8035 – Aranha emite luz para atrair insetos


Desde 1954 se sabe que diversas espécies de aranhas são fluorescentes: elas emitem luz, mais ou menos como os vagalumes. A diferença é que os vagalumes usam energia química do própio corpo para brilhar, e as aranhas obtêm sua energia absorvendo radiação ultravioleta do sol. Em seguida, a radiação é reemitida pelo aracnídeo na forma de uma luz azul muito fraca, geralmente invisível aos olhos humanos. Tanto que, até agora, os cientistas viam o brilho azul como um acidente: algo que acontecia no corpo da aranha, sem ter nenhuma utilidade para ela. Mas dois pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) acham que mataram a charada. “A fluorescência das aranhas é um mecanismo para enganar suas presas, os insetos que visitam flores.
As vítimas são algumas moscas que comem néctar, as borboletas e as vespas (as abelhas não se deixam iludir com facilidade).
Os olhos desses insetos estão entre os mais evoluídos nessa classe de animais. Eles captam três tipos de colorações básicas: ultravioleta, azul e amarelo. Assim, fascinados pela luz das aranhas fluorescentes, se aproximam delas sem perceber o perigo. A mais evoluída caçadora de insetos é a espécie Epicadus heterogaster, mais conhecida como aranha-caranguejo ou aranha-flor.
Essa espécie foi submetida a um banho de raios laser ultravioleta para aumentar a intensidade da luz azul emitida. Foi possível, então, fazer uma análise detalhada do fenômeno, explica Ramires. “A luz ficou tão forte que iluminou todo o laboratório”. Ramires e Vasconcelos passaram cinco anos tentando decifrar os segredos dessa aranha, que ocupa diversas regiões da América do Sul. Foi estudada na Serra do Japi, em Jundiaí, SP, na Mata de Santa Genebra, em Campinas, SP, e na Ilha do Cardoso, no litoral sul paulista. Dura em média dois anos e mede 2,5 centímetros de comprimento. Todo o seu comportamento mostra que sua luz é uma isca. Ela tem forma, cor e jeito de flor (seu corpo se move e imita o balanço causado pelo vento).
A aranha-flor foi descrita pela primeira vez em 1931. Pensava-se que existiam três espécies diferentes: uma branca, uma amarela e uma lilás.

8034 – Biologia – O Urubu-rei


urubu rei

Parente do condor, habita desde o sul do México ao norte da Argentina.
Sarcoramphus papa (L.), popularmente chamado de urubu-rei, urubu-real, urubutinga, corvo-branco, urubu-branco, urubu-rubixá e iriburubixá, é uma ave da família Cathartidae. Habitante de zonas tropicais a semitropicais, desde o México à República da Argentina. Habita todo o território brasileiro, onde sua caça é proibida, pois é considerada uma ave importante na limpeza do meio ambiente: quando muitos animais são exterminados por doença, o urubu ajuda a controlar a epidemia comendo os animais mortos e agonizantes. Tem cabeça e pescoço nus, pintados de vermelho, amarelo e alaranjado, a parte superior do corpo amarelo-clara, esbranquiçada, asas e cauda pretas, o lado inferior branco, com plumagem branca e negra. Possui uma envergadura de 2,40 metros e peso que oscila de 3 a 5 kg, medindo cerca de 85 cm de comprimento. Na natureza, tem poucos predadores naturais, mas, devido à baixa reprodutividade da espécie e à degradação do seu habitat, é uma espécie cada vez mais rara de se observar.

