proteínas benéficas à saúde. Essa orientação, nos últimos anos, já levou à descoberta de substâncias incríveis. Algumas induzem as células cancerígenas ao sucídio, outras apressam a regeneração de ossos quebrados e outras ainda fortalecem células musculares atrofiadas. No fim das contas, o futuro da terapia gênica depende do arsenal de genes úteis que vêm sendo identificados em número cada vez maior. Daí sairá a matéria-prima para forjar softwares químicos capazes de transformar a maquinaria celular em uma farmácia que funciona sozinha dentro do corpo.

Vejamos como os genes podem ser usados para combater doenças dos mais diversos tipos.
Aids
Efeitos externos
• O sistema de defesa do organismo pára de trabalhar e o paciente é tomado por infecções múltiplas.

A origem profunda
• Um vírus, o HIV, especializado em destruir as células de defesa, abre o flanco do organismo para outras invasões.

Recurso convencional
• Aplicar substâncias tóxicas que prejudicam o HIV. Mas as células sadias também sofrem.

Resposta genética
• Há diversas propostas. Uma é apelar para genes que montam, dentro das próprias células, proteínas maléficas contra o HIV. Outros pedaços de DNA criam proteínas que despertam as defesas orgânicas contra o bicho.

Fibrose cística
Efeitos externos
• O pulmão fica cheio de muco, um líquido grosso que abriga germes e facilita as infecções.

A origem profunda
• Uma falha no gene que controla a saída de substâncias das células pulmonares provoca a enchente de muco.

Recurso convencional
• Batidas nas costas para soltar o muco, limpar os pulmões e combater as infecções com antibióticos.

Resposta genética
• Trocar o gene danificado por outro, em boas condições, copiada de cidadãos saudáveis. A lógica é simples. Mas, como os outros testes da terapia gênica, às vezes funciona, às vezes não, sem que se saiba a razão.

Amiotrofia
Efeitos externos
• Os músculos se degeneram. Perdem a força até atingir a paralisia completa, que é fatal.

A origem profunda
• A superprodução de uma enzima, decorrente de um defeito genético, destrói a estrutura das células.

Recurso convencional
• Algumas drogas favorecem a regeneração, embora não impeçam o desmantelamento das células.

Resposta genética
• Instalar genes fabricantes de proteínas regeneradoras. Embora não façam efeito se forem simplesmente injetadas no paciente, elas reconstroem a célula quando são produzidas sob as ordens do DNA.

Fratura
Efeitos externos
• Às vezes nem é visível. Mas pode acarretar sérias dificuldades ao acidentado.

A origem profunda
• Não é doença. Como os ossos têm pouca flexibilidade, quebram-se com relativa freqüência.

Recurso convencional
• Colocar o osso no lugar à força e imobilizá-lo até que a regeneração natural dos tecidos faça a soldagem.
Resposta genética
• Há uma década, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descobriram um pedaço de DNA que monta uma proteína soldadora. Feito o implante em ratos, as próprias células restauraram os ossos partidos.

Os vírus são o melhor veículo para levar novos pedaços de DNA até as células.
1. Primeiro, o gene que se quer implantar é colocado dentro de um vírus.

2. Então, injetado no organismo, o bicho infecta as células e entrega a encomenda.

3. Num outro esquema, a célula é retirada do organismo e colocada num recipiente.

4. Aí, ela recebe o DNA do vírus e é colocada de volta no corpo.

O mais comum
Os retrovírus são os mais usados nos testes de terapia gênica. Inserem o DNA curativo diretamente no cromossomo, onde ele funciona melhor. Desvantagem: podem danificar outros genes.

Carga pesada
Os adenovírus levam muitos passageiros, o que aumenta a possibilidade de êxito. Só que deixam a encomenda em qualquer lugar da célula, e os novos genes nem sempre trabalham bem.

Micróbio falso
Lipossomos são esferas de gordura feitas em laboratório. Não causam doença, o que sempre preocupa nos germes reais. Mas as imitações não invadem as células com muita eficiência.

O menor de todos
Os plasmídeos formam uma rodinha com uma série de genes enfileirados. Encontrados nas bactérias, entram nas células sem risco de causar mal. Porém sua capacidade de carga é bem pequena.

Tumor suicida

Um gene descoberto recentemente faz uma proteína que gruda nos tumores e emite uma mensagem de que o ciclo vital das células doentes está no fim. Estas últimas, com isso, param de se reproduzir ou morrem.

Suprimento cortado
Um outro gene anticâncer é o que produz, dentro dos tumores, substâncias que fazem a manutenção do organismo. Assim, podem cortar o suprimento de sangue de que as células malignas precisam para sobreviver.

