8490 – Esporte – Como é feito o exame antidoping?


Ele acontece logo depois das provas. Todos os testes são feitos a partir de amostras de urina. E há basicamente quatro tipos de substâncias proibidas. Elas começam pelos estimulantes, que excitam o sistema nervoso. É o caso das anfetaminas. Mais comuns são os anabolizantes. Usados durante os treinamentos físicos, eles alteraram o metabolismo, fazendo a massa muscular crescer mais do que o normal. Outra categoria proibida é a das substâncias calmantes, que inclui álcool e maconha. O problema é que, em pequenas doses, elas relaxam os nervos. E isso pode dar alguma vantagem em competições como o tiro.
Diuréticos, que eliminam água do organismo, também são vetados. É que eles servem tanto para tirar vestígios de doping como para diminuir o peso de lutadores que tentam competir em categorias de peso abaixo das suas. Além do uso de drogas, enfim, há mais três proibições: injetar sangue, que dá mais fôlego por aumentar o número de glóbulos vermelhos, manipular saquinhos de urina – por motivos óbvios – e o doping genético – estimular órgãos e tecidos com proteínas ou vírus modificados. Isso, na verdade, ainda não foi bem desenvolvido, mas, virtualmente impossível de ser detectado, tem tudo para vingar.

Nos esportes individuais, como o atletismo, os quatro primeiros colocados de cada modalidade são convocados para o exame. Nos coletivos são escolhidos aleatoriamente alguns integrantes das equipes vencedoras. O número de testes sempre aumenta nas provas finais.
A equipe que coleta a urina pode incluir membros do COI, representantes da federação do atleta e médicos. O sujeito preenche um formulário com o nome das substâncias que teria consumido. E escolhe um frasco vazio para urinar
Pelo menos um dos representante do COI deve olhar o atleta fazendo xixi. Não vale pedir licença ou se esconder enquanto enche o frasco – no mínimo 65 ml. Se o examinado ficar constrangido, pode levar um acompanhante
O frasco é enviado para um laboratório. E o resultado vai para o presidente do Comitê Antidoping do COI. Só ele tem a lista que relaciona o laudo ao atleta. Se der positivo, pede-se uma contraprova. Se o resultado for o mesmo, o atleta é desclassificado.

8489 – Qual a diferença entre bilhar e sinuca?


Bilhar é o nome genérico que a gente dá para vários jogos de mesa que utilizam tacos e bolas. A sinuca é justamente um desses jogos de mesa. Para simplificar, dá para dizer que a sinuca está para o bilhar assim como o vôlei de praia está para o vôlei. Mas a coisa é um pouco mais complicada, porque a modalidade mais antiga dos jogos de bilhar obviamente também se chama… bilhar! A versão mais difundida é que essa modalidade primitiva de bilhar surgiu de um jogo francês chamado croqué, disputado nos gramados dos palácios franceses do século 15. Com uma espécie de martelo, os jogadores impulsionavam bolas por entre arcos e buracos. No inverno, a neve impedia o jogo – por isso, ele teria sido levado para os salões e jogado sobre uma mesa. Mais de 300 anos depois, em 1875, um coronel do exército inglês modificou algumas regras do bilhar e inventou a sinuca internacional ou snooker. Por aqui, o jeitinho brasileiro deu cara nova à sinuca quando ela aportou no país, no começo do século 20. “No salão de sinuca, os malandros desafiavam outros jogadores apostando cervejas. Para conseguir vencer mais adversários e faturar alto, os malandros encurtaram a duração tirando bolas da mesa de jogo. Nascia a sinuca brasileira, com apenas uma bola vermelha”, afirma o coordenador da Federação Paulista de Bilhar e Sinuca, Luiz Admir Fraisoli. Ao lado, a gente explica, de uma tacada só, as principais diferenças entre o bilhar, o snooker e a sinuca brasileira.

SNOOKER

Número de bolas: 13, 17 ou 22 (sendo 6, 10 ou 15 vermelhas)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m (13 ou 17 bolas) ou 3,66 m x 1,83 m (22 bolas). Tem seis caçapas

Como é o jogo: No início, o jogador deve matar as bolas vermelhas, que valem um ponto cada, podendo intercalar matando as outras coloridas, que valem de dois a sete pontos. Terminadas as vermelhas, o jogador deve matar as numeradas em seqüência. Vence quem fizer mais pontos quando todas as bolas estiverem nos buracos.

BILHAR OU CARAMBOLA

Número de bolas: 3 (vermelha, amarela e branca)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m. É a única mesa que não tem caçapas

Como é o jogo: Um jogador joga com a amarela e outro com a branca. A vermelha é a bola neutra. O objetivo é fazer sua bola bater nas outras duas na mesma tacada — isso vale um ponto. Vence quem chegar a 20 pontos primeiro. Também conhecido como carambola, o bilhar sobrevive até hoje em algumas cidades do interior brasileiro.

SINUCA BRASILEIRA

Número de bolas: 8 (vermelha, amarela, verde, marrom, azul, rosa, preta e branca)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m. Tem seis caçapas

Como é o jogo: O objetivo é encaçapar as bolas coloridas, que seguem uma seqüência com pontuação predeterminada — a vermelha vale um ponto, a amarela vale dois e assim por diante. Se matar a bola “da vez”, o jogador pode matar outra fora da seqüência, mas perde pontos se errar. Vence quem tiver o maior placar quando todas as bolas forem encaçapadas.

8488 – Qual seria a seleção brasileira de todos os tempos?


