8000 + Os 5 Sentidos – A Visão


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A visão é um dos órgãos dos sentidos, e é por meio desse sentido que temos a capacidade de enxergar tudo à nossa volta.
Os olhos são os órgãos responsáveis pelo sentido da visão. Eles se encontram no interior de cavidades ósseas, chamadas de órbitas oculares, e são revestidos por uma camada de tecido conjuntivo fibroso chamado de esclerótica. Na esclerótica estão inseridos os músculos que movem os globos oculares; além disso, ela apresenta, na parte anterior do olho, uma área transparente com maior curvatura, chamada de córnea. Entre a córnea e o cristalino encontramos um líquido fluido que preenche a câmara anterior do olho, chamado de humor aquoso.
Logo abaixo da esclerótica encontramos a coroide, uma película dotada de vasos sanguíneos e melanina que tem a função de nutrir e absorver a luz que chega à retina. Na parte anterior da coroide localiza-se a íris, estrutura muscular de cor variável. Na íris há um orifício central que chamamos de pupila. É por esse orifício que há a entrada da luz no globo ocular. A íris é a responsável por regular a quantidade de luz que entra no olho.
Observe que quando estamos em um ambiente mal iluminado, o orifício da pupila aumenta e permite a entrada de maior quantidade de luz. Quando estamos em locais muito claros, o orifício da pupila diminui, de forma a não nos ofuscar, e não deixar que a luminosidade em excesso prejudique as células da retina.
O cristalino se situa atrás da íris e é uma lente biconvexa que orienta a passagem de luz até a retina. Está cercado por fluidos na parte anterior e posterior. Na parte anterior, há uma câmara preenchida pelo humor aquoso, enquanto que na parte posterior, há uma câmara preenchida com um líquido viscoso e transparente chamado de humor vítreo. Com a chegada da idade, o cristalino pode perder a sua transparência normal, dificultando a visão – é o que chamamos de catarata.
A retina é uma membrana mais interna e se encontra abaixo da coroide. Ela possui dois tipos de células fotossensíveis, os cones e os bastonetes.

Os bastonetes são células extremamente sensíveis à luz, sendo muito importantes em situações de pouca luminosidade. Essas células são encontradas em grandes quantidades na retina dos animais com hábitos noturnos.
Os cones são as células capazes de distinguir as cores. Eles são menos sensíveis à luz e fornecem uma imagem mais nítida, rica em detalhes. No olho humano encontramos três tipos de cones: um que se excita com a luz vermelha, outro que se excita com a luz verde, e o terceiro que se excita com a luz azul.
Na retina existem duas regiões: uma chamada de fóvea e outra chamada de ponto cego. A fóvea se situa no local onde a imagem do objeto é projetada, e nessa região encontramos apenas cones, o que maximiza a qualidade visual. Na região do ponto cego não encontramos cones nem bastonetes. O ponto cego se encontra no fundo do olho e é insensível à luz.
Algumas pessoas apresentam problemas de visão, como miopia, hipermetropia, vista cansada e astigmatismo. Todos esses problemas ocorrem em razão da incapacidade do olho de focalizar as imagens sobre a retina. Outros problemas que podem acometer os olhos são glaucoma, catarata, daltonismo e conjuntivite.

7999 – Astrofísica – O Universo Observável


Em Cosmologia, segundo a teoria do Big Bang, o universo observável é a região do espaço limitada por uma esfera, cujo centro é o observador, suficientemente pequena para que objetos possam ser observados nela, ou seja, houve tempo suficiente para que um sinal emitido pelo objeto a qualquer momento depois do Big Bang, movendo-se à velocidade da luz, tenha alcançado o observador agora.
Cada posição tem seu próprio universo observável, que pode ou não fazer parte daquele centrado na Terra.
A palavra “observável”, neste caso, não tem relação nenhuma com o fato de a moderna tecnologia permitir ou não a detecção de radiação de um objeto dessa região. Ela significa simplesmente que é possível, em princípio, que a luz ou outra radiação do objeto alcance um observador na Terra. Na prática, só se podem observar objetos até a superfície da última recombinação, antes da qual o universo era opaco a fótons. No entanto, pode ser possível inferir informação de antes desse momento através da detecção de ondas gravitacionais, que também se deslocam à velocidade da luz.
Outra possibilidade é que o universo seja menor do que o universo observável. Neste caso, o que tomamos por galáxias extremamente distantes podem ser imagens duplicadas de galáxias mais próximas, formadas por luz que circunavegou o universo. É difícil de testar essa hipótese experimentalmente, porque imagens diferentes de uma galáxia mostrariam diferentes períodos da sua história, e consequentemente poderia ter uma aparência bem diferente. Um artigo de 2004 alega ter estabelecido um limite mínimo de 24 gigaparsecs (78 bilhões de anos-luz) para o diâmetro do universo, tornando-o, no máximo, somente um pouco menor que o universo observável. Esse valor baseia-se em análises de dados do WMAP.
A distância comóvel da Terra ao limite do universo visível (também chamada horizonte cósmico da luz) é de cerca de 14 bilhões de parsecs (46 bilhões de anos-luz) em qualquer direção.

