8023 – Nutrição – Comemos Água?


Em média, um adulto perde cerca de 2,5 litros de água por dia, por meio do suor, da urina, das fezes e da respiração. Essa quantidade de água precisa ser reposta – mas não precisa ser apenas pela ingestão de água pura. Cerca de 1/3 da nossa água vem dos alimentos. A conta para saber quanta água ingerir é complexa. Mas a média a ingerir é a de cerca de 2 litros.

Até mesmo comidas secas, como pão, contêm água. Quando alguém ingere apenas esses alimentos, corre o risco de desidratar. Para saber se esse é o seu caso, observe a sua urina. Se ela exalar um cheiro forte e a coloração estiver amarelo- escuro, significa que está concentrada demais. Ou seja, falta água.
Quando você coloca um pedaço de bife para grelhar, ele solta líquidos e diminui de tamanho. Isso porque a água que havia nele foi evaporada. O mesmo acontece quando você coloca uma fatia de pão na torradeira. Em poucos minutos, ela diminui de tamanho porque a água foi expulsa.

O homem tem de 10% a 15% de água corporal a mais do que a mulher. Isso porque o percentual de gordura delas é maior, e a quantidade de gordura é inversamente proporcional à de água. Já bebês são os que mais carregam água no corpo. Ao nascerem, 80% de seu peso é água.

Quanto devemos ingerir por dia, conforme sexo e idade.

Homens

14-18 anos – 3,3 litros

19-70 anos – 3,7 litros

Mulheres

14-18 anos – 2,3 litros

19-70 anos – 2,7 litros

Frutas e verduras são os mais ricos em água (80% a 90%), porque a tiram diretamente do solo. Mas nós não ficamos muito atrás: de 45% a 75% do nosso peso é agua. Algumas partes têm mais do que outras. Pulmões e fígado são 86% água. Já o cérebro e o coração são apenas 75% de água.