A Dupla Imbatível
A Dupla Imbatível

Depois de ouvirmos a opinião de oito cronistas esportivos e dos craques Casagrande e Falcão, montamos nosso time dos sonhos. Deu uma equipe bem ofensiva: Gilmar, no gol, Carlos Alberto Torres e Nílton Santos nas laterais, os zagueiros Mauro Ramos de Oliveira e Luís Pereira. No meio de campo, Falcão, Didi e Rivelino. E no ataque, três goleadores: Pelé, Garrincha e Romário. Para comandar essas estrelas, escalamos o técnico Telê Santana. O curioso é que, na votação, nenhum jogador foi unanimidade. Nem mesmo Pelé, que recebeu oito votos. “O Pelé não pode entrar numa seleção dessas, tem de estar no time do universo”, afirma o comentarista Mauro Beting, que, como Casagrande, decidiu deixar o “rei” de fora do time dos sonhos. A disputa mais acirrada ocorreu no meio de campo e no ataque. Gérson, Rivelino, Tostão, Romário e Ronaldo “Fenômeno” receberam quatro votos. Corremos o risco da injustiça e optamos por Rivelino e Romário. Deixamos para sua imaginação a missão quase impossível de tentar achar adversários para esse supertime!

MAURO RAMOS DE OLIVEIRA (zagueiro)

COPAS – 1954, 1958 e 1962

Mauro foi o maior zagueiro do São Paulo, time que defendeu de 1948 a 1960, e do Santos, onde faturou o mundial interclubes em 1962 e 1963. Na Copa de 1958, foi reserva, mas, em 1962, brilhou como capitão e levantou a taça do bicampeonato

LUÍS PEREIRA (zagueiro)

COPA – 1974

Com 34 gols em 562 partidas, “Luisão” liderou o Palmeiras em sua fase mais vitoriosa, levando o caneco do Brasileirão em 1972e 1973. Desengonçado, tinha as pernas tortas e os pés virados para dentro, o que não diminuía em nada sua habilidade

CARLOS ALBERTO TORRES (lateral-direito)

COPA – 1970

Virando jogador contra a vontade do pai, o “capitão do tri” na Copa de 1970 cansou de ganhar títulos entre 1965 e 1970 e de 1972 a 1975, quando jogou pelo Santos. Em 2000, foi eleito pela Fifa como melhor lateral-direito da história

GILMAR DOS SANTOS NEVES (goleiro)

COPAS – 1958, 1962 e 1966

Único goleiro do país a ganhar duas Copas do Mundo, em 1958 e 1962, Gilmar também foi bi-mundial de clubes pelo Santos, em 1962 e 1963. Conhecido pela segurança e pela calma, jogou 18 anos e levantou 22 taças

NÍLTON SANTOS (lateral esquerdo)

COPAS – 1950, 1954, 1958 e 1962

Apelidado de “enciclopédia do futebol” pelo vasto repertório de jogadas, Nílton Santos inaugurou um novo papel para o lateral, fazendo lançamentos precisos, subindo ao ataque e marcando gols. Pela seleção, foi bicampeão em 1958 e 1962

TELÊ SANTANA (técnico)

COPAS – 1982 e 1986

Ganhou o rótulo de pé-frio por ter perdido as Copas de 1982 e 1986, mas encantou ao montar times que jogavam bonito “e sem violência. Como treinador de clubes, Telê ganhou mais de 15 títulos, incluindo o bi mundial com o São Paulo, em 1992 e 1993

RIVELINO (meio campo)

COPAS – 1970, 1974 e 1978

Grande ídolo de Diego Maradona, o “reizinho do parque” foi um dos melhores jogadores da história do Corinthians e mandou muito bem na Copa de 1970, marcando três gols. Seu chute potente foi apelidado de “patada atômica” pela torcida

PELÉ (atacante)

COPAS – 1958, 1962, 1966 e 1970

“Rei” do futebol, atleta do século, tricampeão pela seleção e bi pelo Santos. Recordista de gols (1 281) e de títulos (57). Em um rasgo de humildade, ele mesmo admitiria: “Pelé é coisa de Deus, é difícil explicar, não vai nascer mais”. Difícil discordar

FALCÃO (volante)

COPAS – 1982 e 1986

O maior jogador da história do Inter de Porto Alegre conduzia a bola sempre de cabeça erguida, procurando a melhor jogada. Arrebentou na Copa de 1982 e foi eleito o segundo melhor do mundo, atrás apenas do carrasco italiano Paolo Rossi

ROMÁRIO (atacante)

COPAS – 1990 e 1994

Herói do tetra na Copa de 1994, o “baixinho” fez mais de 800 gols na carreira e estufou as redes 70 vezes na seleção — com a amarelinha, ele só fica atrás de Pelé. “É o maior jogador que eu vi jogar dentro da área”, diz o comentarista Juca Kfouri

DIDI (meio-campo)

COPAS – 1954, 1958 e 1962

Apelidado de “príncipe etíope” pela elegância e classe no meio campo, Didi fez 21 gols com a camisa da seleção e foi considerado o melhor jogador da Copa de 1958. Na final, sua liderança foi fundamental na virada por 5 a 2 contra a Suécia

GARRINCHA (atacante)

COPAS – 1958, 1962 e 1966

Com seus dribles desconcertantes, Garrincha brilhou na Copa de 1962, quando anotou 4 gols e liderou o time ao título. Com Pelé, “Mané” construiu um dos grandes tabus da seleção: com ele e o “rei” em campo, o Brasil nunca perdeu um jogo

Juri: Alberto Helena Jr. (Diário de São Paulo), Casagrande (TV Globo), Falcão (TV Globo), Juca Kfouri (CBN e Rede Cultura), Mauro Beting (Rádio Bandeirantes e BandSports), Paulo César Vasconcellos (ESPN), Paulo Vinícius Coelho (ESPN), Roberto Avallone (Rede TV!), Ruy Carlos Ostermann (Zero Hora e Rádio Gaúcha) e Sérgio Xavier (Placar)

☻ Mega Opinião
Grande ausente desta seleção: Artur Friedheich

8487 – Mega Almanaque – Quem inventou o pebolim?