Marcação cerrada
Pedaços de DNA sintetizados em laboratório marcam de perto os genes que sofrem mutações cancerígenas. O fragmento sintético impede os genes de fabricar suas proteínas degeneradas, as que disparam o processo da doença.
Certas células doentes viajam pelo sangue sem ser detectadas pelas defesas orgânicas. Mas existem proteínas que grudam nas viajantes, chamam a atenção do exército protetor e provocam um ataque em massa à doença.
Uma tática muito usada é a que coloca novas instruções genéticas em células tiradas de um paciente. Estas, então, “aprendem” a fazer venenos chamados citocinas. De volta ao corpo, intoxicam os tumores.

8816 – Geologia – O Sal veio dos Vulcões


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“A brancura é tanta que, em dias nublados, não dá para ver onde termina o lago e onde começa o céu”, conta o fotógrafo paulista Ignacio Aronovich, que percorreu a região recentemente. Mas, há 15 000 anos, Uyuni era diferente. O lago tinha água doce e era cercado por vulcões ativos. Foram eles que salgaram a área.
As erupções despejaram na terra toneladas de lava enriquecida com sais minerais, que foram arrastados pelas chuvas e rios para o lago (veja o infográfico ao lado). Com o tempo, o clima seco evaporou tudo por ali e transformou Uyuni no que os geólogos chamam de salar – uma placa salgada de mais de 200 metros de espessura. “Esse processo acontece até hoje, alimentado pelos raros vulcões ainda ativos”, diz um geólogo da Universidade de São Paulo.
Com isso, Uyuni acumulou 64 bilhões de toneladas de cloreto de sódio (sal de cozinha), mais 150 milhões de toneladas de cloreto de potássio e outras 100 milhões de cloreto de magnésio. Há duas técnicas de extração, ambas primitivas. Ou os trabalhadores simplesmente raspam o chão ou usam machados e picaretas, arrancando os chamados “panes” (pães). São tijolos listrados, em que os três cloretos – de sódio, de magnésio e de potássio – se alternam em camadas. “Quando a gente se perde, uma saída é seguir as marcas deixadas no chão pelas rodas dos caminhões que recolhem os panes”.
Caminhar pelo salar é como andar de carro, a 60 quilômetros por hora, com a cabeça para fora da janela. Essa é a velocidade do vento. O sal fino que ele carrega cola no rosto e resseca a pele. Se você pensa que vai poder tomar um banho no fim do dia para se livrar do melado, esqueça. Água, ali, é artigo raríssimo. Nem o Hotel de Sal – uma hospedaria toda feita de blocos salinos, instalada no meio do salar – oferece duchas. Também não conte com as chuvas. Elas caem vez ou outra, entre dezembro e fevereiro, e deixam apenas algumas poças de 2 centímetros de profundidade, que evaporam em horas. Além disso, não servem para nada, de tão salgadas que são.
Ainda assim, vale a pena atravessar o lago em excursões a jipe, para conhecer as belas ilhas que pontilham o deserto branco. A maior delas, a Ilha do Pescado, fica a 2 horas da cidade de Uyuni. No topo, há uma caverna com um inexplicável cheiro de mar. Os que realmente têm espírito de aventura podem acampar por lá. Desde que levem muita água, suco, chá ou refrigerante (a extrema secura faz você beber até 5 litros de líquido por dia, ou seja, três ou quatro vezes mais que o normal). E agasalhos. No verão, a temperatura máxima em Uyuni é de 10 graus Celsius, e no inverno chega a menos 20.

Dicas para uma aventura em Uyuni.
Não viaje sem seu kit de sobrevivência: protetor solar, creme hidratante, óculos escuros e agasalho. O ponto de partida é La Paz, capital da Bolívia. Há vôos saindo quase todos os dias de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. De lá, a viagem segue por trem ou ônibus. A travessia por trilhos exige paciência: leva 12 horas. Mas é a melhor opção, pois as estradas são muito ruins. É possível organizar o passeio antecipadamente, com uma agência de viagens boliviana. Em La Paz, a Ecological Expeditions (telefone 00 591 2 314172) oferece pacotes de cinco dias. Na cidade de Uyuni há várias agências, na Avenida Ferroviária. Uma delas é a Transandino Tur (telefone 00 591 693 2132). O transporte pelo salar é feito por jipes. Há alguns hotéis na cidade. Mas, para sentir o clima, nada como hospedar-se no Hotel de Sal, no meio do salar. As reservas são feitas nas agências de La Paz ou Potosi.

E aí, vai encarar essa salmoura?
E aí, vai encarar essa salmoura?