8022 – Mega Polêmica – Sobre Drogas


Enquanto o mundo inteiro avança, o Brasil prepara-se para voltar no tempo, rumo aos anos 1980, quando se acreditava que a solução para o problema das drogas era o encarceramento em massa. Nos próximos dias, o Congresso Nacional vai votar o Projeto de Lei 7663, do deputado Osmar Terra, que altera a lei de drogas em vários pontos, quase sempre para pior. A julgar pela falta de vontade dos políticos de Brasília de discutir o tema com coragem e sem demagogia, a tendência é que ele seja aprovado. Segundo quase todos os especialistas sérios no assunto, os resultados serão trágicos. Muita gente vai apodrecer na cadeia, muito dinheiro público escoará para o ralo e o problema tende a piorar cada vez mais.
O projeto é confuso e mal escrito, e até por isso não é fácil entender precisamente o que é que vai mudar na lei. Uma coisa que sobressai é que o internamento compulsório, que em qualquer país civilizado é visto como um último recurso apenas para casos extremos nos quais há risco de vida, virará regra no Brasil: sairemos “acolhendo” gente à força no país inteiro.
Outra coisa clara é que a população carcerária brasileira, que já está aumentando mais rápido do que no mundo todo, tende a explodir. O projeto aposta no aumento das penas, mesmo para criminosos não-violentos, sem ligação com o crime organizado e de baixa periculosidade – por exemplo, mulheres que levam droga para o filho dependente na cadeia serão impiedosamente condenadas como traficantes. Adolescentes que soltam rojões nas favelas para avisar quando a polícia chega receberão penas tão altas quanto estupradores. Inevitavelmente, as prisões se encherão de jovens negros moradores de favela – como sempre acontece a cada vez que os distintos deputados aumentam as penas para o tráfico.
Durante o feriado, li e reli o projeto, tentando decifrá-lo em meio à falta de clareza do texto. A uma certa altura me dei conta de que talvez não seja por coincidência que o texto é tão confuso: talvez isso seja proposital, para esconder as reais motivações da mudança na lei.
É o seguinte: o projeto cria um fundo para financiar políticas de drogas no Brasil inteiro. Ele também abre a possibilidade de entidades privadas que cuidam de dependentes receberem dinheiro público para fazer esse trabalho: são as chamadas Comunidades Terapêuticas, muitas delas mantidas por igrejas, grupos às vezes bem intencionados, às vezes nem tanto, geralmente não muito capacitados para o trabalho. Só que o projeto não define regras claras para a atuação dessas Comunidades: é um cheque em branco para entidades privadas fazerem serviço público.
O projeto cria conselhos municipais, estaduais e federal para fiscalizar o uso desse dinheiro. Só que esses conselhos terão metade dos seus assentos reservados para “entidades da sociedade civil”. Ou muito me engano ou essas entidades tendem a ser justamente as Comunidades Terapêuticas que os conselhos deveriam fiscalizar. Ou seja, além de receberem o cheque em branco, caberá às Comunidades fiscalizarem a si mesmas.
Em linhas gerais, tudo indica que o projeto de lei, embora não ajude nem um milímetro a reduzir o problema das drogas no país, vá criar uma bela máquina de fazer dinheiro. Primeiro caberá ao estado recolher compulsoriamente todos os dependentes que encontrar na rua. Aí esses dependentes serão enviados para organizações privadas sem competência no assunto, que receberão dinheiro público para cada dependente que eles “acolherem”, sem nenhuma obrigação ou contrapartida. Como sabe-se que internações compulsórias tendem a funcionar mal, muitos dos dependentes acabarão voltando para as ruas, para serem internados à força novamente, tilintando novamente a caixa registradora das Comunidades Terapêuticas. Enfim, um negocião.
Hoje, no mundo inteiro, sabe-se que dependência em drogas é um problema de saúde que deve ser tratado pelo sistema de saúde, com a participação de profissionais bem treinados e atualizados. O que o projeto de lei propõe é “terceirizar” esse cuidado para igrejas, com dinheiro público, sem exigir nenhum padrão de qualidade no tratamento, sem definir protocolos de atendimento, sem sequer determinar quais profissionais devem estar presentes.
É mais ou menos como se o Congresso estivesse aprovando uma lei que transferisse para pastores e padres a responsabilidade por cuidar dos pacientes de câncer do Brasil – com dinheiro público, sem deixar claro como o tratamento deveria ser, sem metas nem mecanismos de controle. Enfim, um absurdo completo. Mas é óbvio que ninguém se revolta. Afinal, ninguém liga mesmo para esses dependentes. Azar deles. (E de todos nós, cujo suado dinheirinho será torrado com demagogia.)

Denis Russo Burgierman
(O Fim da Guerra)

8021 – Respire e “Viaje”- Ar que se respira em Roma contém cocaína


Em Roma também se respira cocaína. Este é o principal dado revelado por um estudo sobre a poluição do ar realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas da Itália (CNR). A pesquisa faz parte de avaliação mais ampla dos compostos tóxicos presentes na atmosfera e foi realizada em duas áreas urbanas italianas, Roma e Taranto, e na capital da Argélia, Argel.
Os resultados apontaram, além da presença de cocaína e de substância tóxicas conhecidas como o benzopireno –presente no alcatrão–, a cannabis –principal componente ativo da maconha–, haxixe e outras drogas, ainda que menos prejudiciais, como nicotina e cafeína.
As concentrações mais elevadas de cocaína foram encontradas no centro de Roma, especialmente na área da Universidade La Sapienza. Os exames indicam que as concentrações máximas de cocaína ocorrem nos meses de inverno.
Isso se deve “provavelmente pela mais freqüente e intensa estabilidade atmosférica, ou seja, devido a inversão térmica que retém as emissões poluentes nos níveis mais baixos da atmosfera, impedindo a dispersão”, explica o responsável pelas pesquisas.
“As concentrações mais elevadas de cocaína foram encontradas no centro de Roma e especialmente na área da Universidade La Sapienza. Devido ao limitado número de medições realizadas, não podemos ter certeza de que o bairro universitário seja o mais poluído com cocaína, mas podemos afirmar que é onde estão mais difusos o consumo e o comércio de drogas”, afirmou Angelo Cecinato, responsável pelo grupo de pesquisa da CNR.
Os resultados do estudo do órgão também revelaram que vestígios de várias substâncias entorpecentes foram encontradas em áreas periféricas e nos parques da cidade de Roma, onde aparecem mais altas que nas ruas mais movimentadas.
A cocaína aparece em concentrações muito baixas na cidade de Taranto, no sul do país, e completamente ausente em Argel. Já a nicotina e a cafeína, ao contrário, resultam presentes em todas as áreas estudadas, “demonstrando a extrema difusão do consumo destas substâncias e a sua permanência no ar”, explica Cecinato.

