8088 – Medicina & Biologia – Cães conseguem detectar câncer de pulmão com o olfato


Tal descoberta pode levar ao desenvolvimento de um “nariz eletrônico”, que ajudaria no diagnóstico precoce da doença.

Os cães têm uma grande capacidade para detectar o câncer de pulmão pelo cheiro do hálito da pessoa doente. De acordo com a descoberta austríaca, o olfato apurado dos cachorros pode levar ao desenvolvimento de um “nariz eletrônico”. A ferramenta ajudaria no diagnóstico precoce da doença, possivelmente estendendo a sobrevivência dos pacientes.
“Os cachorros não têm qualquer problema para identificar pacientes com tumores cancerígenos”, diz Peter Errhalt, chefe do departamento de pneumologia do hospital de Krems (nordeste da Áustria) e um dos autores da descoberta. Os cães do estudo sentiram o cheiro de 120 amostras de hálito de pessoas doentes e saudáveis, e conseguiram identificar em 70% dos casos as que sofriam com câncer de pulmão.
Segundo Errhalt, o resultado se mostrou tão promissor que foi previsto um novo estudo de dois anos de duração, com amostras de 1.200 pessoas. O estudo austríaco coincide com outros testes realizados nos Estados Unidos e na Alemanha.
“O objetivo é determinar quais são exatamente os odores que os cachorros são capazes de detectar”, diz Michael Muller, do hospital Otto Wagner de Viena, que colaborou com o estudo. Se esse objetivo for alcançado, os cientistas poderão construir uma espécie de “nariz eletrônico” para diagnosticar o quanto antes o câncer de pulmão e aumentar, assim, as possibilidades de sobrevivência dos pacientes.

8087 – Medicina & Biologia – O Melhor Enfermeiro do Homem


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Companheiros do ser humano há 14.000 anos, cães são treinados para dar assistência a portadores de epilepsia. Alguns podem até livrar seus donos da maior angústia causada pela doença: saber quando uma crise vai acontecer.
Spencer conheceu Lucia quando ela tinha apenas um ano de vida. No terceiro encontro, ela começou a marchar disciplinadamente para frente e para trás, numa tentativa de dizer que algo estava errado. Mas Spencer só entendeu o recado dez minutos mais tarde e, sentado à mesa de jantar, não teve tempo de se deitar no chão para enfrentar mais uma das crises epilépticas que aparecem a cada duas semanas. Spencer Wyatt é um pré-adolescente americano de 11 anos. Lucia, uma golden retriever, tem 4 anos. Ela faz parte do seleto grupo de cães conhecidos como seizure-response dogs e seizure-alert dogs (cães de alerta e de resposta a convulsão), animais treinados por até dois anos para prestar assistência a seres humanos que enfrentam a mesma condição de Spencer. É um novo capítulo na longa história de troca entre cães e homens, que, segundo estudos científicos, começou a ser escrita há cerca de 14.000, quando o ser humano atraiu para perto de si esse descendente do lobo, domesticando-o.
Não bastasse o apoio que os “cães de alerta” dão a quem tem crises – eles podem buscar ajuda ou até deitar sobre o corpo do dono, evitando que ele se machuque durante convulsões –, cerca de 90% desses caninos desenvolvem a capacidade de prever a ocorrência de um ataque com até 15 minutos de antecedência. A ciência ainda tenta entender esse mecanismo.
Parte dos estudiosos do assunto acredita que isso se deve ao apuradíssimo olfato dos cães, que dispõem de mais de 220 milhões de receptores olfativos, ante cinco milhões dos humanos. Isso permitiria ao animal farejar o odor de substâncias exaladas pelo homem, mas imperceptíveis a ele, na iminência de uma crise.
Outro grupo aposta na capacidade dos cães de se adaptar ao modo de vida de seu dono e perceber eventuais mudanças de comportamento. “Não temos recursos técnicos para medir o primeiro impulso de uma crise epiléptica, nem quando monitoramos a atividade cerebral dos pacientes. É improvável que um cachorro consiga fazê-lo”, diz Adam Kirton, médico neurologista do Alberta Children’s Hospital, dos Estados Unidos. Ele é um defensor da tese comportamental: ou seja, os cães seriam capazes de perceber quando seus donos apresentam sintomas que normalmente antecedem crises, como depressão ou euforia súbita.
Apesar de bem-sucedidas, parcerias como a de Spencer e Lucia ainda são raras. Em 2009, apenas 59 cães para epilépticos foram treinados em todo o mundo por instituições credenciadas pela Assistance Dogs Internacional – no Brasil, ainda não há experiências desse tipo. O baixo número reflete a pequena demanda, fruto, por sua vez, do desconhecimento do potencial desses animais e também das dúvidas científicas. Aqueles que adotam os seizure-response dogs, contudo, garantem que o animal pode ter valor inestimável, oferecendo aos portadores de epilepsia a chance de viver livre do maior mistério da doença: determinar quando uma crise vai acontecer.
Os epilépticos não são os únicos beneficiados pela atenção dos cães. Uma outra leva de animais vem sendo treinada para ajudar portadores de diabetes, por exemplo. Os diabetic-dogs podem detectar pequenas mudanças no hálito de um paciente com diabetes do tipo 1, decorrentes da alteração do nível de glicose no sangue. “O cão pode dar o aviso de maneira discreta: tocando o dono com a pata, antes que este fique desorientado e não consiga se medicar ou comer algo a tempo”, diz Alan Peters, diretor executivo da organização americana Can Do Canines, uma das pioneiras no treinamento dos animais. Em situações de emergência, os cães podem também apertar um botão de alerta, que normalmente avisa um amigo ou parente do paciente, ou até mesmo buscar uma garrafa de suco, telefone ou medicamento.