Um espanhol e um alemão disputam a paternidade do jogo. O espanhol que jura ter inventado o pebolim é Alejandro Campos Ramirez, hoje com 86 anos. Em 1936, após ser ferido por uma bomba na Guerra Civil Espanhola, Alejandro teria criado o jogo num hospital, inspirado no tênis de mesa. Já os alemães sustentam que o inventor é Broto Wachter, que comercializou a mesa pioneira de pebolim nos anos 1930. A criação do alemão tinha quase o mesmo tamanho da atual. A diferença é que tudo era de madeira: as barras, a bola e os “jogadores”, pequenos retângulos sem a forma de bonequinhos. Atrás do gol, ficava um saco para não deixar as bolas caírem. Só para comparar, hoje os jogadores são de plástico e as mesas mais iradas têm barras de titânio e até placar eletrônico! Ao Brasil, o esporte chegou na década de 1950, provavelmente trazido por imigrantes espanhóis. Difícil mesmo foi encontrar um nome único para a coisa: em São Paulo, o jogo é chamado de pebolim. No Rio Grande do Sul, de fla-flu. No Rio de Janeiro e em outros estados, é o famoso totó. No resto do mundo, é a mesma confusão: nos Estados Unidos, o esporte é chamado foosball. Na Espanha, futbolín. Na Argentina, metegol. E em Portugal, matraquilhos. Não existe um campeonato mundial de pebolim, mas alguns torneios americanos reúnem participantes de todo o mundo, pagando até 130 mil dólares em prêmios. O Brasil nunca venceu um desses grandes torneios internacionais. No futebol de pauzinhos, quem dá a bola são Estados Unidos, Alemanha, França e Japão.

GOL QUE ENTRA E SAI VALE?

Sim, pelo menos no Brasil. Devido à forma das mesas brasileiras, é comum o cara enfiar um petardo, a bola bater no fundo do gol e voltar. Nos Estados Unidos e em outros países, o fundo do gol é mais distante e a bola raramente volta depois de uma bicuda

PODE GIRAR A BARRA?

Em jogos oficiais, não. A mão do jogador não pode sair da manopla. Ou seja, só é possível dar um giro de 360 graus. Quando ocorre a irregularidade, a bola passa para o adversário. Ele pode colocá-la na sua defesa ou no pé de um de seus jogadores na região da falta.

8486 – Esporte – O que mudou nas regras do futsal nos últimos 20 anos?


Praticamente tudo. Antes das mudanças, a bola era bem menor e mais pesada, existiam bandeirinhas, cobrava-se lateral com as mãos, o juiz dava acréscimo ao tempo de jogo e por aí em diante. Tudo era muito parecido com as regras do futebol de campo, que imperaram desde o início do bate-bola nas quadras (na década de 30) até 1989, quando a Fifa assumiu a modalidade. Naquele ano, o futebol de salão, popular na América do Sul, e o futebol cinco, praticado na Europa, foram fundidos e ganharam o nome de futsal. E a revolução nas regras começou: a área ficou maior, os bandeirinhas foram banidos, o goleiro passou a jogar com os pés, liberou-se o gol dentro da área, acabou o limite de cinco substituições, surgiu o tiro livre após a quinta falta coletiva… Boa parte dos especialistas, dos fãs e dos craques aprovou o troca-troca. “O jogo ganhou dinamismo e criatividade, deixando o futsal mais atrativo. Só não gostei muito da mudança do lateral: acho que a reposição com as mãos dava mais emoção”, afirma o craque brasileiro Manoel Tobias, considerado o “Pelé das quadras”. Hoje, o esporte é um dos que mais crescem no mundo – em 96, apenas 46 países disputaram as eliminatórias para o campeonato mundial. Atualmente, a Fifa já tem 130 afiliados. O próximo desafio é transformar o futsal em esporte olímpico. O passo decisivo pode ser o 8º Campeonato Mundial, que acontece a partir do dia 21 deste mês em Taiwan. A competição será transmitida para o mundo todo e promete ser a mais equilibrada da história. Os brasileiros, pentacampeões, eram praticamente imbatíveis até 2000, quando perderam o título para a Espanha. Além desses dois favoritos, italianos, argentinos e até ucranianos têm times fortes para sonhar com o caneco.

SUBSTITUIÇÃO LIBERADA

Antes das mudanças, cada time só tinha direito a cinco substituições por jogo — assim como no campo, quem saía não podia mais voltar. A partir de 1995, acabou esse limite e nasceu a “troca volante”: as substituições acontecem com a bola rolando, o jogador pode entrar quantas vezes o técnico quiser e não precisa mais da autorização do juiz para começar a jogar.

Em 1997, a Fifa deixou a bola do jogo maior e mais leve — a circunferência aumentou de 62 para 64 centímetros e o limite de peso baixou de 500 gramas para 440 gramas. As partidas ficaram mais rápidas e dinâmicas: surgiram lances de efeito, como chapéus e voleios, improváveis na era da bola pesada.

