7990 – Evolução – Nosso ancestral era um micróbio?


Por volta de 4 bilhões de anos atrás, a superfície da Terra era um inferno horroroso, assolado por centenas de vulcões ativos e bombardeado por grandes meteoros. Mas isso não impediu que os micróbios aparecessem. Segundo a hipótese mais aceita, eram seres infernais: habitavam fendas fumegantes, por onde jorrava vapor de água carregado de sais minerais. Alimentados pelo caldo forte e aquecidos pelo forno interior da Terra, aqueles seres não precisaram da energia do Sol para viver, ao contrário da grande maioria dos seus sucessores.
Bem recentemente, em 1977, foram descobertos micróbios subterrâneos bem parecidos — e bem vivos. São bactérias: os termófilos (se aguentam bem até 80°C) ou hipertermófilos (chegam aos 110°C). No final do ano passado, descobriu-se mais. Que a quantidade desses amigos do calor é tão grande que, em peso, pode ser maior do que a de todos os outros animais e plantas somados. A descoberta foi pura lenha na fogueira e inflamou ainda mais a hipótese de que nossos ancestrais biológicos ferviam. Os herdeiros encontrados seriam as provas candentes da existência dos antepassados.
Foi então que o microbiologista Paul Forterre, da Universidade Paris-Sul, ao lado de alguns outros cientistas, teve a coragem de desafinar o coro acalorado.
“O ancestral universal deve ter sido muito diferente das células atuais. No modelo que eu proponho, o ancestral universal teria sido um mesófilo (que gosta de temperaturas de cerca de 40°C).”

O maior desafio na busca do micróbio (definido como qualquer organismo mil vezes menor que um milímetro) fundamental é achar um tronco para a árvore genealógica de todos os seres, dos insetos às baleias azuis, passando pelas famílias de cada um de nós. São conhecidos três grandes galhos: o das bactérias, o das arqueobactérias e o dos eucariotas. As duas primeiras são bastante semelhantes entre si. Seu organismo é uma célula pequena e sem órgãos internos, nem núcleo nem nada. Por isso, parecem primitivas.
Os eucariotas, o terceiro galho, seriam uma ramificação mais recente. Suas células, de fato, são maiores e têm diversos órgãos internos, como o núcleo — uma bolha de gordura onde os genes ficam guardados. Muitos eucariotas são unicelulares, como as algas, as amebas e os protozoários (um protozoário conhecido é o tripanossoma, causador do mal de Chagas). Mas há os eucariotas multicelulares. Você, que está com essa revista na mão, é um eucariota. A minhoca também é, como todos os animais e plantas.
Foi a partir dessa árvore de três galhos que se chegou a hipótese do ancestral mais tórrido. Por sua simplicidade, as bactérias e arqueobactérias parecem ser as mais primitivas. Além do quê, são amigas do calor. Outro ponto a favor: os fósseis mais antigos já encontrados, com 3,5 bilhões de anos, têm os traços gerais das bactérias, enquanto os primeiros rastros dos eucariotas aparecem há apenas 2 bilhões de anos. Mas a tese pegou fogo mesmo quando passaram a surgir, recentemente, novas descobertas de termófilos e hipertermófilos (bactérias das altas temperaturas, de até 110 graus) habitando as profundezas da terra, muitas vezes embaixo do fundo dos oceanos.
Todos os meses, praticamente, surge um novo representante da escaldante fauna. Em 1994, o microbiologista ambiental Daniel Boone, do Oregon Graduate Institute, de Portland, Estados Unidos, encontrou montanhas de bactérias enterradas sob mais de 3 quilômetros de rochas. Uma delas, apropriadamente batizada Bacillus infernus, é inquilina das fendas de pedra a 60°C.

O planeta é dos micróbios. Eles estão na Terra há mais de 4 bilhões de anos; os humanos (Homo erectus) chegaram há 2 milhões de anos, se tanto. Uma idade duas mil vezes menor. Mesmo juntando todos os animais, dos menores vermes às baleias azuis, nenhum está aqui há mais de 500 milhões de anos, quase um décimo da idade dos micróbios. Numa árvore genealógica de todos os seres, o conjunto completo dos animais é um único ramo, e o conjunto das plantas ocupa mais um. São dois ramos num dos três galhos da árvore, o galho dos eucariotas. Todos os outros vinte ramos da árvore são propriedade dos micróbios.

