8813 – Medicina – O que são as doenças psicossomáticas?


A hipófise, uma glândula que possui ligação com a região do hipotálamo no cérebro, é a responsável pelo mecanismo que desencadeia a doença, uma vez que ela produz hormônios que controlam todas as funções do organismo.
As emoções e sentimentos mais fortes são percebidos pelo hipotálamo, estas emoções alteram as funções do hipotálamo e sua conexão com a hipófise. As doenças respiratórias, de pele, circulatórias e gastrointestinais causadas ou agravadas pela tensão nervosa são resultados desta alteração. Sendo assim, pode-se dizer que as doenças psicossomáticas têm componente psíquico, a manifestação de doenças orgânicas é ocasionada por problemas emocionais.
O corpo possui suas próprias defesas, ou seja, ele manifesta, coloca para fora as emoções que às vezes a pessoa tenta esconder por meio de tremor, dores de barriga, gestos e travamento de dentes.

8812 – Vitamina E na gravidez pode prevenir hipertensão nos filhos


Uma pesquisa feita com ratos como cobaias sugere que a administração em grávidas desnutridas de um tipo ativo de vitamina E, o alfa-tocoferol, durante o período perinatal (gestação ou o período que vai da fertilização até o nascimento) pode ajudar a prevenir o surgimento de hipertensão nos filhos quando adultos.
O efeito ocorre porque a vitamina E tem propriedades antioxidantes que ajudam a prevenir a formação de radicais livres na gravidez, afirma a professora. “O tocoferol age principalmente prevenindo o estresse oxidativo. No entanto, há ações genômicas [da vitamina] das quais ainda pouco se sabe.
Na pesquisa, fêmeas grávidas de ratos foram submetidas à desnutrição. Nessa situação, elas tiveram “estresse oxidativo”, ou seja, formação de radicais livres. No período de gravidez, estas moléculas mudaram a expressão de alguns trechos do DNA do feto, prejudicando seu funcionamento. “Afeta a vida inteira do filhote, [a expressão] do gene fica modificada”.
Nos testes com ratos, a administração da vitamina em fêmeas grávidas e desnutridas foi satisfatória em prevenir que os filhotes tivessem hipertensão. No entanto, efeitos colaterais podem surgir e ainda demandam outras pesquisas para serem conhecidos.
A pesquisa é um passo para saber como os radicais livres influenciam no aparecimento da hipertensão.
Em populações humanas, quadros de hipertensão em adultos que tiveram mães desnutridas foram identificados em várias regiões e épocas, afirma a professora da UFPE. Ela relata terem surgido populações na Holanda com hipertensão e função renal comprometida após a Segunda Guerra Mundial, por conta da desnutrição das mães na gravidez. Casos foram identificados entre aborígenes australianos, indígenas americanos e famílias europeias no pós-guerra.

8811 – Biologia – Nova espécie descoberta é uma mistura de gato e urso


Pesquisadores do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos Estados Unidos, finalmente desfizeram um mal-entendido que durou mais de um século: um animal já observado na natureza, em museus e até em zoológicos havia recebido a identificação errada por todos esses anos. Ao corrigir o erro, os cientistas encontraram o olinguito, primeiro carnívoro descoberto no ocidente nos últimos 35 anos.
O olinguito, que recebeu o nome científico de Bassaricyon neblina, é o último membro identificado da família dos Procionídeos, à qual pertencem o guaxinim, o quati, o jupará e os olingos. Pesando cerca de um quilo, o olinguito tem olhos grandes e pelo marrom-alaranjado, que o fazem parecer “um cruzamento entre um gato doméstico e um urso de pelúcia”. Na natureza, ele vive nas florestas nebulosas da Colômbia e do Equador (de onde vem o termo “neblina” de seu nome científico).

“A descoberta do olinguito nos mostra que o mundo ainda não foi completamente explorado, e seus segredos mais básicos ainda não foram revelados”, afirma Kristofer Helgen, curador de animais do museu e principal autor do estudo. “Se novos carnívoros ainda podem ser encontrados, que outras surpresas nos esperam? Tantas espécies ainda não são conhecidas pela ciência. Documentá-las é o primeiro passo em direção a um entendimento de toda a riqueza e diversidade da vida na Terra”, diz o pesquisador. O estudo que descreve o olinguito foi publicado no periódico ZooKeys.
A descoberta foi o resultado do trabalho de uma década. O objetivo inicial da pesquisa era estudar as diversas espécies de olingos, carnívoros do gênero Bassaricyon. Mas uma análise de mais de 95% dos exemplares desses animais presentes em museus, aliada a testes genéticos e dados históricos, revelou a existência do olinguito, que não havia sido descrito até então.

