8803 – Exploração Espacial – A Reengenharia Planetária


Diante da dificuldade em achar planetas hospitaleiros, cientistas namoram a ideia de modificar o ecossistema dos planetas vizinhos. É um projeto para o próximo século, mas não é impossível.

Vênus: o inferno mora ao lado

O planeta mais próximo da Terra lembra o Inferno dos velhos livros de catecismo. Estéril como um deserto, tem uma temperatura média de 400 graus centígrados e chuvas permanentes de ácido sulfúrico. Um astronauta que tentasse desembarcar em Vênus seria imediatamente esmagado pela imensa pressão de sua atmosfera, 90 vezes mais pesada do que a da Terra e, todo o líquido do corpo viraria vapor. Mas os partidários da “terraformação” têm um roteiro para “domar” um ambiente tão hostil:

Marte: vizinho difícil
Aqui o desafio é diferente. A temperatura, na linha do Equador, oscila em torno do zero grau ao meio-dia, despencando para 80 graus negativos à noite. Os maiores obstáculos são a atmosfera rarefeita, a ausência quase total de oxigênio e o excesso de radiação ultravioleta do Sol, que inviabiliza a sobrevivência de qualquer organismo. O que pode ser feito para tornar Marte habitável para os humanos?

Vejamos quais as soluções mirabolantes:
1 – Nuvens de algas, geneticamente preparadas para sobreviver nas difíceis condições do planeta, são espalhadas pela sua superfície. O objetivo: modificar a composição química da atmosfera.

2 – Guarda-sóis gigantes, de 1 000 quilômetros de diâmetro, são colocados em órbita sobre o planeta, criando sombras que imitam o ciclo de uma “noite” e um “dia” a cada 24 horas.

3 – O excesso de oxigênio na atmosfera é combinado com o hidrogênio de asteróides de gelo importados dos arredores de Júpiter para formar oceanos de água. Um ou dois séculos depois do início do processo, os terráqueos poderão passear pelas montanhas de Vênus sem geladeiras portáteis – e até achar o lugar agradável. Nas praias recém-formadas, o clima será comparável ao de uma ilha do Caribe.

1 – Para aumentar a captação de luz solar, é possível trazer grandes quantidades de uma fuligem escura existente nas duas pequenas luas de Marte, Fobos e Deimos, e espalhá-la pela superfície.

2 – Caso se confirme a existência de geleiras eternas no solo, elas poderão ser derretidas para formar oceanos.

3 – Na falta de geleiras para derreter, resta a alternativa de importar água dos asteroides.

4 – A vida animal e vegetal é introduzida em pequenos “oásis” irrigados pelo gelo derretido ou pela água importada.

5 – Calor adicional é obtido com a instalação de gigantescos espelhos espaciais encarregados de refletir e jogar a luz do Sol sobre o planeta. Aos poucos, a atmosfera marciana se tornará respirável e a temperatura, embora ainda muito fria, não será incompatível com a atividade humana. Um terráqueo que esteja acostumado com o frio e o ar rarefeito dos Andes ou do Cáucaso se sentirá à vontade em Marte depois da reforma de seu ecossistema.

8802 – Exploração Espacial – Como nos tempos de Colombo


espaço

Como você se sentiria se alienígenas desembarcassem na Terra, com naves ultramodernas, armas mortíferas e uma ordem de despejo? “Acabamos de comprar o Sistema Solar. Mas não se preocupem. Vocês poderão construir seu novo lar em outro planeta, lá na outra extremidade da galáxia. Por favor, comecem imediatamente a arrumar as coisas que nós vamos providenciar a mudança.”
Foi mais ou menos assim que se sentiram os povos indígenas no seu primeiro contato com o homem branco. Como será, então, nosso encontro com uma civilização de outro planeta? Uma festa ou uma tragédia? Pelo sim, pelo não, a ciência assumiu de vez seu novo desafio. Quer descobrir logo os ETs – antes que eles nos descubram. Na virada do milênio, sondas espaciais terráqueas avançam, como as caravelas de Colombo, por regiões nunca antes visitadas por um artefato humano. Querem encontrar “alguém” lá fora. Radiotelescópios esquadrinham cada canto do céu em busca de mensagens de alienígenas.
A expectativa cresce com a descoberta de planetas distantes e com a notícia de que um pedaço de rocha que se desprendeu de Marte, há milhões de anos, poderia conter fósseis de micróbios extraterrestres. A nave americana Pathfinder, que em julho de 1997 pousou na superfície de Marte, poderá esclarecer o enigma. Em outubro decolou a sonda européia Cassini. Destino: Saturno. Chegada prevista: ano 2004.
Nossa geração está prestes a participar de um evento que só tem paralelo no desembarque dos europeus na América, em 1492. Carl Sagan comparou os cientistas da Nasa aos navegadores portugueses da Escola de Sagres. As caravelas do nosso tempo são as espaçonaves. Com uma diferença: desta vez a missão é de paz. O objetivo dos novos argonautas não é dizimar quem estiver do outro lado.