O maior e mais colorido de todos os urubus recebe este nome por vários motivos: pela exuberante coloração, presente principalmente na cabeça e pelo seu forte bico, que lhe proporciona ser o único urubu a conseguir a abrir as partes mais difíceis de seu alimento, como a carcaça de um animal grande, sendo capaz de rasgar o couro de um boi ou de um cavalo e até mesmo de um bacalhau. Como é um urubu sociável, frequenta carniça com outros urubus. Quando ele abre uma carcaça, é seguido por outras aves necrófagas, que se aproveitam da carcaça já aberta para se alimentarem. Quando ele não encontra a carniça, espera que outros urubus achem-na, para, então, se alimentar. Essas espécies que o acompanham na alimentação se afastam, devido ao tamanho superior do urubu-rei, dando a ele o aspecto de ser o “rei” entre elas. Essas espécies nunca disputam alimento com ele, esperando respeitosamente que ele se satisfaça para, então, comerem o que sobra.
Tem até 3 vezes o tamanho das outras espécies. Possui 85 cm de comprimento, pesando aproximadamente 3 quilogramas, podendo chegar a 5 quilogramas, mas é bastante pequeno quando comparado a outros rapinantes. Sua envergadura varia de 1,70 a 2,00 metros. De narinas vazadas, tem pernas cinza e garras longas e grossas, possui uma crista carnuda e laranja, pendente no macho. O urubu-rei é mudo, não possui siringe (laringe inferior das aves). Sabe, porém, bufar.[11] A cabeça e o pescoço do urubu são implumes, não têm penas. Esta falta de penas é uma adaptação de higiene: a falta de penas previne bactérias da carniça e expõe a pele aos efeitos esterilizantes do sol.
Raramente ele voa mais alto que 400 metros. Pode enxergar uma presa de 30 centímetros no solo, mas prefere animais grandes. Destaca-se dos outros urubus pelo desenho branco e preto da asa e pela cauda muito curta, o que lhe dá uma aparência arredondada em voo. Quando está sobrevoando uma área, chama a atenção o contraste entre o negro da cauda e asas com o corpo todo branco do adulto. Para diferenciá-lo do cabeça-seca a grande altura, observe que a cabeça e pescoço são pequenos e pouco notáveis, bem como os pés não aparecem depois da cauda.
Ao contrário dos outros urubus, é todo negro até o sexto mês de idade. A partir daí, começa a adquirir plumagem branca amarelada do corpo; só às penas da cauda e as longas penas da asa continuam negras. É um processo de até quatro anos de duração. O pescoço é todo colorido, alaranjado ou vermelho. Essas cores fazem um intenso contraste com o olho branco, cor já exibida pela ave juvenil. O urubu-rei não possui muitas diferenças sexuais: o macho é levemente maior do que a fêmea. Ao nascer, está coberto com uma fina penugem branca, mantida nas primeiras semanas de vida.
Sua dieta é estritamente carnívora, mas nunca se alimenta de animais vivos, salvo se estiver faminto e a presa estiver agonizando. Como consumidores de carne em putrefação desempenham importante papel saneador, eliminando matérias orgânicas em decomposição. São imunes, aparentemente, ao botulismo. O suco gástrico dos urubus é bioquimicamente tão ativo que neutraliza as toxinas cadavéricas e bactérias, eliminando perigos posteriores de infecção. Quando são alimentados em cativeiro com carne fresca, são limpos e sem mau cheiro.
Assim que avista uma carcaça, mergulha rapidamente em direção ao solo e pousa nas proximidades. Por mais fome que tenha, espera cautelosamente durante uma hora. Então, convencido de que não há nenhum perigo, come até mal poder se mover. De barriga cheia, exala um cheiro forte, repugnante.
E é exatamente durante a alimentação que ele, normalmente de hábitos solitários, é visto com outras aves de rapina, principalmente urubus pretos (que mantêm distância respeitosa). Aparentemente, espera que os outros urubus encontrem a carniça através do cheiro ou da visão. Quando as espécies menores estão pousando para alimentar-se, esse comportamento denuncia a presença de carniça e o urubu-rei aproveita-se disso para chegar à fonte de alimentação. Em geral, um ou dois adultos, eventualmente algumas aves juvenis, estão em uma carniça. Isso parece indicar a existência de território, onde as aves adultas evitam a presença de outros urubus-rei. Em algumas carcaças grandes, é possível se observar mais adultos. Mesmo com outros da sua espécie, só se encontra nestas ocasiões ou, claro, em época reprodutiva.
Na estação de reprodução, que vai de julho a dezembro, o macho corteja a fêmea empoleirado ou no solo, abre e fecha as asas e exibe a vértice vivamente colorido, abaixando a cabeça. O casal escolhe um local sem muito capricho, no chão da mata ou no meio de pedras, ou em morros. No último caso, simplesmente aproveita um ninho já existente, para fazer a postura dos ovos que são em número de 1 a 2, mas com cobertura vegetal densa. A incubação é longa durando de 53 a 58 dias. Enquanto a fêmea choca os ovos, o macho sai a procura de alimento para ambos. O casal pode se revezar na incubação. Quando o filhote está nascendo, a fêmea ajuda a tirar a casca do ovo delicadamente e, quando finalmente o animal sai do ovo, possui uma fina penugem branca, mantida nas primeiras semanas de vida. Com o passar dos dias, seu aspecto passa a lembrar uma bola de algodão. Logo é alimentado pelos pais com regurgito. Atinge a maturidade sexual aos 3 anos, quando já pode apresentar coloração típica.
Ave diurna, pousa nas árvores mais altas da mata, onde costuma dormir. Passar a noite empoleirada em um galho, sempre no mesmo lugar, o urubu rei levanta voo quando o sol nasce e plana acima do topo das árvores. Circula bem alto. Locomove-se no solo a custa de longos pulos elásticos as pernas são relativamente longas. Para a termorregulação abre as asas e defeca sobre as pernas. É visto normalmente voando bastante alto, sozinho ou aos pares, raramente em grupos de vários indivíduos. É visto com outros urubus na alimentação, onde tem hábito solidário. Quando estão com a cabeça abaixada e um pouco inclinada estão desconfiados e observam algo com atenção. Esta mesma posição da cabeça abaixada e um pouco inclinada é usada, pelo macho no cortejo do acasalamento. Quando incomodados vomitam e sopram fortemente para afastar um intruso, característica também feita pelos filhotes, quando o intruso se aproxima o urubu-rei defende-se com as garras e, principalmente, com seu poderoso bico.

