8357 – Mega Memória – José Alencar: Luta de 13 anos contra o Câncer


jose-alencar

Por 13 anos, José Alencar travou uma longa luta contra o câncer. Só nos últimos quatro anos, desde a descoberta de um tumor, foram treze cirurgias, que o ex-vice-presidente encarou com confiança. Tal recorrência de internações e procedimentos clínicos comoveu o país e acabou fazendo de Alencar um exemplo admirável de perseverança e espírito de luta.
Em 1997, Alencar extirpou um tumor do rim direito e outro do estômago. Por isso, perdeu dois terços do estômago. Em 2000, já senador por Minas Gerais, foi detectada uma anomalia na próstata, retirada em 2002. Por recomendação médica, Alencar, que tinha então 71 anos, teve uma participação discreta na campanha de Lula. Mas, na sua primeira entrevista após a vitória, Lula fez questão de lhe render homenagem. “Quero de público aqui agradecer a participação jovial do meu vice-presidente da República. Por onde eu andava, o Zé Alencar já tinha participado como se fosse um menino de 18 anos.”
Em 2004, ele passou por uma cirurgia com Ivo Pitanguy, para a retirada de um excesso de pele no nariz que dificultava sua respiração. No mesmo ano, retirou a vesícula biliar e, durante a recuperação, contraiu pneumonia no pulmão direito. No ano seguinte, submeteu-se a um cateterismo cardíaco e a uma angioplastia (cirurgia simples para desobstrução da artéria).
Em julho de 2006, Alencar foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor no abdômen no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Em novembro, nova intervenção, desta vez no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um dos maiores centros oncológicos do planeta, para extirpar o mesmo câncer – que se regenerara. Descoberto durante um exame de rotina, o tumor, de aproximadamente 4 centímetros de diâmetro, era maligno. Em 2007 e 2008, duas novas intervenções pela mesma razão – um sarcoma na região do retroperitônio.
Em 28 de janeiro de 2009, foi submetido à mais longa e complexa cirurgia de todas, em sua longa jornada em busca da cura. Era a quinta tentativa de remover o sarcoma detectado em 2006. Em dezessete horas e meia, os médicos retiraram 15 nódulos malignos da região abdominal. Uma operação rara.
Em maio, os tumores na região abdominal reapareceram. O então vice-presidente foi então para Houston, nos Estados Unidos, tentar ser admitido em um tratamento experimental com um medicamento em fase de testes contra o câncer. Ele recebeu a autorização para participar como voluntário do programa realizado pelo centro de tratamento de câncer M.D Anderson e retornou para o Brasil. Os dois remédios testados em Alencar atuavam na causa do sarcoma, ou seja, na célula responsável pela formação do tumor, e não nas células cancerígenas. O medicamento já havia obtido resultados satisfatórios em outros 30 pacientes.
No começo de julho, porém, as dores abdominais voltaram e Alencar teve que antecipar sua ida ao hospital, marcada para os dias seguintes. Desta vez, os médicos, que haviam optado por esperar os resultados do tratamento com o novo medicamento, recomendaram uma nova cirurgia de seis horas para a desobstrução intestinal. A operação também serviu para que eles retirassem 10 nódulos do abdômen do vice-presidente.
Em maio de 2010, quase um ano depois da última internação, esteve hospitalizado por dois dias em virtude de anemia e congestão pulmonar. Na ocasião, afirmou que sua doença estava regredindo a cada dia e brincou dizendo que o tumor estava sendo “espantado no tiro.”
Alencar seguia o tratamento contra o câncer com sessões de quimioterapia quando, em julho, deu entrada no Hospital Sírio-Libanês com quadro de hipertensão. Voltaria ao mesmo hospital em setembro para tratar um edema agudo de pulmão; em 6 de outubro para substituição de um cateter no rim esquerdo; em 25 de outubro para tratar um caso de obstrução intestinal e, dias depois, um infarto agudo do miocárdio; em novembro, para a retirada de parte do intestino delgado; em dezembro, por conta de uma grave hemorragia no abdômen, que lhe impediu de estar presente na posse da petista Dilma Rousseff, em 1º de janeiro.
Essa última internação durou 33 dias. Em fevereiro, foi novamente internado, por causa de uma peritonite, inflamação na membrana que reveste a parte interna do abdômen. Permaneceu no hospital por 35 dias. A derradeira internação ocorreu na segunda, por causa de uma perfuração no intestino.

