8695 – Elefante – Envelheceu, dançou!


elefante velho

Esse animal, velho, não consegue mais acompanhar a manada, provocando um afastamento que o leva à morte.
Acontece que esses bichos comem mais de 100 quilos de plantas, capim e folhagem por dia. Por essa razão são nômades. Têm que mudar de lugar para conseguir novas refeições. Quando atingem a idade de morrer, em torno dos 60 anos, não conseguem mais acompanhar o ritmo da manada e vão ficando para trás. Se um animal novo estiver ferido, seus companheiros são solidários, interrompem a caminhada para cuidar dele e chegam até a ampará-lo para andar. “No caso dos animais velhos, isso não acontece”, explica um zoólogo, do Zoológico de Sorocaba, interior de São Paulo. “Muitas vezes o elefante idoso acaba por se juntar a outros na mesma situação, formando bandos que praticamente não se movem. Eles ficam lá, no mesmo lugar, até morrer”, diz uma bióloga, Ana Maria Beresca, da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Daí surgiu a lenda do cemitério dos elefantes, um local para onde os animais se dirigiriam ao perceber a proximidade da morte.

8694 – Corpo Humano no Limite – Quanto sangue dá para perder sem morrer?


De 40% a dois terços do total, dependendo do peso, idade, preparo físico, estado de saúde e local do ferimento. Mas a coisa fica feia antes disso. Se 30% do sangue se for, perde-se a consciência. É como mais se morre no campo de batalha, quando o combatente é baleado e o socorro não chega a tempo. Mas há exceções. Uma hemorragia interna pode matar com só 10% de perda de sangue. Já o corte de uma veia do braço pode levar a pessoa a perder mais de 30% do sangue e seguir consciente, porque a velocidade do sangramento influi diretamente na capacidade de recuperação do corpo. E como é a morte por falta de sangue? O organismo entra em choque porque seus órgãos não recebem mais os nutrientes que o sangue transporta e param de funcionar. E se uma pessoa entrar no hospital com mais de 40% de sangue perdido? Só tem salvação se der certo ressuscitá-la. Depois, dá-lhe soro e transfusões de sangue.

E na doação?
Um doador de sangue deixa, em média:

8% a 10% do sangue, que está dentro do nível de segurança de
15%, sem sintomas.
30% bastam para perder a consciência.
40% ou mais, o organismo entra em choque.
Uma pessoa de 80 quilos tem cerca de 5,5 litros de sangue.

8693 – Por que não é possível contrair HIV com picada de pernilongo?


Primeiro, porque precisa haver uma compatibilidade entre o hospedeiro e o parasita (como na malária, em que o Plasmodium ocupa o organismo de um mosquito do gênero Anopheles). O HIV não consegue sobreviver dentro do mosquito e acaba sendo digerido.
Além disso, o mosquito não seria capaz de inocular vírus suficientes de HIV para contaminar uma pessoa. Caso o vírus já não fosse digerido pelo mosquito, estima-se que seriam necessárias 10 milhões de picadas para iniciar uma infecção. Por fim, um pernilongo não funciona como uma seringa suja de sangue. Antes de se alimentar, ele regurgita saliva na vítima (no caso da malária, com o Plasmodium), enquanto o fluxo de sangue, que entra por outro canal, é sempre unidirecional.

8692 – Corpo Humano no Limite – Quais são os piores parasitas que podemos pegar?


Você que mora num país tropical certamente não deve se impressionar com histórias de parasitas. Não até ler esta lista.

1. Naegleria fowleri
Um ser de uma só célula é capaz de comer seu cérebro até levá-lo à morte. Essa ameba assassina vive em lagos de água quente e parada, se alimentando de algas. Quando entra pelo seu nariz, segue pelo nervo olfativo até a cabeça, onde se alimenta dos tecidos e leva à morte em duas semanas. Para piorar, ela forma um cisto para se proteger do sistema imunológico do hospedeiro. Em 2011, foram relatadas 4 mortes pela infecção nos EUA. Não há números brasileiros.

2. Cochliomyia hominivorax
Os vermes dessa mosca das Américas curtem carne fresca. Ela deposita seus ovos em feridas abertas (41,7% dos casos nas pernas, 16,7% na cabeça e 4,2% na região dorsal), na boca (12,5%), nos olhos, ouvidos e ânus (8,3%). Em 12 horas, as larvas começam a consumir o seu corpinho vivo. E, sim, isso dói como a descrição faz supor. Não adianta tentar tirar os bichos com a mão ou em água corrente, pois elas vão cavar ainda mais fundo. O único jeito é cirurgia.

3. Loa loa
O vetor de transmissão desse verme nematoide é um inseto do gênero Chrysops, semelhante à mosca. Ela pica uma pessoa contaminada e depois injeta em outra as larvas, que se instalam nos vasos linfáticos e circulam pelo corpo, formando bolhas, causando coceiras e dores abdominais. Os finos vermes brancos de 2 a 7 cm podem atingir até o globo ocular e ficar se movendo sob a superfície do olho, o que causa uma irritação desesperadora. Em casos graves há dano neurológico. Ocorre principalmente no oeste e no centro da África.