ÁREA ALTERADA

Até o início da década de 90, gols dentro da área eram proibidos. Assim que assumiu o futsal, a Fifa acabou com essa proibição e aumentou a área – a distância entre as traves e a linha da área passou de 4 para 6 metros. A marca do pênalti, que ficava a 7 metros do gol, foi colocada na linha da área, 1 metro mais perto.

GOLEIRO-ARTILHEIRO

Antes, o goleiro não podia tocar na bola fora da área nem lançá-la no campo do adversário — a bola tinha que quicar antes no campo de defesa. Pelas novas regras, ele ganhou o direito de lançar a bola além do meio da quadra e de jogar com pés, inclusive fora da área. Com isso, o goleiro virou um curinga, descendo ao ataque e até fazendo gols.
Para punir a violência, uma regra antiga que existe até hoje manda para o chuveiro quem cometer mais que cinco faltas. Depois da quinta falta coletiva, a cobrança é sem barreira. Em 2000, a Fifa complementou a regra, determinando que as faltas sem barreira fossem cobradas da marca de tiro livre, a 10 metros do gol. É quase um pênalti!

REPOSIÇÃO POLÊMICA

Até 1989, laterais e escanteios eram cobrados com as mãos e geravam muitos gols aéreos — as regras antigas permitiam estufar as redes de cabeça dentro da área. Hoje as saídas de bola são repostas com os pés, uma mudança que causou polêmica: o adversário pode ficar a 3 metros do cobrador, dificultando os lançamentos longos.

CARTÕES MUTANTES

No futsal, o cartão amarelo serve como advertência, igualzinho ao campo. O vermelho também significa expulsão, mas com uma diferença: depois de dois minutos desfalcada, a equipe pode colocar outro jogador. Durante alguns anos, também existiu o cartão azul, que eliminava o infrator, mas permitia que um reserva entrasse no seu lugar imediatamente.
Desde a década de 30, o futsal herdou do campo os bandeirinhas. Mas pense bem: como não há impedimento, a função deles era só marcar a saída de bola. Os cartolas chegaram a essa mesma conclusão e trocaram o trio de arbitragem por uma dupla de juízes. Cada um apita de um lado da quadra, mas um deles tem a palavra final nas marcações polêmicas.

8485 – Futebol – Quais os craques vira-casacas mais polêmicos do Brasil?


futebol

A troca de craques entre times rivais é tão antiga quanto o próprio futebol brasileiro. Em 1911, por exemplo, dez jogadores insatisfeitos no Fluminense deixaram o clube para criar o departamento de futebol do Flamengo. Já o primeiro gol da história do Palmeiras, em 1915, foi marcado por um ex-corintiano chamado Bianco Gambini.

É claro que torcedores e cartolas sempre olharam feio para essas “traições”. No Rio Grande do Sul, o tabu era tão grande que a primeira troca direta de um jogador entre o Grêmio e o Internacional só aconteceu em 1989, quando o meia Bonamigo saiu do Olímpico e foi defender o Colorado sem passar por nenhum outro time antes.

Hoje tais transferências são encaradas como algo mais normal. Porém, para esquentar um pouco essa saudável rivalidade, reunimos aqui seis craques em atividade no Brasil e que já jogaram por clubes arquiinimigos. É hora de comparar como eles se saíram defendendo cada equipe e descobrir as torcidas que tiraram mais proveito de tanto troca-troca polêmico.

Romário
Revelado pelo Vasco em 1985, o “Baixinho” passou alguns anos na Europa e voltou ao Brasil logo para o arqui-rival dos vascaínos, o Flamengo. Em 2002, virou a casaca novamente, indo para o Fluminense. Tanta mudança de time deixou alguns revoltados pelo caminho. “O Romário desrespeitou o clube que o projetou e isso quebrou o encanto”, diz o torcedor Marcelo Granzotto, da Força Jovem, principal torcida organizada vascaína. Já os flamenguistas aceitaram melhor o troca-troca e gostam de provocar os rivais lembrando as declarações de amor que Romário já deu pelo rubro-negro: “Apesar de começar no Vasco, o Romário é Flamengo. Ele saiu do clube duas vezes, mas sempre quis voltar”, diz José Carlos Peruano, presidente da Associação das Torcidas Organizadas do Flamengo (Atorfla). A paixão maior pode até ter sido pelo Flamengo, mas o desempenho em campo…

Um grande Baixinho no Vasco

Mais gols e mais títulos: ele foi melhor jogando no clube que o revelou

FLAMENGO

Período – 1995-1996 e 1997-1999

Jogos* – 240

Gols* – 204

Títulos – Campeonato Carioca (96 e 99) e Copa Mercosul (99)

VASCO

Período – 1985-1988 e 1999-2002

Jogos* – 331

Gols* – 252

Títulos – Campeonato Brasileiro (2000), Campeonato Carioca (87 e 88) e Copa Mercosul (2000)

FLUMINENSE

Período – desde 2002

Jogos* – 74

Gols* – 47

Títulos – Campeonato Carioca (2002)

DO VASCO PARA O FLAMENGO…

• Almir, atacante, anos 60

• Edmundo, atacante, anos 90

• Felipe, meia, anos 2000

…E DO FLAMENGO PARA O VASCO

• Bebeto, atacante, anos 80

• Petkovic, meia, anos 90

• Jorginho, lateral-direito, anos 2000

Edílson
Apelidado de “Capetinha”, Edílson infernizou os adversários do Palmeiras durante três temporadas, de 1993 a 1995. Chegou inclusive a ganhar três títulos em cima do rival Corinthians (Paulista-93, Rio-São Paulo-93 e Brasileiro-94). Em 1997, porém, após um período no exterior, resolveu mudar de lado e passou a defender as cores preta e branca dos corintianos. No começo, foi visto com desconfiança pelos ex-rivais, mas após ganhar uma porção de títulos — inclusive o polêmico Mundial da Fifa — e ainda provocar os palmeirenses ao fazer “embaixadinhas” na final do Campeonato Paulista de 99, caiu de vez nas graças dos corintianos. Por isso, o hoje jogador do Vitória é lembrado com muito mais alegria pela “Fiel” que pelos palmeirenses.

