8045 – Genética – Bebê geneticamente selecionado cura doença da irmã


Maria Vitória, de seis anos, sofria de talassemia major, uma doença crônica e rara no sangue que pode levar à morte. Por causa disso, a menina era submetida a transfusões sanguíneas a cada três semanas e tomava uma medicação diária para reduzir a quantidade de ferro no organismo. Depois de procurar mais de 30 médicos em busca de uma solução para a doença da filha, os pais de Maria Vitória decidiram passar pela fertilização in vitro para selecionar um embrião que pudesse ajudar na cura dela. Em fevereiro de 2012, nasceu Maria Clara, o primeiro bebê brasileiro a ser selecionado geneticamente em laboratório para não carregar genes doentes e ser totalmente compatível com a irmã. No último mês, a irmã mais velha recebeu o transplante de medula óssea a partir de células-tronco de Maria Clara — e, segundo os médicos envolvidos no caso, é possível considerar que Maria Vitória está curada e, portanto, livre das transfusões de sangue.
A talessemia é uma doença genética hereditária. Para que uma pessoa tenha o problema, precisa herdar os genes tanto do pai quanto da mãe. A condição se caracteriza pela diminuição da síntese de hemoglobinas, que são as responsáveis por carregar o oxigênio presente nos glóbulos vermelhos. Uma vez que se trata da diminuição de hemoglobina, a talessemia é um tipo de anemia. Ela pode ser menor, ou seja, uma doença mais discreta com sintomas fracos ou até assintomática, ou major. Nesse caso, o mais grave, há duas soluções para o paciente: transfusão de sangue frequente por toda a vida ou transplante de medula, que faz com que a pessoa com a doença não apresente mais o gene responsável pelo problema e passe a sintetizar a hemoglobina normalmente. Foi o que aconteceu com Matria Vitória.
O procedimento — Na prática, o procedimento funcionou assim: o tratamento de fertilização in vitro feito pelos pais de Maria Vitória resultou em dez embriões, que tiveram suas células analisadas. Desses, dois eram saudáveis e totalmente compatíveis com a menina. Eles foram implantados no útero da mãe, mas apenas um sobreviveu. Foi aí que nasceu Maria Clara.
No parto, os médicos colheram as células-tronco do cordão umbilical de Maria Clara. Como a quantidade não era suficiente para o transplante, foi necessário esperar que o bebê completasse um ano de idade para coletar um número maior de células da medula ósseas. Maria Vitória foi internada em março deste ano no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para dar início ao condicionamento: recebeu altas doses de quimioterapia para destruir as células da sua medula óssea e deixar o sistema imunológico zerado. No dia 18 de março, Maria Clara foi submetida à coleta das células da medula óssea. Em seguida, essas células foram infundidas em Maria Vitória — primeiro as do sangue do cordão e, depois, as da medula óssea da irmã.
Segundo o hematologista responsável pelo transplante, durante os 15 primeiros dias a medula de Maria Vitória continuava zerada. Essa foi a fase mais crítica, pois o corpo não produzia nenhuma defesa e a menina ainda precisava receber transfusões. Depois desse período, a medula óssea da criança voltou a fabricar as células e, desde então, ela não precisou mais receber transfusões de sangue. “Ela voltou a produzir células como uma pessoa normal. Ela tem uma medula nova. O resultado é muito bom e podemos considerar que a Maria Vitória está curada”.
Segundo o médico, as chances de complicações pós-transplante existem, mas são muito baixas. “Acontece em menos de 5% dos casos. Ainda assim, o transplante é a melhor opção. A Maria Vitória estava começando a ter problemas no fígado por conta do ferro”, afirmou, acrescentando que há cerca de cem casos de transplantes registrados na Europa para curar talassemia, todos com sucesso.