8691 – Quantos micro-organismos vivem em um corpo sadio?


Você nem pode imaginar. Aliás, você nem é você, um indivíduo, mas uma comunidade polpuda de micro-organismos. Afinal, para cada célula do seu corpo existem 10 deles. Multiplique seus 100 trilhões de células por 10 e você terá o total de microintrusos que habitam um corpo saudável. É o que diz o Projeto Microbioma Humano, lançado em 2008 pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para mapear o genoma dos seres minúsculos que ocupam nosso corpo. Com isso, em 5 anos ele pretende responder em que medida cada indivíduo tem um ecossistema próprio e se alterações nesse ecossistema padrão podem causar doenças.

Identidade bacteriana
O microbioma humano pode ajudar na identificação de criminosos. Uma análise mostrou que só 13% das bactérias presentes nas mãos são compartilhadas. Ou seja, cada um leva na ponta dos dedos seus próprios bichinhos de estimação. Quando as amostras colhidas nas mãos dos indivíduos foram comparadas àquelas colhidas em seus mouses e computadores se observou um padrão muito parecido, como se cada pessoa deixasse no que toca uma impressão microbiana. Depois de 12 horas, à temperatura ambiente, sem que ninguém tocasse nos equipamentos, a comunidade identificada de bactérias não se alterou muito. O que parece coisa de Dr. House em breve poderá ser mais uma das técnicas usadas pelo CSI.

Os inquilinos que você não vê

Qual a população das regiões mais populosas do seu corpo.

Boca
600 espécies de micro-organismos vivem na boca – e isso vale para pessoas do mundo inteiro. Os cientistas também descobriram que há comunidades específicas vivendo na língua, nos dentes e na gengiva.

Pele
No órgão mais extenso do corpo humano, os micro-organismos cobrem sua superfície e também moram em pelos e glândulas. Os pesquisadores encontraram cerca de 1.000 espécies de bactérias. Fungos e ácaros não entraram na lista, mas outros estudos dão conta de que há pelo menos 19 espécies de fungos vivendo em simbiose conosco.

Sistema digestivo
60% dos micro-organismos do seu corpo vivem do esôfago até o ânus e estão divididos em 1.150 espécies identificadas. Só no intestino grosso, onde termina a fabricação do cocô, estão 100 trilhões deles. E sem as bactérias que vivem no estômago e no intestino delgado, você teria sérias limitações na capacidade de digerir e absorver nutrientes dos alimentos.

Trato urovaginal
50 espécies de bactérias foram identificadas até agora na flora vaginal, e não só de agentes infecciosos, responsáveis por infecções vaginais e até 25% dos partos prematuros, segundo Douglas Creedon, da Universidade de Illinois. Lá, micro-organismos se encarregam de combater outros que causam doenças.

Vias respiratórias
Pesquisas dão indícios de que micro-organismos possam participar nas nossas trocas gasosas.

8690 – Por que algumas injeções são só uma picadinha e outras deixam sem andar?


A dor na hora da picada depende de 3 fatores: calibre da agulha, profundidade da injeção e o tipo de substância injetada. Quanto mais profunda a agulhada, mais grosso seu calibre e mais viscosa a substância, pior. São 4 os tipos de injeção mais comuns:

Intradérmica: é o caso em que só uma picadinha não dói. Ela é bem pouco profunda, aplicada com agulhas de calibre de 0,4 a 0,5 mm entre a derme e a epiderme. A vacina de BCG, contra a tuberculose, e os testes de alergia são intradérmicos.

Subcutânea: Aplicada entre o músculo e a pele, na camada de gordura, para que a substância seja absorvida de forma lenta e gradual. Um exemplo? A insulina dos diabéticos.

Intravenosa: Para ação rápida, algumas substâncias são injetadas diretamente na corrente sanguínea – caso, por exemplo, de glicose, anti-inflamatórios e antibióticos diluídos em soro.

Intramuscular: Atravessa a pele e a camada de gordura até alcançar um músculo – normalmente glúteos, deltoides e coxas. Aplicam-se aí doses maiores, de até 5 ml, de medicamentos concentrados lentamente liberados. É o caso da bezetacil – o temido antibiótico viscoso aplicado com agulhas de 0,7 mm.

8689 – Medicina – O que o médico procura quando pede para falar “aaah”?


MEDICINA simbolo

As amígdalas e outras estruturas na parte posterior da boca. A anatomia de algumas pessoas não permite ao médico visualizar perfeitamente as amígdalas, o céu da boca (palato) e até mesmo a campainha (úvula). Ao falar “aaah”, movimentamos músculos específicos da cavidade oral e ampliamos a visualização dessas estruturas. Já quando o paciente fala “eeeh” ou “iiih”, a cavidade oral se fecha mais.
Ao olhar lá dentro, o médico procura por mudanças de coloração na mucosa. Quando ficam mais avermelhadas, sugerem uma inflamação; já a coloração rósea denota normalidade. Outras alterações identificáveis são a presença de pus nas amígdalas, úlceras, múltiplos pontos avermelhados no céu da boca e aftas.