8356 – Medicina – Fatores que podem causar autismo


Estabelecer com precisão as causas do autismo ainda desafia a medicina. Sabe-se que existe um componente genético envolvido, mas os pesquisadores passaram a considerar também uma série de fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento do distúrbio. Novos estudos mostram que a gravidez é de extrema importância. Desde o uso de antidepressivos até contrair uma gripe durante esse período aumentam as chances de ter filhos que manifestem a doença mais tarde. “Não existe um único autismo. A manifestação da doença é muito variada e o que se entende é que pode ter diversas causas”, afirma Guilherme Polanczyk, psiquiatra infantil do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Ele explica que os fatores ambientais podem aumentar o risco do surgimento de uma doença, mas isso não significa que apenas um deles é suficiente para causá-la – ou que todos sejam necessários. Conheça os fatores apontados pelas mais recentes pesquisas.

Uso de antidepressivos:
O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatry em novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados no primeiro trimestre da gravidez.

Gripe ou febre persistente
Um estudo preliminar realizado com quase 96.736 crianças nascidas na Dinamarca entre 1997 e 2003, publicado em novembro de 2012 na revista americana Pediatrics, mostrou que a incidência de gripe ou febre prolongada durante a gravidez pode ser um fator de risco para o autismo.
De acordo com os pesquisadores, as crianças cujas mães tiveram gripe durante a gravidez tinham duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com distúrbios do espectro do autismo (ASD) antes de completarem três anos de idade. No caso de febres com duração de uma semana ou mais, o risco pode ser até três vezes maior.
A motivação para a pesquisa surgiu de estudos em animais, que indicavam que a ativação do sistema imunológico da mãe durante a gravidez poderia afetar o desenvolvimento do cérebro da criança.

Obesidade, diabetes e pressão alta
Mães obesas têm chances maiores de ter filhos autistas. De acordo com um estudo publicado no periódico Pediatrics em abril de 2012, a obesidade materna aumenta em até 67% a chance da criança sofrer do distúrbio.
A pesquisa envolveu com 517 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sgila em inglês), 172 com distúrbios do desenvolvimento e 315 com desenvolvimento normal, nascidas na Califórnia entre janeiro de 2003 e junho de 2010, e mostrou que a incidência de diabetes, hipertensão e obesidade das mães era maior no grupo que apresentava a doença do que no grupo de controle.
Além disso, dentre as crianças com ASD, aquelas cujas mães tinham diabetes apresentavam dificuldades relacionadas à linguagem, em comparação com os filhos de mulheres não-diabéticas.

Vitamina D
Diversos estudos associam baixos níveis de vitamina D no sangue a doenças autoimunes. Um estudo publicado em agosto de 2012 no periódico Journal of Neuroinflammation aponta uma relação entre a falta dessa vitamina e o autismo
A pesquisa foi realizada com 50 crianças autistas, entre 5 e 12 anos, e 30 crianças com desenvolvimento normal. Entre as crianças com autismo, 88% delas tinham insuficiência ou deficiência (sendo a última a mais severa) de vitamina D. Ao mesmo tempo, 70% dos pacientes com a síndrome apresentaram níveis elevados do autoanticorpo denominado anti-MAG (glicoproteína associada à mielina). Autoanticorpos são células do sistema imunológico que atuam contra proteínas do próprio indivíduo que as produz, e por isso estão associados a doenças auto-imunes, como diabetes tipo 1 e lúpus sistêmico, por exemplo.
Os pesquisadores acreditam que a deficiência de vitamina D pode contribuir para a produção do autoanticorpo, mas a relação de tal vitamina com o autismo ainda não é clara.