A célula única …
Há 3 bilhões de anos, bactérias inumeráveis cobrem a paisagem como grossas mantas coloridas. A luz já conseguia passar através dos gases ejetados pelos vulcões. A atmosfera não tinha ainda oxigênio, que só iria aparecer, como uma secreção de certas bactérias, 1 bilhão de anos depois. O ar continha vapor de água, nitrogênio e gás carbônico.
Ocupando sozinhos o planeta por quase 3 bilhões de anos, os micróbios de repente têm de abrir espaço para os organismos com mais de uma célula e de corpo mole. Um pouquinho mais tarde, há 500 milhões de anos, os animais de casca e outras partes duras explodem com os contornos mais estranhos. Era uma festa de modelos de corpos, uma fartura de formas como nunca mais se viu.
Há 300 milhões de anos, os peixes já haviam se desenvolvido e os répteis conquistavam a terra firme. Os ossos chegavam ao planeta, dando sustentação interna aos organismos. As plantas, que haviam evoluído a partir das algas, completavam a paisagem. As primeiras plantas ainda não tinham flores, que são órgãos sexuais das espécies mais avançadas.
Com os dinossauros, o predomínio dos répteis chega ao auge. Os seres que começaram essa história, mil vezes menores que 1 milímetro, se tornaram imensas massas de carne, com 30 metros de altura. Eram exuberantes, mas foram efêmeros. O seu reinado não chega a durar 5% da idade da Terra (que é de 4,6 bilhões de anos). O dos micróbios havia durado 88%.
Últimos 100 milhões de anos. Pouco antes, a natureza vinha fazendo experiências com animais parecidos com os répteis, mas de um novo tipo. Eram os antecessores dos mamíferos. No princípio, suas populações eram insignificantes, mas eles evoluem com rapidez a partir de 65 milhões de anos atrás, com o repentino desaparecimento dos dinossauros.
De acordo com a microbiologista americana Lynn Margulis, a Terra, na verdade, nunca deixou de ser dos micróbios. Ela sustenta que todos os animais complicados não passam de associações de micróbios. Até o homem, com todo o respeito. O nosso corpo, tal como existe no Homo sapiens há 200 000 anos, seria a forma suprema da aventura existencial desses seres microscópicos.

Opiniões:

Um dos responsáveis pelo debate atual a respeito do mais antigo ancestral de todos os micróbios é o professor Carl Woese. Ele descobriu, na década de 70, o que hoje se considera uma classe inteiramente nova de microorganismos, as chamadas arqueobactérias. Comparáveis às bactérias tradicionais, elas são enigmáticas porque também têm traços que lembram os da terceira grande classe de micróbios, os eucariotas. Nem todos admitem essa divisão tripartite (bactérias, arqueobactérias e eucariotas), que substituiu a divisão em duas classe apenas (bactérias e eucariotas). Mas ela já é muito importante para ser ignorada.
Estão entre as arqueobactérias alguns dos mais extremados hipertermófilos (micróbios muito amigos do calor). Eles não ligam para temperaturas de 110°C. Favorecem a idéia de que a vida começou mesmo pegando fogo.

“Toda a química que conhecemos sobre a origem da vida sugere que ela começou em baixa temperatura”.

Stanley Miller, Universidade da Califórnia

Miller é o que se chama uma lenda. Em 1953, na Universidade de Chicago, ele aplicou descargas elétricas numa mistura de metano, vapor de água, hidrogênio e amoníaco, e transformou essas moléculas triviais em aminoácidos, substâncias básicas para o metabolismo das células.
Mostrou que, sob as condições certas, a matéria inanimada podia gerar as peças fundamentais para o funcionamento dos seres. Essa revolução aconteceu na Terra, há bilhões de anos, e repeti-la no laboratório tem sido um sonho dourado do homem. Miller ainda não chegou lá, mas vem acumulando informações preciosas. O dado mais atual, que ele divulgou no ano passado, contradiz os argumentos de que vida precisaria de centenas de milhões de anos para brotar: “Nossos cálculos mostram que 10 milhões de anos são mais do que suficientes.”

7989 – Astrofísica – O Enigma dos Raios Cósmicos


Já se sabe desde a década de 30 que a atmosfera terrestre é constantemente bombardeada do espaço por partículas atômicas com imensa energia. Muitas delas são prótons e elétrons ejetados pelo Sol, mas a maior parte tem origem ainda desconhecida. Sabe-se apenas que, ao colidir com os átomos do ar, no topo da atmosfera, essas partículas geram centenas e às vezes milhares de outras – jogando um chuveiro de estilhaços sobre a superfície da Terra. Todas essas novas partículas brotam da energia do minibólido que vem do espaço. O que acontece é uma demonstração eloqüente da fórmula mais famosa de Einstein, segundo a qual energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado. Ou seja, a energia do bólido se transforma na massa de outros bólidos.
Na década de 60, descobriu-se que alguns raios têm 10 trilhões de vezes mais energia do que a média. Tanto que o chuveiro de estilhaços de uma única partícula, quando chega ao solo, se espalha por uma superfície de mais de 10 quilômetros quadrados. Para analisá-las um grupo de astrônomos liderados pelo americano James Cronin, da Universidade de Chicago, começou a construir um observatório gigante nos Andes argentinos, 1 500 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires. Seus detectores serão distribuídos por uma área de 3 000 quilômetros quadrados – seis vezes maior que a de um pequeno país como Granada, no Caribe. Com isso se pretende descobrir a natureza exata e a origem dos super-raios cósmicos.

Os jatos de luz não são OVNIs
Robert Roussel-Dupré, do Laboratório Nacional de Los Alamos, Estados Unidos, tem uma nova explicação para os enigmáticos jatos luminosos observados por astronautas e pilotos de avião. Segundo o cientista, tudo é causado por saraivadas de raios cósmicos sobre regiões de temporal carregadas de eletricidade. Raios cósmicos são partículas minúsculas que entram na atmosfera terrestre, quase à velocidade da luz. Segundo Roussel-Dupré, o fenômeno explica outro mistério: como surgem as ondas de rádio e raios gama, a mais violenta forma de radiação, que sobem dessas regiões para o espaço.