8801 – Medicina – Novo medicamento se mostra eficaz para tratar doenças inflamatórias intestinais


Os resultados finais de dois testes clínicos envolvendo um novo medicamento mostraram que ele é eficaz em tratar a doença de Crohn e a colite ulcerativa, as duas principais formas de doenças inflamatórias intestinais. De acordo com os estudos, o tratamento pode ajudar pacientes que não responderam às terapias convencionais sem oferecer efeitos adversos graves. As pesquisas foram publicadas nesta quarta-feira na revista The New England Journal of Medicine.
A doença de Crohn e a colite ulcerativa se caracterizam por um quadro crônico de inflamação no intestino. As causas dessas duas condições, porém, ainda são desconhecidas. Sabe-se que as células do sistema imunológico presentes no intestino de pacientes com esses problemas liberam citocinas, um tipo de proteína responsável por desencadear a inflamação, causando danos nos tecidos dos intestinos grosso e delgado e provocando diarreia.
A terapia testada nos dois estudos envolve o vedolizumab, uma molécula desenvolvida pelo laboratório japonês Takaeda. A substância, administrada via intravenosa, age atacando justamente essas células do sistema imunológico do intestino.
As duas pesquisas avaliaram a eficácia do medicamento no tratamento de cada uma dessas duas doenças. Juntos, os estudos envolveram cerca de 3.000 pessoas de 39 países diferentes com idades entre 18 e 80 anos. Parte delas sofria de doença de Crohn e o restante, colite ulcerativa.
Segundo os responsáveis pelos estudos, o tratamento é direcionado, não afetando outras regiões do corpo, o que limita o risco de efeitos adversos mais graves. As terapias convencionais frequentemente provocam perda de peso, náuseas ou dores de cabeça, além de enfraquecerem o sistema imunológico do paciente, aumentando a exposição a infecções.

Glossário
Colite ulcerativa
A doença é uma inflamação do revestimento interno do cólon (intestino grosso) ou do reto. Os sintomas mais comuns são diarreia, cólicas abdominais e sangramento retal.

Doença de Crohn
A condição é um processo de inflamação e ulceração que ocorre nas camadas profundas da parede intestinal. Entre os principais sintomas estão dor no abdome (muitas vezes no lado inferior direito), diarreia, perda de peso e, ocasionalmente, sangramento.

8800 – Bactéria é nova arma para prevenir doenças inflamatórias do intestino


Pesquisadores franceses descobriram uma forma de alterar o DNA dos lactobacilos, tipo de bactéria que faz bem ao intestino, de forma que eles possam proteger o intestino contra doenças inflamatórias, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa. O experimento, desenvolvido no Centro de Psicopatologia de Toulouse Purpan (CPTP), na França, foi relatado em um artigo publicado nesta semana na revista Science Translational Medicine.
A equipe de pesquisadores, liderada por Jean-Paul Motta, modificou o material genético de duas cepas de lactobacilos, microrganismos considerados como probióticos pois, além de não fazer mal, contribuem para o bom funcionamento do intestino de uma pessoa. Ao DNA desses microrganismos, os autores acrescentaram um gene responsável por produzir o peptídeo inibidor gástrico, uma proteína que existe naturalmente no nosso organismo, mas que é deficiente em pessoas que apresentam doenças do intestino. Segundo a pesquisa, essa proteína inibe a ação da protease, enzima que possui um importante papel no processo de inflamação intestinal.
Os pesquisadores, após alimentarem camundongos com as bactérias, descobriram que os níveis de peptídeo inibidor gástrico aumentaram de forma significativa nos animais que receberam os microrganismos geneticamente modificados em comparação com animais que ingeriram bactérias do mesmo tipo, mas não modificadas. A equipe, então, induziu os camundongos a uma doença inflamatória do intestino. Os resultados mostraram que os animais alimentados com as bactérias geneticamente modificadas apresentaram maior resistência à doença e menos quadros de inflamação e danos às células.
Segundo os autores, o estudo sugere que essas bactérias modificadas podem se tornar um tratamento eficaz para pacientes com doenças do intestino, e que podem ser dadas por meio de pílulas ou então adicionadas a iogurtes.