No Brasil, a prática ainda se resume ao treinamento de cães-guias, que auxiliam cegos e surdos. Nos Estados Unidos e no Canadá, além destes e dos seizure e diabetic-dogs, há a preparação dos animais que irão ajudar pessoas com mobilidade reduzida e autismo. O treinamento, para qualquer uma das modalidades, é caro. Por aqui, de acordo com o Instituto Cão Guia, do Rio de Janeiro, o custo para preparar um cão-guia gira em torno de 30.000 reais. A ética de doação de um animal desses segue os mesmos padrões da doação de órgãos: não se compra um cão treinado. Isso significa que a organização depende diretamente do trabalho de voluntários. Isso torna as filas de espera por um animal longas e demoradas. As doações ainda são limitadas e, muitas vezes, disponíveis apenas em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Grã-Bretanha, países que ganham força no treinamento de seizure-dogs e diabetic-dogs, as organizações contam até com a ajuda de indústrias farmacêuticas, que bancam os custos. Se o treinamento de cães para a assistência à saúde de fato pegar, a milenar amizade entre homens e caninos só tende a se fortalecer.

8086 – Por que os cães latem?


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Bebês aprendem a se comunicar por imitação. Ao prestar atenção nos pais, copiam a fala, alimentação e diversas reações. Brian Hare, antropólogo evolucionista americano e especialista em cognição animal, acredita que isso não seja exclusividade dos humanos. Segundo ele, os cachorros aprenderam a conviver com os homens da mesma maneira: imitando e reagindo às ações do dono. Foi assim, por exemplo, que eles aprenderam a latir mais e mais — entre os lobos, ancestrais do cão, o latido representa apenas 3% de toda sua vocalização.
Em seu novo livro The Genius of Dogs (O Gênio dos Cães, ainda sem edição em português), Hare reúne essa e outras descobertas sobre a inteligência do animal. Entre elas, estão as habilidades comunicativas do cão — milhares de anos de interação com os humanos levaram ao desenvolvimento de três grandes grupos de latidos: os de alerta, os para chamar a atenção e os para brincar. A sagacidade do melhor amigo do homem não para por aí. Pesquisas recentes relatam que os animais são ainda capazes de desenvolver novas nuances no latido — com altura, duração e frequências diferentes —, para se expressar de maneira mais eficaz.
A comunicação, no entanto, é apenas um dos modos pelos quais a inteligência canina se expressa. Há ainda cães que se destacam pelo ótimo raciocínio espacial e aqueles que são bons de memória, por exemplo.
Linguagem canina
No que toca à comunicação, segundo Hare, a inteligência do animal está focada em estabelecer a comunicação com seu dono – assim como fazem os bebês humanos. Isso significa que o cão pode variar o latido, o olhar e até sua movimentação se perceber que está sendo compreendido — ou não. A ciência conseguiu identificar até o momento três grandes grupos de latidos. “As pessoas são particularmente boas em identificar um tipo de latido: aquele que o cachorro usa para estranhos”.
A diferença entre os três tipos de latido está na altura, duração e frequência com que cada um é feito. Em um estudo publicado no periódico Journal of Comparative Psychology, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram com o uso de espectrogramas (representação visual da frequência de um som) que os latidos podem ser mais complexos do que se imaginava. De acordo com Rossi, zootecnista e um dos principais especialistas em cognição de cachorros do Brasil, o latido que o cachorro usa contra estranhos é mais grave e segue, normalmente, em uma sequência curta. “Nesses latidos é como se houvesse uma mordida ao final”. Quando o cão quer brincar, o latido costuma ser mais espaçado e mais agudo. Já o terceiro grupo, quando o cachorro quer chamar a atenção, se caracteriza por latidos nem tão graves, nem tão agudos, mas com mais espaço entre eles, do que os dois outros.
