8344 – Novas pesquisas comprovam benefícios da aspirina diária


Aspirina

Pessoas com mais de 45 anos deveriam pensar em ingerir uma pequena dose diária de aspirina para se proteger contra doenças cardiovasculares e até câncer, concluiu um painel de analistas na Grã-Bretanha nesta quarta-feira, segundo o jornal The Daily Telegraph. Para os participantes, cada vez há mais provas de que os benefícios do remédio para pessoas de meia idade superam os eventuais efeitos secundários.
Um estudo de cientistas da Universidade de Oxford, publicado na revista médica The Lancet, já indica que tomar diariamente 75 miligramas de aspirina durante cinco anos reduz em 25% o risco de desenvolver câncer do cólon – e as mortes em decorrência da doença também caem em um terço. Conforme a pesquisa, a ingestão periódica do medicamento poderia salvar milhares de vidas todos os anos.
O professor Peter Rothwell, neurologista de Oxford que dirigiu o estudo sobre o câncer colorretal e participou do debate, contou que já começou a tomar sua dose de aspirina. “Suspeito que dentro de cinco ou dez anos, estaremos receitando aspirinas às pessoas de meia idade e não só pelos benefícios vasculares que se conhecem”. Rothwell ainda considera “sensato” as pessoas adotarem a rotina de ingerir o remédio diariamente a partir dos 45 anos, uma vez que entre os 40 e os 55 anos o risco de câncer aumenta significativamente.
O professor Peter Elwood, da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff (Reino Unido), que dirigiu o primeiro estudo sobre os efeitos da aspirina em doenças cardiovasculares, afirmou que “estamos diante de um marco de enorme importância para a comunidade em geral”. Outros analistas advertem, no entanto, que a aspirina pode dobrar a incidência de hemorragias gastrintestinais, que é atualmente de uma para mil pessoas ao ano. “O problema é que se recomendarmos algo a toda a população, teremos de enfrentar os efeitos secundários”, ressalva o professor de genética John Burns, da Universidade de Newcastle.

8343 – Farmacologia – Ácido acetilsalicílico


acetil salicílico
É um fármaco do grupo dos anti-inflamatórios não-esteroides (AINE), utilizado como anti-inflamatório, antipirético, analgésico e também como antiplaquetar. É, em estado puro, um pó de cristalino branco ou cristais incolores, pouco solúvel na água, facilmente solúvel no álcool e solúvel no éter.
Um dos medicamentos mais famosos à base de ácido acetilsalicílico é a Aspirina. O seu nome foi obtido da seguinte maneira: A vem de acetil; Spir se refere a Spiraea ulmaria (planta que fornece o ácido salicílico); e o in era um sufixo utilizado na época, formando o nome Aspirin, que depois foi aportuguesado para Aspirina. Em alguns países, Aspirina é ainda nome comercial registrado, propriedade dos laboratórios farmacêuticos da Bayer para o composto ácido acetilsalicílico.
É o medicamento mais conhecido e consumido em todo o mundo. Em 1999 a Aspirina completou 100 anos.