7988 – Geografia – A Ilha das Focas


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É uma pequena ilha localizada a uma distância de aproximadamente 6,1 km (3,7 milhas) das praias do norte da Baía Falsa que por sua vez situadas a aproximadamente 34,9 km (21,6 milhas) da área financeira da Cidade do Cabo na província do Cabo Ocidental na África do Sul. A ilha é assim denominada porque é muito densamente povoada por focas do cabo.
A Ilha das Focas é também conhecida pela intensa atividade predatória que acontece no inverno quando os tubarões migram para a ilha para se alimentar de focas e pela técnica usada pelos tubarões da área, eles saltam para fora d’água para capturar suas presas. A predação dos tubarões acontece com mais intensidade dentro de um “anel da morte” de aproximadamente 3 quilômetros de diâmetro.

7987 – Automóvel – Máquina Mortífera 2


Em uma nublada manhã de dezembro de 1918, enquanto dezenas de tanques americanos esmagavam a infantaria alemã, no norte da França, o então major George Patton, disse a um ajudante: — As guerras nunca mais serão as mesmas; nenhum humano é páreo para um carro de combate! O que ele não sabia é que sua previsão extrapolaria os limites bélicos. Terminada a Primeira Guerra Mundial, os Fords e outros primos aparentemente pacíficos dos tanques começariam uma batalha silenciosa, que vinte anos depois já estava matando 40000 pessoas por ano, apenas nos Estados Unidos.
O próprio George Patton se tornaria vítima dela. Poucos dias após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mais audacioso general americano havia escapado das balas e morteiros, mas não suportou a violência de um choque de seu jipe contra a traseira de um caminhão. Americano, diga-se de passagem. Ninguém era realmente páreo para os automóveis e seus pilotos. E nem precisavam de canhões ou metralhadoras: os chamados veículos automotores transformavam-se em armas letais por simples imposição das leis dá Física. Por serem relativamente pesados e velozes, carros, motos, ônibus e caminhões fogem ao controle do motorista com muito mais facilidade do que se imagina. Tal fato se deve à lei da inércia, enunciada há 300 anos pelo inglês Isaac Newton: quanto maior é a massa, mais força se emprega para movê-la ou para fazê-la parar. Para mover um carro, existem os motores.
E como fazê-lo parar? Do ponto de vista da Física, bastaria bater em um poste, ônibus ou outro obstáculo qualquer. Mas essa alternativa é exatamente o que não se quer. Nesse caso, ocorre uma desaceleração repentina, em milésimos de segundo. Obedecendo à lei da inércia, os passageiros são arremessados violentamente contra as paredes do veículo, como ocorreu com o general Patton. Para reduzir a velocidade de um carro sem prejudicar seus ocupantes, é preciso usar uma força controlada, que não cause uma parada brusca. A solução física para essa charada é o atrito. Ele age por meio dos freios, que aplicam forças gradativas nas rodas, diminuindo sua rotação. Também age nos pneus, que usam o chão como ponto de apoio. Aliás, o atrito dos pneus com o solo — a chamada aderência — também deve existir para que o carro comece a se movimentar.

Quem já viu uma largada de Fórmula 1 na chuva, deve ter percebido o quanto as rodas giram em falso, derrapando sobre a água. Isso ocorre por falta de aderência. O desafio do motorista no dia-a-dia é ter aderência suficiente para combater a inércia que puxa o automóvel para a frente, numa freada, ou para fora da pista, em uma curva. Isso já foi mais fácil. O primeiro automóvel comercial, por exemplo, construído pelo alemão Karl Benz, em 1886, não ultrapassava 16 quilômetros por hora (km/ h), o que tornava a inércia um inimigo fácil de vencer. Mas, com o tempo, o automóvel deu saltos em quantidade e qualidade. Nas primeiras duas décadas do século, o aperfeiçoamento do motor a explosão permitiu multiplicar sua velocidade por três, passando à casa dos
50 km/h. Na época da Segunda Guerra Mundial, os carros já ultrapassavam os 100 km/h e a corrida desenfreada prosseguiu até a década de 70, quando se refreou um pouco. É evidente que tal ousadia teria um preço — e ele é bem maior do que parece.
Um exemplo ajuda a entender o motivo, diz um jovem engenheiro mecânico e especialista em automóveis que ensina os segredos de como projetá-los na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo, São Paulo. Imaginem-se os ônibus urbanos. Eles são projetados para trafegar a pouco mais de 50 km/h e o espaço necessário para que eles consigam parar totalmente é pouco mais de 30 metros, em condições ideais. Quando chegam a 100 km/h, no entanto, a distância entre o começo e o fim da freada ultrapassa os 100 metros. A proporção parece estranha, pois se a velocidade dobrou, seria normal supor que a freada demandasse o dobro do espaço — 60 m.
E não mais de 100 m, como demonstram os testes. A explicação é que o trabalho dos freios não depende apenas da velocidade, mas da energia cinética do veículo, uma grandeza física cujo valor sobe assustadoramente conforme se pisa no acelerador. Não é importante lembrar a fórmula para se calcular a energia cinética (a mesma que se aprende nas aulas de Física do colegial). Basta saber que, quando a velocidade dobra, a energia cresce quatro vezes. Por isso se um ônibus acelera de 50 para 100 Km/h sua energia cinética passa de 900 000 joules para 3,6 milhões de joules. Em conseqüência, o espaço necessário para frear também cresce mais que a velocidade.
Tal e qual os tanques de guerra do general Patton. “Ônibus e carros em alta velocidade são absurdos que encontramos no dia-a-dia”, diz o engenheiro. Sua indignação é típica de quem já viu a morte de perto, na guerra entre máquina e homens.