7998 – O Satélite COBE


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O Cosmic Background Explorer (COBE ou Explorador do Fundo Cósmico), também referenciado como Explorer 66, foi o primeiro satélite construído dedicado à cosmologia. Seu objetivo era investigar a radiação cósmica de fundo do universo e fornecer medidas que pudessem ajudar na compreensão do cosmos. Foi lançado em 1989.
Concebido desde a década de 1970, o COBE deveria ter sido lançado pelo Space Shuttle. A explosão do Challenger, em 1986, motivou a suspensão do programa espacial nos Estados Unidos e o lançamento do COBE aconteceu apenas em 1989. “Neste intervalo de tempo alguns dos instrumentos do COBE foram lançados em balão estratosférico a partir do Brasil, conseguindo mesmo observar uma boa parte do céu e providenciando os necessários testes experimentais”.
As descobertas do Satélite COBE foram muitas, entre as principais, se destaca a descoberta de um universo bastante isotrópico e que a matéria tambem teve um inicio, ou seja, ela nao existia desde sempre. De acordo com o Comitê do Prêmio Nobel, “o projeto pode também ser considerado como o ponto de partida para a cosmologia como uma ciência precisa”.
Os dois principais investigadores do COBE, George Smoot e John Mather, receberam o Prêmio Nobel de Física em 2006. Os cientistas anunciaram que o COBE proporcionou fortes indicações, até então, da exatidão da teoria da criação do universo conhecida como a teoria do big bang. As observações do COBE revelaram que o universo tinha a mesma temperatura em todos os comprimentos de onda observados e em todas as direções.

7997 – Deu a louca no torpedo…


Torpedo computadorizado se perde e faz feio no frio

Pesquisadores da Tasmânia tentaram usar um torpedo equipado com um computador para saber com precisão a espessura do gelo nos mares antárticos. Como a temperatura era muito baixa, os pesquisadores perderam o rumo do torpedo.

A ideia até que era boa: aproveitar um torpedo aposentado em um missa científica. Foi o que tentaram os pesquisadores do Instituto de Estudos Antárticos da Tasmânia. A arma foi comprada da Marinha australiana por irrisórios 115 dólares. E recheada com computador e um sonar. A intenção era medir a espessura do gelo nos mates antárticos, o que normalmente requer várias viagens de navios quebra-gelo a diversos pontos da calota.
Eles só não esperavam que o torpedo enlouquecesse ao entrar em contato com águas gelada: o sistema de correção de curso falhou e as ondas acabaram por levá-lo para o lado errado. Como se isso não bastasse, o frio de 20º graus C negativos fez parar de funcionar o rastreador do navio oceanográfico Aurora Australis e os cientistas perderam o rumo do torpedo. Apesar do prejuízo de 25.000 dólares (esse foi o preço do equipamento acoplado ao torpedo) o diretor do Instituto, Garth Paltridge, comentou: “Um dos objetivos era testar se funcionaria em um ambiente tão hostil. Nesse ponto, o exercício foi perfeito”.