Escola Paulista de Medicina

8688 – Manual de Primeiros Socorros – Reimplante de um Membro


Primeiro socorra a vítima – ela é mais importante do que o membro extirpado. Mas assim que ela estiver a salvo, corra em busca do membro perdido, pois a necrose começa assim que acontece a amputação. Com um atendimento médico rápido e veias, artérias, nervos e tendões em bom estado, as chances de sucesso do reimplante podem chegar a 90%. Mas se a necrose estiver em estado avançado, o reimplante vira um risco para a pessoa. Isso porque, na falta de oxigênio, as células passam a liberar toxinas. Também é mais garantido sucesso na cirurgia se a amputação tiver sido por corte, em que não há grande dano dos tecidos, em comparação ao arrancamento e esmagamento.

Os Primeiros Socorros
Não vá tentar fazer mágica. Aja rápido e prepare a vítima e seu membro decepado para receberem o cuidado médico.

1. Deite a pessoa e coloque uma compressa de gaze ou pano limpo sobre o ferimento para estancar o sangue. Procure acalmá-la e convencê-la a não se mexer.

2. Se possível, lave a parte do corpo adjacente ao membro amputado com substância antisséptica ou soro fisiológico. Se não tiver, use água limpa. Não use álcool, éter ou mertiolate.

3. Se o ferimento for no braço, imobilize-o com algum tipo de bandagem e, em seguida, enfaixe-o contra o tórax. Se for na perna, enfaixe a perna ferida na outra.

4. Ligue, então, para 190 e peça socorro.

5. Enquanto o atendimento médico não chega, procure o membro amputado. Não perca tempo tentando reimplantá-lo com atadura ou esparadrapo. Quanto menos você o manusear, melhor. Isso diminui o risco de contaminação por bactérias e de dano de tecidos.

6. Embrulhe o membro numa compressa estéril embebida em soro fisiológico. Se não tiver, use pano limpo, como lenço ou camisa.

7. Em seguida, coloque-o num saco plástico, que deve ser mantido a cerca de 4 °C num recipiente com gelo, como caixa de isopor. O segmento amputado não deve ter contato direto com o gelo ou a água fria, nem ser guardado no freezer ou congelador. Isso pode provocar queimadura e danificar tecidos.

8. Quando a ambulância chegar, entregue o membro amputado ao paramédico para que ele possa levá-lo ao hospital junto com a vítima.

O Reimplante
Do osso à pele, o trabalho é basicamente religar os tecidos um a um.

1. O médico realiza incisões laterais para levantar a pele. O objetivo aqui é remover tecidos necrosados ou corpos estranhos da região do ferimento.

2. As extremidades do osso do membro que sofreu amputação são fixadas com fios, placas ou fixadores.

3. São reconstruídos os tendões flexores e extensores através de sutura (costura com pontos cirúrgicos).

4. É a vez das veias e artérias. Dependendo da lesão, é preciso usar enxerto para compensar a perda de tecidos. Em seguida, realiza-se a sutura.

5. Os nervos são então religados. O sucesso do reimplante está diretamente ligado à qualidade da reconstrução dos nervos periféricos. Se houver perda importante, são necessários enxertos.

6. Por fim vem a sutura da pele.

7. O membro submetido a reimplante deve ficar imobilizado e elevado acima do nível do ombro por aproximadamente 10 dias.

8687 – Como se apaga uma tatuagem?


Métodos não faltam, mas o único sem cara de tortura medieval é a remoção a laser. O resultado depende de vários fatores, como o tamanho da tatuagem e a pele em que foi feita – a do peito do pé e a das regiões genitais são mais doloridas, a com mais melanina pode perder coloração, e áreas peludas podem sofrer depilação involuntária. A cor do pigmento também influi, pois cada tinta tem um tipo de laser correspondente. O preto é a cor mais fácil, pois é removido por uma grande variedade de laser; já o amarelo ainda não tem um laser específico – se a sua tatoo tiver esse pigmento, poderá deixar manchas. As taxas de sucesso do tratamento a laser ficam em torno de 80%. Mas é caro – sai por até 10 vezes o preço do tatuagem.

Não dá pra passar uma borracha?
Abrasão mecânica
Uma lixa girada por um motor de alta rotação raspa a pele até chegar à camada onde a tatuagem foi feita. Provoca dor e deixa marcas, mas é a técnica mais barata – dependendo da profundidade, basta uma sessão, por volta dos R$ 50. A técnica pode causar alterações na cor da pele, principalmente em negros e mulatos.

Abrasão química
Substâncias corrosivas como ácido titânico, ácido tricloroacético (aquele usado em peeling) e fenol são aplicadas sobre a pele. Isso causa uma queimadura química e a área tatuada se desprende. Provoca dor, deixa marcas e, em peles muito claras e sensíveis, deixa o local manchado como se tivesse sofrido queimadura de 2o grau.

