8072 – Sociedade – Um Brasil Grisalho


Em 1960 vivia-se em média 52 anos. Hoje a expectativa de vida está em torno dos 70 anos. Contudo, os velhos brasileiros chegam exauridos na 3ª idade e em geral pobres, tendo como única fonte de renda as minguadas pensões. Alguns tentam voltar ao mercado de trabalho, mas esbarram em portas fechadas pelo preconceito.
A população brasileira envelheceu rapidamente nos últimos anos, hoje a probabilidade de vida é de 67/68 anos, e deverá atingir 74 anos em 2020, esperança de vida atual dos países desenvolvidos. E analisando a população brasileira, através de vários dados, é que chegamos à conclusão de que estamos nos tornando um país jovem de cabelos esbranquiçados. Todas as estatísticas demográficas do IBGE apontam para um contingente de aproximadamente 32 milhões de idosos no Brasil, por volta do ano 2025.
Os cidadãos da terceira idade, que muito contribuíram para a história do país,não podem ser relegados a segundo plano e nem serem considerados improdutivos. Devem ser aceitos e auxiliados por profissionais qualificados em recuperar e aprimorar habilidades gerais, capacidade de se relacionar, competência em variadas funções , enfim, contribuir para o bem-estar desses cidadãos em seu envelhecimento e a partir daí, leva-los a redescobrir suas possibilidades, investir em novos desafios, permitir-se a momentos de prazer, de alegria e de espontaneidade, afinal, só tornam-se idosos os preferidos pela vida.
Estes cidadãos estão na feliz idade de iniciar novos caminhos, novas conquistas, compartilhar experiências dos caminhos já percorridos. Os caminhos continuam, porém há um novo brilho de novas possibilidades, novas amizades, e novos e felizes momentos. É mais uma etapa da vida a ser cumprida, sem medos ou receios, buscando nos novos momentos os encantos e as maravilhas de haver vivido, adicionando mais vida à nova idade.

Os cidadãos da terceira idade são pessoas ricas em sabedoria, em conhecimento da vida, em amor que deram aos filhos, em abstenção a muitos prazeres em troca da doação. Eu me lembro de meu pai, que pedia à mamãe, virar os colarinhos já gastos de sua camisa para aproveitá-la mais e assim economizar para poder enfrentar as despesas da família e não faltar nada aos seus filhos. Hoje, relembrando aquele passado, reconheço o sacrifício que faziam para nos dar educação. É preciso olhar para trás e mais ainda para adiante. Os idosos precisam de toda a nossa solidariedade, apoio, proteção, diálogo e amor.
Um testamento de um idoso :
Não deixo bens, pois ao plantar sementes o solo árido as destruiu.
Não colhi frutos, pois o frio matou a plantação, e minhas mãos calejadas pelo trabalho ficaram vazias.
Deixo apenas os meus olhos, pois quando jovem eram muito bonitos, e por isso ainda são bastante expressivos. Leve-os e doe-os a alguém que poderá enxergar através dos meus sonhos.
Mas, o coração… Deixem-no enterrado em um lugar desconhecido. Não importa o lugar, nem o espaço, pois lá brotarão flores e voarão muitas borboletas coloridas, que representarão a extensão do meu amor pela vida e a confiança de que não vivi em vão, pois pintei na tela da minha vida as várias nuances do amor.

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