A primeira pista veio dos dentes e do crânio do animal, que são menores e apresentam formato diferente do olingos. Os animais da nova espécie também são menores e têm pelagem mais longa e densa. Porém, como as informações das quais os cientistas dispunham vinham de observações e exemplares capturados no início do século XX, era preciso descobrir se o olinguito ainda existia na natureza.
Para isso, os pesquisadores se uniram a Roland Kays, diretor do Laboratório de Biodiversidade e Observações da Terra do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, que ajudou a organizar uma expedição de campo. “Os dados dos exemplares antigos nos deram uma ideia do que procurar, mas ainda parecia um tiro no estudo”.
Em uma expedição de três semanas, os pesquisadores encontraram os olinguitos e documentaram tudo o que puderam sobre o animal e seu habitat. Eles descobriram, por exemplo, que o olinguito é mais ativo durante a noite, se alimenta principalmente de frutas, raramente desce das árvores e tem um filhote de cada vez.
Os pesquisadores estimam que 42% de seu habitat já tenha sido transformado em áreas agrícolas ou urbanas. “As florestas nebulosas dos Andes são um mundo à parte. repletas de espécies que não são encontradas em outros lugares, muitas das quais podem estar ameaçadas. Nós esperamos que o olinguito possa ser um ‘embaixador’ para as florestas do Equador e da Colômbia”.

8810 – Geografia – O que é o bônus demográfico?


Trata-se de um período da história de um determinado país em que a força de trabalho na população ativa de 15 a 64 anos é maior do que a parcela dependente da população (crianças e idosos). Quando determinado país tem mais trabalhadores do que dependentes, aumenta a quantidade de dinheiro disponível para investimento em áreas econômicas e sociais.
Detectar se o bônus demográfico é positivo ou negativo numa população depende do cálculo do PIA (População com Idade Ativa) com o POT (População Total). No Brasil, entre os anos 1950 e 1980, a economia cresceu em média 7% ao ano, com crescimento populacional de 2,8%. A renda per capita cresceu 4,2% ao ano. Esse período significou como os melhores trinta anos da história brasileira, porém, a partir dos anos 1980, o Brasil não conseguiu colher essa “herança econômica” em virtude da queda da renda per capita e aumento do desemprego e da inflação.
Nos anos 1990, o Brasil conseguiu estabilizar a economia, iniciar um processo de melhoria da educação e de incentivos sociais para patrocinar a permanência da criança na escola. A partir dos anos 2000, o Brasil conseguiu equilibrar suas contas externas e voltar a crescer, gerando queda do desemprego; nesse novo cenário, o país conseguiu resgatar o seu bônus demográfico acumulado, mas abaixo do que poderia.
No ano de 2004, o Brasil voltou a apresentar números positivos em sua economia, amadureceu políticas sociais e se viu desafiado a aprimorar a sua educação básica, superior e profissionalizante. Porém, boa parte das vagas de trabalho geradas em áreas específicas no país foram ocupadas por estrangeiros, em virtude da falta de mão de obra brasileira qualificada.
O bônus demográfico é temporário, depende do processo de crescimento econômico e da presença de uma ampla e qualificada população economicamente ativa trabalhando e gerando renda no país. No mundo, países como EUA, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, China, Taiwan e boa parte da Europa, conseguiram tirar bom proveito de seus bônus demográficos investindo bastante em educação e estimulando a economia.
Os números demográficos para a primeira metade do século XXI são favoráveis para o Brasil ter um novo bônus demográfico, porém, o pais depende de outros fatores como econômicos, sociológicos e culturais, além de redução das taxas de mortalidade e natalidade.