Ex-piloto de carro de corrida da categoria hot cars, ele participou de um acidente múltiplo na pista encharcada de Interlagos, em 1987. Milagrosamente sem nenhum arranhão, Bock não ficou livre de cicatrizes de outra ordem. Um de seus melhores amigos acabou morrendo no desastre, fato que mudaria sua vida. “Depois disso, parei de correr e passei a me interessar cada vez mais pela segurança.” Acidentes em pista molhada revelam as armadilhas da derrapagem. A força de aderência que neutraliza a inércia e segura o carro na pista depende da capacidade dos pneus de “grudarem” no asfalto, o chamado coeficiente de atrito. Quanto maior o coeficiente de atrito, menor a possibilidade de escorregamento. No asfalto seco das ruas brasileiras, ele vale cerca de 0,8 para pneus em bom estado. Mas para pneus carecas rodando na chuva o valor diminui drasticamente, às vezes para 0,2. Para contrabalançar, é preciso reduzir a inércia, baixando a velocidade.

Qualquer um sabe que é mais fácil empurrar uma poltrona vazia do que outra com uma pessoa sentada. A razão é que a força normal nos pés da cadeira ocupada é muito maior, possibilitando ao coeficiente de atrito agir plenamente. O mesmo ocorre no automóvel. Quando passa em um buraco, por exemplo, as molas da suspensão reagem ao impacto jogando o carro para cima. Se não existissem amortecedores para disciplinar essa reação, as rodas tenderiam a decolar, como se por um instante o carro perdesse peso. Isso reduziria a força normal e, conseqüentemente, a aderência à pista, aumentando as chances de derrapar. Essas reformas adequaram a máquina-carro ao novo mundo da alta velocidade. Era preciso ainda integrar uma peça chave do sistema — o próprio homem. Sua percepção tinha que ser cada vez mais auxiliada, para que pudesse reagir em tempo hábil. Em 1927 as primeiras luzes de freio começavam a ser instaladas nos carros que saíam de fábrica nos Estados Unidos, como forma de avisar o motorista de trás que o veiculo da frente estava em franca desaceleração. Esse opcional se tornaria obrigatório nos anos seguintes e sua importância cresceria proporcionalmente com a velocidade.

Nos últimos anos a eficiência desses dispositivos defensores da retaguarda automotiva foi reiterada, com a invenção da lanterna de freio elevada — conhecida no Brasil pelo nome de brake light. Testes realizados nos Estados Unidos com mais de 7 000 carros mostraram que houve diminuição de 53% nas colisões traseiras entre os que passaram a usar essa terceira luz, instalada no vidro traseiro. Isso ocorre porque reduz o tempo que o motorista de trás leva para perceber o risco, conferindo a ele mais espaço para frear ou desviar. “Uma pessoa sóbria e atenta leva 2 décimos de segundo para reagir a um bom estímulo visual. Mas em condições opostas, esse tempo aumenta quase nove vezes”, explica Gilberto Lehfeld. Isso pode acontecer, por exemplo, à noite, se as luzes de freio do veículo estiverem queimadas. É o brake light às avessas, uma armadilha muito comum nas ruas brasileiras. A 80 km/h, um único segundo a mais no tempo de reação representa 20 metros percorridos pelo carro antes de parar. As chances de colisão aumentam muito. E o que é pior: o motorista de trás quase sempre é responsabilizado, pois a prova de sua inocência — as luzes de freio inoperantes do veículo à frente — são destruídas na batida. Mesmo com freios, pneus, amortecedores e sinalização em bom estado, ninguém está livre de acidentes.
A verdadeira função de um encosto de cabeça é proteger o pescoço durante as colisões traseiras, quando a cabeça se comporta como um “joão-bobo·, balançando freneticamente. Um impacto traseiro a meros 28 km/h causa movimentos de até 120 graus no pescoço dos passageiros do carro da frente. Tudo em um décimo de segundo. “Com o encosto, esse ângulo não chega a 30 graus. As probabilidades de lesão na coluna cervical se reduzem consideravelmente”, explica Assaf. A batalha contra os efeitos potencialmente letais da física dos carros esta longe de se encerrar. Para dar apenas uma idéia daquilo que pode se tornar comum nos carros do futuro, vale a pena citar as air bags, já usadas em alguns modelos mais caros. São bolsas de ar que se inflam em menos de 20 milésimos de segundo após uma batida, e evitam choques dos passageiros contra o painel.