Tabagismo
Fumar durante a gravidez está associado a distúrbios menos graves relacionados ao autismo, como a Síndrome de Asperger. Essa é a conclusão de um estudo realizado pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos EUA, que analisou dados de 633.989 crianças nascidas entre 1992 e 1998. Por outro lado, não foi identificada relação entre o fumo na gravidez e o autismo comum.

Poluição do ar
A poluição do ar é um fator ambiental que tem sido relacionado ao autismo por diversos estudos. Uma pesquisa de 2010, realizada na Califórnia, mostrou que crianças que viviam a menos de 300 metros de rodovias tinham o dobro de chance de desenvolver autismo do que aquelas que viviam mais longe.
Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo em novembro de 2012, no periódico Archives of General Psychiatry, que aprofunda tais resultados. Participaram 279 crianças diagnosticadas com autismo e outras 245 que não apresentavam a doença. As mães informaram os endereços em que viveram durante a gestação e o primeiro ano da criança e os pesquisadores analisaram os níveis de poluição do ar em cada local. O resultado mostrou que as crianças que foram expostas aos maiores níveis de poluição causada por veículos tinham até três vezes mais chances de desenvolverem autismo.

8355 – Medicina – Hormônio presente no sangue reverte envelhecimento do coração


Uma pesquisa realizada por diversas instituições americanas, como o Instituto de Células-Tronco da Universidade Harvard, descobriu que um hormônio sanguíneo, conhecido como “fator de diferenciação do crescimento 11” (GDF11, na sigla em inglês), pode reverter os sinais de envelhecimento cardíaco. A insuficiência cardíaca é uma das doenças mais comuns em pessoas com idade avançada, e ainda não existem tratamentos específicos para ela.
Os pesquisadores descobriram que o hormônio fator de diferenciação do crescimento 11 (GDF11) é capaz de reverter o envelhecimento cardíaco. Camundongos idosos que foram tratados com injeções desse hormônio apresentaram células do tecido muscular cardíaco menores e espessura da parede muscular do coração semelhante à de um animal jovem.
A pesquisa foi realizada com camundongos idosos, os autores esperam obter pistas para um possível tratamento de insuficiência cardíaca em seres humanos no futuro. “Existem evidências de fatores circulantes na corrente sanguínea de mamíferos que podem provocar o rejuvenescimento de tecidos, mas eles ainda não foram identificados. Este estudo encontrou o primeiro fator desse tipo”, afirma Richard Lee, um dos principais autores do estudo, publicado nesta quinta-feira no periódico Cell.
A insuficiência cardíaca acontece quando o coração não consegue bombear a quantidade necessária de sangue, o que causa fadiga e dificuldade para respirar. Sua incidência tem aumentado entre os idosos. A forma mais comum da doença é caracterizada pelo aumento de espessura do músculo cardíaco.

Experimento
Para identificar as moléculas do sangue responsáveis pela doença, os pesquisadores utilizaram uma conhecida técnica experimental: eles uniram cirurgicamente camundongos novos e idosos, de forma que seus sistemas circulatórios se transformaram em um só. Ao ser exposto ao sangue do animal mais jovem, o camundongo idoso apresentou uma reversão do espessamento do tecido cardíaco.
Os pesquisadores então procuraram no sangue as moléculas que se modificam com a idade e descobriram que os níveis do hormônio GDF11 eram menores no camundongo mais velho, em comparação com o mais jovem.
Em outra etapa da pesquisa, camundongos idosos foram tratados com injeções de GDF11 e apresentaram reversão dos sintomas de envelhecimento cardíaco. As células do tecido muscular cardíaco se tornaram menores e a espessura da parede muscular do coração ficou semelhante à de um animal jovem.
“Se algumas doenças relacionadas à idade se devem à perda de um hormônio da circulação, é possível que corrigir os níveis desse hormônio seja benéfico. Nós esperamos que um dia a insuficiência cardíaca relacionada à idade possa ser tratada da mesma forma em humanos”, afirmou a autora principal do estudo junto com Lee.