Cirurgia
Indicada para tatuagens pequenas em locais discretos com pele sobrando. O pedaço de pele onde está a tatuagem é cortado e a pele adjacente é costurada. Como qualquer outra cirurgia, pode deixar queloide – às vezes mais chamativo do que a tatuagem.

Laser
O mecanismo é simples – o laser destrói o pigmento da tatuagem em partículas microscópicas, que são absorvidas aos poucos pelo organismo. São em média 8 sessões, com anestesia local. Entre cada sessão há um intervalo de um mês – tempo para o organismo absorver os fragmentos da tatuagem. Nesse período, o paciente não pode se expor ao sol e tem que usar pomada anti-inflamatória. Não deixa cicatriz, mas dói no bolso – R$ 600 por sessão.

8686 – Mudança de sexo é reversível?


Sem Chance! Na cirurgia de transgenitalização de homem para mulher são retirados os corpos cavernosos, os testículos e parte do escroto. Já no caso de mulher para homem, são extraídas as mamas, o útero, os ovários e as trompas. Em caso de arrependimento, esse material não pode ser substituído. É por isso que, para a cirurgia, o Conselho Federal de Medicina exige que o indivíduo seja maior de 21 anos e tenha sido diagnosticado como transexual por uma equipe multidisciplinar, que deve acompanhá-lo por pelo menos dois anos.

8685 – Por que homens engordam na barriga e mulheres, no quadril?


A testosterona leva ao acúmulo da “gordura visceral”, no tronco, enquanto o estrogênio leva ao acúmulo da “gordura periférica”, abaixo da cintura, na região glúteo-femural. No caso das mulheres, a gordura acumulada nos quadris e nas coxas é usada como fonte de energia no período da amamentação. Após a menopausa, com a queda dos níveis de estrogênio no organismo, as mulheres passam a acumular gordura também na barriga – o que até pode ser revertido com terapia hormonal.

8684 – Por que é mais difícil emagrecer na velhice?


Por vários motivos. Um deles é a gradual redução do hormônio do crescimento, fenômeno chamado de somatopausa, que provoca a diminuição da massa muscular e o aumento da gordura abdominal. O outro é a redução do metabolismo basal (também influenciado pela perda muscular): a quantidade de calorias que o corpo gasta, mesmo em repouso, só para os seus órgãos funcionarem, é menor do que na juventude. É como se o organismo fosse ficando mais econômico. Com isso, se a pessoa não diminuir a quantidade de comida ingerida cotidianamente, ela vai engordar. E a tendência se agrava se a atividade física também for se reduzindo. No caso dos homens, os níveis de testosterona em queda contribuem para acelerar a produção de células de gordura e frear a de células musculares.

8683 – Corpo Humano no Limite – Em quanto tempo uma pessoa pode morrer de falta de sono?


Em geral, o pior dos insones acaba dormindo, uma hora ou outra. E a falta de sono não é como sede ou fome – ela pode até debilitar fatalmente, mas por um efeito cumulativo bem mais lento. Por exemplo: existe um grupo de não mais de 100 pessoas no mundo com uma insônia tão grave que os leva à morte em cerca de dois anos. É a insônia fatal familiar, que causa alucinações, crises de pânico e demência. Já a falta de sono de qualidade (que acomete muito mais gente) pode contribuir para a morte indiretamente, pois deixa a pessoa mais propensa a ter diabetes e hipertensão.

Mas e os recordes? Bem, em laboratório, ratos aguentaram ficar até 32 dias acordados num experimento conduzido nos anos 80 por Allan Rechtschaffen, da Universidade de Chicago. Depois morreram – não se sabe se por hipotermia, infecção por bactérias do intestino (algo comum em organismos com sistema imunológico debilitado), danos cerebrais ou níveis extremos de estresse. Não dá para garantir, mas é possível que o mesmo aconteça com humanos. Entre nós, o caso de privação total de sono (voluntária) mais longo de que se tem notícia aconteceu em 1963, nos EUA. Randy Gardner, de 17 anos, passou 11 dias sem dormir, durante um concurso de dança. Desde o segundo dia, ele já não enxergava bem. Mas o tempo de insônia acumulado não foi suficiente para causar danos neurológicos ou psiquiátricos.

Diário de um insone
O que acontece no corpo quando fica sem dormir.

1º dia Os níveis de cortisol – conhecido como hormônio do estresse – e o de hormônio estimulante da tireoide aumentam, e, com eles, sobe a pressão arterial.
2º ou 3º dia A glicose para de ser metabolizada normalmente. A temperatura corporal e a imunidade diminuem.
4º dia Podem acontecer alucinações.

8682 – Limite Extremo – Quanto tempo uma cabeça consegue viver sem o corpo?