Em alguns casos, no entanto, o cachorro consegue criar outras variações de latidos. Como fazer um som mais agudo, mais lento ou até choramingar. Segundo Rossi, para desenvolver plenamente sua habilidade de se comunicar, no entanto, o cão precisa de estímulo. Então, apenas preste atenção no que o animal está querendo dizer. “Dizer que o cachorro tem diferentes tipos de latir não quer dizer que ele é inteligente”. A inteligência estaria, na verdade, na capacidade do cão em aprender novas maneiras de latir para conseguir atenção. Em outras palavras, na sua flexibilidade — o contrário do condicionamento.
Essa flexibilidade pode ser vista, por exemplo, em atividades cotidianas. Como tem a percepção de saber se a pessoa está ou não prestando atenção nele, o cachorro pode extrapolar coisas que ele aprende que funciona. Pode ser o caso de quando o animal lambe o pote de comida apenas por estar com fome, e o dono acaba dando comida para ele. Se toda vez que mexer no seu pote, ele ganhar comida, o cachorro entende que o sinal funcional “Ele começa a nos treinar”, diz Rossi.
No caso de animais que vivem em apartamento e são proibidos de latir, a comunicação por gestos pode ser mais rica do que as sutilezas no latido. Nesses casos, é comum que o cachorro tente outras maneiras de ganhar atenção, como olhando repetidamente para o objeto que quer e para o dono, ou indo e vindo na direção do que lhe é de interesse ou ainda tocando com a pata. Além de tentar se expressar, o cão pode ainda entender o que está sendo dito.
Em suas pesquisas, Brian Hare já havia notado que os cães também conseguem entender os humanos. Além de identificar palavras (em alguns casos decorar centenas delas) e de inferir situações, eles sabem ainda fazer leitura corporal. Isso significa que ele sabe quando está sendo observado, consegue ter empatia e pode copiar ações do dono, aprendendo a resolver um problema espacial, por exemplo. Quando se aponta para alguma direção, seja com o pé, com a mão ou mesmo com a cabeça, o animal tem ainda inteligência suficiente para projetar o olhar em direção ao que está sendo apontado — e não manter o olhar no dedo da pessoa.
Inteligência — Fundado em março de 2013 por Hare, o Dognition é um projeto que pretende sistematizar o estudo sobre as habilidades dos cachorros. Nele, o cachorro passa por uma bateria de testes que identificam em quais situações sua cognição é mais apurada, e em quais ele não é muito esperto. Os testes são de raciocínio, memória, empatia, astúcia e comunicação. Ao fim da avaliação (que pode ser feita pela internet com o pagamento de uma taxa), o dono recebe um relatório com as habilidades do cão.
O projeto se propõe a levantar, pela primeira vez, um grande banco de dados comparativos entre raças, gêneros e peso. “Ainda não se tem dados suficiente sobre todas as raças para uma comparação entre elas, como qual a mais inteligente”, diz Hare. Nas avaliações, os cachorros passam por atividades simples. Um exemplo é o teste de memória. Nele, um pedaço de petisco é escondido atrás de um objeto, tudo à vista do animal. Passados mais de 10 segundos, o cão é solto e precisa se lembrar de onde o alimento está. Antes do teste, condições como reconhecimento pelo faro são eliminadas. Há cães que conseguem se lembrar… e outros que nem se lembram mais que havia um petisco.

