8021 – Respire e “Viaje”- Ar que se respira em Roma contém cocaína


Em Roma também se respira cocaína. Este é o principal dado revelado por um estudo sobre a poluição do ar realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas da Itália (CNR). A pesquisa faz parte de avaliação mais ampla dos compostos tóxicos presentes na atmosfera e foi realizada em duas áreas urbanas italianas, Roma e Taranto, e na capital da Argélia, Argel.
Os resultados apontaram, além da presença de cocaína e de substância tóxicas conhecidas como o benzopireno –presente no alcatrão–, a cannabis –principal componente ativo da maconha–, haxixe e outras drogas, ainda que menos prejudiciais, como nicotina e cafeína.
As concentrações mais elevadas de cocaína foram encontradas no centro de Roma, especialmente na área da Universidade La Sapienza. Os exames indicam que as concentrações máximas de cocaína ocorrem nos meses de inverno.
Isso se deve “provavelmente pela mais freqüente e intensa estabilidade atmosférica, ou seja, devido a inversão térmica que retém as emissões poluentes nos níveis mais baixos da atmosfera, impedindo a dispersão”, explica o responsável pelas pesquisas.
“As concentrações mais elevadas de cocaína foram encontradas no centro de Roma e especialmente na área da Universidade La Sapienza. Devido ao limitado número de medições realizadas, não podemos ter certeza de que o bairro universitário seja o mais poluído com cocaína, mas podemos afirmar que é onde estão mais difusos o consumo e o comércio de drogas”, afirmou Angelo Cecinato, responsável pelo grupo de pesquisa da CNR.
Os resultados do estudo do órgão também revelaram que vestígios de várias substâncias entorpecentes foram encontradas em áreas periféricas e nos parques da cidade de Roma, onde aparecem mais altas que nas ruas mais movimentadas.
A cocaína aparece em concentrações muito baixas na cidade de Taranto, no sul do país, e completamente ausente em Argel. Já a nicotina e a cafeína, ao contrário, resultam presentes em todas as áreas estudadas, “demonstrando a extrema difusão do consumo destas substâncias e a sua permanência no ar”, explica Cecinato.