8020 – Astronomia – Vida Inteligente?


Rara e Valiosa
A agência espacial americana Nasa autorizou a construção de um satélite caçador de planetas parecidos com a Terra, mas que giram em torno de estrelas distantes. Com o nome de Tess (do inglês “Transit Exoplanet Survey Satellite”), ele identificará a ligeira queda da luz estelar provocada pela passagem de um planeta à frente de uma estrela, o método do “trânsito”, e deverá ser lançado em 2017.
Kepler, a missão atual, usa o mesmo método e vem identificando milhares de potenciais planetas e confirmando centenas deles. Tess buscará planetas em uma região bem mais ampla do céu, focando em estrelas mais brilhantes.

Com isso, cientistas esperam identificar planetas mais parecidos com a Terra. A questão é saber quão raro é o nosso planeta, já que a maioria das estrelas tem planetas orbitando à sua volta.
Nossa galáxia, a Via Láctea, tem em torno de 200 bilhões de estrelas. Se pelo menos metade delas tem planetas e se, em média, estrelas têm em torno de quatro planetas, chegamos a 400 bilhões de planetas só na nossa galáxia.
Como não só planetas mas também suas luas podem ter condições favoráveis à vida, o número pode chegar a um trilhão de mundos. Sabemos que ao menos um planeta nesse trilhão tem vida. Quantos outros podem ter? Milhões? Centenas? Nenhum?
Parte da resposta depende justamente da frequência com que planetas rochosos como a Terra aparecem dentro da “zona habitável”, a região em torno de uma estrela onde planetas e luas podem ter água líquida. A complicação é que certas luas fora dessa zona podem ter água líquida, como é o caso de Europa, a lua de Júpiter, que tem um oceano com quatro vezes mais água do que todos os oceanos da Terra, sob uma camada de gelo de dois quilômetros de espessura.
ortanto, um otimista diria que o Universo é cheio de vida, que é questão de tempo até acharmos algum sinal disso. Afinal, com tantos planetas e luas por aí… Só que a vida é algo muito complexo. O primeiro passo –reações químicas que de alguma forma geram vida da não vida– não é algo trivial. Tanto que não temos a menor ideia de como repeti-lo no laboratório.
Missões como Kepler e Tess poderão até identificar traços de substâncias ligadas à vida na atmosfera de exoplanetas, como o ozônio e o oxigênio. Se isso ocorrer, teremos evidência de que a vida pode existir por lá. E é muito provável que algum tipo de vida simples exista em outros mundos.
Mas se você for um entusiasta de inteligências extraterrestres, a coisa fica bem mais difícil. Da vida simples aos seres multicelulares –e destes aos inteligentes– há muitos obstáculos que dependem dos detalhes da história do planeta.
Junte-se a isso a ausência de contato com “eles” e vemos que provavelmente estamos sós. Se não sós, ao menos isolados neste canto da galáxia. O que significa que somos raros e valiosos. Essa é uma das grandes revelações da ciência atual. Basta o mundo se convencer disso e começar a mudar.

Marcelo Gleiser, astrônomo brasileiro