História na Medicina
No século V a.C., Hipócrates, médico grego e pai da medicina científica, escreveu que o pó ácido da casca do salgueiro ou chorão (que contém salicilatos mas é potencialmente tóxico) aliviava dores e diminuía a febre. Esse remédio também é mencionado em textos das civilizações antigas do Médio Oriente, Suméria, Egito e Assíria. Os nativos americanos usavam-no também para dores de cabeça, febre, reumatismo e tremores.
O reverendo Edmund Stone, de Chipping Norton no condado de Oxford, Reino Unido, redescobriu em 1763 as propriedades antipiréticas da casca do Salgueiro e as descreveu de forma científica.
O princípio activo da casca, a salicina ou ácido salicílico (do nome latino do salgueiro Salix alba) foi isolado na sua forma cristalina em 1828 pelo farmacêutico francês Henri Leroux, e Raffaele Piria, químico italiano.
Em 1897, o laboratório farmacêutico alemão Bayer, conjugou quimicamente o ácido salicílico com acetato, criando o ácido acetilsalicílico (Aspirina), que descobriram ser menos tóxico. O ácido acetilsalicílico foi o primeiro fármaco a ser sintetizado na história da farmácia e não recolhido na sua forma final da natureza. Foi a primeira criação da indústria farmacêutica. Foi também o primeiro fármaco vendido em tabletes.
E em julho de 1899, a Bayer começou a comercializar a aspirina, obtendo sucesso imediato.
Persistem dúvidas se foi Felix Hoffmann (como afirma a Bayer) ou Arthur Eichengrun (de acordo com vários peritos) que inventou o método que criou o ácido acetilsalicílico.
A Bayer perdeu a marca registada Aspirina em muitos países após a Primeira Guerra Mundial, como reparação de guerra aos países aliados.
John Vane, do Royal College of Surgeons, demonstrou pela primeira vez o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico, em Londres, 1971. Ele viria a receber o Prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia pela sua descoberta em 1982.
O processo de síntese consiste em tratar o ácido salicílico com anidrido acético, em presença de um pouco de ácido sulfúrico, que atua como catalisador. Técnicas como filtração a vácuo e recristalização podem ser empregadas.
No procedimento em escala laboratorial, percola-se, num erlenmeyer de 125 mL, 2,5 g de ácido salicílico, 6 mL de anidrido acético e algumas gotas de ácido sulfúrico concentrado. Agita-se e aquece-se a mistura em banho-maria durante 10 minutos. Resfria-se e adiciona-se 10 a 15 mL de água destilada gelada para decompor o excesso de anidrido acético. Resfria-se até que a cristalização esteja completa. Filtra-se em funil de Büchner lavando com pequena quantidade de água destilada gelada.
Purifica-se o ácido acetilsalicílico por recristalização. Dissolve-se o produto em 10 mL de etanol num béquer de 100 mL e aquece-se em banho-maria. Adiciona-se 25 mL de água aquecida. Se houver precipitação, dissolve-se por aquecimento sob refluxo, banho-maria. Cobre-se o recipiente e deixa-se em repouso para resfriar. Separam-se os cristais obtidos por filtração.
Secam-se e pesam-se o cristais. Depois determina-se o ponto de fusão do ácido acetilsalicílico e compara-se ao valor tabelado.

A redução da febre ou efeito antipirético é causada pela inibição da formação de protaglandina E2 pelas COX. Esta prostaglandina é um mediador importante para a ativação do centro nervoso (no hipotálamo), regulador da temperatura corporal. Altos níveis de prostaglandina E2 em estados inflamatórios (como infecções) elevam a temperatura. Além disso, a inibição da resposta inflamatória diminui a quantidade de citocinas produzidas pelos leucócitos, algumas das quais, como a IL-1 actuam no centro nervoso da temperatura, produzindo febre. A ação central pode envolver a inibição da síntese de prostaglandinas no hipotálamo; contudo, há alguma evidência de que as febres causadas por pirogênios endógenos que não agem através do mecanismo das prostaglandinas podem também responder à terapia com salicilatos.
O efeito analgésico é devido à inibição da produção local de prostaglandinas quando da inflamação. Estas prostaglandinas, se forem produzidas, sensibilizarão as terminações nervosas locais da dor, que serão iniciadas por outros mediadores inflamatórios como a bradicinina. O paracetamol atua de modo semelhante ao ácido acetilsalicílico enquanto analgésico periférico, e é preferível para esta função, se outros efeitos não são desejados. O paracetamol não é anti-inflamatório, nem antiplaquetas.
Os efeitos anti-inflamatórios também são largamente dependentes da inibição da produção de prostanoides, já que estes mediadores são importantes em quase todos os fenômenos associados à inflamação, como vasodilatação, dor e atração de mais leucócitos ao local. Além disso, os salicilatos são eficazes em neutralizar os radicais livres, moléculas produzidas na inflamação e altamente nocivas para os tecidos.
As plaquetas sanguíneas são activadas e se agregam em resposta à libertação de tromboxano A2, presente em seus grânulos. O ácido acetilsalicílico é particularmente eficaz em inibir a produção de tromboxano A2, resultando na diminuição da tendência de agregação plaquetar. Esse é o primeiro passo na formação de trombos arteriais; logo, o ácido acetilsalicílico a diminui esses eventos. O efeito antiagregante plaquetário do ácido acetilsalecílico está relacionado com a capacidade do composto agir como um dador de acetil à membrana da plaqueta. O ácido acetilsalecílico afecta a função das plaquetas inibindo a COX e impedindo desse modo a formação do tromboxano A2 (agente agregante). Esta ação é irreversível e os efeitos persistem durante a vida das plaquetas expostas. O ácido acetilsalicílico pode também inibir a formação de prostaciclinas (prostaglandina I2), que são inibidores da agregação plaquetária nos vasos sanguíneos — esta ação, no entanto, é reversível. Estas ações podem ser dose-dependentes; contudo, há evidências de que doses inferiores a 100 mg por dia podem não inibir a síntese de prostaciclinas.
O efeito antirreumático é semelhante ao mecanismo analgésico e anti-inflamatório; os efeitos terapêuticos não se devem à estimulação do eixo pituitária-adrenal.
O principal efeito adverso do ácido acetilsalicílico deve-se à inibição da COX-1 no estômago. Os prostanoides são importantes mediadores na proteção da mucosa contra o ácido e enzimas presentes no suco gástrico. Eles aumentam a produção de muco.
A absorção é geralmente rápida e completa após administração oral mas pode variar de acordo com o salicilato usado, a dosagem, e outros factores, tais como, a taxa da dissolução do comprimido e o pH gástrico ou intraluminal. O ácido acetilsalicílico é absorvido em parte pelo estômago, e na sua maioria pelos segmentos proximais do intestino delgado.
Os alimentos diminuem a taxa, mas não a extensão da absorção.
A absorção das formulações gastro resistentes é normalmente atrasada.
A absorção dos comprimidos mastigáveis de ácido acetilsalicílico é incompleta em comparação à absorção dos comprimidos orais.
Após a administração retal, a absorção será atrasada e incompleta em comparação com a absorção após a administração oral de doses iguais.
A absorção de ácido acetilsalicílico é defeituosa durante o estágio febril adiantado da doença de Kawasaki, posteriormente aumenta para o normal no estágio de convalescença.