A Revolução Francesa foi um ótimo laboratório para cientistas dispostos a responder a essa pergunta. Há relatos de que pesquisadores orientavam os condenados a tentar piscar quantas vezes conseguissem depois que suas cabeças estivessem longe do corpo – e existem lendas espantosas a respeito de pessoas que conseguiam piscar por até 30 segundos. Mas poderia ser resultado de espasmos musculares.
Nas últimas décadas, o patologista forense americano Ronald K. Wright tentou chegar a um valor mais realista: 13 segundos, com uma margem de erro de 2 segundos, como média de funcionamento do cérebro quando ele não está mais ligado a um corpo. Para fazer essa conta, ele não precisou levar ninguém à guilhotina. Simplesmente estimou a capacidade do cérebro de sobreviver sem circulação de sangue.
Quer dizer que ficamos conscientes, sem corpo algum, por 13 segundos? Não. “Se o cérebro ainda mantém consciência, é por 1 a 3 segundos no máximo”, diz o especialista. Ou seja, a letra de Metrô Linha 743, de Raul Seixas, não é tão absurda assim: “Minha cabeça caída, solta no chão. Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez”.

8681 – Quanto tempo o corpo demora para se decompor?


Para a sorte dos arqueólogos, ossos e dentes podem durar milhares de anos, dependendo do local onde foram enterrados – quanto mais frio e seco, melhor. Quanto ao resto do corpo, o processo é bem mais rápido.
Bactérias que habitavam o corpo vivo, em especial no intestino e na mucosa respiratória, começam a se alimentar dos restos mortais, de dentro para fora. Nossas próprias células começam a digerir o que encontram pela frente para lutar pela própria sobrevivência. Enzimas do sistema digestivo também ajudam na decomposição. Ao mesmo tempo, insetos e larvas entram pelas aberturas do corpo.
Tecidos e células são destruídos pelas bactérias, cuja respiração anaeróbica libera gases como o metano e as fedorentas cadaverina e putrescina. A pressão formada por esses gases empurra os líquidos liberados pelas células mortas para as cavidades do corpo. Tudo é agravado pelas larvas, que se movem por todo canto espalhando bactérias e dilacerando tecidos. É um ciclo vicioso: quanto mais fedor é liberado, mais bichos são atraídos.
O corpo estufado de gases estoura e o que sobra é uma carne de consistência cremosa. O que estiver exposto estará preto, fedendo pra caramba. Os líquidos do corpo já vazaram e a quantidade de insetos aumenta.

FERMENTAÇÃO
O que restava de carne é comido e o corpo se resseca, adquirindo um cheiro semelhante ao de manteiga rançosa por causa do ácido butanoico produzido durante a fermentação. A parte encostada no chão fica embolorada.
Com o corpo seco, a decomposição se torna lenta.
O algodão das roupas também se desfaz com a ação de micro-organismos. Já roupas sintéticas duram décadas.

Milhares de anos – CAVEIRA
Restam apenas os ossos e os dentes, feitos principalmente por minerais, não por matéria orgânica.

8680 – Medicina – Fim do Efeito Colateral?


Trata-se de uma cápsula de remédio, ou seja, uma bolota gelatinosa recheada de medicamento. A diferença está no tamanho: “Seria preciso cerca de quarenta cápsulas para preencher a espessura de um fio de cabelo”, anuncia um químico tunisiano, professor da Universidade de Paris, orgulhoso exibindo as primeiras nanocápsulas brasileiras, fabricadas durante a recente visita do cientista à Universidade de São Paulo. Há dez anos, Fésse estuda os chamados medicamentos do futuro, no laboratório dirigido pelo farmacêutico Francis Puisieux. No ano passado esse cientista recebeu a Ordem Nacional do Mérito do governo francês por suas pesquisas em farmacotécnica – área da ciência encarregada de otimizar a utilização das substâncias ativas em um remédio. “ Nossa meta é acabar com os efeitos colaterais provocados durante o uso dos medicamentos”, conta Fésse, que trouxe na bagagem as últimas novidades do renomado laboratório parisiense.
Uma boa notícia é o fim daquela velha história de tomar um comprimido, por exemplo, de duas em duas horas. Nos últimos anos, os cientistas têm conseguido avanço com os chamados comprimidos de bioadesão, que literalmente grudam na parede do estômago. Neles, o princípio ativo – o remédio propriamente dito – fica confirmado em uma espécie de esqueleto feito com material porosos insolúveis. “Quando menos o número e o tamanho dos poros, mais lenta é a liberação do remédio, que pode durar mais de doze horas”, explica Fésse. Isso no entanto, não evita distúrbios no aparelho digestivo, normalmente a maior vítima de efeitos colaterais provocados pelos medicamentos, por causa do contato com as drogas de uso oral.“A vantagem das nanocápsulas é que, de tão pequeninas, elas atravessam o intestino intactas.
Como qualquer substância absorvida no intestino, as nanocápsulas seguem para o fígado. Ali, células imunológicas, os macrófagos, as engolem e trituram, liberando finalmente o seu conteúdo. Mas os químicos franceses pretendem muito mais do que apenas evitar irritações gástricas. Nanocápsulas com drogas anticancerígenas então sendo injetadas nos vasos capilares que irrigam as células de tumores. “A cápsula êmbolo que interrompe a circulação por alguns instantes, enquanto solta o princípio ativo”, descreve Fésse. “Com isso, além de receber uma grande dose de remédio, a célula cancerosa tende a morrer por falta do oxigênio do sangue.”
Também para destruir tumores, os pesquisadores vêm experimentando em ratos nanocápsulas recheadas de moléculas de magnetita. Atraindo por um ímã, colado na região doente do corpo, o metal obriga as minúsculas cápsulas a se concentrarem na área do tumor. Outra experiência envolve cápsulas pilotadas por anticorpos monoclonais, criados por meio da Engenharia Genética, capazes de dirigi-las para determinado órgão.”Apenas, precisamos ter certeza de que a droga será liberada da cápsula quando chegar ao sítio de ação”.
Segundo a farmacêutica Ida Caramico Soares, professora da USP, que estagiou com Fésse em Paris, hoje se sabe que, quando alguém toma um remédio, boa parte da droga é absorvida no meio do caminho. “Além de evitar efeitos colaterais, dirigir uma droga ao seu lugar certo é uma maneira de torná-la mais eficaz, usando ao mesmo tempo uma dosagem menor”, conta Ida, que, agora, pretende criar nanocápsulas para doenças comuns no Brasil, como a esquistossomose.