A batalha das curvas
A força centrífuga que puxa o carro para fora é combatida pela aderência — o produto da força normal pelo coeficiente de atrito dos pneus.
Defeito na pista: o pneu decola. Sem contato com o solo, a força normal desaparece e, portanto, perde-se aderência.
Alta velocidade: o centrífuga cresce exponencialmente e supera a aderência, mesmo que a força normal e o coeficiente de atrito sejam altos.
Condições normais: força normal e coeficiente de atrito se multiplicam, resultando em uma força de aderência suficiente para anular a centrífuga.
Pista inclinada: o carro derrapa pois parte de seu peso passa a ajudar a centrífuga, deixando de lado a força normal.
Pista molhada e pneus carecas: o coeficiente de atrito cai muito, reduzindo a aderência A centrífuga ganha a parada e o carro derrapa.
Arremessar dezenas de automóveis novos em alta velocidade contra uma parede rígida era, até o começo da década de 80, a única forma para saber se eles atendiam as normas de segurança. A invasão dos computadores — com os programas de simulação dinâmica, criados originalmente para a indústria de armas — deu um basta nesse método perdulário e vagaroso. “Entre um teste e outro, o computador permite mudar rapidamente as dimensões e os materiais de qualquer parte do carro”, explica o engenheiro Wellington Ortiz Jr., diretor da Engeware, uma empresa de São Bernardo do Campo SP. Ele é o responsável pelos crash tests eletrônicos de vários veículos fabricados no país. Num deles, a cabine de um caminhão teve que sofrer doze modificações até chegar ao ponto ideal, após sete meses de trabalho .

Se fossem usados apenas testes de campo. o tempo seria de seis anos. “E por isso que os japoneses conseguem colocar um carro à venda em menos de dois anos, contra a média tradicional de pelo menos cinco anos”. Esse recurso não é inteiramente novo, pois se baseia na conhecida teoria dos elementos finitos — divide-se um sólido em pedaços bem menores para descobrir como as forças agem em cada pedaço; depois, a soma de cada parte dá a força sobre o sólido inteiro. Na prática, só se pôde fazer a soma depois que surgiram os supercomputadores.

Hoje, bastaria um arcaico microcomputador PC-486 para simular desde a resistência de uma roda até a do carro inteiro. Os testes tradicionais ainda são usados, mas seu número se reduziu à metade. Cabem às batidas simuladas a importante tarefa de verificar eventuais falhas no material, como bolhas ou microfissuras decorrentes da prensagem das peças — coisa que nem o melhor computador é capaz de prever. Pelo menos por enquanto.

7986 – Dirigível – Um Zeppelin Solar


O dirigível em questão não usa combustível e não polui: ele é movido à energia solar. Produzido pelo professor americano Daniel Geery, de maneira caseira e por menos de mil dólares, o zeppelin já foi chamado por aí de preservativo para King Kong. A cápsula voadora é preenchida com gás hélio, tem cerca de 7 metros e consome cerca de 28 watts de energia. Muito rápido o dirigível não é. Geery diz que é difícil estimar a velocidade, mas acredita ser algo em torno de 32 km/h. O modelo ainda precisa ser bastante aprimorado até que vejamos um dirigível como esse cruzando o Atlântico…
Uma das importantes lições disso tudo é que a invenção do professor mostra que há inúmeras pesquisas e investimentos que precisam ser feitos para que meios de transporte modernos e não poluentes estejam nas ruas – e também no céu. Como Geery disse: “se um professor elementar como eu pode fazer isso acontecer, ponderarmos o que nosso país (Estados Unidos) poderia ter feito até agora se nos esforçássemos ”. Mas nem mesmo assinar o Protocolo de Kyoto eles assinam…

7985 – Religião – O que é o Animismo?


É uma das religiões que considera que animais, plantas e tudo o que existe tem alma, assim como o homem. Se expressa por uma visão espiritual integrada do indivíduo com a Natureza.
Primeiras manifestações religiosas do planeta, os credos animistas ainda hoje estão presentes sobretudo em comunidades indígenas e tribos da América, África e Oceania. Além da crença na presença da alma em todos os seres, tais comunidades se caracterizam pelo culto aos antepassados e pela vida social atralada à religiosa. Em geral, o líder espiritual é um dos chefes da tribo.
O termo surgiu somente em 1871, quando o antropólogo inglês Edward Taylor usou a palavra animus, alma em latim, para classificar a religião desses povos ancestrais, que tenderia a desaparecer, segundo ele. Sua teoria era a de que com o tempo, tais comunidades se tornariam politeístas
e por fim, monoteístas. Mas, o que se viu foi que as crenças animistas se mantiveram vivas, pelo menos até hoje.

7984 – Curiosidades – Prisão: Deu para colocar a leitura em dia


A mais longa pena na história foi cumprida pelo americano Paul Geidel, que passou exatos 68 anos e 245 dias na prisão. Foi condenado em 1911, pelo assassinato de um dos hóspedes do hotel em que trabalhava como carregador. Cumpriu a pena na Penitenciária de Beacon, em Nova York. Foi solto no dia 7 de maio de 1980, aos 85 anos de idade.

Suicídio
A Lituânia é o país que detém uma triste marca: a maior taxa de suicídios no mundo. São 42 suicídios por ano para cada 100 000 habitantes. Desde 1992, essa ex-república soviética lidera o ranking mundial de mortes por suicídio. Na outra ponta, a Jordânia, país do Oriente Médio localizado próximo a regiões explosivas, como o Iraque, tem o menor índice, com média de 0,08 suicídio para cada 100 000 habitantes. Os números foram levantados pela Anistia Internacional.

País de iletrados
Localizada no centro-oeste da África, Níger é o país com a maior taxa de analfabetismo do planeta. De acordo com a ONU, 83,4% da população, de 11 milhões, segundo estimativa de 2003, é analfabeta. O país apresenta também uma das mais baixas taxas de expectativa de vida: 42,9 anos.

7983 – Banditismo – Qual a organização criminosa mais lucrativa do mundo?