São consideradas indicações do uso de ácido acetilsalicílico:
Síndrome coronariana aguda
Infarto agudo do miocárdio com elevação de segmento ST ou não-Q
Prevenção do tromboembolismo cerebral ou de ataques isquêmicos transitórios
Trombose cerebral
Dismenorreia
Febre (contraindicada em crianças, especialmente em quadros virais, pelo risco de Síndrome de Reye)
Dor de cabeça
Prevenção primária ou secundária do infarto miocárdico, incluindo prevenção pós angioplastia
Osteoartrite
Dor
Outras indicações de inibição da agregação plaquetária
Tratamento da artrite reumatoide, artrite juvenil, osteoartrite ou artrose
Febre reumática
Tratamento da doença de Kawasaki
Aterosclerose
Profilaxia da demência multi-infarto
Tratamento da diabetes

Exceto em circunstâncias especiais, esta medicação não deve ser usada quando os seguintes problemas médicos existem:
É totalmente contra-indicado em casos de suspeita de dengue pois pode levar ao quadro de hemorragia fatal.
Úlcera péptica ativa;
Estados hemorrágicos;
Hemofilia ou outros problemas com hemorragias, incluindo perturbações na coagulação ou na função plaquetária;
Angioedema, anafilaxia, história de qualquer outra reacção severa de sensibilidade induzida pela ácido acetilsalicílico ou outros AINEs;
Pólipos nasais associados com asma, induzida ou exacerbada pelo ácido acetilsalicílico;
Trombocitopenia (devido ao risco aumentado de hemorragia).
Aspirina nunca pode ser ministrada em casos de dengue.
O risco-benefício deve ser considerado quando os seguintes problemas médicos existem:
Anemia (pode ser exacerbada pela perda sanguínea gastrointestinal; a vasodilatação periférica induzida pelos salicilatos pode também conduzir a uma pseudoanemia);
Circunstâncias que predispõem à retenção de fluidos, como o comprometimento da função cardíaca ou hipertensão;
Gastrite erosiva;
Úlcera péptica;
Gota (pode aumentar as concentrações sanguíneas de ácido úrico e pode interferir com a eficácia dos medicamentos uricosúricos);
Deficiências na função hepática (salicilatos são metabolizados a nível hepático; assim, os pacientes com cirrose podem ser mais susceptíveis aos efeitos adversos a nível renal; na falha hepática grave, a inibição da função das plaquetas pelo ácido acetilsalicílico pode aumentar o risco do hemorragias);
Deficiência de vitamina K ou hipoprotrombinemia (risco aumentado de hemorragias devido à acção antiplaquetária e ao efeito hipoprotrombinemico de doses elevadas dos salicilatos);
Deficiências na função renal (a eliminação dos salicilatos pode estar reduzida, levando a um aumento do risco de efeitos adversos renais);
Lúpus eritomatoso (nestes pacientes existe o risco de uma filtração glomerular diminuída);
Tirotoxicose (pode ser exacerbada por doses elevadas);
Asma (risco aumentado de reação de sensibilidade broncoespástica);
Deficiência em Glucose-6-fosfato desidrogenase – G6PD ( risco de causar anemia hemolítica, ainda que raramente);
Nos imunodeprimidos (pode mascarar os sintomas de uma infecção);
Nas crianças com menos de 12 anos e no aleitamento deve ser evitado o uso de ácido acetilsalicílico (devido ao risco de síndrome de Reye).
Nas formulações que contêm cafeína:
Doença cardíaca severa (doses elevadas de cafeína podem aumentar o risco de taquicardia ou extra-sístole, que pode conduzir a falha cardíaca);
História anterior de sensibilidade à cafeína.