Glossário
PROBIÓTICOS
São microrganismos ‘do bem’, bactérias (como os lactobacilos) que contribuem para o bom funcionamento do organismo. Nos intestinos grosso e delgado, ajudam a regular movimento peristáltico e síntese de vitaminas, por exemplo, além de auxiliar no equilíbrio entre as bactérias que habitam os intestinos.

DOENÇAS INFLAMATÓRIAS DO INTESTINO
Acontecem quando há uma inflamação no intestino e o aparecimento de cólicas recorrentes e diarreia. As duas principais doenças são a Doença de Crohn e a colite ulcerativa. A primeira é uma inflamação crônica que atinge qualquer parte do aparelho digestivo, enquanto a segunda afeta principalmente o intestino grosso.

8799 – Células- Tronco – Testes no Brasil


células tronco

O Brasil deve iniciar em breve seus primeiros testes com células-tronco embrionárias, segundo revelou um importante jornal de S.Paulo. O projeto, uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, vai avaliar a segurança da terapia com células-tronco em pacientes com degeneração macular relacionada à idade, a principal causa de cegueira em idosos.
A doença ocorre quando “restos celulares”, subprodutos das células, deixam de ser eliminados corretamente e vão se acumulando sobre a mácula, região localizada no centro da retina, que contém células fotorreceptoras e é responsável pela percepção dos detalhes. Os pesquisadores descobriram que as células-tronco embrionárias, que são capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo, podem assumir com facilidade o papel das células do epitélio pigmentar, que é a região colada à retina responsável por eliminar esses “restos” de células.
A técnica poderá ser testada no país graças ao oftalmologista brasileiro Rodrigo Brant, da Unifesp, integrante do estudo feito na Califórnia que desenvolveu a terapia, além de um acordo entre o estado americano e o CNPq, órgão brasileiro de financiamento de pesquisas. Não serão utilizados, porém, células obtidas a partir de embriões descartados no Brasil.
A Unifest deverá recrutar 15 pacientes e submetê-los, no próximo ano, a um procedimento cirúrgico para a colocação dessas células no olho, com objetivo de avaliar a segurança do tratamento. Alguns testes com essas células já foram realizados nos Estados Unidos e, segundo Brant, estudos com animais feitos no Brasil apresentaram resultados animadores.
Detalhes do projeto serão anunciados em uma reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), que tem início nesta quarta-feira, na cidade de Caxambu, Minas Gerais.