Risco de extinção
É vulnerável à extinção, pois é o único urubu brasileiro que é afetado pela destruição de seu habitat. Além disso, é capturado para tráfico de animais por sua beleza, sendo exposto como troféu. Possui uma distribuição abrangendo toda a América Latina até o sul do México. Habita florestas, mas principalmente áreas de cerrado. Embora presente em todo a República Federativa do Brasil, é mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Encontrado também do México à Colômbia, Bolívia, Peru, norte da Argentina e Uruguai. Habita regiões de florestas com clareiras (campos, pastagens) distantes de centros urbanos e nunca é encontrado em regiões desérticas.

8033 – Projeto Genoma – Os resultados começam a aparecer


Projeto Genoma
Projeto Genoma

Oito anos de trabalho, milhares de pesquisadores do mundo todo, bilhões de dólares gastos –e, finalmente, estava pronto.
No dia 14 de abril de 2003, há dez anos, cientistas anunciaram que haviam terminado o Projeto Genoma Humano, compilando uma lista de 3 bilhões de letras químicas do DNA humano.
O primeiro anúncio dando conta da decifração do genoma foi em junho de 2000, quando cerca de 97% do DNA havia sido “lido”.
Para Eric Green, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano dos EUA, depois de um certo ceticismo inicial, as conquistas decorrentes do trabalho têm ficado mais claras nos últimos três anos.