8354 – Mega Memória – Romeu Tuma


tuma

(São Paulo, 4 de outubro de 1931 — São Paulo, 26 de outubro de 2010). Foi um político brasileiro.

Descendente de sírios, Romeu Tuma foi investigador e depois, delegado de polícia concursado da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Bacharel em Direito pela PUC-SP, dois de seus quatro filhos seguiram a carreira política: Romeu Tuma Júnior foi deputado estadual por São Paulo, e Robson Tuma, deputado federal; ambos também delegados de polícia.
Foi diretor geral do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) paulista de 1977 a 1982. De acordo com o livro Habeas Corpus, lançado em janeiro de 2011 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Tuma participou ativamente na ocultação de cadáveres de militantes políticos assassinados sob tortura e no falseamento de informações que poderiam levar à localização dos corpos dos desaparecidos políticos. Em 1982 tornou-se superintendente da Polícia Federal no Estado, e em 1985, torna-se diretor geral do órgão.
Durante sua gestão, o chamado “boi gordo” foi confiscado no âmbito do Plano Cruzado, foi descoberta a ossada do médico alemão Joseph Mengele, e houve a captura de Tommaso Buscetta, o mafioso cujas confissões ajudaram a desmantelar parte das máfias italiana e norte-americana presentes no Brasil. Permaneceu dirigindo a Polícia Federal até 1992, já no governo Fernando Collor de Mello quando também acumulou o cargo de Secretário da Receita Federal do Brasil.

Na Política
Em 1994, disputou sua primeira eleição e foi eleito senador de São Paulo pelo Partido Liberal (PL, atual PR), filiando-se posteriormente ao Partido da Frente Liberal (PFL, atual DEM). Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2000, obtendo o 4º.lugar. Reelege-se senador em 2002, onde manteve o cargo de corregedor do Senado até 2010. Em 2007, filia-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Candidatou-se à reeleição em 2010, mas teve problemas de saúde no inicio de setembro, inicialmente divulgado como problema de afonia, e ficou internado até o fim das eleições. Assim, não pôde fazer campanha corpo-a-corpo e tampouco gravar programas eleitorais, o que refletiu na sua inexpressiva votação (se comparada com outras eleições). Tuma obteve apenas 3,8 milhões de votos, ficando assim em 5º lugar, atrás de Aloysio Nunes e Marta Suplicy, eleitos senadores, e Netinho de Paula e Ricardo Young. O jornal Folha de S. Paulo divulgou erroneamente a morte do senador no dia 24 de setembro de 2010. O diário assumiu o erro e lançou uma errata minutos mais tarde.
Faleceu em 26 de outubro de 2010, aos 79 anos de idade, no Hospital Sírio-Libanês na região Central de São Paulo, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos. Em sua vaga, assumiu o suplente Alfredo Cotait Neto, o qual cumpriu o restante do mandato, que terminou em 31 de janeiro de 2011. O corpo de Romeu Tuma foi sepultado em 27 de outubro de 2010, no Cemitério São Paulo.

8353 – Elefante em Extinção?


greenpeace

Nos anos 60, uma libra de marfim valia cerca de 2,5 dólares no mercado internacional. Nos anos 90, a cotação alcançou 68 dólares e o mundo consumiu anualmente 800 toneladas de marfim, o peso de mil fuscas.Tais números explicaram o porque naquele ano, 70 mil elefantes foram abatidos na África e 10 mil filhotes pereceram por causa da morte de suas mães. Embora uma corrente de cientistas contestem, a população de elefantes que era estimada em 1,3 milhão em 1979, ficou reduzida a pouco mais de 750 mil. Mas o que as cifras não revelaram fôra a outra face da matança: tendo virtualmente esgotado o contingente de machos adultos, donos das maiores presas, os caçadores eliminaram indiscriminadamente animais jovens, fêmeas em idade fértil e até fêmeas mais idosas, que governam as famílias dos elefantes o que acarretou em efeito devastador para a espécie.