7996 – Missão Marte – O Fracasso da Sonda Mars Observer


…Não sepultou a Missão Marte
Pacíficos, sábios admiradores da harmonia da vida, os últimos marcianos apegam-se desesperadamente aos derradeiros momentos de sua existência. Surpreendidos pela chegada de visitantes ao seu planeta, escondem-se em cavernas ou montanhas distantes, tentando preservar sua civilização antiqüíssima. Nada disso, é claro, estava nos planos dos cientistas que organizaram o vôo da nave americana Mars Observer, desaparecida no espaço pouco antes de fazer sua primeira órbita em torno do planeta vermelho. Mas uma de suas metas era realmente procurar vestígios de marcianos que viveram bilhões de anos atrás.
Eles dificilmente estarão vivos, e mesmo que algum dia tenham existido, nunca tiveram uma civilização. Ainda assim, a malsinada viagem da Mars Observer deixou um sentimento de frustração comparável ao que transmite a história do primeiro parágrafo — enredo da novela As crônicas marcianas, do americano Ray Bradbury, clássica obra-prima da ficção científica. O sentimento é ainda mais forte porque os marcianos reais, caso existam, também são remanescentes de outras eras e fazem milagres para sobreviver num dos mais secos e gélidos ambientes em que se pode conceber a vida.
A lúcida proposta de McKay é que os habitantes de Marte devem ser parecidos com as algas e os liquens que conseguiram se adaptar ao interior do continente antártico, escondidos do frio e da falta de água alguns centímetros abaixo da superfície hostil. “Os nichos do subsolo podem ter preservado a vida muito depois de as condições da superfície terem se tornado inóspitas.” Como na Terra, aquelas minúsculas e primitivas formas vegetais podem ter se desenvolvido há bilhões de anos, quando Marte ainda não era um mundo tão frígido e havia água corrente em sua superfície.
Mais tarde, depois que o planeta perdeu a atmosfera e esfriou, seus organismos podem ter tomado dois rumos: extinção ou adaptação às terríveis condições prevalecentes. Desde 1980, McKay procura elementos para reforçar essa tese. Para isso, ele pesquisa a vida em ambientes análogos aos de Marte, seja nos vales secos da Antártida, ou, mais recentemente, nas regiões árticas da Sibéria. Seu objetivo atual, em termos bem amplos, é investigar se a vida é fruto da própria evolução do sistema solar — em vez de um mero acaso na história da Terra.
O mais importante deles é a camâra de alta resolução, capaz de ver detalhes menores que 250 metros na superfície. Ela teria ampliado formas suspeitas, bem visíveis na face de Marte, que lembram o leito seco de antigos rios ou lagos. “Nosso trabalho na Antártida sugere que os lagos marcianos seriam locais perfeitos para caçar fósseis”, explica McKay. “Lagos cobertos de gelo poderiam ter servido de abrigo para a vida muito depois de o resto da superfície ter se tornado desabitado. Além disso, enterrados sob os sedimentos do fundo de um lago, os fósseis ficariam preservados em ótimas condições.”
Mas a grande imagem da câmara seria a de um vulcão ativo. Ela provaria que em Marte há calor para derreter gelo da superfície e gerar água corrente, e assim sustentar alguma forma de vida. Nesse caso, um segundo instrumento-chave poderia ter entrado em ação: o chamado espectrômetro de emissão de calor, por meio do qual se poderia medir a temperatura do próprio solo. Mais do que isso, ele era capaz de analisar minerais, em eventuais pontos quentes do planeta, e assim verificar se contêm compostos comumente associados a água líquida, como carbonatos, nitratos e outras. O espectrômetro também poderia detectar substâncias ricas em energia química — uma alternativa salvadora à energia luminosa.
A hipótese vigente é que eles vomitaram lava durante 4 bilhões de anos e depois se apagaram. Mas, se ainda estavam ativos há 200 milhões de anos, como sugere o meteorito Shergotty, é razoável supor que o planeta não esteja geologicamente morto. É bom lembrar que a Mars Observer, além dos instrumentos adequados, teria tido tempo bastante para bisbilhotar o menor sinal de vulcanismo. Sua meta era circundar o planeta durante os 687 dias (terrestres) que compõem o ano marciano e vigiar bem de perto o clima do planeta. A começar pelas gigantescas tempestades de areia e pelo vapor de água que se supõe fluir no finíssimo ar, composto basicamente de gás carbônico.
Marte poderia até entrar para o horário nobre da televisão, pois a nave enviaria uma previsão diária de seu tempo — tal como se faz para as cidades e regiões mais importantes da Terra. Embora Marte seja bem conhecido, comparado aos outros planetas, apenas 15% de sua superfície é conhecida em detalhes menores que 250 metros. A Mars Observer deveria ampliar a porcentagem para 100%. A importância da missão pode ser avaliada pela frase do americano James Pollack, um dos mais respeitados cientistas planetários, que antes de a nave se perder antecipou grandes mudanças nas idéias sobre Marte: “Eu ficaria desapontado se isso não ocorrer”.
O desapontamento foi muito maior, pois se deveu ao fracasso total da experiência, e atinge com mais força os 100 pesquisadores que planejaram a missão, durante a década passada, e outros 500 que estariam envolvidos na análise dos seus dados, como relata a revista Science, da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência. A indignação é tanta, na verdade, que talvez o estudo de Marte seja retomado — uma possibilidade distante, mas não descartável. “Eu não estou triste, estou furioso”, explodiu Michael Malin, chefe da equipe que devia operar a câmara de alta resolução.