8044 – Medicina – Câncer de Rim


O câncer de rim, apesar de não ser um dos tipos mais frequentes, correspondendo a cerca de 2% dos cânceres, é considerado uma doença de difícil tratamento. O principal motivo é o fato de que a quimioterapia, procedimento mais utilizado para tratar o problema, não é eficaz contra ele.
O tipo mais comum de câncer de rim, correspondendo a 85% dos casos, é o carcinoma de células renais, um tumor que nasce no córtex do rim, ou seja, na sua parte mais externa. Cerca de um terço dos casos são descobertos em fase metastática, quando já apresentam sintomas como dores abdominais e sangramento na urina. Os fatores de risco relacionados à doença são tabagismo, hipertensão, obesidade e alguns fatores genéticos.
Uma alternativa para o tratamento, uma vez que a quimioterapia não apresenta resultados satisfatórios, é a imunoterapia. Feita a partir da estimulação do sistema imunológico, por meio da simulação de um processo inflamatório, esse tratamento costuma ser indicado apenas para pacientes jovens e saudáveis, que não apresentam complicações, pois tem a desvantagem de causar efeitos colaterais graves.
Mas o que pode ser considerado uma revolução no tratamento do câncer de rim foi o surgimento das primeiras drogas-alvo voltadas para essa doença, por volta de 2005. São medicamentos que atuam em receptores presentes na superfície das células cancerígenas, corrigindo falhas gênicas que estimulam a formação de vasos sanguíneos tumorais, que alimentam o tumor e possibilitam seu crescimento.
As primeiras terapias de alvo molecular surgiram com a descoberta do trastuzumabe e do rituximabe, por volta do ano de 2000, para tratamento do câncer de mama e linfoma, respectivamente. Desde então começou a revolução do tratamento de alvo molecular na oncologia.
Atualmente, existem tratamentos com drogas-alvo para grande parte dos tumores malignos, como do cérebro, pulmão, intestino, estômago e rim, entre outros.
Com a terapia-alvo surge também a possibilidade do tratamento sequencial. O paciente começa o tratamento com um determinado medicamento e, se com o passar do tempo se tornar resistente a ele, apresentando resultados piores, ele passa para a segunda linha de tratamento, ou seja, uma nova droga.
Em janeiro de 2012, o Food and Drug Administration (FDA, agência que regula a venda de medicamentos nos Estados Unidos), aprovou o axitinibe, de nome comercial Inlyta, produzido pela farmacêutica Pfizer. De acordo com especialistas, esse seria o primeiro medicamento aprovado da chamada “segunda geração de drogas alvo”. No Brasil, a Pfizer entrou com pedido de aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2011, mas ainda não obteve resultado.
O oncologista Robert Motzer, especialista em câncer de rim, esteve no Brasil para o IV Congresso Internacional de Uro-Oncologia (entre o final de fevereiro e o início de março), realizado pelo Hospital São José, em São Paulo. Motzer faz parte do corpo clínico do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, referência mundial em terapia e pesquisa do câncer, e é presidente do comitê de tumores geniturinários da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (The American Society of Clinical Oncology).
Veja suas afirmações em entrevista:
Houve um grande avanço no tratamento de câncer do rim com a descoberta e o desenvolvimento das drogas-alvo. Com base em uma compreensão melhor da biologia do câncer de rim e dos fatores importantes para as células do câncer crescerem, foram identificadas as drogas-alvo, que atacam as células cancerígenas nesses fatores. Um dos mais importantes é o fator de crescimento endotelial vascular, relacionado à formação de vasos sanguíneos para alimentar as células cancerígenas.
Eu acho que a direção para o tratamento da doença no futuro será personalizar a escolha dos medicamentos de acordo com as necessidades do paciente e seus outros problemas de saúde. Além disso, essas novas drogas alvo são capazes de controlar o câncer por um tempo, mas em algum momento ele volta a crescer, então estamos aprendendo a utilizá-las em sequência: em vez de utilizar apenas um medicamento, utiliza-se um e, quando o câncer começa a crescer, ele é trocado. Ao longo do tempo os pacientes viverão mais com o uso do tratamento sequencial. A terceira direção é identificar novos alvos para que possamos desenvolver novos remédios.
Uma célula é como uma casa. E no porão da casa ficam os fusíveis. Se um fusível queima, algumas coisas não funcionam corretamente: as luzes não acendem, a geladeira não funciona. O mesmo ocorre com a célula afetada pelo câncer. Se o “gene-fusível” quebra, a célula não funciona corretamente. Então o que as drogas-alvo fazem é ir direito dentro da caixa de fusíveis e consertá-los.
Deveria haver mais apoio, mais dinheiro para pesquisas, especialmente para câncer de rim. O câncer de rim é conhecido como um câncer para o qual não têm existido trabalhos ou investimentos suficientes, porque não é um dos mais comuns e no passado estava associado a baixa sobrevivência, então as pessoas não se identificam com ele. Homens se identificam com o câncer de próstata, por exemplo, mas o câncer de rim não.
Eu espero que haja uma cura para o câncer. Para câncer de rim, nós não temos a cura ainda. As drogas utilizadas até hoje são tratamentos crônicos, em algumas instâncias é possível ver pessoas sendo curadas com esses medicamentos, mas é muito raro e ainda não se sabe o motivo.