PCC é fichinha…
A organização criminosa mais lucrativa do mundo é a Máfia, com um faturamento estimado em 200 bilhões de dólares por ano. Esse valor foi estimado por Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, em 1997, quando ainda era procurador federal. Desse montante, sobrariam cerca de 75 bilhões de dólares de lucro. Foram considerados somente os braços italiano e americano da Máfia, que contam com 5 000 membros, divididos em 25 famílias.
A designação “Máfia” nasceu na região da Sicília, na Itália. Era um grupo de proteção à sociedade durante a ocupação da Espanha na região, em 1282. A Máfia mesclava atividades legais e ilegais, como extorsão, comércio de bebidas alcoólicas proibidas, prostituição e jogos de azar.

Os campeões da degola
A maior taxa per capita de execução de condenados à pena de morte pertence a Cingapura, no sudoeste da Ásia. Em 2003, foram executadas 70 pessoas (de uma população de 4 milhões de habitantes), de acordo com dados da Anistia Internacional. A maioria dos condenados havia sido presa por tráfico ou consumo de drogas. Cerca de 30% dos executados eram estrangeiros.

7982 – Mega Polêmica – Casamento Gay, avanço ou retrocesso?


Casamento gay ou casamento homoafetivo é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo biológico ou da mesma identidade de gênero. Os defensores do reconhecimento legal de casamento do mesmo sexo geralmente se referem ao seu reconhecimento como casamento igualitário.
Desde 2001, onze países permitem que pessoas do mesmo sexo se casem em todo o seu território: Argentina, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega, Países Baixos, Portugal, Espanha, África do Sul e Suécia. Casamentos desse tipo também são realizados no estado brasileiro de Alagoas, e reconhecidos em todo o Brasil; na Cidade do México, e reconhecidos em todo o México; e também são realizados em alguns estados dos Estados Unidos. Algumas das jurisdições que não realizam os casamentos homossexuais mas reconhecem os que forem realizados em outros países, são: Israel, os países caribenhos pertencentes ao Reino dos Países Baixos, partes dos Estados Unidos e todos os estados do México. A Austrália reconhece casamentos do mesmo sexo apenas se um dos parceiros mudar seu sexo depois do casamento. Em 2012, havia propostas para introduzir o casamento homossexual em pelo menos dez outros países.
A introdução do casamento do mesmo sexo tem variado em cada jurisdição, resultante de alterações legislativas às leis matrimoniais, julgamentos com base em garantias constitucionais de igualdade, ou uma combinação dos dois fatores. Em alguns países, a permissão de que casais do mesmo sexo se casem substituiu o sistema anterior de uniões civis ou parcerias registradas. O reconhecimento de tais casamentos é uma questão de direitos civis, política, social, moral e religiosa em muitos países. Os principais conflitos surgem sobre se os casais do mesmo sexo devem ser autorizados a contrair matrimônio, serão obrigados a usar um estatuto diferente (como a união civil), ou não têm quaisquer desses direitos. Uma questão relacionada é se o termo casamento deve ser aplicado.

Argumentos pró
Um argumento a favor de casamento homossexual é que negar aos casais do mesmo sexo o acesso ao matrimônio e a todos os seus benefícios legais conexos representa uma discriminação baseada na orientação sexual; várias organizações científicas dos Estados Unidos concordam com essa afirmação.
Outro argumento em apoio ao casamento homossexual é a afirmação de que o bem-estar financeiro, psicológico e físico são reforçados pelo casamento e que filhos de casais do mesmo sexo podem se beneficiar de serem criados por dois pais dentro de uma união legalmente reconhecida e apoiada por instituições da sociedade.
Documentos judiciais movidos por associações científicas americanas também afirmam que manter homens e mulheres homossexuais como inelegíveis para o casamento tanto os estigmatiza quanto impulsiona a discriminação pública contra eles.
A Associação Americana de Antropologia assevera que as pesquisas em ciências sociais não apoiam a visão de que a civilização ou ​​ordens sociais viáveis dependam do não reconhecimento do casamento homossexual.
Outros argumentos para casamento do mesmo sexo são baseados no que é considerado como uma questão de direitos humanos universais, preocupações com a saúde física e mental, igualdade perante a lei e o objetivo de normalizar as relações LGBT. Al Sharpton e vários outros autores atribuem a oposição ao casamento do mesmo sexo como proveniente da homofobia ou do heterossexismo e comparam tal proibição sobre o casamento homossexual com as antigas proibições aos casamentos inter-raciais. Em uma entrevista à Robin Roberts, da ABC News em 9 de maio de 2012, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou seu apoio ao casamento homossexual, tornando-se o primeiro presidente americano a fazê-lo.

Registros históricos
A primeira menção histórica da realização de casamentos do mesmo sexo ocorreu durante o início do Império Romano. Por exemplo, relata-se que o imperador Nero envolveu-se em uma cerimônia de casamento com um de seus escravos. O imperador Heliogábalo era “casado” com um escravo chamado Hiérocles.
Note-se, no entanto, que o conubium existia apenas entre um Romanus Civis e uma Romana Civis (isto é, entre um cidadão romano do sexo masculino e uma cidadã romana), de modo que um casamento entre dois homens romanos (ou com um escravo) não tinha legitimidade jurídica no direito romano (com exceção, provavelmente, a partir da vontade arbitrária do imperador nos dois casos mencionados acima).