8342 – Física – Cientistas criam ‘manto de invisibilidade do tempo’ nos EUA


Cientistas da Purdue University, no Estado americano de Indiana, disseram ter criado uma espécie de “manto de invisibilidade” que conseguiria esconder eventos contínuos em um feixe luz.
O “manto” funciona ao manipular a velocidade da luz em fibras óticas fazendo com que interações que ocorrem nos “buracos do tempo” criados por ele não possam ser detectadas.
Os resultados de seus experimentos foram publicados na revista “Nature”.
Outras equipes científicas estão trabalhando para criar técnicas para esconder –ou tornar “invisíveis”– determinados objetos no espaço físico, mas a equipe de Indiana é pioneira ao tentar ocultar eventos ocorridos em intervalos de tempo.
Para provar isso, a equipe da Purdue University montou um circuito de feixes de luz. Usando lasers eles teriam conseguido fazer com que, por uma série de breves momentos, os “buracos no tempo”, tais feixes não fossem detectados, o que lhes permitiu “esconder” quase a metade dos dados transmitidos por eles.
No ano passado, a equipe teria conseguido resultados semelhantes, mas ocultando apenas um breve momento em cada repetição do experimento. Agora, dizem ter conseguido ocultar uma quantidade muito maior de “intervalos de tempo” — e, portanto, de dados.
“Fizemos isso ‘empurrando’ a luz para frente e para trás usando componentes de telecomunicações controlados por sinais elétricos”, disse Andrew Weiner, coautor do estudo.

A técnica, como explica Greg Gbur, especialista em física óptica da Universidade da Carolina do Norte, não implica em uma “manipulação do tempo”, mas sim em uma “manipulação da luz”.
Gbur não faz parte da equipe que realizou a pesquisa, mas acredita que ela representa um avanço importante na área.
“Em seu primeiro estudo sobre o ‘manto do tempo’, eles discutiram a possibilidade de esconder eventos de alguns bilionésimos de segundo de vez em quando. Agora, estão contemplando a possibilidade de esconder os dados transmitidos em 46% do tempo total considerado”, diz Gbur.
“Isso sugere que a técnica deixou de ser uma curiosidade para ser algo que poderia ser utilizado em comunicações ópticas e processamento de dados.”
Para Ortwin Hess, físico do Imperial College London, o estudo é “notável”. Ele diz que uma parte importante do trabalho explora a dualidade espaço-tempo.
“(Esse estudo) mostra como os princípios de espaço-tempo podem ser usados na óptica. As ‘capas de invisibilidade’ já estudadas também são interessantes, pois mudam o que vemos no espaço. Mas agora podemos mudar a maneira como a luz, e, portanto, as informações, comportam-se no espaço e no tempo”, disse Hess.
De acordo com o físico, a pesquisa teria várias aplicações práticas. Ela poderia ajudar a tornar certos dados invioláveis.
Entre os potenciais interessados nessa tecnologia em desenvolvimento estariam governos e grandes empresas que lidam com informações sensíveis ou confidenciais.