8043 – Planeta Terra – Atmosfera


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É um oceano de ar que circunda a Terra a altura de uns 80 km. Pesa mais ou menos 5 quadrilhões de toneladas e, no nível do mar, exerce sobre a nossa cabeça uma pressão de 1,03 quilo por cm² e sem essa pressão não sobreviveríamos pois ele evita que fluidos do nosso corpo se evaporem. A alta atmosfera não tem pressão suficiente para sustentar a vida. Fornece também, proteção contra os meteoros que vêm do espaço e poderiam causar danos.
Antigamente, achava-se que era formada por uma só substância. Daí, no final do século 18, os cientistas descobriram que ela se compõe de nitrogênio 78% e oxigênio 21% e ainda 1% de outros gases como o argônio, vapor dágua, dióxido de carbono, neônio, hélio, criptônio, ozônio, hidrogênio e xenônio.
Novos suspeitos do aquecimento global
Novos estudos revelam que o problema também vem de onde menos se espera: o mar, as nuvens e até as plantas podem estar contribuindo para piorar os efeitos do CO2.
Em novembro de 2009, hackers invadiram um computador da Universidade de East Anglia, que fica no Reino Unido e é um dos principais centros da pesquisa sobre o aquecimento global. De lá saem vários dos números que a ONU utiliza em seus estudos – em que os governos de todo o mundo se baseiam para tomar decisões sobre o assunto. Os hackers roubaram 1 000 e-mails e 2 mil documentos, em que os cientistas debatem questões técnicas – inclusive uma série de mensagens em que discutem um “truque” para “esconder um declínio” (palavras deles) na quantidade de CO2 presente na atmosfera em épocas passadas. O episódio, apelidado pela imprensa de Climagate (uma referência a Watergate, escândalo que derrubou o presidente americano Richard Nixon nos anos 70), gerou uma polêmica mundial. Quem não acredita no aquecimento global, ou acha que ele não é obra da humanidade, encarou os tais e-mails como suposta prova disso. E os cientistas foram acusados de manipulação de dados. Montaram-se vários comitês independentes para investigar o caso, que chegaram a uma conclusão unânime. Os números do aquecimento global estavam certos, e o tal truque era apenas um procedimento matemático. Os pesquisadores tinham descartado alguns poucos números de medição de temperatura – que estavam muito diferentes dos demais, e por isso provavelmente errados. É uma técnica estatística válida e aceita pela ciência.
Mas essa novela abriu uma nova discussão: existe muita coisa que ainda não entendemos sobre o aquecimento global. O básico, todo mundo sabe. O homem queima combustíveis fósseis e isso libera CO2, que se acumula na atmosfera e provoca o famoso efeito estufa, que impede que o calor se dissipe e deixa a Terra mais quente. Só que isso não conta toda a história. A emissão de CO2 desencadeia efeitos estranhos no planeta. E isso faz com que elementos aparentemente inofensivos se voltem contra a humanidade, piorando o aquecimento global.
Água é vida. É difícil acreditar que ela possa ter algum efeito maléfico sobre alguma coisa, quanto mais piorar o aquecimento global. Mas é justamente isso que pode estar acontecendo.
Pense na água em estado sólido: gelo. Localizado principalmente nos polos, ele ajuda a refrigerar o planeta. Não porque é frio, mas porque é branco. Sabe quando está muito sol e você usa uma roupa branca, porque essa cor reflete melhor os raios solares? Com o gelo, é a mesma coisa. Como ele é clarinho, reflete bem a radiação solar – faz com que o calor que chega à Terra seja rebatido de volta para o espaço. Com o aquecimento global, o gelo está derretendo, virando água e aumentando o nível dos oceanos. Só que o mar não reflete tão bem a radiação solar. Na verdade, ele absorve essa radiação, fica mais quente e sua água evapora. E é aí que o problema começa.