8352 – Lixo Espacial – Tranqueiras em Órbita


Para cada satélite que lançamos, o último estágio do foguete usado no lançamento também costuma ir parar numa órbita ao redor da Terra. Isso sem falar em pequenos detritos gerados pela separação de estágios. Ou seja, para cada peça tecnologicamente útil que colocamos lá em cima, um monte de porcaria acaba indo junto.
A nossa sorte é que o espaço é, como o nome sugere, bem espaçoso. Mas, no ritmo atual, logo, logo teremos problemas sérios com detritos. Ou melhor, já estamos tendo. Pergunte à empresa de telecomunicações Iridium. No dia 10 de fevereiro deste ano, ela subitamente perdeu contato com um de seus satélites. Quando foram ver o que tinha acontecido, ele havia sido destruído por uma colisão com um antigo satélite militar soviético, há muito desativado. Além do prejuízo, o episódio produziu, adivinhe o quê, mais lixo espacial. Em vez de dois satélites, agora havia mais de 60 pedaços grandes (além de incontáveis pedaços pequenos) de metal em órbita da Terra.
Esses detritos causaram alarme. Até mesmo a Estação Espacial Internacional correu um pequeno risco de ser atingida pelos destroços.
Desde o impacto original, nenhuma colisão subsequente foi registrada – ainda. Mas o episódio, até então inédito na história da exploração espacial, foi um alerta: o limite para a quantidade de lixo que o espaço ao redor da Terra pode absorver está perto de ser atingido. Mais que isso e teremos outras colisões com resultados sérios.
Mesmo com os esforços para reduzir a poluição espacial, o pior, ao que parece, ainda está por vir. Desde o início da década, supostamente empurrado pelo combate ao terrorismo, o governo americano desistiu de seguir os acordos estabelecidos durante a Guerra Fria para impedir o armamentismo espacial e decidiu trabalhar forte no desenvolvimento de um escudo antimísseis, com infraestrutura instalada em terra e no espaço. O projeto, apelidado de Guerra nas Estrelas, existe desde o governo Reagan, nos anos 80, mas só agora parece ter sido encampado de forma definitiva pelos americanos.
A ideia já está incomodando, e muito, a comunidade internacional. A Rússia já se manifestou contra a instalação de armas no espaço. A mesma coisa fez a China. Mas, depois que os protestos ressoaram em ouvidos surdos, os chineses decidiram fazer um barulho maior. Em janeiro de 2007, usaram um míssil para demonstrar sua capacidade de destruir objetos em órbita. Detonaram um antigo satélite meteorológico chinês. O resultado final, de novo, foi a produção de milhares de detritos espaciais, localizados na antiga órbita do satélite.
Caso os americanos instalem – e venham a utilizar – seu escudo antimísseis no espaço, corremos o risco de que a quantidade de detritos produzida leve a uma reação em cadeia que destrua muitos dos nossso preciosos satélites em órbita. Além disso, a iniciativa americana acaba dando o direito a outras nações de fazerem a mesma coisa. No fim das contas, caso um ou vários países vão mesmo para o pau no espaço, a Terra pode acabar envolvida por um invólucro impenetrável de lixo – problema que impediria todas as iniciativas futuras de exploração espacial, tripuladas ou não.

8351 – Oftalmologia – A Lente de Contato que Cura a Cegueira


As células-tronco são a grande esperança da medicina – sua capacidade de regenerar qualquer tecido do corpo promete curas incríveis. E elas acabam de operar seu primeiro milagre: fazer os cegos voltar a ver. Cientistas australianos desenvolveram uma lente de contato especial, que é revestida de células-tronco e consegue recuperar a visão de pessoas com problemas na córnea (a camada mais externa do olho). Alguns dias depois que a lente é colocada, as células-tronco começam a migrar para o olho, onde substituem as células da córnea e fazem a pessoa recuperar a visão. O procedimento foi testado em 3 pacientes cegos, que estavam na fila para receber transplantes de córnea. E os resultados foram incríveis. Dois dos pacientes se tornaram capazes de ler, e o terceiro pôde até voltar a dirigir. Como as células-tronco são retiradas do olho do próprio paciente, não há risco de rejeição – 18 meses após o tratamento, nenhum dos 3 cegos teve qualquer complicação. “Nós ainda estamos em fase de testes, mas o procedimento é bem simples e logo poderá ser usado em qualquer hospital”, afirma o criador da técnica, o oftalmologista Nick di Girolamo, da Universidade de New South Wales.