8679 – Museu das Artes


Quadro de Van Gogh
Quadro de Van Gogh

Nos salões, paredes ou pequenos desvãos de cada museu encontramos as peças que contam a história da arte. Ela é a própria trajetória das capacidades que o homem desenvolveu para sintetizar suas emoções, feitos, crenças, mitos e cultura em uma criação de valores estéticos. A tudo isso chamamos arte. Pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, objetos e instalações permitem ao homem criar para mostrar ao mundo o que pensa, estimular e distrair a si mesmo e aos outros, explorar os sentidos, enfim, comunicar-se. Para contar essa história, críticos e especialistas classificam as artes plásticas por períodos, estilos ou movimentos artísticos. Nas salas, corredores e jardins do nosso Museu dos Museus você está convidado a conhecer parte dessa história. É claro que esse é apenas um dos passeios possíveis. Até porque a viagem completa e definitiva pelo universo da arte exige uma experiência pessoal e íntima, que se enriquece em cada uma de suas nuances. Nada substitui a sua forma pessoal de olhar e entender a arte.

VERTENTES
Dois caminhos para a arte na antigüidade: a egípcia reflete a religião e a grega liga-se à razão. Ambas vão influenciar as artes romana, paleocristã, bizantina e islâmica. As escolas medievais – românica e gótica – elevam ao extremo o divino e o sobrenatural. Vêm as Iluminuras e os artistas que abrem as portas do Renascimento
1 . PRÉ-HISTÓRIA
2 . EGÍPCIA
3. GREGA
4 . ROMANA
5 . PALEOCRISTÃ
6 . ISLÃ
7 . BIZANTINA
8 . ROMÂNICA
9 . GÓTICA
Renascimento
O Renascimento revive a antiga cultura greco-romana e incorpora os progressos movidos pelo ideal humanista no campo das artes, da literatura e das ciências. A religiosidade é um tema importante, mas agora os deuses têm forma humana. As artes plásticas refletem racionalidade e rigor científico, valorizando o ser humano e a natureza. O ideal de liberdade renascentista exalta o conceito de indivíduo e, com isso, os artistas ganham estilo pessoal. Nasce a pintura a óleo
Abstracionsimo
Também chamado de expressionismo abstrato, suprime a relação entre a realidade e a obra. Linhas, planos e cores rompem com a significação que esses elementos sugerem. Na fase Informal predominam as emoções. O debate intelectual sobre o conceito do abstrato origina novas escolas
Expressionismo
Com forte apelo psicológico, cores vibrantes e pinceladas violentas, a arte do instinto deforma a figura para ressaltar o sentimento. Não quer destruir os efeitos do impressionismo, mas avançar em suas propostas
Arte Abstrata
Escola independente que cresce e se desenvolve nas Américas. Cria uma pintura de ação gestual, que reflete emoções intensas, com gestos agressivos e espontâneos. Excluem-se pincéis, trinchas, espátulas e utiliza-se tinta a óleo, pasta de areia e vidro moído
Impressionismo
Movimento que revolucionou a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século 20. A pintura deve refletir a impressão do artista no momento do registro da obra, com todos os elementos naturais que interferem na criação. As cores puras se misturam pelo olhar do espectador e nunca pelas pinceladas. As figuras desprendem-se de contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar as imagens
Orientais
Conhecidas por sua cerâmica, as civilizações orientais têm enormes contribuições para a história da arte contada no Ocidente. Uma das técnicas mais desenvolvidas – a gravura – foi criada na China. A arte japonesa influenciou a obra de Toulouse-Lautrec, Monet, Van Gogh e Manet
Pré-colombianos
A arquitetura religiosa, a cerâmica, o realismo das figuras, as pinturas murais e a reprodução do imaginário coletivo são características da arte nas civilizações pré-colombianas. Conceitos retomados pelos muralistas mexicanos – Rivera, Orozco, Siqueiros e Tamayo.