Quanto mais os oceanos esquentam, mais água evapora. Na forma de gás, a água tem muita capacidade de reter calor: é uma substância quase tão potente quanto o CO2 na produção do efeito estufa. Quanto mais vapor d’água, mais calor retido na atmosfera – o que, por sua vez, deixa os oceanos ainda mais quentes, realimentando o processo. Ninguém sabe exatamente o tamanho do problema, mas segundo estimativas feitas pelo climatologista Richard Linzen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a cada 1 grau de aquecimento global causado pela emissão de CO2, o vapor d’água poderia adicionar até 0,7 oC.
Há mais fatores que podem influenciar as mudanças climáticas. Até o mais básico deles – o Sol. Ele não trabalha de forma constante: segue ciclos que alternam fases de atividade mais e menos intensa. Isso muda a quantidade de radiação que chega à Terra – e, consequentemente, o clima. Ao longo do século 20, o Sol passou por períodos de alta atividade, o que provocou parte do aquecimento global (cerca de 0,1 dos 0,76 OC registrados ao longo desse período). Nos últimos 10 anos, nossa estrela-mãe entrou numa fase de calmaria. Mas a Nasa prevê que a radiação solar possa voltar a aumentar a partir de 2013.

Até as plantas podem piorar o aquecimento global. Foi isso o que constatou um estudo recente feito pelo cientista atmosférico Long Cao, da Universidade Stanford. Ele descobriu que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera faz com que a fisiologia das plantas se modifique, com um efeito ruim sobre a temperatura. Ora, mas os vegetais sempre foram tidos como a grande salvação do planeta, porque tiram carbono da atmosfera por meio da fotossíntese. Como pode ser verdade uma coisa dessas? Acontece que, além de fazer a fotossíntese e absorver CO2 da atmosfera, as plantas também têm outro papel importante. Elas transpiram, e com isso retiram calor do próprio organismo, de quebra resfriando a superfície terrestre. O problema é que, quando o CO2 se torna excessivo, as plantas passam a transpirar menos – e esse ar-condicionado natural para de funcionar.
Com tantas variáveis novas, as dúvidas sobre o aquecimento global só tendem a aumentar. Os cientistas estão aperfeiçoando suas simulações, mas o número de elementos envolvidos passa a ser tão grande, com tantos fatores difíceis de medir, que continuaremos com a mesma margem de erro.