Num procedimento cirúrgico, é retirado um pedaço de 1 mm do limbo corneal ou da conjuntiva, regiões ricas em células-tronco. O paciente vai embora para casa no mesmo dia.
As células-tronco são colocadas na lente de contato, que é mergulhada numa solução rica em nutrientes e fica 10 dias numa incubadora, para que as células se multipliquem.
O paciente coloca a lente (cujo tamanho e textura são idênticos aos de uma lente comum). As células-tronco começam a se fundir com a córnea, substituindo as células danificadas.
Após duas semanas, todas as células-tronco já passaram para o olho e o paciente pode tirar a lente. A visão continua a melhorar (a recuperação total leva 3 meses).

8350 – Demografia – Erro de Cálculo


No início dos anos 90, quando a ONU calculou a população mundial em 5 bilhões de habitantes, já viviam 5,1 bilhões. A conclusão fora de um estudo feito nos EUA e corrigiu a conta para mais. Demógrafos americanos acreditavam que a taxa de fertilidade na China, de 2,1 para 2,5 contribuíra para subverter as contas da ONU. Hoje, pouco mais de 2 décadas, estima-se em 6,4 bilhões a população do planeta.
Mas o crescimento está em declínio, segundo cálculos atuais.
Dificilmente se encontrará metamorfose comparável a tamanha irrupção em qualquer outro capítulo da acidentada aventura do homem. Os números não são apenas espantosos. Constituem o caroço de uma realidade cada vez mais difícil de digerir. Servem para desenhar os contornos de um labirinto aparentemente sem saída ou sem saída até onde a vista alcança. Porque a crise da superpopulação humana e do ongestionamento urbano já não se pesa na balança ingênua dos bons velhos tempos em que se lotava um dos pratos com pessoas enquanto se polvilhava o outro com grãos para, ao fim e ao cabo, provar judiciosamente que a oferta de comida, em escala planetária, não conseguiria crescer tanto e tão depressa como o número de bocas famintas. O buraco agora é mais profundo.

8349 – Mentir faz mal para a sua saúde


Pinocchio é o mais famoso mentiroso de um dos mais belos contos, adaptado
Pinocchio é o mais famoso mentiroso de um dos mais belos contos, adaptado

Se você é desses que prefere mentir, reconsidere: essas mentirinhas fazem mal à saúde.
Foi o que descobriu um grupo de psicólogos da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. Eles reuniram 110 pessoas, de 18 a 71 anos, e as separaram em dois grupos. Um deles foi instruído a evitar mentiras por 10 semanas, enquanto os outros não receberam nenhuma recomendação especial. A cada sete dias, todos os voluntários tinham de ir até o laboratório para completar questionários sobre saúde e para passar por um detector de mentiras para descobrir quantas vezes haviam enganado alguém na semana.
Ao longo do teste, o grupo dos não-mentirosos mostrou uma melhora na saúde física e emocional. Quando deixavam de contar pelo menos três mentiras (importantes ou não) durante a semana, cortavam até quatro reclamações sobre tensão ou melancolia e outras três sobre dores de cabeça ou garganta. No outro grupo, quando os participantes cortavam três mentiras, relatavam até duas reclamações a menos sobre a saúde mental e uma a menos sobre problemas físicos.
Ok, segundo a pesquisa, uma vida com menos mentiras parece reduzir o estresse do dia-a-dia e evitar alguns incômodos físicos e emocionais. Mas dá mesmo para fugir das desculpinhas? Será que não daria ainda mais dor de cabeça ser sincero o tempo todo?