“Capetinha” preto e branco

Com “embaixadinhas” e Mundial, ele fez os corintianos mais felizes

PALMEIRAS

Período – 1993-1995

Jogos* – 151

Gols* – 58

Títulos – Campeonato Brasileiro (93 e 94), Paulista (93 e 94) e Rio-São Paulo (93)

CORINTHIANS

Período – 1997-2000

Jogos* – 162

Gols* – 53

Títulos – Mundial da Fifa (2000), Campeonato Brasileiro (98 e 99) e Paulista (99)

DO PALMEIRAS PARA O CORINTHIANS…

• Leão, goleiro, anos 80

• Jorginho, meia, anos 80

• Neto, meia, anos 80 e 90

• Edmundo, atacante, anos 90

• Luizão, atacante, anos 90

• Rogério, volante, anos 2000

…E DO CORINTHIANS PARA O PALMEIRAS

• Dida, lateral-esquerdo, anos 80

• Édson, lateral-direito, anos 80

• Ribamar, meia, anos 80

• Carlos, goleiro, anos 90

• Rivaldo, meia, anos 90

• Viola, atacante, anos 90

Guilherme
Terceiro maior artilheiro do Atlético-MG — atrás de Reinaldo e Dario —, Guilherme surpreendeu a torcida do Galo ao se transferir para o Cruzeiro este ano após uma temporada na Arábia Saudita. Pior: logo no primeiro clássico entre os times, marcou dois gols… “A passagem pela Arábia aliviou um pouco a transferência para o Cruzeiro. Nos primeiros dias, foi complicado, mas o torcedor do Atlético ainda me respeita e o cruzeirense deixou de me hostilizar”, diz Guilherme, garantindo que pelas ruas de Belo Horizonte ouve muito mais pedidos de autógrafos que gritos de “traidor” ou mercenário. Talvez porque os atleticanos saibam que o Guilherme dos tempos do Galo é praticamente imbatível no número de gols marcados.

Galo na cabeça

Guilherme é “só” o terceiro maior artilheiro do Atlético. No Cruzeiro…

ATLÉTICO-MG

Período – 1999-2002 e 2003

Jogos* – 205

Gols* – 139

Títulos – Campeonato Mineiro (99 e 2000)

CRUZEIRO

Período – desde 2004

Jogos* – 36

Gols* – 14

Títulos – Campeonato Mineiro (2004)

DO ATLÉTICO-MG PARA O CRUZEIRO…

• Reinaldo, atacante, anos 80

• Luisinho, zagueiro, anos 90

• Éder, atacante, anos 90

• Toninho Cerezo, volante, anos 90

…E DO CRUZEIRO PARA O ATLÉTICO-MG

• Palhinha, atacante, anos 70

• Nelinho, lateral-direito, anos 80

• Alex Alves, atacante, anos 2000

• Fábio Júnior, atacante, anos 2000

Christian
De tão adorado pela torcida, ele foi chamado de “Jesus Christian”quando defendeu o Inter, nos anos 90. Em 2003 aconteceu a virada: Christian foi para o Grêmio, que na época lutava contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Faltando dez rodadas para o torneio acabar, o Grêmio, último colocado, enfrentou o Inter. Christian fez o gol da vitória que deu início à reação gremista que nas rodadas seguintes livraria o time da segunda divisão. “Ali eu consegui acabar com toda a desconfiança dos torcedores mais críticos. Aqui no Sul é muito difícil vestir a camisa dos dois rivais”, diz o atacante, que continua com o faro de gol afiado. Mesmo com o time do Grêmio não ajudando muito nas duas últimas temporadas…

Goleador lá e cá

Tanto no Inter como no Grêmio Christian fez perto de 1 gol a cada dois jogos

INTERNACIONAL

Período – 1989-1992 e 1996-1999

Jogos* – 168

Gols* – 94

Títulos – Campeonato Gaúcho (91, 92 e 97)

GRÊMIO

Período – Desde 2003

Jogos* – 78

Gols* – 37

Títulos – —

DO INTER PARA O GRÊMIO…

• Manga, goleiro, anos 70

• Batista, volante, anos 80

• Mário Sérgio, meia, anos 80

• Kita, atacante, anos 80

• Mauro Galvão, zagueiro, anos 90

• Fábio Pinto, atacante, anos 2000

…E DO GRÊMIO PARA O INTER

• Russinho, atacante, anos 30 e 40

• Geraldão, atacante, anos 80

• Bonamigo, volante, anos 80

• Arílson, meia, anos 90

• Almir, atacante, anos 90

• Carlos Miguel, meia, anos 2000

Antônio Carlos
Somente cinco jogadores já atuaram pelos quatro grandes clubes de São Paulo — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. O zagueiro Antônio Carlos, hoje no Santos, é um deles. “Felizmente, por onde passei, deixei boas lembranças. Acho que não há rancor de parte alguma”, diz o jogador. Antônio Carlos foi mesmo vitorioso nos três primeiros clubes que passou, mas concentrou suas principais faixas de campeão no São Paulo e no Palmeiras. Como estamos falando de um zagueiro, os gols que ele marcou não importam tanto. O melhor quesito para avaliar seu desempenho como “vira-casaca” são os títulos conquistados. Dá quase um empate técnico entre o Antônio Carlos tricolor e o alviverde, mas uma taça internacional desempata essa disputa.