8798 – Planeta Terra – Mudanças climáticas levaram civilizações ao colapso


Um período frio e seco que durou centenas de anos pode ter sido o responsável pelo colapso de civilizações do Mediterrâneo no século 13 a.C., afirmaram nesta quarta-feira cientistas franceses. Diversas civilizações se formaram na região do Mediterrâneo Oriental, se estendendo por territórios que hoje correspondem a países como Egito, Grécia, Chipre, Síria, Turquia e Israel. Até que, no final da Idade do Bronze, por volta de 1.200 a.C., elas entraram em colapso e desapareceram.
As razões para essa queda ainda são muito discutidas entre os pesquisadores, e teorias sobre guerras e fatores econômicos já foram levantadas. Porém, nos últimos anos, novos estudos têm indicado que fatores naturais podem ter sido responsáveis pelo acontecimento, esgotando a agricultura, provocando fome e forçando os povos a guerrearem.
Em um estudo publicado no periódico Plos One, os pesquisadores analisaram 84 amostras de grãos de pólen derivados de sedimentos de um complexo de lagos antigos em Larnaca, no Chipre, para descobrir as mudanças ambientais que originaram a crise.
Liderados por David Kaniewski, pesquisador da Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, na França, eles descobriram evidências de um período de frio e seca que teve início cerca de 3.200 anos atrás e durou três séculos.
Análises de isótopos de carbono e das espécies vegetais do local mostraram que o complexo de lagos havia sido antes um porto, que ficava no centro das rotas comerciais da região, e foi secando gradualmente até se tornar um lago salgado. Em virtude disso, as plantações morreram, o que gerou fome na região e invasões de povos vizinhos — o que teria levado ao colapso das civilizações.
As descobertas estão de acordo com evidências arqueológicas encontradas na região, como hieróglifos e textos em escrita cuneiforme (um dos tipos de escrita mais antigos que já existiram, criado pelos sumérios) que descrevem a fome e as ondas de invasão, no mesmo período em que teria ocorrido a seca descrita no estudo.

8797 – Robótica – Vem aí o cérebro artificial


Robo Japones

A Darpa é uma agência de pesquisas do governo americano voltada exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias para uso militar. Ela é conhecida por financiar pesquisas ainda em estágios iniciais, mas com potencial de incrementar o arsenal americano no futuro. Entre as tecnologias desenvolvidas pela agência, está uma série de robôs desenhados especialmente para os campos de batalha: eles são capazes de carregar enormes quantidades de equipamentos, correr em alta velocidade, disparar armas e voar livremente. Agora, a agência quer dotar seus robôs de um cérebro artificial semelhante ao dos homens.
Um novo documento divulgado pela Darpa exorta os cientistas a contribuir para o desenvolvimento de um computador que simule o neocórtex humano, a região cerebral responsável por uma série de funções cognitivas superiores, como raciocínio lógico, linguagem, percepção e consciência.
O desenvolvimento da inteligência artificial não é novidade, e já levou à construção de computadores capazes de reagir de forma independente a informações do ambiente. Os algoritmos desenvolvidos até agora, no entanto, não dão completa autonomia à máquina, e sua capacidade de aprendizado não chega perto da humana. Por isso, os pesquisadores do Darpa pretendem estudar como um computador pode imitar o funcionamento do cérebro dos mamíferos, analisando, compreendendo e respondendo ao mundo ao seu redor.
No documento, a agência pede a cientistas americanos sugestões de novos conceitos e tecnologias que possam levar ao desenvolvimento do que eles chamam de Processador Cortical. “A Darpa está analisando uma nova abordagem, baseada no neocórtex dos mamíferos, que é capaz de assimilar as estruturas temporais e espaciais de forma eficiente e resolver, rotineiramente, problemas de reconhecimento extraordinariamente difíceis”, afirma o documento.
Os pesquisadores sabem que a compreensão completa do funcionamento do cérebro está além do estado atual da ciência. Eles dizem, no entanto, ser possível identificar e desenvolver uma série de algoritmos que simulem o aprendizado e a atuação das redes de neurônios. “Os algoritmos inspirados pelos modelos neurais, em particular do neocórtex, poderiam reconhecer padrões espaciais e temporais complexos e se adaptar a um ambiente em transformação.”
Segundo o documento, o novo Processador Cortical deverá ser genérico o suficiente para servir a uma grande variedade de tecnologias criadas pela agência, desde sistemas de visão até — é claro — o controle de robôs.

Avanços na Robótica
Em colaboração com a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a companhia KMEL Robotics desenvolveu um enxame de drones, capazes de se mover em conjunto e assumir formações táticas variáveis. Cada um dos quadrotores — como são chamados os robozinhos — é capaz de se mover sozinho, mas possui sensores que o permitem se movimentar em conjunto com os outros.
Os robôs foram desenvolvidos na Universidade de Pensilvânia dentro de um projeto chamado MAST (Micro Sistemas e Tecnologias Autônomas, na sigla em inglês), em parceria com o exército americano.