8042 – Astrônomos acham sistema com dois planetas na zona habitável


Quem pensa que o Sistema Solar é interessante por ter um planeta habitável vai pirar com o que há ao redor da estrela Kepler-62. Lá, nada menos que dois mundos –possivelmente rochosos– ocupam órbitas na região mais favorável ao surgimento da vida.
É a conclusão eletrizante a que chega um estudo produzido pela equipe do satélite Kepler, caçador de planetas da Nasa, e recém-publicado na revista científica americana “Science”.
Os pesquisadores liderados por William Borucki identificaram um total de cinco planetas girando ao redor da estrela, uma anã laranja com 63% do diâmetro do Sol.
Todos eles são relativamente nanicos –quatro entram na categoria das superterras (com diâmetro até duas vezes o terrestre) e um é do tamanho de Marte, ou seja, menor que a Terra.
Os três mais internos são quentes demais para abrigar vida. Já os dois mais externos, Kepler-62e e Kepler-62f, têm suas órbitas na chamada zona habitável do sistema –região em que, numa atmosfera similar à da Terra, um planeta pode abrigar água líquida em sua superfície.
A questão é: esses planetas são parecidos com a Terra? Constatar isso é um dos maiores desafios da astronomia, uma vez que as superterras não têm equivalente no Sistema Solar.
Por aqui, há, nas órbitas mais distantes, planetas gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno), e nas mais próximas do Sol os pequeninos mundos rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), dos quais o nosso planeta é o maior deles.
planeta habitável

As superterras, em termos de tamanho, estão no meio do caminho entre essas duas categorias. Mas ninguém sabe com certeza se elas são rochosos grandalhões ou gasosos murchos.
E isso tende a fazer toda a diferença do mundo para a busca por vida.
Uma forma de resolver a questão é determinar, ao mesmo tempo, o diâmetro do planeta e sua massa. Assim, dividindo a massa pelo volume, obtemos a densidade. Com ela, dá para saber se o planeta é rochoso ou gasoso.
A técnica usada pelo satélite Kepler para detectar planetas (medir pequenas reduções de brilho nas estrelas conforme os mundos ao seu redor passam à frente dela, como minieclipses) é boa para medir o diâmetro.
Contudo, para estimar a massa com segurança, a melhor técnica é a usada pelos observatórios em terra, que mede o “bamboleio” gravitacional da estrela conforme os planetas giram ao seu redor.
Infelizmente, no caso do Kepler-62, os planetas são pequenos demais e a estrela é muito ativa para permitir o uso dessa estratégia para confirmar a massa desses mundos com o nível de precisão dos instrumentos atuais.
Embora a composição desses mundos ainda seja desconhecida, os pesquisadores citam outros planetas com diâmetro similar que tiveram sua densidade medida (três casos no total) para argumentar que Kepler-62e e Kepler-62f provavelmente sejam rochosos como a Terra.
Uma modelagem em computador feita por um outro grupo liderado por Lisa Kaltenegger, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos EUA, sugere que os dois planetas devem ter oceanos globais cobrindo totalmente sua superfície –planetas-água, por assim dizer. Mas isso pressupõe que os cientistas acertaram as quantidades dos ingredientes usados para formar os planetas, o que não é de modo algum certo.
Pelo menos, esses dois mundos não têm um problema que outros planetas detectados na zona habitável de suas estrelas possuem: o “travamento gravitacional”.
Esse fenômeno acontece quando a mesma face do planeta fica o tempo todo voltada para a estrela. Mais comumente observado no sistema Terra-Lua, em que o satélite exibe sempre a mesma face para o planeta, casos como esse se apresentam naqueles mundos que orbitam muito próximos do astro principal. Mas não é o caso aqui.
“Exceto pelo planeta mais interno –Kepler-62b–, todos os planetas têm períodos orbitais tão grandes que é extremamente improvável que eles estejam travados”, disse à Folha Borucki, antes de apresentar os resultados em uma entrevista coletiva organizada pela Nasa nesta quinta.
Em suma, esses dois mundos sobem direto para o topo da lista de potenciais planetas com vida, embora rigorosamente nada se possa dizer a esse respeito, exceto que, em teoria, eles podem abrigar água líquida na superfície.
Por isso, apesar do entusiasmo, os cientistas são muito cautelosos no parágrafo final de seu artigo científico: “Não sabemos se Kepler-62e e -62f têm uma composição rochosa, uma atmosfera ou água. Até que consigamos detectar espectros adequados de suas atmosferas não poderemos determinar se eles são de fato habitáveis.”
Ainda assim, é impossível não se empolgar com a possibilidade.