Taça que desequilibra

No Palmeiras, Antônio Carlos até ganhou mais títulos; mas só no São Paulo faturou uma Libertadores

SÃO PAULO

Período – 1987-1992

Títulos – Copa Libertadores (92), Campeonato Brasileiro (91), Campeonato Paulista (89 e 91)

PALMEIRAS

Período – 1993-1995

Títulos – Campeonato Brasileiro (93 e 94), Campeonato Paulista (93 e 94) e Torneio Rio-São Paulo (93)

CORINTHIANS

Período – 1997

Títulos – Campeonato Paulista (97)

SANTOS

Período – desde 2004

Títulos – —

OUTROS QUE JOGARAM NOS QUATRO GRANDES DE SÃO PAULO

• Cláudio Pinho, atacante, anos 60

• Neto, meia, anos 90

• César Sampaio, volante, anos 2000

• Müller, atacante, anos 2000

Tuta
Quando chegou ao Atlético-PR, em 1998, o centroavante Tuta ajudou o clube a sair do jejum de oito anos sem títulos estaduais e de quebra ainda foi o artilheiro do Campeonato Paranaense com 19 gols. No mesmo ano, porém, ele foi vendido para o futebol italiano. Depois, rodou por vários times antes de voltar ao Paraná para jogar pelo rival Coritiba. Em cinco jogos pelo “Coxa”, fez seis gols e levou o time ao título estadual de 2004. Na decisão, justo contra o Atlético, fez dois gols contra o ex-clube. “Marquei os gols, dei o título ao Coritiba e ainda mandei a torcida atleticana, que me provocou o jogo todo, se calar”, diz Tuta. O problema é que o gesto custou caro: ele ficou com a fama de traidor no Paraná. Menos mal que, com a bola nos pés, não tem decepcionado no Coritiba.

Vitória coxa-branca

Tuta foi campeão paranaense pelos dois times, mas tem maior média de gols no Coritiba

ATLÉTICO-PR

Período – 1998

Jogos* – 68

Gols* – 25

Títulos – Campeonato Paranaense (98)

CORITIBA

Período – desde 2004

Jogos* – 37

Gols* – 18

Títulos – Campeonato Paranaense (2004)

DO ATLÉTICO-PR PARA O CORITIBA…

• Zé Roberto, atacante, anos 70

• Rafael, goleiro, anos 80

• Edinho Baiano, zagueiro, anos 90

…E DO CORITIBA PARA O ATLÉTICO-PR

• Sandoval, meia, anos 90

• Almir, atacante, anos 90

• Marcão, lateral-esquerdo, anos 2000

8484 – Especulação Imobiliária – O metro quadrado em SP e Rio já é mais caro que em muitas capitais europeias


Nova York – US$ 11 mil
Paris – US$ 10,8 mil
Tóquio – US$ 9,4 mil
Rio – US$ 3,7 mil
São Paulo – US$ 3,5 mil
Los Angeles – US$ 3,3 mil
Viena – US$ 3,4 mil
Bruxelas – US$ 3,2 mil
Madri – US$ 3,1 mil
Lisboa – US$ 2,6 mil
Buenos Aires – US$ 1,4 mil

*Preço médio do metro quadrado em bairros centrais em prédios erguidos após 1980. Fonte: UBS

8483 – Uma Pedra de 5 Trilhões


O mundo vive sua pior crise econômica desde a década de 1930. Mas um pequeno grupo de empresários diz que tem a resposta para acabar com ela e inaugurar a fase mais próspera da história da humanidade. Como? Fazendo uma nova corrida do ouro, como as que aconteceram no Velho Oeste americano e no garimpo brasileiro de Serra Pelada – só que, desta vez, no espaço. Isso porque os asteroides, que só costumam ser assunto quando passam perto da Terra (ou quando fragmentos deles caem aqui, como aconteceu na Rússia em fevereiro, deixando centenas de feridos), são uma enorme fonte de riquezas. Contêm quantidades enormes de ouro, platina e outros metais preciosos. “Todos os recursos naturais que você puder imaginar, energia, metais, minerais e água, existem em quantidades praticamente infinitas no espaço”, diz Peter Diamandis, fundador da empresa Planetary Resources, a primeira a entrar na nova corrida do ouro.
Diamandis não é um sujeito qualquer. Ele é o criador do X Prize, competição que dá US$ 10 milhões de prêmio a quem conseguir realizar determinado feito tecnológico (como mandar um robô até à Lua ou criar uma máquina capaz de ler DNA em alta velocidade, por exemplo). A maior proeza do X Prize até agora foi o desenvolvimento da primeira nave espacial privada, que está sendo preparada para viagens turísticas. Mas, se o conceito de turismo espacial é fácil de entender, a mineração espacial já parece ser ficção científica demais para ser levada a sério. Não é à toa que o principal foco da Planetary Resources e sua recém-apresentada competidora, a Deep Space Industries, agora é buscar financiadores.