8085 – Biologia – Baleias-jubarte ensinam as outras a pescar


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As baleias-jubarte são capazes de aprender novas técnicas de alimentação com outras baleias da sua espécie. De acordo com estudo que será publicado no periódico Science nesta sexta-feira, assim como em humanos e em primatas não-humanos (macacos), o comportamento das baleias também pode ser difundido culturalmente. Na pesquisa, foi comparada a maneira como uma única baleia se alimentava na década de 1980 e como o comportamento evoluiu para outras baleias em 2007.
A baleia jubarte se caracteriza por ter a cabeça um pouco achatada, coberta por “calombos”. Para a alimentação, elas possuem barbatanas, que descem do céu da boca formando algo similar a uma cortina, que funciona como um filtro — a água do mar passa, mas os alimentos ficam presos.
Alimentação — À época da primeira observação dos pesquisadores, ainda na década de 1980, as jubartes se alimentavam no Golfo do Maine (localizado na Costa Nordeste da América do Norte) produzindo um círculo de bolhas por baixo da água. Ao subir para a superfície, essas bolhas formam uma espécie de rede, obrigando, assim, o cardume a se manter concentrado no meio. Em seguida, as baleias também se dirigem à superfície para comer os peixes.
Na década de 1980, no entanto, uma baleia foi flagrada se alimentando de uma maneira nunca vista antes. Para obrigar os peixes a ficarem concentrados no meio do círculo, a baleia bateu a cauda na superfície da água, também em círculos. Essa técnica ficou conhecida como alimentação com batida de cauda, e é amplamente praticada entre as jubartes atualmente.
Pesquisa — Para o levantamento, a pesquisadora Jenny Allen e colegas utilizaram mais de duas décadas de informações coletadas por navegações comerciais. Foi usada uma técnica chamada análise de difusão com base em rede. Essa técnica parte do princípio de que o aprendizado acontece por meio de outros animais: as baleias que andam na companhia das que praticam a alimentação com batida de cauda são mais suscetíveis a começarem a se alimentar do mesmo modo.
Os pesquisadores conseguiram demonstrar, então, que a transmissão cultural é uma força potente por trás desse tipo de comportamento alimentar. Outros fatores, como genética e aprendizado individual, por exemplo, não seriam suficientes para explicar os padrões de disseminação dessa técnica alimentar. Assim como na cultura humana, há inovadores na população de baleias que aparecem com novas soluções. Suas ideias são espalhadas e, eventualmente, podem acabar sendo copiadas pela população em geral.
População reduzida — De acordo com o diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, após as sucessivas caças do século 20, o número de indivíduos da espécie foi reduzido a entre 5% e 10% de sua população original. “Estima-se que existiam, no Brasil, na década de 1980, entre 1.500 e 2.000 animais”, diz. Hoje, esse número já está entre 11.000 e 14.000 — calcula-se que esta população já tenha sido de até 32.000 baleias.

8084 – Curiosidades – De onde vem o hábito de misturar café com leite?