8809 – Conceitos Científicos – Espectro Epistemológico de Bachelard


Bachelard é considerado uma dos mais eminentes e contemporâneos Epistemólogos da Ciência, isto é, um estudioso a respeito da natureza do conhecimento científico. Gaston Bachelard nasceu em 1884 na França, na zona rural. Trabalhou no serviço postal francês durante algum tempo. Lecionou física durante muitos anos. Defendeu uma tese intitulada “Um Ensaio sobre o Conhecimento Aproximado”, em 1917. Morreu em Paris, em 1962.
Bachelard é caracterizado como quem não aceitava nada pronto e acabado em termos científicos. “As discussões sobre como o conhecimento científico se desenvolve desencadeiam inúmeras interpretações. Gaston Bachelard (1884-1962), epistemólogo e educador, critica aquelas que adotam uma única posição filosófica, seja na ênfase ao empirismo, ao racionalismo, ou outras doutrinas, para toda a evolução do pensamento científico. Ele admite a existência de uma característica filosófica dialética e plural conferida às etapas históricas da ciência, dando relevância à complementaridade e dinâmica de doutrinas filosóficas no avançar científico”1.

Bachelard apresenta como um de seus principais conceitos o Espectro Epistemológico, segundo o qual a ciência oscila dentro de um espectro. Segundo o mesmo, o Racionalismo Aplicado e o Materialismo Técnico podem oscilar em dois caminhos distintos. No primeiro, estão o Formalismo, o Convencionalismo e o Idealismo (ingênuo). No segundo, apresenta-se o Positivismo, o Empirismo e o Realismo.

Idealismo: Existência apenas no domínio das idéias.
Convencionalismo: Os pensamentos são organizados em linguagem matemática.
Formalismo: Se interpreta o conhecimento racional como uma simples montagem de fórmulas dispostas a informar experiências.
Racionalismo Aplicado: O fenômeno ordenado é mais rico do que o fenômeno natural.
Materialismo Técnico: Uma realidade é mediada pela técnica.
Positivismo: Dados por meio dos sentidos, são a fonte principal do conhecimento. Destaca-se sempre a experimentação.
Empirismo: Todos os conceitos devem ser derivados da experiência.
Realismo: Argumenta que há uma realidade externa ao homem.
Dessa forma, a ciência pode evoluir quando se considera sempre a possibilidade de existência de um conhecimento mais profundo em relação ao que se aborda. “Quando se procuram as condições psicológicas do progresso da ciência, logo se chega à convicção de que é em termos de obstáculos que o problema do conhecimento científico deve ser colocado. E não se trata de considerar obstáculos externos, como a complexidade e a fugacidade dos fenômenos, nem de incriminar a fragilidade dos sentidos e do espírito humano: é no âmago do próprio ato de conhecer que aparecem, por uma espécie de imperativo funcional, lentidões e conflitos”.

8808 – Educação – Proibição do celular nas escolas


A respeito dos objetivos da educação, segundo Jean Piaget, pensador suíço falecido em 1980: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.”
Nos dias atuais, não somente a sociedade, mas o próprio mercado exigem cidadãos e profissionais inovadores, fator que exige algo a mais da educação e do comportamento de alunos e professores dentro da escola. Atualmente, os pais e professores possuem o desafio de educar uma geração de crianças e adolescentes que são nativos digitais, ou seja, já utilizam computador e demais dispositivos digitais antes mesmo de aprenderem a ler e a escrever.

As novas tecnologias da informação podem e devem ajudar no processo de pesquisa e aprendizagem, mas o uso abusivo de celulares e tablets particulares por parte dos estudantes pode desviar sua atenção em sala e prejudicar o seu processo de aprendizado junto ao professor e demais colegas.
O uso do celular por crianças e adolescentes é mais comum, gerando extenso debate entre pais, professores e alunos sobre a necessidade do estudante manter seu celular ligado para atender uma ligação de emergência dos pais e do compromisso de não atrapalhar as aulas ao atender qualquer ligação.
Segundo dados do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) com o apoio da Fundação Victor Civita, 60% dos estudantes do ensino médio com idades entre 15 e 19 anos, das cidades de São Paulo e Recife, com renda familiar inferior a 2.500,00 reais, possuem tablet ou celular com acesso à internet.
A proibição do celular em sala de aula visa manter a organização da turma e a atenção dos alunos perante as aulas lecionadas; por outro lado, o celular e demais dispositivos eletrônicos podem ser incorporados em sala por meio de um planejamento que incentive a criação de conteúdo por parte do aluno, para que ele não seja tratado somente como receptor passivo de conteúdo.
Porém, recentemente, no Congresso, a Comissão de Educação e Cultura, aprovou a a proibição do uso de telefones celulares por alunos e professores nas salas de aulas das escolas de educação básica de todo o Brasil. O texto aprovado é proveniente do Projeto de Lei 2246/07. O objetivo é proibir o uso do celular sem fins educativos.