A Planetary Resources parece estar mais adiante nesse quesito. Entre seus investidores estão Eric Schmidt e Larry Page, respectivamente presidente e CEO do Google, e Charles Simonyi, programador húngaro-americano que fez fortuna na Microsoft. De quebra, ela tem o cineasta James Cameron na função de consultor. No que diz respeito à qualidade técnica das equipes, ambas as empresas estão muito bem servidas. Reúnem ex-funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, engenheiros que ajudaram a colocar os jipes robóticos Spirit e Opportunity em Marte, e por aí vai. Pessoas que sabem o que estão fazendo. Mas será que estão à altura do desafio, e têm como pagar a conta?

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Diâmetro – 600 metros
Distância da Terra – 12 milhões de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 6,9 trilhões

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Diâmetro – 420 metros
Distância da Terra – 1,5 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 5,28 trilhões

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Diâmetro – 730 metros
Distância da Terra – 1,9 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,74 trilhões

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Diâmetro – 1000 metros
Distância da Terra – 1 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,31 trilhão

Terra – Lua: 384 mil km
Terra – Marte: 54 a 401 milhões de km (dependendo da órbita)

O maior repositório de asteroides é o cinturão que existe entre as órbitas de Marte e de Júpiter – a uma distância bem grande da Terra. É lá que reside, por exemplo, um asteroide chamado Germania. Estudos telescópicos sugerem que essa pedrona de 169 km de diâmetro é riquíssima em metais preciosos. Pense alto. Mais alto. Mais. Estima-se que o valor dela seja superior a US$ 100 trilhões. É mais do que toda a riqueza produzida no mundo inteiro ao longo de um ano. Mas estima-se que, para explorar todo esse potencial, seria preciso investir US$ 5 trilhões – quase 300 vezes o orçamento anual da Nasa.

Por isso, os primeiros mineradores espaciais estão pensando mais modestamente. A ideia é começar mais perto de casa. O asteroide 2012 DA14, por exemplo, que em fevereiro passou “perto” (a 27 mil km) da Terra, tem valor estimado em US$ 195 bilhões. Mas as naves e os equipamentos necessários para explorá-lo ainda não existem. Antes de começar a construir tudo isso, as empresas de mineração espacial vão fazer um mapeamento detalhado de seus possíveis alvos. Como o asteroide 5143 Heracles, que mencionamos no começo deste texto. Ele fica a 8,6 milhões de quilômetros da Terra – é seis vezes mais perto do que Marte. E há asteroides mais próximos daqui do que a Lua, ou seja, praticamente vizinhos nossos. “Cerca de 900 asteroides que passam perto da Terra são descobertos a cada ano”, afirma David Gump, presidente da Deep Space Industries.

A empresa pretende construir sondas de baixo custo, que farão um reconhecimento dos asteroides. Batizadas de Firefly, são pequenas naves de 25 kg que devem começar a voar em 2015, pegando carona em lançamentos comerciais de satélites. Já para a Planetary Resources, o ponto de partida é lançar uma rede de telescópios espaciais, batizados de Arkid-100, que irão tentar descobrir asteroides que posssam ter passado despercebidos. Em seguida, analisando o albedo (termo técnico para o brilho) dos objetos, os cientistas da empresa tentarão identificar quais são os mais valiosos. Eles querem lançar o primeiro desses telescópios já no ano que vem, a um custo de US$ 1 milhão.

Depois de encontrar e selecionar um alvo, aí sim a Planetary Resources enviaria uma espaçonave, batizada de Arkid-200, para analisar de perto cada metro quadrado do asteroide. “Nós vamos conhecê-lo nos mínimos detalhes antes que cheguemos lá para minerá-lo”, diz Eric Anderson, que comanda a empresa ao lado de Diamandis e é fundador da companhia Space Adventures, que envia turistas à Estação Espacial Internacional (por US$ 20 milhões).
É possível imaginar o que fazer com platina e ouro obtidos de asteroides. Mas eles teriam de ser revendidos bem lentamente, ou seu preço na Terra simplesmente despencaria (pois é justamente a escassez desses metais que os torna valiosos). Por isso, a Planetary Resources e a DSI poderiam levar décadas até recuperar seu investimento. Para antecipar o lucro, alguns subprodutos poderiam ser vendidos no próprio espaço. Certos asteroides são uma fonte riquíssima de água, que pode ser usada para alimentar estações espaciais ou transformada em hidrogênio para abastecer naves. Mas isso só tem valor se tiver gente querendo comprar.

A pesquisa – 2014 e 2015
Uma rede de 15 minissatélites (1 metro de comprimento cada) é lançada e começa a capturar imagens de asteroides, usando câmeras comuns e especiais.

A análise – 2016 a 2019
Essas imagens são analisadas e, a partir delas, identificam-se os asteroides que podem conter minérios de valor.

– 8 800 Asteroides descobertos até o momento
– 900 Asteroides descobertos por ano
– 1 500 Asteroides relativamente próximos da Terra (mais fáceis de alcançar do que a Lua)

A viagem – 2020
Uma ou mais espaçonaves não-tripuladas são enviadas até o asteroide e pousam nele. Essa tecnologia já existe: em 2001, a Nasa conseguiu pousar uma sonda no asteroide Eros, a 313 mil quilômetros da Terra.

A extração – 2020+
Os braços robóticos da nave perfuram o asteroide e sugam os minérios, que são separados, processados e colocados em cápsulas, que são lançadas de volta.

O resultado
Os minérios podem ser comercializados na Terra ou usados como matéria-prima para a construção de bases espaciais. Além de metais pouco valiosos, como ferro, níquel e cobalto, alguns asteroides contêm ouro, platina e paládio. Além disso, eles podem ter até 20% de gelo, que pode ser transformado em:

Água potável – Para alimentar colônias espaciais
Oxigênio – Para respirar
Hidrogênio – Combustível

Um asteroide pode conter até 250 milhões de litros de água.