Imaginários caçadores de naves
Diz a revista inglesa The Economist que a história começou em 1964, quando a sonda soviética Zond 2 tomou o mesmo destino da antecessora Mars 1, dois anos antes, e sumiu nas cercanias de Marte. Nessa época, o americano John Cassini preparava o vôo Mariner 4, e, talvez para aliviar a própria tensão, inventou que o culpado era o Grande Ghoul Cósmico, referência a um monstro da mitologia britânica. Desde então, o Ghoul teria feito outras vítimas até chegar à Mars Observer. Puro sarcasmo, claro. Sua graça decorre da idéia implausível, para dizer o mínimo, de que a Mars Observer teria sido perdida de propósito — para evitar que revelasse uma civilização alienígena supostamente estabelecida em Marte. Sugestão parecida, lembra The Economist, foi feita sobre a nave russa Fobos: a última foto tirada por ela mostraria “algo” tentando alcançá-la. Sarcasmo e excesso de imaginação à parte, o mais provável é que cortes de orçamento e outros problemas administrativos estejam produzindo mais erros do que se poderia esperar. Quem duvida, basta ver a lista da revista americana Science, que contém os desastres americanos apenas no mês em que a Mars Observer emudeceu: três satélites espiões explodiram com o foguete Titan IV, cujo motor já negou fogo duas vezes depois disso; um satélite meteorológico NOAA emudeceu em órbita; o ônibus espacial falhou em três lançamentos sucessivos; e, como resultado do atraso, o telescópio orbital ORFEUS não poderá estudar o mais brilhante dos astros conhecidos como quasares, o 3C 273.

Marte na Terra
O biólogo brasileiro Antônio Batista Pereira não é especialista em assuntos de Marte — mas estuda as criaturas que mais se assemelham aos possíveis marcianos. Veterano de quatro expedições à Antártida, ele conhece bem as áridas paisagens que as chamadas algas criobiontes adotaram como lar — onde a temperatura média anda sempre em torno dos 35 graus negativos e, o que é pior, caem menos de 5 centímetros de água anualmente, três vezes menos que no Deserto do Saara. Ou seja, se existe na Terra um lugar tão hostil para a vida quanto Marte, esse lugar é o interior da Antártida. Portanto, se os marcianos existiram algum dia, eles devem ter se parecido com aquelas algas, primitivas formas vegetais. “Não é absurdo cogitar que Marte tenha sido habitado por algas”, concorda Pereira, que trabalha na Universidade de Santa Cruz do Sul, RS. Ele explica que as criobiontes antárticas não são simples sobreviventes, mas um sucesso evolutivo, pois agrupam nada menos que 460 espécies diferentes. Alojadas alguns centímetros abaixo da superfície, elas usam o gelo como um cobertor, capaz de impedir a entrada do ar gelado, enquanto retém o constante fluxo de calor vindo das entranhas da Terra. Nesse nicho, a temperatura é razoavelmente confortável e poucas vezes cai abaixo de 1 grau negativo. Marte, como qualquer outro planeta, deve ter vísceras quentes, e é possível que, sob a gélida superfície, se encontrem primitivas plantinhas.