8807 – Civilizações Antigas – Cairo, a capital do Egito


cairo

O nome da cidade em português, significa “a Vitoriosa”. O território em que se estabelece é o maior do continente africano e do mundo arábico. O povo egípcio, geralmente, denomina o Cairo como Masr (no árabe egípcio) ou Misr (no árabe clássico), idiomas locais do Egito.
De acordo com dados levantados no último censo realizado na região, o Cairo apresenta 7.947. 121 pessoas. Já em sua região metropolitana, a de maior população em toda a África, o número de habitantes é de 24.285.000. Devido a estes números e o constante fluxo de pessoas de outros países na região, a capital do Egito é considerada a décima terceira metrópole com maior população em escala global. Devido a fatores históricos, o Cairo é conhecido tradicionalmente no Egito pelos nomes de “cidade dos mil minaretes” e “mães de todas as cidades”.

A fundação do Cairo remete ao ano de 116 a. C. O primeiro território do Cairo, atualmente conhecido como Velho Cairo, surgiu a partir de uma fortaleza construída próxima ao rio Nilo pelo povo romano. Antes da fundação da capital do Egito, a cidade considerada como a principal do império faraônico era Mênfis.

A origem do nome Cairo vem dos fatímidas, que batizaram o território como Al-Qahira. Historicamente, a região da cidade foi invadida diversas vezes por otomanos, mamelucos, britânicos e pelo exército de Napoleão Bonaparte. Apenas no ano de 1952 o Cairo tornou-se uma capital com autonomia. Porém, muito antes disso, o Cairo foi refundado no ano de 969 com o objetivo de se tornar a capital da parte árabe do Egito. Em 1517, o território foi conquistado pelo povo turco. Entre os anos de 1798 e 1801, foi um território francês.
Entre outros aspectos, o Cairo é considerado a sede da Liga Árabe, apresenta uma mistura de construções arquitetônicas modernas e antigas e é visto como um museu a céu aberto. Um elemento relevante na capital do Egito é a religião, além da presença do enorme contraste entre o Cairo e histórico e o cosmopolita, revelando tonalidades variadas por todo o território. A localização do Cairo se dá entre as ilhas e margens do rio Nilo, na parcela sul do delta. Limitando a capital pela região sudoeste, encontra-se a velha necrópole da capital anterior, Mênfis, e a cidade de Giza.

8806 – Filosofia – Pesquisas à luz da fenomenologia


A filosofia hermenêutica pode fornecer uma base filosófica para a história e a cultura de modo a serem (re)introduzidas à filosofia das ciências. Tais perspectivas tratam da relação entre hermenêutica contemporânea e filosofia das ciências da natureza. Contudo, não seria correto caracterizar as perspectivas hermenêuticas da ciência como que constituindo determinado programa (EGER, 1992).
Decorre então que a análise hermenêutica comparativa se constitui no gênero especifico e culturalmente institucionalizado e por estar estreitamente associadas, a hermenêutica no âmbito das ciências naturais põem em relevo as condições culturais contingentes e analisa as características históricas e epistemológicas. As perspectivas hermenêuticas, porém, não podem ser reduzidas a interpretação semântica de textos científicos, pois os aspectos fenomenológicos precisam ser considerados. Então, um paralelo pode ser traçado entre argumentos dicotômicos: mundo da vida e mundo da ciência; epistemologia neopositivista e ciência normal. A superação destas dicotomias se dá pela abordagem hermenêutico-fenomenológica às interpretações históricas dos fenômenos naturais (BEVILACQUA & GIANNETTO, 1995).