Veja suas afirmações em uma recente entrevista:
A ideia não era sequenciar o genoma de uma pessoa, mas ter um hipotético, uma referência para representar a humanidade.
Da forma como foi feito há dez anos, estávamos lendo as letras do genoma uma página de cada vez, e diferentes páginas vieram de diferentes pessoas. Cada página era uma sequência de DNA com cerca de 100 mil bases, em um total de 3 bilhões de letras químicas.
O genoma de uma pessoa, um doador anônimo em Buffalo (EUA), respondeu pela maior parte disso, porque o especialista em criar a grande biblioteca de DNA era do Instituto de Câncer Roswell Park, que fica em Buffalo.
As diferenças de uma pessoa para outra estão só em cerca de mil bases [letras químicas do DNA], então o genoma de referência é 99,9% idêntico ao de qualquer pessoa. Usamos essa ferramenta para construir uma espécie de mapa rodoviário.
É como num GPS. É bom ter o mapa da estrada, mas você quer mesmo saber onde é o shopping, o posto de gasolina, o restaurante. Queremos saber onde estão os genes, as partes do genoma que codificam as proteínas. Em que regiões do genoma costuma haver variações? Quais são os genes ligados a doenças?
Quando me tornei diretor do Instituto de Pesquisas do Genoma, há três anos e meio, era rotina escutar: “Vocês estão nisso há sete anos. Onde estão os sucessos?”.
Não escuto mais isso. O que está acontecendo, em especial nos últimos três anos, é se avolumarem as histórias de sucesso.
Agora estamos compreendendo o câncer e as doenças genéticas raras. Podemos tirar sangue de uma grávida e analisar o DNA de um feto.
Temos formas mais precisas de receitar remédios e podemos usar DNA microbiano para rastrear surtos de doença em questão de horas. É um campo vasto de conquistas.

8032 – Música – Teddy Pendergrass


Teddy

(26 março de 1950 – 13 de janeiro de 2010) era um cantor e compositor americano de R&B e Soul. Pendergrass primeiro ganhou fama como vocalista do Harold Melvin & the Blue Notes em 1970 antes de uma carreira solo de sucesso no final da década. Em 1982, ele foi gravemente ferido em um acidente de carro na Filadélfia , resultando em paralisia da cintura para baixo. Depois de sua lesão, ele fundou a Aliança Teddy Pendergrass, uma fundação que ajuda as pessoas com lesões na medula espinhal. Pendergrass comemorou 25 anos de vida depois de sua lesão medular, com evento cheio, “Teddy 25 – A Celebração da Vida ‘na Filadélfia Kimmel Center. Sua última apresentação foi em um especial PBS em Borgata de Atlantic City Casino, em novembro de 2008.
Quando Pendergrass ainda era muito jovem, seu pai deixou a família; Jesse Pendergrass foi assassinado quando Teddy tinha 12 anos. Pendergrass cresceu na Filadélfia e cantou muitas vezes na igreja. Ele sonhava em ser um pastor e teve seu desejo, quando, aos 10, ele foi ordenado um ministro .
Em 1972, Harold Melvin e os Blue Notes lançou seu primeiro single, uma balada lenta e solene intitulado “I Miss You”. A canção foi escrita originalmente para os Dells , mas o grupo passou sobre ele. Observando como Pendergrass soou como chumbo Dells cantor Marvin Junior, Kenny Gamble decidiu construir a canção com Pendergrass, apenas 21 anos na época da gravação. Pendergrass canta muito da canção em uma rouca voz de barítono que se tornaria sua marca registrada.

Em 18 de março de 1982, no Cataratas Oriente secção de Filadélfia em Lincoln Drive near Rittenhouse Street, Pendergrass foi envolvido em um acidente de automóvel. Ele perdeu o controle de seu Spirit Rolls-Royce Silver – o carro bateu em um guard-rail, atravessou para a pista de tráfego oposto, e atingiu duas árvores. Pendergrass e seu passageiro, Tenika Watson, intérprete boate transexual com quem Pendergrass estava familiarizado, ficaram presos nas ferragens por 45 minutos. Enquanto Watson saiu do acidente com ferimentos leves, Pendergrass sofreu uma lesão da medula espinhal, deixando-o paraplégico, paralisado do peito para baixo.

Em 1984 fez um dueto com a então desconhecida Whitney Houston. Outro grande dueto foi com Sthephanie Mills, com o single Two Heart.

Em 1998, Pendergrass lançou sua autobiografia intitulada, verdadeiramente abençoado.
Em 2006, Pendergrass anunciou sua aposentadoria do mundo da música.
Em 5 de junho de 2009, Pendergrass passou por uma cirurgia bem sucedida para o câncer de cólon e se recuperou para voltar para casa. Algumas semanas depois, ele voltou ao hospital com problemas respiratórios. Depois de sete meses, ele morreu de insuficiência respiratória em 13 de janeiro de 2010, aos 59 anos com a esposa Joan ao seu lado.