8678 – Vírus da Aids, ai dele! Nanopartícula feita de veneno de abelha pode matar vírus da aids


Este micro vilão mutante pode estar com os dias contados
Este micro vilão mutante pode estar com os dias contados

Uma toxina presente no veneno de abelhas pode ajudar a combater o vírus do HIV. Em uma pesquisa publicada no periódico Antiviral Therapy, pesquisadores da Universidade de Washington conseguiram que uma nanopartícula carregada com a toxina melitina destruísse o vírus. Segundo eles, a descoberta pode ser um passo importante no desenvolvimento de um gel vaginal eficaz em prevenir a disseminação do vírus causador da aids.
Nanopartículas carregadas com a toxina melitina (encontrada no veneno de abelhas) foram eficientes em destruir a capa protetora do vírus HIV. Ao matar o vírus causador da aids, essa partícula preveniu a disseminação do vírus.
A toxina melitina, presente no veneno da abelha, tem uma ação tão potente que consegue fazer pequenos buracos na camada protetora que envolve o HIV — assim como outros vírus. Quando essa toxina é colocada dentro das nanopartículas, no entanto, as células normais não são prejudicadas por sua ação. Isso porque a equipe de pesquisadores adicionou uma espécie de pára-choques de proteção em sua superfície. Assim, quando entra em contato com uma célula normal, que é muito maior em tamanho, a nanopartícula se afasta. O vírus do HIV, por outro lado, é menor do que a nanopartícula, cabendo no espaço existente entre esses pára-choques. Ao fazer contato com a superfície da partícula, o HIV entra em contato também com a toxina da abelha. “A melitina forma pequenos complexos de poros e rompe o envelope do vírus, arrancando esse envelope”, diz Joshua L. Hood, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.
Segundo os pesquisadores, uma das vantagens da nova abordagem é que a nanopartícula ataca uma parte essencial da estrutura viral: o envelope protetor. A maioria dos medicamentos anti-HIV disponíveis hoje no mercado atuam inibindo a habilidade do vírus de se replicar. Essa estratégia, no entanto, não consegue barrar a infecção inicial, e algumas cepas do vírus acabam driblando o remédio e se reproduzindo mesmo assim. “Teoricamente, não há como o vírus se adaptar a nossa técnica. O vírus precisa ter essa capa protetora, essa camada dupla que o reveste.”
Além da prevenção na forma de gel vaginal, Hood também espera que essas nanopartículas possam ser usadas como uma terapia para infecções por HIV já existentes, especialmente aquelas resistentes a drogas. Nesse contexto, as nanopartículas poderiam ser injetadas no paciente de maneira intravenosa e, em tese, seriam capazes de eliminar o HIV da corrente sanguínea.
“A partícula básica que estamos usando no experimento foi desenvolvida há muitos anos como um produto sanguíneo artificial”, diz Hood. “Ela não funcionou muito bem para a entrega de oxigênio, mas circula de maneira segura pela corrente sanguínea e nos dá uma boa plataforma adaptável para o combate a diferentes tipos de infecção.” Como a melitina ataca indiscriminadamente membranas duplas, o conceito não se limita apenas ao HIV. Diversos vírus, incluindo hepatite B e C, contam com o mesmo tipo de envelope protetor e seriam vulneráveis às nanopartículas carregadas com melitina.
Embora essa pesquisa em particular não se refira a métodos contraceptivos, de acordo com Joshua Hood, o gel poderia facilmente ser adaptado para ter os espermatozoides como alvos. “Estamos olhando também para casais em que apenas um parceiro tem HIV, e que querem ter um bebê”, diz Hood. “Essas partículas, por si só, são bastante seguras para o esperma, da mesma maneira que são para as células vaginais.”
Embora a pesquisa tenha sido feita em células laboratoriais, Hood afirma que as nanoparticulas podem ser facilmente fabricadas em grandes quantias, em volume necessário para testes clínicos.

8677 – Mega Curiosidades – Esses gatos valem ouro


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O neozelandês Gareth Morgan defende a castração de gatos, mas como economista pensaria duas vezes antes de esterilizar os felinos da raça Ashera. O motivo: cada filhote pode custar até 125.000 dólares, valor suficiente para comprar uma Ferrari.

Russian Blue
A pelagem cinza, os olhos verdes e o corpo longilíneo dos elegantes gatos da raça Russian Blue fazem seu preço variar entre 400 e 3.000 dólares. Apesar da pose e nome aristocratas, são, como todo gato, brincalhões, curiosos e inteligentes.

