8019 – Mega Personagens – Tarzan


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É um personagem de ficção criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs na revista pulp All-Story Magazine em 1912 e publicado em formato livro em 1914. O personagem apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos. Outros escritores também escreveram obras com o herói: Barton Werper, Fritz Leiber, Philip José Farmer etc.
Tarzan é filho de aristocratas ingleses que desembarcam em uma selva africana após um motim, . Com a morte de seus pais, Tarzan é criado por macacos (“manganis”, na linguagem dos símios, criada por Burroughs) na África, depois da morte de seus pais. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke. Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa “Pele Branca”. É uma adaptação moderna da tradição mitológico-literária de heróis criados por animais. Uma destas histórias é a de Rômulo e Remo, que foram criados por lobos e posteriormente fundaram Roma.
Por ter sobrevivido na selva desde sua infância, Tarzan mostra habilidades físicas superiores às de atletas do “mundo civilizado”, além de poder se comunicar com os animais.
No final do primeiro volume, Tarzan renuncia ao amor de Jane e ao título, por acreditar que ambos estariam melhor com o primo. Somente no romance seguinte, The Return of Tarzan, de 1913, o casal passa a viver junto.
A visão da África criada por Burroughs tem pouco a ver com a realidade do continente, pois ele inventa que a selva africana esconderia civilizações perdidas e criaturas estranhas. Burroughs, entretanto, nunca esteve na África.

Personagem no Brasil
Dezoito livros de Tarzan foram publicados no Brasil pela Companhia Editora Nacional a partir de 1933, na coleção Terramarear. As traduções foram feitas por importantes escritores, como Monteiro Lobato, Godofredo Rangel, Manuel Bandeira e outros. Na década de 1970, a Editora Record relançou desses oito volumes, com capas de Burne Hogarth. Já em Portugal, a editora Portugal Press, de Lisboa, editou a obra completa do herói.
Uma extensa lista de suas obras vai de 1912 a 1965.

Cinema
O primeiro Tarzan do cinema foi Elmo Lincoln, no filme Tarzan, O Homem Macaco ou Tarzan dos Macacos (Tarzan of the Apes), de 1918. Lincoln também estrelou o filme seguinte, O Romance de Tarzan ou Os Amores de Tarzan (The Romance of Tarzan, 1918) e o seriado As Aventuras de Tarzan (The Adventures of Tarzan, 1921, quinze episódios).
Na era muda foram produzidos quatro filmes e quatro seriados com o herói; além de Lincoln, ele foi interpretado, entre outros, por Gene Pollar e James Pierce.
O primeiro Tarzan do cinema sonoro foi também o mais famoso: o nadador estadunidense Johnny Weissmuller,como vimos no outro capítulo, que encarnou o herói em doze fitas, primeiro na MGM, depois na RKO. O refinado lorde dos livros foi transformado por Weissmuller em um selvagem que conseguia apenas grunhir e emitir frases monossilábicas, do tipo “me Tarzan, you Jane” (que ele, a bem da verdade, nunca disse. O que ele disse no filme Tarzan, O Filho das Selvas/Tarzan the Ape Man foi, simplesmente “Tarzan… Jane”, apontando para si mesmo e depois para Jane Porter).

Weissmuller é responsável por emitir, pela primeira vez, o famoso grito de vitória de Tarzan. Esse grito, que seria reproduzido por todos os Tarzans subsequentes, não passava de uma hábil mixagem dos sons de um barítono, uma soprano e de cães treinados.
Devido à censura da época, os trajes de Weissmuller e, principalmente, de O’Sullivan foram aumentando de tamanho de filme para filme; a censura também é responsável pela ausência de filhos da dupla, que não era legalmente casada: Boy (vivido por Johnny Sheffield), introduzido em O Filho de Tarzan (Tarzan Finds a Son!, 1939) não era filho do casal e, sim, adotado, conforme mostra o título original. Nos livros, no entanto, Tarzan e Jane são pais do menino Korak, que chega à idade adulta nos romances finais.
Depois de atuar em Tarzan e a Caçadora (Tarzan and the Huntress, 1947), Johnny Sheffield disse adeus ao papel de Boy, porque já estava com dezesseis anos. Ele foi para a Monogram e fez os doze filmes da série Bomba, o Filho das Selvas/Bomba The Jungle Boy (um personagem inspirado em Tarzan, publicado em uma série de livros publicada entre 1926 e 1938, entre 1949 e 1955.