A agregação do termo fenomenologia às pesquisas estende os efeitos da história e da linguagem e reconhece a impossibilidade da descrição objetiva da realidade. Tal abordagem se envolve com o compromisso de descrever o que está por baixo e além da experiência do sujeito na realização da pesquisa fenomenológica. O projeto fenomenológico visa ir além da experiência subjetiva dos indivíduos para descrever as estruturas e essências subjacentes nessa experiência (CROTTY, 1996).
Desta maneira, a hermenêutica fenomenológica poderá fornecer certa estrutura analítica sobre a natureza dos atos da interpretação e da compreensão, de modo a jogar luz sobre o processo de pesquisa, contudo sem fornecer um conjunto de regras ou procedimentos rígidos na realização do programa de pesquisa. A hermenêutica fenomenológica faz o oposto, gerando ou ampliando os espaços de engajamento entre o objeto de pesquisa e o pesquisador (MARKUS, 1987; WACHTERHAUSER, 1994).
A hermenêutica fenomenológica tem como objetivo estabelecer uma fusão de horizontes, em que o objeto de pesquisa seja entendido não em seus próprios termos, nem sobre os termos do pesquisador, mas nos termos comuns a ambos. Estes termos comuns surgem no contexto do processo da investigação que pode ser caracterizado como dialógico. Tal abordagem na pesquisa resultará na abertura do pesquisador, de modo a ter seu entendimento confirmado ou alterado pelo que surgirá no processo do desenvolvimento da investigação (HEELAN, 2010).
A tendência da filosofia continental ao trazer perguntas críticas sobre a natureza da ciência, dos seus pontos epistemológicos e históricos, seja no contexto da tradição analítica como da pós-positivista, têm como objetivo convergir para a hermenêutica, podendo ser relevante e importante à história da ciência e à educação científica (EGER, 1992).

8805 – Do que é formado o gelo seco?


Gelo seco é o nome popular dado ao gás carbônico, ou dióxido de carbono (CO2), quando este se apresenta no estado sólido. Para que isso ocorra, deve-se levar sua temperatura até -78°C, que é o seu ponto de congelamento. Ocorre que, ao ter sua temperatura aumentada em pressão ambiente, o CO2 sólido sublima, isto é, passa diretamente ao estado gasoso, sem derretimento. Dessa forma, a sua característica principal consiste em uma mudança de fase diretamente do estado sólido para o estado gasoso, sem passagem pelo estado líquido. O mesmo ocorre com o naftaleno sólido (conhecido como naftalina, e utilizado como repelente de alguns insetos), que passa direto ao estado gasoso ao receber calor do ambiente.
Quando o ar aquecido incide sobre o gelo seco, imediatamente percebe-se uma nuvem branca e densa sendo desprendida, o que o torna atraente para uso em palcos teatrais e shows. Sua utilização se estende também para a refrigeração, uma vez que quando aquecido transforma-se em CO2 gasoso, o que o torna útil na manutenção da temperatura do ambiente no qual está contido. Ocorre que um produto, quando revestido por gelo-seco, pode ser mantido sem umidade, o que não seria possível caso se utilizasse o gelo comum.

Entretanto, o gelo-seco deve ser manipulado com precaução. “Gelo seco não é gelo – é CO2 em estado sólido, e é chamado de “seco” por que passa pelo processo de sublimação, ou seja, da fase sólida para gasosa, sem passar pela fase líquida. O gelo seco é frio: -78°C, em média. Esta temperatura pode causar queimaduras e ulcerações, então, quando for manipulá-lo, use luvas e nunca, nunca toque o gelo seco com as mãos molhadas ou úmidas – ele congela instantaneamente a água e fica colado na sua mão. Outro detalhe importante de lembrar é que o gelo seco é feito de gás carbônico, o mesmo que a gente expele na respiração por ser inútil para nós”.
A produção de gelo-seco requer a aplicação de uma alta pressão sobre um recipiente com dióxido de carbono líquido, como alguns extintores, que concentram o CO2 no estado líquido quando fechados e pressurizados, mas quando abertos, reduz-se a pressão e sublima-se o seu conteúdo. Na utilização do extintor à base de gás carbônico, percebe-se que há a expansão do gás em alta velocidade, mas também ocorre a formação de pequenos blocos de gelo quando direciona-se a saída gasosa para uma estrutura porosa, como um tecido, por exemplo. O gelo-seco também apresenta elevada utilização laboratorial, o que se deve basicamente a dois fatores: a sua alta redução de temperatura e a sua capacidade de não umidificar os sistemas.