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Persa
O persa é uma das raças mais dóceis e preguiçosas do mundo. Os felinos têm pêlo longo e necessitam de escovação diária. Segundo pesquisadores, o gene da pelagem surgiu em gatos de regiões montanhosas e geladas da Persia – onde hoje é o Irã. Custo: entre 500 e 5.500 dólares.

Ragdoll
Os gatos da raça Ragdoll são ótimos companheiros. Eles têm personalidade doce e são muito tranquilos. Brincam, mas com moderação. Miam pouco e convivem bem com crianças e cachorros. Os filhotes custam entre 500 e 1.000 dólares.

Maine Coon
Conhecido como gigante gentil, o Maine Coon é nativo do continente americano. Os gatos da raça são de grande porte e podem pesar mais de oito quilos. Possuem pêlo longo, são inteligentes e muito devotos aos seus donos. Seus filhotes custam entre 1.000 e 2.000 dólares.

Bengal

Bengal tigrinho

Cheio de energia, o Bengal surgiu a partir do cruzamento dos gatos-leopardos da Ásia com os felinos domésticos. São muito curiosos e apegados a seus donos. Possuem corpo alongado e músculos robustos. Seu preço pode variar entre 1.000 e 25.000 dólares.

Savannah

Savannah-gato

Outro híbrido, desta vez entre o serval africano e o gato doméstico, o Savannah é bastante fiel e frequentemente comparado aos cães. A despeito de sua aparência selvagem, o Savannah é um gatinho sociável e bastante brincalhão. Seu preço varia entre 1.500 e 50.000 dólares.

Ashera
O exótico Ashera é resultado do cruzamento entre três espécies de felinos: o serval africano, o gato-leopardo da Ásia e o gato doméstico. O tamanho assusta, pode pesar até 15 quilos, mas ele é sociável. Seu preço varia entre 22.000 e 125.000 dólares.

8676 – Medicina – Medicamento em estudo atua em duas fases do ciclo do HIV


Uma equipe de pesquisadores de diversos países está estudando um novo candidato a medicamento contra os vírus HIV, causador da aids, e HSV, causador da herpes. A substância, denominada PMEO-DAPym, não só afeta os dois vírus, como interfere na infecção pelo HIV por meio de dois mecanismos diferentes. Apesar de bastante promissor, esse novo medicamento ainda está em fase inicial dos estudos, e não há previsão de testes em humanos.
O PMEO-DAPym, candidato a medicamento contra os vírus HIV, causador da aids, e HSV, que origina a herpes, age contra a infecção pelo HIV por meio de dois mecanismos distintos.
Pela prática clínica, sabe-se que é comum que pacientes infectados com HIV estejam também infectados pelo HSV. Os dois vírus têm a mesma forma de transmissão, sendo a principal via a relação sexual. Por isso, uma pessoa exposta a um dos vírus está, frequentemente, vulnerável também ao outro. Para complicar, a multiplicação do vírus da herpes estimula o HIV, piorando seus sintomas.
O novo candidato a medicamento, o PMEO-DAPym, é da mesma família do tenofovir, um remédio já muito utilizado para o tratamento do HIV. Um dos seus mecanismos de ação é o mesmo do tenofovir: inibir a produção da enzima que o vírus utiliza para infectar a célula. Mas há ainda outra estratégia de ação em que o novo medicamento aposta: deixar as células menos propensas à infecção pelo vírus. Agindo contra o HSV, o PMEO-DAPym também inibe a produção de uma enzima utilizada pelo vírus para se multiplicar.
“Além de inibir as enzimas do HIV (transcriptase reversa) e do HSV (DNA polimerase), o medicamento estimula a célula a produzir substâncias que se ligam ao receptor que o HIV usa para entrar na célula, o CCR5. Assim, esse receptor fica ‘ocupado’ e não permite a entrada do HIV na célula”, explica Ricardo Diaz, professor de infectologia da Unifesp.
Com dois mecanismos de ação distintos, este é o primeiro medicamento em potencial que atua em duas fases do ciclo do HIV. Segundo os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira no periódico Plos Pathogens, essa ação múltipla pode resultar em uma supressão mais eficiente da replicação do vírus.
“O medicamento parece promissor, principalmente em virtude de sua ação dupla, mas ainda está em fase pré-clínica, então é cedo para dizer se ele vai funcionar da maneira esperada”, afirma Diaz.
Resistência
O PMEO-DAPym foi testado em amostras de vírus resistentes aos medicamentos comumente utilizados, tanto para HIV quando HSV, e se mostrou efetivo também nesses casos. Os pesquisadores ressaltam, porém, que mais testes serão necessários para determinar se os vírus não podem acabar desenvolvendo resistência também ao novo medicamento.
Por agir em dois estágios do ciclo de vida do vírus, uma delas anterior à infecção da célula, essa substância tem potencial para ser utilizada de forma preventiva. Antes de ser aprovada para eventuais testes clínicos, feitos com pacientes, a nova droga será testada em animais.