7989 – Astrofísica – O Enigma dos Raios Cósmicos


Já se sabe desde a década de 30 que a atmosfera terrestre é constantemente bombardeada do espaço por partículas atômicas com imensa energia. Muitas delas são prótons e elétrons ejetados pelo Sol, mas a maior parte tem origem ainda desconhecida. Sabe-se apenas que, ao colidir com os átomos do ar, no topo da atmosfera, essas partículas geram centenas e às vezes milhares de outras – jogando um chuveiro de estilhaços sobre a superfície da Terra. Todas essas novas partículas brotam da energia do minibólido que vem do espaço. O que acontece é uma demonstração eloqüente da fórmula mais famosa de Einstein, segundo a qual energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado. Ou seja, a energia do bólido se transforma na massa de outros bólidos.
Na década de 60, descobriu-se que alguns raios têm 10 trilhões de vezes mais energia do que a média. Tanto que o chuveiro de estilhaços de uma única partícula, quando chega ao solo, se espalha por uma superfície de mais de 10 quilômetros quadrados. Para analisá-las um grupo de astrônomos liderados pelo americano James Cronin, da Universidade de Chicago, começou a construir um observatório gigante nos Andes argentinos, 1 500 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires. Seus detectores serão distribuídos por uma área de 3 000 quilômetros quadrados – seis vezes maior que a de um pequeno país como Granada, no Caribe. Com isso se pretende descobrir a natureza exata e a origem dos super-raios cósmicos.

Os jatos de luz não são OVNIs
Robert Roussel-Dupré, do Laboratório Nacional de Los Alamos, Estados Unidos, tem uma nova explicação para os enigmáticos jatos luminosos observados por astronautas e pilotos de avião. Segundo o cientista, tudo é causado por saraivadas de raios cósmicos sobre regiões de temporal carregadas de eletricidade. Raios cósmicos são partículas minúsculas que entram na atmosfera terrestre, quase à velocidade da luz. Segundo Roussel-Dupré, o fenômeno explica outro mistério: como surgem as ondas de rádio e raios gama, a mais violenta forma de radiação, que sobem dessas regiões para o espaço.