A idéia de que Marte já abrigou alguma forma de vida deve-se à hipótese de esse planeta, no passado, não ter sido tão diferente da Terra quanto é hoje. A chave dessa semelhança é o gás carbônico: há cerca de 4 bilhões de anos, ele teria retido calor em quantidade suficiente para que a água fluísse como um líquido na superfície marciana. Foi assim, até onde se sabe, que a vida surgiu na Terra, e é razoável supor que o mesmo tenha acontecido no planeta vermelho. Essa tese pode ser melhor visualizada com ajuda dos gráficos que, no alto e no pé desta página, comparam a evolução dos dois mundos. Publicados pela revista americana Astronomy de setembro passado, eles ilustram, não por acaso, um artigo do cientista planetário Christopher McKay sobre as condições necessárias para que a vida surgisse no planeta vermelho. O pesquisador explica que o gás carbônico vazou em grande quantidade, tanto do interior da Terra como de Marte, logo depois de um pesado bombardeio de meteo-ritos que terminou há 3,8 bilhões de anos. A questão é saber quanto tempo a vida demorou para surgir, depois que a superfície dos planetas começou a esquentar. Na Terra, tudo indica que a explosão vital durou algumas centenas de milhões de anos, o que não é muito, em termos cósmicos. Nesse caso, haveria tempo para que os organismos vivos também se desenvolvessem em Marte, pois seus habitats “líquidos” podem ter durado até 1 bilhão de anos. Depois, o gás carbônico reagiria com a água, formando carbonatos agregados a rochas. Os vulcões, por algum tempo, devolveram parte do gás ao ar, mas em quantidade pequena. Incapaz de elevar a temperatura média acima dos 60 °C negativos (contra 15 °C po-sitivos na Terra). E, possivelmente, incapaz de manter acesa a chama vital que um dia possa ter brilhado.

Uma ordem sem resposta

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Na noite de 21 de agosto passado, a nave Mars Observer chegou ao fim de sua tortuosa jornada de 720 milhões de quilômetros, iniciada na Terra onze meses antes. Nada, até então, indicava que o dispendioso veículo espacial, transportando 120 milhões de dólares em instrumentos científicos, pudesse fracassar nas manobras finais que o colocariam em órbita segura à volta do planeta vermelho. Se ele não fosse desacelerado, passaria direto sobre o pólo norte marciano e possivelmente se perderia rumo ao Sol. Mas, até onde se sabe, apenas a primeira operação de frenagem foi executada com precisão. Conforme previamente determinado, no início daquela noite o computador de bordo desligou os transmissores de rádio. Nunca isento de risco, esse procedimento era necessário para proteger os transmissores da pequena explosão que viria a seguir, cuja função era abrir as válvulas que injetavam gás e pressurizavam os tanques de combustível. Ou seja, ela dava o passo inicial para se acionarem dois dos quatro motores da nave e assim reduzir sua velocidade. É impossível dizer se isso foi feito. O computador de bordo estava preparado para realizar, por conta própria, todas as manobras necessárias. Mas, como os transmissores de rádio não voltaram a funcionar, ninguém sabe o que aconteceu, nem onde foi parar a infortunada viajante.

7995 – Aquecimento global vai intensificar turbulência em voos


Apertem os cintos: o aquecimento global deve dobrar a ocorrência de turbulência de céu claro nas viagens aéreas.
Além de mais frequentes, esses sacolejos causados por variação de velocidade de correntes de ar –menos comuns do que a turbulência ligada a tempestades– devem ficar mais intensos até a metade deste século.
Um trabalho, publicado na revista “Nature Climate Change”, usou um supercomputador para simular a ocorrência de eventos atmosféricos em diferentes cenários climáticos e, assim, estimar o impacto das temperaturas elevadas sobre as turbulências.
O grupo identificou que o incremento na frequência pode ficar entre 40% e 170%. Mas o cenário mais provável é que a quantidade de tremores aéreos dobre até a metade deste século –quando, de acordo com projeções, a temperatura terá se elevado em até 2º C e a concentração de CO2 na atmosfera será duas vezes maior do que a do período pré-industrial.

“As variações de temperatura causadas pelo CO2 estão aumentando a velocidade das correntes de ar atmosférico”, explica o climatologista Paul Williams, principal autor do trabalho. “As mudanças climáticas estão acelerando as correntes de ar e levando a mais instabilidade nos voos.”
O trabalho se concentrou na região do Atlântico Norte, mas seus resultados podem valer para outras partes do globo, apesar de haver ainda muitas incertezas.

O sacolejo aéreo danifica as aeronaves, atrasa voos, aumenta os custos de manutenção e pode ferir a tripulação e os viajantes. A pesquisa estima o custo anual disso em US$ 150 milhões (cerca de R$ 300 milhões).
A boa notícia é que, nas próximas décadas, muita coisa pode evoluir na tecnologia aeroespacial. “Até a metade do século já será possível detectar esse tipo de turbulência [de céu claro]”, conta o coordenador da comissão de segurança de voo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.

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