Tudo indica que, em parte, a receita é chinesa. De acordo com o historiador José Teixeira Oliveira, autor de A História do Café no Brasil e no Mundo (Editora Itatiaia, 1984), quem trouxe a mistura para o Ocidente foi Johann Jacob Nieuhof, um oficial da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1655, Nieuhof conheceu, na China, o hábito de dar leite com chá a tuberculosos. Mas apresentou a bebida aos europeus substituindo o chá por café. Os alemães adoraram e popularizaram, entre os séculos XVII e XVIII, a nossa hoje famosa média. Como o café era caro, a mistura ainda resultava em economia. Oliveira observa que o costume foi registrado, na mesma época, na Inglaterra. Mas ninguém explica como chegou lá ou como ele se difundiu pela Europa. Tampouco se conhecem as circunstâncias em que desembarcou no Brasil. “O certo é que não foi antes de 1727, quando o sargento Francisco de Melo Palheta trouxe da Guiana Francesa as primeiras mudas da planta”, conta o escritor João de Scantimburgo, autor de O Café e o Desenvolvimento do Brasil (Editora Melhoramentos, 1980).

8083 – Planeta Terra – As nuvens existem desde a origem da Terra?


O planeta era tão quente quando surgiu, há 5 bilhões de anos, que tudo o que estava ao redor dele permanecia no estado de vapor. Era impossível ter algo na forma líquida, como as gotículas que constituem as nuvens. As primeiras apareceram por volta de 2 a 3 bilhões de anos atrás e tinham uma composição bem diferente da que conhecemos hoje. Nelas não havia apenas água, pois muitos tipos de gases ainda permaneciam suspensos no ar. “Assim, as primeiras chuvas que lavaram o nosso planeta eram formadas pela mistura de vários elementos químicos”, explica Maria Assunção Faus da Silva Dias, meteorologista da Universidade de São Paulo. E, como as nuvens eram muito carregadas, não tinha chuvisco, caíam sempre tempestades. Essas, aos poucos, foram criando os rios e os oceanos.
As nuvens só apareceram 3 bilhões de anos depois da formação do planeta.
Entre 5 e 3 bilhões de anos atrás, a Terra ainda estava muito quente, o que impedia os gases suspensos no ar de se transformar em líquido.
Conforme foi esfriando, entre 3 e 2 bilhões de anos atrás, as primeiras nuvens surgiram. Além de água, tinham metano, amônia, hidrogênio, hélio e gás carbônico. Eram carregadas.
Bem mais leves, as nuvens atuais são compostas de gotículas de água e impurezas encontradas no ar, como poluição e poeira.

8082 – Sociedade – Como agem as injeções letais?


O condenado, firmemente preso a uma maca, recebe três substâncias, aplicadas no braço por via intravenosa. A primeira seringa vem recheada com uma dose altíssima de anestésico, que o deixa desacordado. Segundo um anestesiologista da Universidade de São Paulo, não dá nem para contar até dez antes de dormir. “Só essa quantidade exagerada de barbitúrico, vinte vezes maior do que a média usada em cirurgias, já pode provocar a morte por parada respiratória.” Em seguida, os executores aplicam um forte relaxante muscular, que, entre outros efeitos, paralisa o diafragma, interrompendo a respiração. O toque final é dado pelo cloreto de potássio, que pára o coração. A morte chega em cerca de 1 minuto.
Visto friamente, sem levar em conta a questão ética envolvida na pena de morte, o método de execução é eficiente. Mesmo assim, pode apresentar complicações. Entre os acidentes possíveis está a má aplicação das substâncias. Se o preso oferecer resistência e o anestésico acertar o músculo por engano, a dor será insuportável, ressalta Auller Jr. Trinta e oito Estados americanos prevêem a pena de morte em sua legislação. “Desse total, só quatro ainda utilizam a cadeira elétrica: Alabama, Geórgia, Nebraska e Flórida”, diz Tracy Snell, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Alguns também recorrem à câmara de gás. Além desses Estados americanos, mais 120 países prevêem a pena de morte em sua constituição.
Um coquetel macabro
Uma boa quantidade (5 gramas) do anestésico pentotal sódico encharca o córtex cerebral, atrapalhando o funcionamento das células responsáveis pela consciência e desacordando o preso.
Depois, são aplicados 50 mililitros de brometo de pancurônio, um relaxante muscular. Ele impede que o sinal nervoso responsável pela contração dos músculos seja transmitido. O diafragma – essencial para a respiração – deixa de funcionar.
Nessa etapa, o condenado geralmente já está morto. Mas, para garantir a execução, são injetados mais 50 mililitros de cloreto de potássio, que impedem a contração do músculo cardíaco, parando o coração.