No mundo…
Em 2001, os Países Baixos tornaram-se o primeiro país do mundo a conceder o direito ao casamento aos casais do mesmo sexo. Desde então, casamentos homossexuais também foram concedidos e mutuamente reconhecidos pela Bélgica (2003),[39] Espanha (2005), Canadá (2005), África do Sul (2006), Noruega (2009), Suécia (2009), Portugal (2010),[40] Islândia (2010) e Argentina (2010). No México, o casamento do mesmo sexo é reconhecido em todos os 31 estados, mas apenas é realizado na Cidade do México. No Nepal, o seu reconhecimento foi judicialmente reconhecido, mas ainda não legislado. Em 2012, cerca de 250 milhões de pessoas (ou 4% da população mundial) vivem em áreas que reconhecem o casamento homossexual.

No Brasil
Em 5 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal, na ocasião do julgamento da ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade) nº 4277 e da ADPF (Arguição de descumprimento de preceito fundamental) nº 132 reconheceu, por unanimidade, a união estável entre pessoas do mesmo sexo em todo o território nacional. A decisão da corte maior consagrou uma interpretação mais ampla ao artigo 226, §3º da Constituição Federal (“Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.”), de modo a abranger no conceito de entidade familiar também as uniões entre pessoas do mesmo sexo. O julgamento levou em consideração uma vasta gama de princípios jurídicos consagrados pela Constituição como direitos fundamentais, dentre eles: a igualdade, a a liberdade e a proibição de qualquer forma de discriminação.

O que diz a Ciência
A Associação Americana de Psicologia declarou em 2004:

A instituição do casamento civil confere um estatuto social e importantes benefícios legais, direitos e privilégios. […] Casais do mesmo sexo não têm acesso igual ao casamento civil. […] Casais do mesmo sexo que entram em uma união civil não têm acesso igual a todos os benefícios, direitos e privilégios previstos por lei federal para casais. […] Os benefícios, direitos e privilégios associados a parcerias domésticas não estão universalmente disponíveis, não são iguais aos associados com o casamento e raramente são mantidos. […] A negação do acesso ao casamento a casais do mesmo sexo pode prejudicar principalmente as pessoas que também sofrem discriminação com base em idade, raça, etnia, deficiência, gênero e identidade de gênero, religião e situação socioeconômica […] a APA acredita que é injusto e discriminatório negar aos casais do mesmo sexo o acesso legal ao casamento civil e a todos os seus benefícios, direitos e privilégios conexos.

A Associação Sociológica Americana declarou em 2004:

[…] uma emenda constitucional definindo o casamento como algo entre um homem e uma mulher intencionalmente discrimina gays e lésbicas, assim como seus filhos e outros dependentes, por negar o acesso às proteções, benefícios e responsabilidades prorrogadas automaticamente para casais […] acreditamos que a justificativa oficial para a proposta de emenda constitucional é baseada em preconceitos, em vez de pesquisas empíricas […] a Associação Sociológica Americana se opõe fortemente à proposta de emenda constitucional para definir o casamento como estritamente entre um homem e uma mulher.

A Associação Canadense de Psicologia declarou em 2006:

A literatura (incluindo a literatura que os opositores do casamento de casais do mesmo sexo parecem confiar) indica que o bem-estar “financeiro, psicológico e físico dos pais é reforçado pelo casamento e que isso é benéfico para as crianças que são criadas por dois pais dentro de uma união legalmente reconhecida. Como a ACP declarou em 2003, os fatores estressores encontrados por pais homossexuais e seus filhos são mais prováveis ​​como resultado da forma como a sociedade os trata do que por causa de eventuais irregularidades na aptidão para a parentalidade. A ACP reconhece e valoriza as pessoas e instituições que têm direito às suas opiniões e posições sobre esta questão. No entanto, a ACP está preocupada que alguns desses grupos estejam interpretando mal os resultados da pesquisa psicológica para suportar as suas posições, quando as suas posições são mais precisamente baseadas em outros sistemas de crenças ou valores. A ACP afirma que as crianças só têm a se beneficiar com o bem-estar obtido quando a relação de seus pais é reconhecida e apoiada por instituições da sociedade.

A Associação Americana de Antropologia declarou em 2005:

Os resultados de mais de um século de pesquisas antropológicas sobre famílias e relações de parentesco, através de culturas e ao longo do tempo, não fornecem qualquer apoio para a visão de que tanto a civilização em si ou ​​ordens sociais viáveis dependam que o casamento seja uma instituição exclusivamente heterossexual. Em vez disso, a pesquisa antropológica leva à conclusão de que uma vasta gama de tipos de famílias, incluindo famílias construídas sobre casais do mesmo sexo, podem contribuir para sociedades humanas e estáveis.

O que diz a Religião
Nos últimos anos, as diferentes confissões religiosas têm discutido a aceitação de homossexuais e da homossexualidade, incluindo nesse debate a celebração de casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo.

Enquanto, na sua maioria, as religiões organizadas se restringem a celebrar casamentos entre pessoas de sexos diferentes, certas igrejas cristãs dos Estados Unidos, do Canadá e da Suécia (e, entre outros países, também do Brasil) abençoam uniões entre parceiras ou parceiros homossexuais. Entre elas, a Metropolitan Community Church e a Associação Unitária Universalista, nos Estados Unidos, a United Church of Canada, no Canadá, e a Igreja da Comunidade Metropolitana, a Igreja Para Todos, a Igreja Cristã Contemporânea e a Comunidade Cristã Nova Esperança, no Brasil.