Quando já não possuía o físico necessário para viver o herói, Weissmuller estrelou a série Jim das Selvas/Jungle Jim para a Columbia. Foram dezesseis filmes entre 1948 e 1955. Nesse ano, o herói foi para a televisão, onde foram feitos vinte e seis episódios de meia hora cada, com um Weissmuller já gordo e envelhecido.
Outros Tarzans que ficaram famosos foram Lex Barker, que substituiu Weissmuller a partir de 1948 e Gordon Scott, que é considerado por alguns críticos como o ator que melhor interpretou o herói. Já Mike Henry é visto como o mais parecido com os desenhos de Burne Hogarth.
Na televisão, Tarzan foi vivido por Ron Ely, em uma cultuada série que teve cinquenta e sete episódios entre 1966 e 1968. Alguns episódios duplos foram fundidos e exibidos nos cinemas.
Das atrizes que interpretaram Jane, a única lembrada é Maureen O’Sullivan, que fez os seis primeiros filmes da série com Johnny Weissmuller e depois saiu porque não queria ficar presa à personagem. Jane não aparece em todos os filmes de Tarzan: ela esteve em apenas um dos cinco filmes com Gordon Scott e esteve ausente de todas as produções com os Tarzans Jock Mahoney, Mike Henry e Ron Ely.

tarzan cinema

Foi noticiado que a personagem Cheeta, a macaca (Cheeta, na verdade era um macho) que protagonizou os filmes da década de 1930 e 1940 e do seriado para televisão da década de 1960, faleceu em 2011, aos 80 anos de idade, notícia essa, entretanto, colocada em dúvida por uma reportagem da agência de notícias Associated Press, pela ausência de documentos que comprovem se tratar do mesmo primata, além de outras inconsistências apontadas.

Tarzan, o homem macaco foi o 1° filme em 1918 e o último foi Tarzan e a Cidade Perdida em 1998.

Quadrinhos
Hal Foster foi o primeiro artista a desenhar o herói: em 1929 foram publicadas as sessenta tiras diárias de “Tarzan of the Apes”; Foster só voltaria ao personagem em 1931, desenhando páginas dominicais coloridas. Ele é responsável por várias inovações de inspiração cinematográfica: campo e contra-campo, grandes planos e contra-luz. Ele seguiu fielmente os livros de Burroughs e nunca usou balões e, sim, textos incorporados aos quadrinhos. A partir de 1937, Foster foi substituído por Burne Hogarth, o maior ilustrador do herói. Influenciado por Michelângelo e pelo expressionismo alemão, Hogarth utilizou seus conhecimentos de anatomia para mostrar uma explosão de músculos, um turbilhão de movimentos, paisagens atormentadas mas vibrantes, selvas fantasmagóricas e raízes com formas monstruosas. Ele desenharia essas páginas até 1950, quando foi substituído pelo também importante Bob Lubbers, mas voltou em 1972, com uma nova versão da história de Tarzan em forma de livro.

Em 1972, a DC consegue a licença de Tarzan e inicia uma série de quadrinhos produzida por Joe Kubert, a primeira edição da revista é a número 207, continuando a numeração da Dell.

Em 1977, a DC publica seu último número de Tarzan, encerrada na edição 259, nesse mesmo ano o personagem passa a ser publicado pela Marvel Comics, na Marvel a numeração é reiniciada, a revista teve 29 edições e possuia arte de John Buscema.