8348 – A Psicologia da Mentira


Dá para virar um “bom” mentiroso e fazer qualquer pessoa acreditar em tudo que você diz. É só uma questão de treino. Convença seu cérebro sobre a verdade daquela mentira e pronto, todos vão cair no seu papo.
Foi o que descobriu um estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. Eles dividiram os voluntários em dois grupos: uma turma teria de criar na hora uma mentira e contá-la rapidamente, enquanto o outro teria tempo para inventar e treinar a lorota – e ainda receberam orientações dos pesquisadores. Quando passaram pelo detector de mentira, os membros do segundo grupo não mostraram nenhuma diferença enquanto mentiam ou contavam histórias verdadeiras.
Isso acontece porque o cérebro entra em conflito quando você precisa contar uma mentira – ele sabe qual é a resposta correta, mas você o obriga a ir pelo caminho errado. Essa briga interna deixa as coisas mais lentas: você demora mais para contar uma mentira do que uma história verdadeira. E ainda comete bem mais erros (é difícil acertar todos os detalhes da mentira, não é?). Aí o detector de mentira, ou seus amigos, descobrem a farsa.
Mas com treino e agilidade, os voluntários da pesquisa conseguiram passar a perna nos detectores. Mesmo o pessoal do primeiro grupo, que só foi instruído a contar de forma rápida a história, enganou o computador algumas vezes. “Nós descobrimos que a mentira é muito maleável e pode ser aprimorada com técnicas intencionais”, explica Xiaoging Hu.
Só que o teste foi feito só com máquinas. Enganar pessoas (principalmente amigos) deve ser um pouquinho mais complicado. Sem contar que faz mal pra saúde…

Veja o Porque no Próximo Capítulo

8347 – Medicina – Como funciona o tratamento com o hormônio de crescimento?


Gh-o-hormonio-da-juventude

A produção do hormônio sintético de crescimento consiste em retirar de um ser humano o gene responsável pelo hormônio natural e injetar nesse gene, uma bactéria chamada echitericia coli. De posse da informação genética, nela introduzida, a bactéria se transforma numa mini fábrica de hormônio, que depois é extraído da bactéria e purificado.
Ele consiste em injeções diárias de uma versão sintética do hormônio conhecido como GH (do inglês Growth Hormone, “hormônio de crescimento”), mas apenas quando há uma deficiência em sua produção. Em condições normais, o corpo cresce por meio de cartilagens especiais encontradas nos ossos mais longos – como os dos braços e das pernas. “Esses ossos têm duas partes: a metáfise, que fica no meio, e a epífise, nas pontas. A cartilagem de crescimento separa uma da outra e, quando o processo de crescimento se completa, essas cartilagens se calcificam”, afirmou um endocrinologista e pediatra da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois que isso acontece, no final da adolescência, é inútil tomar hormônio – apesar de exceções como o apresentador da MTV Luiz Alves Pereira Neto, mais conhecido como Ferrugem.
Devido a uma deficiência na hipófise (glândula cerebral que produz o GH), ele permanecia com corpo de criança até os 23 anos, quando iniciou um tratamento de reposição hormonal depois que se constatou que seus ossos ainda tinham cartilagens de crescimento. “Tomei hormônios sintéticos durante cinco anos e consegui crescer 31 centímetros”, disse ele em entrevista. Um tratamento semelhante – comprimidos diários de hormônio – é aplicado em crianças que não crescem direito por hipotireoidismo, deficiência da glândula tireóide. Por fim, existe o chamado alongamento ósseo, para aqueles que sofrem de displasias, doenças hereditárias que interferem na formação dos ossos. Nesse caso, os ossos dos braços e das pernas são quebrados e acoplados a aparelhos extensores. O tratamento permite um grau elevado de crescimento, até mesmo em adultos, mas é demorado e doloroso – além de exigir várias cirurgias, cria o risco de infecções ósseas, difíceis de tratar.

Cartilagem nas extremidades dos ossos faz o corpo crescer;
Nos ossos responsáveis pelo crescimento do corpo existem duas peças: a metáfise, no meio, e a epífise, na ponta;
Entre elas está a chamada cartilagem de crescimento, que – estimulada por hormônios específicos – faz os ossos se alongarem.