Posição da Igreja Católica

A Igreja Católica Romana considera o comportamento sexual humano quase sacramental por natureza. Quaisquer ações relativas ao comportamento sexual homogenital são considerados pecaminosos porque atos sexuais, por natureza, são unitivos e procriativos – e assim devem continuar sendo. A Igreja também entende que a complementaridade dos sexos seja parte do plano de Deus para a humanidade. Atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são incompatíveis com essas crenças:

“Atos homossexuais são contrários à lei natural (…) Eles não vêem de uma complementaridade afetiva e sexual genuína. Não são aprovados sob nenhuma circunstância.”

Esses ensinamentos não são limitados à homossexualidade, mas também são a premissa geral para as proibições Católicas contra, por exemplo, fornicação, todas outras formas de sexo não-natural (sodomia), contracepção, pornografia e masturbação.

A Igreja declarou que desejos ou atrações homossexuais não são necessariamente pecaminosas em si mesmas. Eles são consideradas “inclinações desordenadas” que podem conduzir às tentações, para alguém fazer algo que seria o “ato objetivamente pecaminoso” (isto é, a relação homossexual, enquanto ato sexual). No entanto, as tentações não são consideradas pecados em si até que haja consciência do ato e o pleno consentimento da vontade do indivíduo que se deleita do mesmo, seja este apenas uma fantasia mental ou a própria pratica carnal. Tendo em vista que nem toda pessoa de orientação homossexual pratica a homossexualidade em si, abstendo-se de tais relações e preferindo uma vida de castidade a Igreja Católica, oficialmente cobra respeito e amor à aqueles que sentem atrações por pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo que se opõe a qualquer tipo de legitimação das uniões homossexuais.

Portanto a Igreja Católica se opõe a perseguição e violência contra os GLBT:

“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e , se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.”

No dia 31 de agosto de 2005, o papa Bento XVI aprovou um documento eclesiástico segundo o qual, a igreja “não poderá admitir no seminário e nas ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais enraizadas ou apoiam o que se chama a ‘cultura gay'”.

O documento transcreve o catecismo da Igreja Católica no que diz respeito ao tema:

“No que respeita às tendências homossexuais profundamente radicadas, que um certo número de homens e mulheres apresenta, também elas são objetivamente desordenadas e constituem frequentemente, mesmo para tais pessoas, uma provação. Estas devem ser acolhidas com respeito e delicadeza; evitar-se-á, em relação a elas, qualquer marca de discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que possam encontrar.”

Ponto de Vista Espírita
A homossexualidade, seja “provação”, seja “expiação”, sempre coloca seu portador em situação delicada perante a sociedade, já a partir do lar.
Em casa, de nada adiantarão brigas entre os pais, menos ainda acusações recíprocas. Violência ou ameaças contra os filhos portadores da homossexualidade, geralmente agravarão a convivência, tornando-a insuportável.

O confronto entre os costumes sociais e as exigências da libido já expõe o homossexual a um penoso combate, pelo que precisa ser ajudado. Dificilmente, sem ajuda externa, ele se livrará dos perigosos caminhos do abandono do lar, da promiscuidade, dos tóxicos, da violência e até mesmo do crime.
É no meio familiar que o homossexual deverá encontrar sólidos alicerces preparativos para os embates da vida, contando com o incomparável arrimo da compreensão, principalmente do respeito.
Pela Lei de Justiça divina, esse filho ou essa filha estão no lugar certo, entre as pessoas também certas: sua família.
Os pais, assim evangelizados, jamais condenarão o filho ou a filha, mas também jamais deixarão de orientá-los quanto à necessidade do esforço permanente para manter sob controle os impulsos da homossexualidade.

“Manter sob controle” é entender, prospectivamente, que tal tendência tem raízes no passado, em vida anterior, e que somente a abstenção, agora, livrará seu portador de maiores problemas, já nesta, quanto em vidas futuras…

“Manter sob controle”, ainda, é perseguir a vitória na luta travada entre o “impulso” e a “razão”, ou melhor, entre o corpo, exigente desse prazer e o Espírito, decidido à conquista da normalidade sexual.
Longe de condenar os homossexuais, o Espiritismo sugere-lhes o esforço da sublimação, único meio para livrá-los de tão tormentoso débito. Diz mais a Doutrina dos Espíritos, aos homossexuais:

o exercício continuado da caridade fará com que a tela mental se reeduque, substituindo hábitos infelizes por amor fraternal ao próximo;
se as forças sexuais forem divididas entre estudo, lazer e ações de fraternidade, elas se converterão em aspiração evolutiva espiritual, anulando os impulsos deletérios do desejo;
inquilinos desencarnados serão desde logo despejados do íntimo do reeducando sexual;
encarnados infelizes, pela falta de sintonia, igualmente se afastarão (ou serão afastados, por ação de protetores espirituais, sempre dispostos e prontos a ajudar quem se esforça no domínio das más tendências);
tanto quanto para o descaminho ninguém anda só, para a correção o Céu se abre em bênçãos, permanentemente;
jamais faltarão mãos amigas para acolher “os filhos pródigos” que retornarem à Casa do Pai, depois de terem morado algum tempo em casas afastadas do Bem!

Do Portal Espírita