A EBAL lançou também diversas edições especiais:

1973 – Tarzan, O Filho das Selvas, o livro quadrinizado por Burne Hogarth em 1972
1974 – Coleção Tarzan em dois volumes (A Origem de Tarzan e A Volta de Tarzan), ilustrados por Joe Kubert
1975 – Tarzan, de Harold Foster, a primeira história com o herói
1975 – Coleção Tarzan/Russ Manning, em cinco volumes, com as páginas dominicais de 1968 a 1972
1976 – Edição Gloriosa em dois volumes (O Mundo que o Tempo Esqueceu e O Poço do Tempo), ilustrados por Russ Manning
1978 – O Livro da Selva, adaptação do romance O Tesouro de Tarzan em três volumes, com ilustrações de John Buscema e roteiro de Roy Thomas
1980 – O Massacre dos Inocentes, com ilustrações do artista espanhol Jaime Brocal Remohi
1980 – O Lago da Vida, com ilustrações de José Ortiz

8018 – Demografia e Urbanismo – Sufoco nas megalópoles


poluição

Esses gigantes urbanos estão crescendo, atraindo milhões que chegam em busca de trabalho, moradia e conveniências da vida urbana. Mas o preço é alto: respirar nestas cidades em expansão está se tornando cada vez mais perigoso à saúde. Os habitantes da Cidade do México são os mais afetados nesse respeito, mas quem mora em cidades como Bancoc, Beijing, Cairo e São Paulo não estão em situação muito melhor. Suas consequências são problemas cardiológicos, respiratórios, neurológicos e até mesmo enfermidades na medula óssea, fígado e rins. O número total de veículos no mundo passa de 1 bilhão e está subindo e medidas preventivas saem muito lentamente do papel. Quem mora nestas cidades se defronta com um sufocamento lento.

8017 – Zoológico – Arca de Noé do Futuro?