8081 – Medicina – Eletricidade devolve força aos músculos


O aparelho é formado apenas por uma bobina minúscula e duas pontas metálicas pouco maiores que um grão de arroz, com 2 milímetros de diâmetro por 15 milímetros de comprimento. Implantado em um músculo atrofiado, as barrinhas de metal podem disparar um impulso elétrico que restitui a força ao paciente. Não precisa pilha – a energia que ativa o músculo é criada pela bobina sempre que ela capta ondas de rádio enviadas pelo médico. Para isso, usa-se um transmissor parecido com um controle remoto de tevê. Chamada de bíon, a maquininha pode revolucionar o tratamento de doentes paralisados por problemas neurológicos, diz o seu inventor, o engenheiro biomédico Gerald Loeb, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. “Basta uma série de impulsos elétricos para aumentar a massa muscular de um paciente e devolver-lhe os movimentos”.

Minielétrodo impede que os músculos atrofiem.
O bíon capta sinais de rádio enviados pelo médico e dá uma pequena descarga elétrica no músculo. Isso impede que vítimas de derrame percam os movimentos.

8080 – Zoologia – Zoológico de Gênios?


Um cavalo conseguia resolver problemas aritméticos. Em 1904 ele estava em todos os jornais da Alemanha. Ele havia sido treinado pelo dono para dar respostas batendo o casco no chão. O caso era tão espetacular que foi parar na Academia Prussiana de Ciências. Lá os cientistas descobriram que o talento do cavalo não tinha nada a ver com números. Ele conseguia perceber a expressão de alívio no rosto do dono quando chegava o número certo de batidas do casco e simplesmente parava de bater.
Até recentemente, seriam usadas palavras como instinto e coincidência para explicar tais atitudes. Mas muitos estudos atuais vem indicando que os bichos são muito menos estúpidos do que o homem imagina. Ratos planejam suas ações e outros animais trapaceiam para se dar bem.
Mas é claro que nem o mais habilidoso dos gorilas resolverá uma equação matemática.

hiena

Trapaça na Savana
As hienas mentem para se dar bem. Quando caçam em bando, uma delas sempre fica alerta à presença de concorrentes mais fortes como os leões. Se aparecer algum, ela dá um latido e o grupo foge. Mas as vezes a vigia engana as companheiras. Mesmo sem ver nenhum leão, ela soa o alarme, aí o bando se dispersa e a amiga-da-onça fica sozinha com a comida e rindo à toa.

8079 – Uma droga arrasadora


antivirus

Droga pleconaril, que combate um grupo inteiro de vírus, os picornavírus. Eles são causadores de dezenas de doenças, como alguns tipos de meningite, pólio e até o banal resfriado. A droga foi desenvolvida pelo laboratório americano ViroPharma para se encaixar na superfície do vírus.
O Pleconaril é um medicamento anti-viral, capaz de inibir in vitro a replicação do rinovirus e enterovírus. Num estudo duplamente cego parou a evolução da rinofaringite viral no 2º dia de tratamento. Porém apresentou efeitos colaterais: náuseas em 6% dos casos, contra 4% no grupo placebo e diarreia em 9% versus 7% no grupo placebo. Porém estimula enzimas tais como o cytochrome P-450 3A , que metabolizam medicamentos tais como o etinil-estradiol funcionando como um antagonista dos anticoncepcionais. Noutro estudo, este medicamento parou a infeção em 24 horas quando administrado precocemente. O seu registo foi recusado pela FDA em Agosto de 2002 pois provoca irregularidades menstruais e gravidez em mulheres sob anticoncepcionais. Em 2007 inciou-se um estudo sobre este medicamento em aerossol mas os resultados ainda não foram publicados.