8815 – Física – A Metade Invisível do Universo


Antimatéria é simplesmente isso: um inverso elétrico da matéria usual. Mas, então, por que não se vê antimatéria no grande laboratório natural que é o Universo? Tudo indica que ela deve ter sido criada em grandes quantidades durante o Big Bang, a explosão que criou o Cosmo, há 15 bilhões de anos. Mas é praticamente certo que, dentro do enorme volume gigantesco à nossa volta, não existe o menor traço de antiestrelas ou antigaláxias.
Por enquanto, os físicos não sabem exatamente que tipo de coisa terão que procurar. Talvez a antimatéria sofra de alguma instabilidade, alguma propensão interna para desintegrar-se. Isso explicaria o seu sumiço durante a história do Universo. Para Christian, a probabilidade de achar alguma anomalia não é grande. Mesmo assim, o trabalho não se perderá. Pois, enquanto mantêm um olho no enigma cósmico, os físicos vão explorar um novo tipo de material à disposição da humanidade. E não é muito improvável que, nos próximos anos, ele sirva para desenvolver tecnologias inimagináveis atualmente.
Agora mesmo existe um projeto interessante em andamento na Universidade da Pensilvânia. Muito bem bolado, o motor proposto pelo chefe do estudo, Gerald Smith, usaria um raio de antiprótons para energizar um reator nuclear. A grande vantagem desse sistema sobre idéias anteriores é que exige apenas alguns milhares de partículas, quantidade fácil de produzir com a tecnologia existente. Segundo Smith, se a coisa funcionar, e se for possível reduzir o custo do combustível, que é hoje altíssimo, poderá acelerar uma grande nave pilotada a uma velocidade em torno de 100 000 quilômetros por hora e reduzir pela metade o tempo de vôo aos planetas. Uma viagem a Marte levaria cerca de 100 dias. O esforço pode não dar em nada. Mas a idéia de usar a antimatéria como combustível deve continuar sendo uma inspiração para o avanço das pesquisas.
Num choque frontal a quase 300 000 quilômetros por segundo, duas partículas subatômicas da classe dos prótons viram energia pura, e esta, imediatamente depois, dá origem a novas partículas que se afastam da colisão em espirais.
Metade dos fragmentos criados na trombada representam matéria comum, como prótons e elétrons, entre outros
A outra metade, voando em direção oposta, é formada por antiprótons e antielétrons. Ou seja, antimatéria.

Veja como o antielétron foi detectado em 1932.
Os físicos custaram a descobrir como se monta um antiátomo inteiro. Mas as antipartículas usadas para construí-lo fazem parte da rotina científica desde o início da década de 30. Em 1932, o teórico inglês Paul Dirac previu a existência do antielétron, e apenas dois anos mais tarde o americano Carl Anderson comprovou a teoria. Anderson ainda não dispunha dos grandes tubos a vácuo nos quais, atualmente, partículas comuns são, primeiro, aceleradas e, depois, forçadas a colidir entre si a uma velocidade próxima à da luz. Elas então se desintegram e se recompõem na forma de estilhaços subatômicos. Metade dos quais é antimatéria. Como esse processo só começou a ser usado na época da Segunda Guerra Mundial, Anderson teve que observar o antielétron nos raios cósmicos. São principalmente prótons que viajam, enlouquecidos, entre as estrelas. Vez por outra, explodem nas camadas mais altas da atmosfera, gerando grandes chuveiros de lascas microscópicas. Foi o primeiro contato da humanidade com a antimatéria.

De Einstein ao anti-hidrogênio:

Os passos que levaram à descoberta da antimatéria.
O pai da ideia:
Como quase tudo na Física, a existência da antimatéria foi deduzida a partir da Teoria da Relatividade, criada por Einstein em 1905.

Retoques na teoria
Em 1924, o francês Louis de Broglie, aprimorando as fórmulas de Einstein, preparou o caminho para a pesquisa nos anos seguintes.

Inglês genial
Em 1930, o inglês Paul Dirac mostrou que cada partícula deveria ter um par, idêntico a ela mas de carga elétrica oposta.

Carl Anderson
Em 1932, o americano Carl Anderson detectou um antielétron. Era idêntico ao elétron de carga negativa. Mas tinha sinal positivo.

8814 – Anti-Depressivo – O Adeus ao Baixo-Astral


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Em abril de 1957, o médico americano Nathan Kline, então com 42 anos, diretor do Hospital Psiquiátrico de Rockland, nos Estados Unidos, anunciou que a depressão tinha remédio. Ele relatou os resultados positivos da iproniazida em pacientes que haviam tentado o suicídio. O problema era que as indústrias farmacêuticas tinham acabado de retirar do mercado essa substância, derivada de um aditivo de combustível usado nos tanques da Segunda Guerra Mundial. A iproniazida fora lançada seis anos antes para tratar a tuberculose. Na época, notou-se que ela deixava cheios de ânimo, sorridentes e menos sensíveis à dor pacientes que estavam à beira da morte. Mas não era boa na tarefa de curar as lesões pulmonares. Psiquiatras do mundo inteiro prestaram atenção no efeito colateral euforizante do remédio. Nathan Kline, porém, foi o primeiro a ter seu trabalho divulgado na imprensa. A partir daí, a pressão popular pelo relançamento da droga foi tremenda e em novembro de 1957, há exatos quarenta anos, o primeiro antidepressivo chegava às farmácias.