Quando se discute o problema da extinção de animais, duas opiniões costumam se destacar. A primeira é que o problema realmente não é sério, ou pelo menos não tão sério quanto dizem os ecologistas. A segunda é que o problema é sério e triste, mas que não há nada que se possa fazer a respeito — afinal, o progresso não deixa muito espaço para os animais. Recentemente, no entanto, o Zoológico de Londres anunciou uma novidade que pode relegar os dois pontos de vista à lista de idéias em extinção. Desde fevereiro passado, o mais antigo zoológico do mundo transformou a preservação das espécies em perigo no seu principal objetivo.
De agora em diante, mais do que engordar animais para exibi-los aos visitantes no domingo, como faz há 166 anos, o zôo londrino quer manter, estudar, reproduzir e devolver à natureza bichos ameaçados em seu habitat natural. “O conservacionismo é urgente porque as espécies estão desaparecendo. Muito mais urgente, por exemplo, do que a física das partículas, que são virtualmente eternas”, compara o zoólogo britânico Collins Tudge, autor do livro Last animal at the zoo (Os últimos animais no zoológico). “Só que, enquanto se investe pesado em pesquisas de física das partículas, o conservacionismo quase não dispõe de verbas.”
Os criadores do projeto, batizado Zoológico do Futuro, acreditam que um dia todos os zôos do mundo serão isso: incubadeiras da vida selvagem. A natureza sozinha, dizem, não é mais capaz de preservar os milhões de espécies do planeta, diante do avanço do homem. De 1640 até hoje, 88 das 9 000 espécies de pássaros existentes no mundo sumiram e outras 283 correm risco. Os grandes mamíferos, restritos à Ásia e África, mesmo lá já não estão seguros.
A lista é longa: tigres siberianos, rinocerontes indianos, pombas-rosadas da Ilha Maurício, sapos-bois, flamingos do Caribe, cobras-de-pescoço-negro da África, lobos-vermelhos, condores, pandas, antílopes, macacos…. Todos ameaçados por forças impiedosas: a caça e a eliminação dos habitats. A caça um pouco menos — até mesmo por falta de vítimas. A agressão aos habitats, no entanto, continua a avançar.
Para cada espécie em risco, a primeira preocupação é responder a duas perguntas: qual o número mínimo de indivíduos necessários para garantir a vida da espécie por 200 anos e quais devem cruzar entre si para preservar 90% da diversidade genética do grupo? Os dois números — 90% de diversidade e 200 anos de sobrevida — não são aleatórios. Pelo contrário. Eles se apoiam em estudos teóricos de Genética. Graças a eles, os técnicos descobriram que manter 90% da variedade genética de uma espécie exige bem menos indivíduos do que seriam necessários para preservar 100% da herança dos genes.
Em termos ideais, para assegurar a diversidade genética total de uma espécie por 1 000 anos seriam necessários 500 indivíduos sem parentesco entre si.
Diversidade genética é a expressão que mais se ouve quando se discute preservação. Sem as diferenças hereditárias que fazem de cada indivíduo um ser distinto dos outros da espécie, não há esperança de vida a longo prazo, embora exista quem conteste essa afirmação. Populações geneticamente idênticas podem ser dizimadas por doenças. O que afeta um, afeta todos. Nessa situação, uma espécie é tão frágil quanto um time de basquete sem reservas: uma equipe assim não tem como repor jogadores exaustos, machucados ou expulsos, e qualquer imprevisto significa derrota.
Um coisa que os zoológicos podem fazer melhor que a natureza é justamente prover a diversidade na ausên-cia de grandes populações. Com exames de DNA, administradores de programas de procriação sacramentam acasalamentos que envolvem indivíduos sem parentesco, com o máximo possível de diferença genética.
Às vezes, como no caso do antílope árabe oryx, isso é difícil. Os poucos remanescentes do grupo são parentes entre si. Além disso, entre os oryx, como manda a seleção natural, o macho mais forte fecunda quase todas as fêmeas. Em cativeiro, essa lei tende a ser mais drástica ainda e todos as crias acabam tendo um só pai e são, portanto, irmãs.
Ratos-toupeiras são tão atípicos que, por si só, já justificam o interesse do Instituto de Zoologia londrino. Não que os pesquisadores estejam desesperados por novidades. Em meia hora de conversa com qualquer um deles, aprende-se logo que, no que diz respeito à reprodução, cada animal é diferente dos outros, tanto em termos biológicos como comportamentais.
No Zôo de Londres há um bom exemplo de acidente provocado por essa ignorância: uma fêmea de leopardo-nebuloso, que perdeu uma pata num namoro mal-sucedido no Zoológico de San Diego, nos Estados Unidos. Entre esses felinos asiáticos, o macho tem quase o dobro do tamanho da fêmea e — sabe-se agora — pode ser muito agressivo com ela. Não se conhece como é o acasalamento na selva, mas em cativeiro os animais agora ficam em “quarentena”: próximos, mas separados por grades até que o macho se familiarize com a companheira.

Sarah quase voando
Sarah quase voando

Veloz, vulnerável e teimoso
Nos últimos anos, o guepardo ganhou fama como um dos seres mais vulneráveis do mundo, que já não apresenta nenhuma diversidade genética em sua minguada população de 15 000 indivíduos. Recentemente, no entanto, a importância do gene diversificado para a sobrevivência foi contestada por dois pesquisadores do Zoológico de San Diego, nos Estados Unidos. Uma bomba que mereceu a primeira página do caderno de ciência do jornal New York Times. Embora reconheçam a ausência de variedade genética nesses felinos, para o dr. Donald G. Lindburg e seu parceiro, o imunologista Michael B. Worley, eles não estão inexoravelmente condenados.