Torre de Babel – 220 andares em 180 dias
O prédio mais alto do mundo é Burj Khalifa, em Dubai – que tem 163 andares e levou mais de cinco anos para ser construído. Mas uma empresa chinesa diz que pode fazer muito melhor. Ela se chama Broad Sustainable Building Corporation (BSBC) e promete fazer a obra mais ambiciosa de todos os tempos: levantar um prédio de 220 andares, o maior do mundo, em apenas seis meses. E gastar apenas US$ 625 milhões, menos da metade do que o Burj Khalifa custou.

O megaprédio se chama SkyCity e será construído em Changsha, uma metrópole de 7 milhões de habitantes no sul da China. A rapidez tem explicação: o edifício é todo feito de peças pré-fabricadas. “95% das partes chegarão prontas. Parte elétrica, hidráulica, paredes, teto, encanamento”, explica Juliet Jung, vice-presidente da BSBC. Para Luiz Sérgio Coelho, professor de engenharia civil da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), o prazo é exequível se houver planejamento. “Gruas, guindastes, estrutura metálica, tudo já vai estar catalogado e posicionado estrategicamente ao lado da fundação. Um parafuso do 37º andar, por exemplo, já teria dia e hora para ser apertado”.
A BSBC tem experiência em construções ultrarrápidas. Em 2011, ela ergueu um hotel de 30 andares em apenas 30 dias. Mesmo assim, o governo chinês ainda não autorizou o SkyCity – até porque há certo receio no país com relação a edifícios como ele (em 2009, um prédio pré-fabricado desabou em Xangai, supostamente porque sua estrutura não era forte o bastante).

Técnica permite construir seis vezes mais rápido do que numa obra convencional

ALICERCE
Cava-se um enorme buraco no qual são colocadas as fundações – estruturas metálicas de 40 metros de altura que irão segurar a base do prédio. Demora aproximadamente três meses.

PEÇAS
Caminhões começam a trazer os pedaços do prédio: colunas, paredes e piso. Tudo já chega pronto, com tubulações elétrica e hidráulica, pintura e acabamento.

MONTAGEM
Usando uma rede de guindastes e gruas, os operários encaixam e parafusam as peças – formando o chão, as paredes e o teto. Quando um andar fica pronto, eles começam o seguinte.

8482 – Perguntas Velhas, Respostas Novas – Destino Existe?


O Big Bang foi uma explosão que espalhou partículas pelo Universo, certo? Então, usando as leis da física, em tese é possível calcular exatamente onde essas partículas irão estar e o que elas irão fazer. O deslocamento e as interações dessas partículas já estão traçados – porque são apenas uma consequência do que aconteceu na origem do Universo. Ou seja: por esse raciocínio, destino existe, sim. E, como nós somos feitos de partículas, ele existe para nós também. Essa é a base do determinismo – a ideia de que o comportamento de um sistema pode ser determinado a partir de suas condições iniciais. Se quisermos levar essa ideia ao extremo, podemos dizer que até as nossas decisões já estão traçadas. Afinal, o pensamento deriva de um fenômeno físico (o deslocamento de elétrons e neurotransmissores dentro do cérebro). E, como tal, ele deve ter uma trajetória previsível.

Você deve estar duvidando disso. Afinal, você é livre para tomar as próprias decisões. Pode continuar a ler este texto ou escolher se levantar e ir pegar um café, por exemplo. Mas há indícios de que não é bem assim – e quando nossa consciência resolve fazer algo, na verdade o cérebro já decidiu sozinho. Essa hipótese foi comprovada em laboratório pelo cientista John-Dylan Haynes, do Centro de Neuroimagem Avançada de Berlim. Numa experiência criada por ele, os participantes receberam um joystick que tinha dois botões, um para cada dedo indicador. Em algum momento, quando achassem que deveriam, os voluntários estavam livres para decidir qual dos dois botões apertar. Tomada a decisão, deveriam pressioná-lo imediatamente. Por imagens de ressonância magnética, Haynes percebeu que o córtex pré-frontal dos voluntários (região cerebral responsável pela tomada de decisões) era ativado até dez segundos antes de a pessoa resolver apertar o botão.

É difícil colocar alguém no aparelho e dizer: `Por favor, agora decida com quem você vai se casar’.” Mesmo assim, a descoberta abre um caminho intrigante: além do destino cósmico, poderia existir também uma espécie de destino neurológico, traçado por decisões que nosso cérebro toma sem nos avisar. “Nossos experimentos tornam o determinismo bastante provável. Mas ainda precisamos de muita pesquisa para prová-lo”, diz Haynes. Então, se destino existe e já está traçado e não temos livre-arbítrio, devemos parar de tentar controlar ou melhorar nossas vidas e simplesmente ficar no sofá vegetando? É claro que não. A física clássica explica bem o mundo ao nosso redor. Mas ela derrapa na hora de descrever o mundo das partículas muito pequenas. Isso tem sido tarefa para a física quântica – onde muitas coisas são imprevisíveis. “O determinismo estrito não funciona”, diz o físico Marcelo Gleiser. “Nós não somos a solução de uma equação complexa. Até porque ninguém sabe que equação é essa. E mesmo que alguém soubesse, nunca conseguiria resolvê-la”, afirma. “Uma das características da inteligência é justamente o livre-arbítrio. E quanto mais complexo o cérebro é, mais liberdade de escolha ele tem. A menos que nós sejamos uma simulação rodando num computador gigante. Mas aí já é uma outra história.”