8016 – Nutrição – O Licopeno


Licopeno

Trata-se de uma substância carotenoide que dá a cor avermelhada ao tomate, melancia, goiaba, entre outros alimentos. É um antioxidante que, quando absorvido pelo organismo, ajuda a impedir e reparar os danos às células causados pelos radicais livres.
Os radicais livres são produzidos durante funções normais do corpo humano, como respiração e atividade física. Também são formados como resultado do hábito de fumar, superexposição ao sol, poluição do ar e estresse. São altamente reativos e, se não controlados, podem danificar as moléculas importantes das células saudáveis do corpo humano. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de várias doenças, como câncer e doenças cardiovasculares.
Assim como o betacaroteno, o licopeno é transportado no sangue humano por meio de lipoproteínas, principalmente a LDL. A principal função da LDL é fornecer colesterol para as células do corpo e, ao fazer isso, também fornece licopeno e betacaroteno. Os maiores níveis de licopeno e betacaroteno são encontrados no fígado (principal local de armazenamento). No tecido adiposo, a taxa de carotenoides é muito baixa. No entanto, devido à quantidade total de tecido adiposo no organismo, também pode ser um importante local de armazenamento.
A melhor fonte de licopeno é o tomate. É um alimento pouco calórico, com seus efeitos antioxidantes, fonte de fibras e bem utilizado na culinária pela sua cor, melhorando a aparência dos pratos. O tomate é matéria prima que pode entrar em diversas refeições. Quanto maior a concentração de tomate em uma receita, maior o teor de licopeno e os benefícios por ele proporcionados. Este possui maior aproveitamento quando combinado a uma pequena quantidade de gordura, preferencialmente do tipo monoinsaturada.
Encontra-se presente em alimentos como o tomate (média de 3,31 mg em 100 g) e o mamão (média de 3,39 mg em 100 r). A absorção do licopeno é maior quando o alimento em questão é cozido, pois o rompimento das paredes celulares facilita o contato deste com a mucosa intestinal. O licopeno da melancia e do mamão é muito biodisponível (em torno de 60%), enquanto o do tomate cru está em 13%, contra 70% do mesmo quando cozido. Assim sendo, alimentos como a massa e o molho de tomate são ótimas fontes desse antioxidante valioso e barato.
Existem algumas evidências de que o consumo regular de licopeno diminui a probabilidade do indivíduo ter câncer de próstata e dos pulmões.
De fato, estudos australianos em fase avançada estão demonstrando que o uso regular do licopeno reduz a incidência de alguns tumores viscerais.

8015 – Ecossistema – O Lagamar


lagamar

É uma faixa costeira de 200 quilômetros, entre os municípios de Iguape, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, conhecida pelo estranho nome de Lagamar. Em 1991, quando a Unesco decidiu fazer da Mata Atlântica nos dois Estados a primeira Reserva da Biosfera brasileira, o Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Paranaguá — seu nome científico — acabou ganhando um lugar no seleto grupo de santuários ambientais. E, embora ainda não seja uma pérola dos ecologistas, somando-se seus dotes aos da floresta que o envolve, juntos eles concentram o que alguns biólogos consideram uma das mais ricas biodiversidades do país.
Entender a receita que produziu essa fabulosa variedade de vida também não é difícil. Basta pegar uma mata tão verdejante quanto a Amazônica, adicionar os terrenos alagadiços do Pantanal, salpicar uma quantidade de ilhas maior que as de Fernando de Noronha e povoar tudo com bichos raros da Juréia. Resultado: Lagamar, uma mistura de ecossistemas tão diversos quanto florestas tropicais de planície e montanha, manguezais, lagunas, braços de mar, baías, dunas e praias. Cada um desses habitats povoado por plantas e animais não só típicos, mas muitos endêmicos.
Quem entra pela primeira vez no coração verde dessa região litorânea tem a sensação de estar atravessando um túnel do tempo. E a impressão tem um fundo de verdade. Durante séculos, o Lagamar permaneceu praticamente intocado pelo homem, em parte graças aos contrafortes da Serra da Graciosa, em parte pelo dossel compacto da Mata Atlântica, que o envolve desde a serra até o Vale do Ribeira.
Em terra, onças, capivaras, tamanduás-mirins, macacos muriquis — os maiores das Américas — convivem com animais endêmicos e ameaçados de extinção, como o papagaio-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o precioso mico-leão-caiçara (Leontopithecus caissara). Mas estas não são as únicas espécies em risco encontradas no Lagamar. Lá também vivem o jacaré-de-papo-amarelo e a quase esquecida ariranha-de-planície (Pteronura brasiliensis), parente distante da lontra considerada extinta na Região Sudeste.
Os dados sobre a biodiversidade do Lagamar ainda são preliminares, mas já foram catalogadas até o momento mais de 300 espécies de pássaros. Na floresta, vivem pelo menos 21 mamíferos de grande porte.

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